Capítulo 12

— Não é uma vista incrível? — perguntou, fazendo um gesto na direção da cidade abaixo delas, brilhando ao luar. A casa de Brittany ficava no alto, pairando sobre a vila como o castelo de uma ogra, que aterrorizava a todos. Não era de admirar que tivessem medo dela, admitiu Rachel.

— Achei que você gostaria.

Ela respirou fundo, sentindo-a mais perto.

— Mas pintar no escuro?

— Era a imagem que eu queria captar. A ilha adormecida — disse ela, assustando-se quando ela colocou as mãos nas costas da cadeira.

Ela observou a pintura semiacabada.

— Bem, você conseguiu.

A voz dela, tão perto do seu ouvido, suave e gentil, era capaz de prendê-la em um encantamento poderoso.

— As nuvens continuam a se mexer, encobrindo tudo.

— Há uma tempestade tropical na costa da Flórida. Pode ser que tenhamos algum efeito dela por aqui.

— A Mãe Natureza às vezes nos surpreende, mas aqui estamos seguros. A casa já resistiu a mais de vinte anos de tempestades.

Um longo silêncio pairou entre elas, quebrado apenas pela respiração de ambas.

— Obrigada pelas tintas, por tudo. Eu adorei.

— Por nada. Você tem um talento extraordinário.

— Obrigada — murmurou ela, comovida com aquelas palavras.

— Então, Rainha da Beleza, foi esse o talento que mostrou nos concursos?

Ela riu, não se importando pelo modo como a chamara.

— Não, não foi.

— E não vai me dizer qual foi, não é? — provocou Brittany. Ela sacudiu a cabeça, negando, e ela continuou:

— Gosto de desafios. — E depois de uma pausa, disse, baixinho: — Seu perfume é gostoso.

— O seu também — sussurrou ela, mas quando virou o rosto ela se afastou depressa na direção da janela.

Brittany ficou de costas, as mãos apoiadas no batente da janela alta. O luar brilhava nos cabelos escuros, e mais uma vez Rachel admirou-se ao ver como era alta e definida.

— Tem medo de mim? — Ela perguntou

— Não vê como estou tremendo? Sabe, não seria tão misteriosa para as pessoas da cidade se não se escondesse deles.

— Eles também não se aproximam.

— Não é de admirar. Com a muralha ao redor do castelo e toda aquela floresta de carvalhos à volta da propriedade... francamente, Brittany, por que não planta flores? As velhas árvores são bonitas, mas ficam um tanto tenebrosas ao entardecer e...

— Rachel...

— Sim?

— Está fugindo do assunto. — Ela baixou os braços e virou-se, ficando de frente para ela, as costas apoiadas na janela. O coração de Rachel batia disparado.
Podia ver o rosto dela. O lado direito, sem cicatrizes, e era muito bonita, os cabelos loiros eram perfeitamente arrumados, a blusa imaculadamente branca. Como sempre, usava calça preta de couro e blusa branca.

— Você mesmo corta seus cabelos?

Ela passou os dedos pelos fios loiros e riu baixinho.

— Acho que dá para perceber, mesmo no escuro.

— Posso cortar para você, se quiser. Costumava cortar os cabelos dos meus irmãos e irmãs.

— Não, obrigado. Ninguém vê, mesmo.

— Não é essa a questão. — Rachel levantou-se. — Você vê, Brittany... — Ela parou.

— O que foi?

— Não podemos continuar assim. Esconder-se nas sombras não faz bem a nenhuma de nós.

— É a sua opinião.

— O que ganha com isso?

— Minha privacidade, minha dignidade. Meu amor-próprio. Ela sacudiu a cabeça.

— Não é verdade. Apenas mantém vivas as feridas que ela causou. Nem todos são como Santana.

— Faz muito tempo que superei o que aconteceu com ela.

— Acredito. Mas ela deixou uma marca profunda, e não gosto disso.

— Que pena — disparou ela.

Rachel sentiu as defesas dela se erguerem como uma onda gigantesca.

— Então é assim? Pretende ficar escondida até transformar-se numa fera selvagem?

