Capítulo 16

— Quero fazer amor com você em cada quarto desta casa.
— Bem, você disse que queria a noite inteira. E a casa é muito grande.
Ela riu baixinho, e de repente ficou em pé, erguendo-a nos braços. Mas quando pensou que ia colocá-la na cama, abriu a porta e saiu, subindo a escada que conduzia a seu quarto.
Brittany abriu a porta com um empurrão.
— Se temos que começar por algum lugar...
Ela entrou no banheiro enorme, revestido de mármore, e logo o som de água borbulhando encheu o ar. Ela entrou na banheira de hidromassagem, e colocou-a na água.
— Oh!
— É para minha perna e meu quadril. Com a massagem não ficam rígidos.
— Mas há outras coisas que continuam bem rígidas — provocou Rachel, e debaixo da água fechou a mão sobre os seios rígidos. Brittany gemeu, apoiando-se na borda da enorme banheira. Rachel sorriu, maliciosamente, deslizando por baixo da água.
Brittany piscou, e logo gemia, agarrado à borda, quando ela tomou-a na boca, sugando, manipulando seu clitóris. E então ergueu a cabeça da água, tirando os cabelos da frente do rosto e sorrindo.
— Você é uma feiticeira. Uma feiticeira sedutora. — Segurando-a pela cintura, ergueu-a até a borda, afastou as pernas firmes e devorou-a com os lábios. O riso de surpresa desapareceu diante do desejo que a invadiu. Ondas de prazer se espalhavam por todo o seu corpo. Agarrando-se aos cabelos de Brittany, sentia-se livre e selvagem, e quando ela virou-a, colocando-se atrás dela, gritou:
— Agora, Brittany! Por favor! — E ela penetrou-a de uma vez seus dois dedos em Rachel.
Ela nunca sentira nada tão maravilhoso. O desejo era enlouquecedor, aumentando e pulsando cada vez que ela investia. Brittany agarrou-a pelos quadris, golpeando com os dedos cada vez mais forte. Ela adorava o modo selvagem de fazer amor. E então Brittany colocou a outra mão entre as coxas dela, fazendo-a gemer.
O controle de Brittany desapareceu diante da paixão avassaladora. Com os braços à volta de Rachel, penetrou-a mais e mais, até que o corpo forte estremeceu, entregue ao clímax da paixão. A noite seria longa pra essas duas amantes recém descoberta.

Brittany riu, agarrando-a por trás quando passava com um prato de bacon. Rachel colocou o prato sobre a mesa, e Brittany enterrou o rosto no pescoço macio de Rachel.
— Você cheira tão bem.
— Deve ser a gordura do bacon. Dá um toque de mistério. — Brittany riu, virando-a e beijando-a bem devagar.
O corpo de Rachel reagiu de imediato e ela puxou-a, acariciando as costas coberta pela camiseta azul. Ao afastar-se estava sem fôlego, e meio zonza de desejo, e afastou os cabelos dela do rosto.
— Se quiser, posso cortar seus cabelos.
— Não gosta do estilo roqueiro? — provocou ela.
— É bonita demais para se esconder atrás dos cabelos. — Brittany sorriu. Toda vez que Rachel dizia que era bonita, queria acreditar.
— Hoje à noite, então. — Ela beijou-a de leve, e afastaram-se para preparar o café.
Mastigando uma fatia de bacon, Brittany colocou pão na torradeira, enquanto Rachel pegava pratos e talheres no armário, arrumando quatro lugares. Troy aparecia toda manhã para tomar café, mas Melaine ainda ia dormir pelo menos mais uma hora. Brittany abriu a geladeira para pegar a manteiga, e ao fechá-la viu Rachel imóvel, fitando a porta. Franzindo a testa, acompanhou o olhar dela.
Melaine estava parada ali, os cabelos despenteados pelo sono, o ursinho pendurado numa das mãos. O pânico a envolveu. Oh, Deus! Ela veria as cicatrizes.
O olhar dela voltou-se para Rachel, e ela reconheceu o pedido de socorro. Uma coisa era ela aceitá-la, sem restrições. Mas uma criança de quatro anos era diferente.
— Bom dia, Melaine — disse RAchel, e só Brittany notou o tremor na voz.
Ela estendeu a mão, detendo-a onde estava, ao perceber que ia dar as costas à filha.
Melaine esfregou os olhos e bocejou.
— Bom dia, Rachel. Bom dia, mama. — Ela subiu na cadeira, colocando o urso na cadeira ao lado, olhando para os adultos. — Vai tomar café conosco, mama?
Melaine a olhava, ansiosa. Cheia de inocência e confiança. Sem medo.
Brittany pigarreou antes de conseguir falar:
— Vou, princesa.
— Que bom — disse Melaine, pegando uma fatia de bacon e começando a comer, enquanto Rachel se inclinava sobre o balcão para lhe servir suco.
RAchel olhou para Brittany, que parecia congelada, fitando a filha com os olhos cheios de lágrimas. Esquecendo a jarra, aproximou-se. Brittany não tirava os olhos de Melaine.
— Ela nem notou — disse, num tom rouco. Rachel sorriu.
— Mais uma pessoa que você subestimou, não é? — provocou, acariciando o rosto dela com a ponta dos dedos.
— Sim. — Ela riu, segurando-lhe a mão, e Rachel sentiu o coração se encher de alegria.
Brittany virou-se para Melaine, mas Rachel colocou a mão no braço.
— Vá com calma.
Ela assentiu, sem querer assustá-la, e quando a torrada saltou, virou-se para o balcão para cobri-la de manteiga.
— Gosta de geléia, Melaine? — A menina riu, feliz.
— Amora é minha favorita.
— Sei — disse Rachel. — Ontem era uva, anteontem, pêssego. — Ela beijou a menina no rosto, enquanto Brittany colocava o prato na frente da filha. Então, sentou-se ao lado de Rachel, vendo a filha tomar o café da manhã.
O dia não poderia ser melhor.

