A Beira Da Loucura
3 Keep calm Jeniffer
Acordei muito tarde – considerando o fato que desde que eu cheguei aqui eu sempre acordo as seis ou no máximo até as sete – meio o dia e meia, encarei o relógio e resolvi levantar e me assustei com o frio intenso que estava fazendo, tive uma vontade muito grande de voltar para de baixo das cobertas mas acho – na verdade tenho certeza – que eu já dormi de mais. Após tomar um banho super quente e colocar a blusa mais quente que eu trouxe na minha mala fui para cantina ver se tinha chocolate quente ou qualquer bebida que me aquecesse desse frio, para a minha absoluta sorte havia chocolate quente que é com certeza a melhor bebida para se tomar em um dia como esse. Agradeci a senhora simpática da cantina e fui andando lentamente pelo corredor em direção ao meu quarto e avistei Adair no caminho indo para o lado oposto do meu.
– Oi ! – Falei amigavelmente.
– Oi. – Ele disse daquele jeito gélido de sempre.
– Você consegue ser mais frio que o dia de hoje... – Disse baixo mais para mim mesma do que para ele.
– O que ?
– Nada, eu tenho que ir. – Desviei dele e sai andando apressadamente.
Eu definitivamente não estava com a minima vontade de sair do meu quarto e das minhas cobertas quentes para ir visitar o Adair, acho que esse jeito frio e sem emoção dele já está começando a me irritar, eu sei que isso não é por mim e sim para o meu livro que é minha prioridade maior agora, então eu tenho que deixar essas minhas besteiras sentimentalista de lado. Fiquei lendo o único livro que eu havia colocado na mala, o mesmo era grande por isso levei somente ele e também eu tenho que focar no meu próprio livro não na minha diversão literária, quando era mais ou menos umas onze horas da noite deixei o livro de lado e fui dormir. Mal acordei e já estava com sono – eu ando muito preguiçosa ultimamente – me levantei a todo custo e fui me trocar, olhei no relógio e ele marcava exatamente seis e trinta e sete da manhã pelo menos estava no horário correto e eu poderia tomar meu café da manhã sossegada, fui até a cantina e comi meu pão e tomei meu suco tão lentamente que eu achei que iria acabar dormindo no meio do percurso, olhei para a janela e vi que estava um sol bem fraco lá fora resolvi sair e me sentar no banquinho. Fiquei ali sentada com a cabeça encostada na arvore que havia ao lado e acabei cochilando, acordei com alguém me cutucando com dedos extremamente gelados que me davam certos arrepios quando ia de encontro com a minha pele, abri os olhos e vi Adair – só falta ele ter me acordado para ficar do meu lado como um morto enquanto eu tenho que fazer um enorme esforço para manter a conversa viva – , revirei os olhos me levantando e fui caminhando rapidamente para dentro em direção ao meu quarto e ele me acompanhou poucos centímetros atrás de mim. Abri a porta do meu dormitório e ele nem esperou eu falar "pode entra" e já foi adentrando o local se sentando na minha cama, ficamos ali sentados um do lado do outro sem dizer uma palavra por longos minutos no começo eu não estava nem um pouco afim de ficar me esforçando para ter um dialogo digno com ele, mas agora esse silêncio está me irritando.
– Então... – Disse o olhando para ver se o mesmo falava alguma coisa afinal ele que tinha me procurado, como o esperado ele não respondeu nada – Como vai ?
– Ótimo.
Ele nem mesmo me voltou a simpática pergunta, que cara mal educado... Nossa mas o que você esperava de um psicopata Jeniffer? Um sorriso aberto e um abraço apertado?! É, talvez o maluco aqui não seja ele. Ótimo, agora estou tendo um dialogo sarcástico comigo mesma na minha mente, você está ficando biruta Jeniffer Dawnson. Coloquei umas musicas no meu notebook para tocar afim de amenizar um pouco aquele silêncio perturbador, ele pareceu gostar de algumas musicas e agora seus dedos encostavam em sua coxa sincronizadamente com a batida da musica eletrônica.
– Você gosta de música agitada assim ? – Perguntei ainda olhando para seu dedos que haviam parado de se mexer com a minha pergunta.
– Talvez, eu nunca tinha escutado uma música assim. – Como alguém nunca escutou música eletrônica ?! Por favor, até minha avó já ouviu.
– Quer dançar ? – Ele virou seu rosto pra mim e ficou me encarando o que me deixou envergonhada pelo meu pedido. – É, que, sabe as pessoas... Bem, elas dançam quando esse tipo de música toca.
– E como se dança isso ?
– Bom, você só precisa mexer os pés e o corpo em sincronia.
– Me mostra ?
– Claro. – Me levantei e comecei a dançar e ele ficou estático me observando.
– Eu vou ter que rebolar desse jeito ? – Parei de dançar e senti minhas bochechas queimarem.
– É, não, as mulheres que normalmente dançam assim... – Falei tentando miseravelmente esconder o quanto eu havia ficado sem graça.