— Não force a situação. Sabe que não é assim.

— Ora, Pierce, pare com isso. Sei quem você é, não como aparenta ser. — Ela deu um passo à frente.

— Deixe-me vê-la.

— Não.

— Você me deu o presente mais precioso que já recebi — disse, apontando as tintas, telas e pincéis. — Você me viu como sou. Não a beleza que ganhou os concursos. Mas não me deixa lhe dar nada.

Ela sabia o que Rachel oferecia. Era a promessa de não rejeitá-la, de não sentir repulsa. Mas não podia se arriscar. Não agora, quando começava a se sentir como um mulher outra vez, não quando ela a fazia desejar ir para a luz, quando queria acima de tudo sentir o perfume dela.

— Você me deu uma chance com minha filha.

— E isso é suficiente? — Ela não respondeu. — É?

— Não! — ela quase gritou. — Não, desde que você entrou em minha casa.

Rachel respirou fundo, dando um passo à frente.

Brittany fitou-a da cabeça aos pés, o rosto lindo iluminado pelo luar, os longos cabelos brilhantes sobre os ombros, o corpo escondido pelo roupão fino e pelo pijama.

— Mas é assim que tem que ser.

— Não, não tem. Não comigo.

Ela fechou os olhos, inclinando a cabeça para trás. Brittany abria e fechava os punhos, enquanto o perfume de Rachel a envolvia, enfraquecendo seu autocontrole.


— Tenho que ir. Agora. Ela segurou-a pelo braço.

— Deixe-me ir, mulher.

O calor dela parecia atravessar sua roupa.

— Por quê?

Ela endireitou a cabeça e fitou-a. Rachel estava a poucos centímetros dela. O desejo a envolveu, vivo e intenso, e ficou difícil respirar. Engolindo em seco, confessou:

— Porque se tocá-la não poderei parar.

O coração de Rachel acelerou e ela ergueu a mão, tocando-a no rosto, acariciando de leve o lado sem cicatrizes. Ela se encolheu, e Rachel sentiu toda a dor do isolamento, da solidão.

— Oh, Rachel — disse Brittany, sem fôlego, aspirando o perfume da mão macia. — Não posso. Vou enlouquecer.

— Não, não vai.

— Sim — murmurou ela, segurando a mão macia e beijando a palma, os dedos. Todo o corpo de Brittany tremia.

Aquele mulher forte, que sobrevivera à tragédia, que se escondera nas sombras, tremia por causa dela. E isso fazia com que se sentisse especial, querida. Naquele momento, Rachel soube que seu coração estava perdido, e seu corpo também desejava a mesma coisa.

Deslizando os dedos por entre os cabelos loiros, puxou-o para mais perto.

— Se ficar louca, por favor, me leve com você.

Num segundo ela aproximou os lábios dos dela, devorando, invadindo, ardente de desejo e paixão. Ela a desejava mais do que qualquer coisa, mais até do que à vontade de ficar sozinho. Rachel abriu os lábios e a língua exigente penetrou mais fundo.

Brittany não conseguia respirar, nem pensar, só sentir, depois de um longo tempo em que não sentira nada além da enorme solidão e desolação. Rachel era um raio de sol na escuridão que a vida dela se tornara, uma tentação à qual não podia resistir, não quando estava em seus braços, não quando ela a beijava loucamente.

O braço circundou-lhe a cintura, apertando-a, o corpo tremia mostrando-lhe o que um simples beijo podia provocar.

Estava quase envergonhada ao ver como ela a excitava. Afastando-se um pouco, para respirar e fitá-la nos olhos, murmurou:
— Não devemos.

— É tarde demais... — gemeu Rachel, antes de beijá-la outra vez, apertando ainda mais o corpo contra o dela, acomodando-se entre as coxas grossas. A mão delicada tocou-lhe o pescoço e o ombro direito, descendo para o busto.