O vento batia no casaco de Rachel, e embora a chuva tivesse estiado um pouco, não havia sinal de que o tempo iria melhorar.
— Venha conosco — convidou Rachel.
— Vão vocês duas.
— Por favor, mama — pediu Melaine, sentada no banco do passageiro.
Rachel colocou a mão no braço da menina, interrompendo os pedidos. Tentava entender a apreensão de Brittany. Fazia cerca de uma semana que vivia fora das sombras. Mas estar com outras pessoas era um passo que Brittany ainda hesitava em dar. Por enquanto. Os moradores da cidade não foram receptivos desde o início e, para eles, Brittany ainda era a fera escondida no castelo. Ainda comentavam sobre ela e precisariam de algum tempo para se acostumar.
— Está bem — disse Rachel. — Não vamos demorar.
— Quero ir — disse Brittany, baixinho. — Mas não com Melaine por perto. Não sei o que faria se ela ouvisse os comentários que fazem sobre mim.
— Nem eu — concordou Rachel, com os lábios apertados. Brittany segurou o queixo delicado, adorando o modo como estava sempre pronta para defender Melaine e a ela.
— Quer dizer que não pretende aparecer para outras pessoas, só para Melaine e para mim?
— Não posso. Ainda não.
— Isto não pode durar para sempre, Brittany. Haverá reuniões de pais na escola, aulas de bale, festinhas... Vai negar a Melaine e a si mesmo uma vida normal por causa dos outros?
— Não. Mas preciso de tempo. — Rachel suspirou, tentando controlar-se.
— Está bem. Vou tentar entender. — Ela olhou para a menina que não estava interessada nos adultos e brincava com os botões do painel, antes de fitar Brittany novamente. — Eu me preocupo com vocês — disse baixinho, e Brittany sorriu. — Quero que sejam felizes, e esconder-se não será bom para Melaine.
— E para você?
— Também.
Brittany respirou fundo. Sabia que isso iria acontecer. Mas não queria discutir o assunto naquele momento.
— Podemos conversar hoje à noite, está bem?
— Ótimo.
Brittany gostou da determinação que viu nos olhos castanhos, quando Rachel ergueu o queixo, balançando o rabo-de-cavalo. Mas não se arriscaria a fazer um papel ridículo na rua principal. Quanto ao futuro, pensou, não podia prever o que aconteceria. Mas tinha certeza de que ela roubara mais do que o seu coração. E queria que esse sentimento durasse para sempre, sem interferência do mundo exterior. Tendo ao redor apenas ela, Melaine e Troy.
— Hoje à noite — disse, inclinando-se para beijá-la. Melaine riu e Brittany piscou para ela. A menina a aceitara, e também o relacionamento com Rachel, com toda naturalidade.
Eram uma família, Rachel era sua namorada, e todas as manhãs, quando acordava com ela em seus braços, experimentava um sentimento de paz e realização que jamais imaginara ser possível. Não deixaria que nada ameaçasse essa felicidade. Nunca.
— E melhor irem antes que a chuva comece outra vez. — Mais uma vez beijou a filha, dando a volta no carro junto com Rachel.
Ela sentou-se atrás da direção e colocou o cinto, checando o cinto de Melaine.
— Volte logo — sussurrou, ao beijá-la nos lábios.
— Não vamos demorar mais do que uma hora.
Rachel ia buscar ovos e leite, e alguma guloseima para manter Melaine entretida durante as próximas chuvas. A mercearia não podia entregar nada naquele dia, e estava ansiosa para sair um pouco. Não que se cansasse de estar com Brittany, dormir com ela, fazer amor...
A cada manhã, ia para o próprio quarto, antes de Melaine acordar, e embora Brittany tivesse protestado, não queria ver a menina fazendo perguntas que não poderia responder. Além disso, Brittany nunca dissera que desejava que o relacionamento fosse duradouro. Nem ela poderia insistir, perguntando se ela queria se casar. Ou mesmo perguntar se a amava ou se via nela apenas uma amante, que também cuidava bem de Melaine. Era melhor parar de pensar naquilo, ou ficaria maluca.
Brittany deu um passo para trás e Rachel fechou o vidro, dando a partida. Da primeira vez o motor falhou, mas logo em seguida pegou e ela afastou-se na direção dos portões. Parecia que estava saindo de um mundo e entrando em outro. Saindo do castelo e entrando na terra dos súditos, pensou, sorrindo sozinha.
Olhando pelo retrovisor, viu que Brittany acenava e fez o mesmo. Então ligou o rádio.

Notas finais
Ai Ai Ai Ai....Sair com uma tempestade a caminho. Sera que foi uma boa ideia.....?!?! Ate....