Adair se levantou e começou a se mexer, ele estava meio duro então eu coloquei minhas mãos sobre seus braços e comecei a guia-lo, o mesmo só olhou para minhas mãos ali e não fez nada a não ser amolecer os braços para que eu tivesse mais controle, então a musica acabou e nós paramos de dançar e sentamos novamente.
– Eu quero te mostrar uma coisa. – Falou ele se levantando e logo em seguida trancando a porta e cobrindo a janela com o pano que havia ali, se sentou novamente e tirou um saquinho com um pó branco de dentro do bolço.
– Oh meu deus ! – Falei arregalando os olhos – Onde você conseguiu isso ?
– Um amigo veio me visitar e me deu.
– Você sabe que isso é cocaína né ?
– Claro, você sabia que a maioria dos escritores usam esses tipos de drogas para dar novas ideias, achei que você usasse também.
– Você usa isso ? – Perguntei ignorando o que ele acabou de falar.
– Usei duas vezes e foi numa quantidade pequena, por isso te dei um pouco é apenas para você relaxar não para ter alucinações. – Era incrível a forma que ele falava como se isso fosse super natural. – A maioria das vezes que eu ganho isso eu vendo para os outros internos, não gosto muito dessas coisas.
– Você trafica ? – Ótimo, um psicopata traficante.
– Eu faço um esquema para conseguir os dias livres deles e eles ficam com um saquinho desse, não envolve dinheiro. – Os dias livres são os dias que eles ficam sem falar com os psiquiatras, não sei como o Adair consegue escapar deles e na verdade eu nem quero saber.
– Quantos saquinhos desse você tem no seu quarto ?
– Um, que é para o John do quarto 203, você faz muitas perguntas isso é chato. – É que sabe não é todo dia que alguém aparece me oferecendo um saquinho de COCAÍNA.
– Isso é errado Adair. – Falei tentando me manter calma.
– Estou indo embora. – Virou as costas para mim abriu a porta e saiu.
Eu já havia experimentado cocaína uma vez – não me julguem porque quando se está bêbada em uma balada com a minha amiga Emma, você com certeza fará alguma merda – , mas receber aquilo da mão do Adair me deixou um pouco chocada, encarei o saquinho que estava na minha mão e resolvi guardar no fundo da minha mala para que eu não corra o risco de alguém ver, talvez eu precisasse dele algum dia. Sai do meu quarto para pensar um pouco, sentei em um dos banquinhos e fiquei observando os internos brincarem e aquilo me fez dar um sorriso de lado, a cena poderia ser um pouco chocante para alguém de fora – adultos com seus vinte anos ou mais brincando de carrinho e boneca como verdadeiras crianças – mas para mim aquilo havia se tornado tão comum e eu até achava legal, afinal quem não queria ter a inocência de uma criança as vezes ? Bom, acho que muitas pessoas, mas ao mesmo tempo nenhuma queria ser igual eles nem ao menos eu, ter a inocência de uma criança de vez em quando seria legal mas para o resto da sua vida deve ser horrível, e o pior é que eles não tem escolha simplesmente estão acorrentados a isso. Depois de um tempo cansei de ficar ali os internos estavam fazendo muito barulho porque um deles atacou a boneca da outra interna no chão e ela pisoteou seu carrinho e agora estava uma briga sem fim, subi para o meu quarto tomei um banho e me deitei dormindo logo em seguida.
Acordei as seis em ponto da manhã e fui para o refeitório, avistei Adair sentado na mesma mesa distante de todos e resolvi não ir falar com ele – eu ainda estava meia chocada/envergonhada com o episódio de ontem – me sentei mais ao fundo do refeitório do lado de uma janela e fiquei observando as arvores balançarem com o vento forte que fazia lá fora, até que escutei o barulho de uma cadeira se arrastando e olhei para o lado vendo Adair se sentando ao meu lado o que gerou uma grande surpresa em mim.
– Você está brava comigo por ontem ? – Ele falou do mesmo e agora já velho modo frio de sempre.
– Não, talvez só um pouco chocada e envergonhada.
– Não precisa disso eu só te ofereci para diversão Jeniffer. – Ele nunca havia dito meu nome – na verdade eu tinha quase certeza que ele nem soubesse – e eu gostei da forma que ele ecoava de seus lábios.
– Você pode me chamar de Jeni se quiser. – Falei ansiando para que ele atendesse meu pedido.
– Ok, Jeni. – Ele disse voltando a se concentrar no seu copo de suco o tomando lentamente.
Senti meus pelos se arrepiarem ao escutar o meu apelido sendo emitido pela aquela voz grossa e fria, isso é exatamente estranho porque ele só disse meu apelido não é como se ele estivesse me pedindo uma noite sexo para eu ter ficado tão animada assim... Ei, espera que droga é essa que eu estou pensando ?! Mantenha a calma Jeniffer.
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