A Beira Da Loucura

11 A ultima luz brilhante


Notas iniciais
Eu queria pedir desculpas pela demora, sério mesmo gente desculpa vou tentar não demorar tanto no próximo capitulo. Boa leitura!

Nós estávamos em um vasto e estranho bosque onde a única coisa que se podia escutar era o barulho de nossos passos massacrando as folhas secas e os galhos. A cada segundo Adair me olhava e dava um sorriso de lado e eu apenas sorria de volta, nós ficamos assim por um bom tempo até ele parar bruscamente e me prender contra o tronco de um arvore aproximando cada vez mais nossos corpos como se o espaço entre eles fosse incomodo – realmente era –, ele inclinou sua cabeça pro lado começando a mordiscar e lamber meu pescoço incessantemente e eu já variava em murmúrios ininteligíveis quando fui tomada pelo seu olhar penetrante e obscuro, por um momento eu senti medo, mas ele rapidamente se esvaiu quando os olhos de Adair foram direcionados para minha boca e eu ansiei para que seus lábios tocassem os meus novamente e ele parecendo querer o mesmo foi se aproximando dos meus lentamente e cada milésimo era torturante, quando eu senti meus lábios relar nos dele e estava pronta para ter aquela sensação maluca pelo meu corpo que só o seu beijo me causava, mas, ao invés disso eu senti uma queimação na minha barriga e logo depois veio uma dor descomunal e meus olhos lacrimejaram. Olhei para baixo vendo um objeto metálico perfurando meu abdômen segui a mão que segurava o objeto firmemente o mantendo enfincado em mim e meus olhos derramaram automaticamente as lagrimas que ali estavam se acumulando quando encontrei o rosto do Adair e ele sorria estranhamente como se aquilo fosse divertido.

– Had... – Foi a única coisa que eu conseguir dizer antes dos meus olhos perderem as forças e se fecharem me entregando a escuridão.

Abri os olhos assustada percebendo que tudo não se passou de um sonho me fazendo suspirar aliviada, tomei meu banho para tirar o suor e acalmar meu corpo que estava agitado por conta do sonho e logo depois fui para o refeitório me alimentar. Com a bandeja em mãos eu peguei o de sempre e me sentei na mesa perto da janela, eu não pensava em mais nada além do pesadelo e o medo já começava a dominar meu corpo novamente até que mãos frias tocou meus ombros e me arrepiou instantaneamente.

– Bom dia, Jen. – Deu ênfase no meu mais novo apelido.

– Bom dia. – Falei com medo de encarar seu rosto e ver aquela expressão do meu sonho de novo.

– Tudo bem? – Perguntou se sentando na minha frente.

– Hm, talvez e você?

– Talvez? Estou bem como nunca estive antes. – Eu o encarei e ele estava com um sorriso que jamais havia visto antes o que me fez perceber que ele tem leves covinhas em cada lado da bochecha, suspirei aliviada e sorri de volta.

– Isso é ótimo... Preparado para tirar fotos? – Disse começando a me animar.

– Sim, você está estranha aconteceu alguma coisa?

– Não, eu só estou um pouco cansada. – Ele me olhou desconfiado. – Está tudo bem, Had.

– Ok, então vamos ir tirar as fotos.

– Mas, eu nem terminei de tomar meu café. – Falei franzindo as sobrancelhas.

– Hm. – Ele se levantou pegou o pote com salada de frutas da minha bandeja e em seguida segurou minha mão. – Agora vamos.

Fui andando e comendo ao mesmo tempo em direção ao quarto do Adair, ele pegou a câmera que era uma semiprofissional consideravelmente boa e saímos andando novamente em direção ao local que eu fui atacada por formigas.

– Agora é só apontar a câmera e tirar a foto, certo? – Dei uma leve risada.

– Não, você tem que ver se a iluminação, o ângulo e a imagem estão bons e a imagem tem que ser algo que te atraia que você já imagine a foto na sua cabeça antes mesmo de tira-la, entendeu? – Ele assentiu e apontou a câmera para uma arvore que estava um pouco iluminada pelo fraco sol.

Tiramos dezenas de fotos algumas ficaram realmente boas, Adair leva jeito para isso só precisa treinar mais. Estávamos descansando sentados na grama e dessa vez eu vestia uma calça e estava com minha blusa de frio estirada embaixo de mim então nada de formigas me atacando.

– Olha essa foto aqui está horrível. – Ele virou a câmera para mim ver a foto e realmente ela estava uma porcaria com o dedo dele tampando metade da foto e ela ainda saiu tremida, com certeza essa foi uma das primeiras fotos que ele tirou.

– Concordo plenamente. – Falei e ele olhou para foto de novo fazendo uma careta engraçada o que me fez ter um ataque de risos.

– Do que você est... Ei, continua assim! – E antes deu conseguir parar de rir um flash foi desferido na minha direção, ele olhou para câmera e sorriu. – Acho que eu achei a tal imagem que você falou.

– Que eu falei? – Disse me recuperando do ataque de risos anterior.

– A imagem que te atraia que você já a imagine antes de tira-la. – Explicou ainda olhando a câmera.

– Deixa eu ver? – Ele assentiu e me entregou a câmera e eu sorri de lado quando vi a foto, eu estava com a cabeça um pouco inclinada para trás enquanto ria o céu alaranjado iluminava um pouco meu rosto e algumas arvores aparecia ao fundo. – Isso está ótimo. – Ele sorriu e eu tirei uma foto dele sorrindo.

– Ei!

– Você fez a mesma coisa comigo. – Relatei olhando para foto e sorrindo involuntariamente, o sorriso dele é lindo, ele é lindo.