Ela gemeu, deslizando a mão até os quadris arredondados e puxando-a para si. O calor de Rachel atravessava as roupas, e Brittany enrijeceu quando ela tocou o ombro esquerdo, cheio de cicatrizes, escondido sob a seda, e retirou sua mão, beijando cada dedo. Ela quase ficou decepcionada, mas ela continuava a acariciá-la com a outra mão, e Brittany percebeu que não queria magoá-la. Beijando-a com mais paixão, abriu o cinto do roupão, e tocou o seio macio, sentindo o mamilo enrijecer. Ela acariciou-a, fazendo-a gemer. E então ela desabotoou a blusa do pijama, e ela ajudou-a, puxando o tecido pelos ombros até expô-la totalmente. O olhar dela percorreu os seios nus e, abaixando a cabeça, tomou entre os lábios o mamilo ereto, sugando, lambendo.

Ela inclinou o corpo para trás, numa oferta silenciosa, enterrando os dedos nos cabelos dela. Ela mordia, sugava, traçando com a língua pequenos círculos ao redor dos mamilos, sentindo o gosto de limão e mel, admirando os seios perfeitos à luz da lua. Ela gritou, um grito de pura paixão, e o desejo de Brittany cresceu.

Queria lhe dar prazer, queria vê-la gritando no momento do clímax.

Ela a desejava.

— Preciso tocar você. É tão macia, quente. Tão doce... — Ela estremeceu quando os dedos de Rachel lhe acariciaram . Deixando-se cair sobre o tapete, puxou-a contra si.

Rachel abraçou-a, o corpo dela apenas um vulto contra o luar, enquanto ela a beijava com uma paixão selvagem. Ela a queria mais, e ela estava pronta para lhe dar tudo que desejasse.

— Se quiser parar, diga — sussurrou ela, afastando os lábios dos dela apenas alguns centímetros.

Rachel segurou a mão dela, que estava sobre o seio macio.

— Se parar agora, bato em você.

Ela riu, beijando-a novamente, deslizando os lábios pelo pescoço até chegar aos seios, beijando cada um deles antes de continuar descendo. Os músculos dela enrijeceram de antecipação quando a mão dela puxou o elástico da calça de pijama que ela vestia.

Os dedos de Brittany encontraram a pele quente e úmida, entre as coxas, e então ela introduziu um dedo, devagar, na fenda macia.

Rachel estremeceu, agarrando-se às mangas da camisa dela, puxando-a para si. Ela não parou, acariciando, penetrando mais fundo, levando-a até perto do clímax. Ela ondulava, gemia, e ela saboreava cada som, cada movimento.

Era uma criatura selvagem, dizendo a ela como era bom, como a desejava, como queria mais e mais.

— Vamos, minha bela, quero que se abra para mim — sussurrou ela, os lábios junto ao ouvido de Rachel.

— Sou sua — ela gemeu, guiando a mão dela.

— Ainda não.

Num minuto ela se afastava, puxava a calça do pijama de Rachel e afastava-lhe os joelhos. Uma das mãos macias deslizou sob os quadris dela, erguendo-a, a boca cobrindo a carne macia, os dedos mergulhando mais fundo. Rachel gritou, movendo os quadris, e um turbilhão de desejo a envolveu. A língua dela se movia, provocando, excitando, fazendo o desejo crescer mais e mais.

Brittany podia sentir os músculos delicados enrijecerem, o corpo dela pedindo desesperadamente pelo clímax, e adorou cada sensação. Queria desfrutar melhor do corpo da mulher a sua frente. Mas nunca poderia ser assim. Não podia fazer amor com ela no escuro, como uma criatura das trevas. Rachel merecia muito mais de uma mulher. Mas aquilo era tudo que ela podia lhe dar.

Assim, sugou e lambeu o botão pulsante, os dedos mergulhando mais fundo, até que ela explodiu de prazer, gritando. A intensa onda de prazer que sacudiu aquele corpo delicado atingiu-o intensamente, ameaçando seu autocontrole.

Rachel apenas gemeu, baixinho:

— Acho que vou morrer...

Ela mal conseguiu respirar, pois Brittany beijou-a novamente, ainda acariciando-a.

Notas finais
Ate...