– Eu quero ver. – Falou pegando a câmera da minha mão e olhando. – Ficou legal, eu nunca tirei fotos minhas, a não ser as fotos que tem que estar na ficha das clinicas que eu já fui internado.

– Que tal uma foto juntos? Eu quero ter uma foto nossa para lembrar desse momento. – Para lembrar de você.

– Hm, ok. – Peguei a câmera de sua mão e fiz careta mandando ele fazer também ele riu de lado logo fazendo uma careta igualmente a minha e eu tirei a foto. – Isso deve estar horrível.

– Vamos ver. – Falei olhando e sorrindo. – Não está horrível.

– É, eu gostei.

Conversamos mais um pouco e fomos pro meu quarto para passar as fotos pro notebook.

– Essa está boa sim.

– Não, eu não gostei. – Bufei em discordância e apaguei.

– Como você é chato. – Continuamos a discordar em que fotos apagar ou não e acabamos entrando num acordo no final. – Pronto todas as fotos estão sãs e salvas. – Falei me deitando na cama e sentindo a cama afundar ao meu lado avisando que Adair também se deitou.

– Essa coisa de foto cansa.

– Uhum. – Murmurei com preguiça.

– Posso te perguntar uma coisa? – Assenti. – Você ainda tem aquele negócio que eu te dei? – Demorei alguns segundos para lembrar de que negócio ele havia me dado e quando me toquei fiz uma expressão surpresa.

– Ahn, sim.

– Você já usou um pouco?

– Não, por quê?

– Você acharia errado se eu sugerisse que a gente usasse?

– Deixa eu pensar. – É lógico que você tem que dizer não.

– E então?

– Eu vou pegar. – Foda-se a minha consciência.

Me levantei e fui até minha mala abrindo o fundo dela e pegando o saquinho de cocaína, eu não sei que merda estava fazendo só achei que seria “diferente” se a gente tentasse.

– Sabe fazer isso? – Ele assentiu se levantando e pegando o saquinho da minha mão o despejando na mesinha de madeira e fazendo duas fileiras.

– Agora você já sabe o que fazer. – Disse e eu fui em sua direção abaixando e cheirando a fileira junto com ele. Meu nariz ficou um pouco irritado e eu segurei o espirro sentindo ele queimar e ficar vermelho, o nariz do Adair também estava vermelho só que ele parecia não se importar.

O efeito da droga já estava se fazendo e eu senti uma imensa vontade de dançar pegando meu notebook e colocando umas músicas agitadas, comecei a girar rebolando e peguei o braço de Adair o colocando na minha cintura fazendo ele dançar comigo e ele o fez muito bem até, subimos em cima da cama e começamos a pular e rir como crianças bobonas, era tudo tão engraçado. Nos deitamos um de frente para o outro e fizemos caretas estranhas rindo logo depois ficamos nisso durante um bom tempo até eu subir em cima dele e começar a dançar e rir em cima do seu corpo, ele me observava com um sorriso de lado.

– Você é tão bonita. – Adair disso meio lento e arrastado.

– Vou te contar um segredo, mas, shiuuuuu, ok? – Falei pondo o dedo em seus lábios indicando silencio e ele assentiu. – Eu acho a mesma coisa de você. Tão, tão, tão, tão bonito. – Nos encaramos e rimos. – Me beija?

– Beijo? – Rimos mais.

– É, seus lábios são tão bonitos.

– São? – Eu afirmei balançando a cabeça freneticamente logo ficando tonta e começando a rir novamente. – Eu gosto quando você ri assim, me dá vontade de te beijar. – E assim ele me beijou mordendo meus lábios, puxando meus cabelos da nuca e me apertando mais contra o corpo dele. As mordidas ficaram mais fortes fazendo vários cortes em meu lábio, o puxão na minha nuca estava doloroso e os apertos que ele dava pelo meu corpo ardia fortemente, era sufocante e ao mesmo tempo gostoso.

Paramos com o contato e ficamos encarando um ao outro até que caímos numa gargalhada sem fim, eu me sentia tão leve, estar ali em cima de Adair gargalhando sem motivo algum se tornou uma das minhas coisas preferidas na terra.

– Had. – Disse arrastando o apelido de forma manhosa. – O que nós somos? – Perguntei rindo.

– Somos a amizade, não espera! Somos amigos. – Falou rindo junto comigo e eu de repente parei de rir.

– Amigos não se beijam, se beijam? – Questionei com o semblante de dúvida.

– Acho que sim.

– Hm, não! – Falei sentando em seu colo. – Amigos não se beijam como eu te beijo.

– Não? – Fez cara de dúvida.

– Não sei. – E começamos a rir de novo e eu me deitei em seu corpo novamente.

– Eu gosto de ter seu corpo em cima do meu.

– Eu também gosto. – E gargalhamos mais uma vez. – Por que estamos rindo?

– Porque... – E foi interrompido por sua própria risada me fazendo rir.

– Você está vendo essas luzes brilhantes pelo quarto também? – Perguntei entre risos.

– Sim, brilham como as estrelas.

– Estamos no céu?

– Não sei. – E mais risadas foram ecoadas pelo quarto.

– Had, não deixa eu me apaixonar por você, tá?

– Se apaixonar? – Gargalhamos. – Você só vai se apaixonar por mim quando a última luz brilhante desse quarto apagar.

– Ok.

Continuei deitada em cima dele só que agora em silêncio, minutos depois meus olhos começaram a pesar e as luzes brilhantes começaram a apagar até que a última luz se apagou e meus olhos se fecharam. Eu me apaixonei.