A Beautiful Lie

3 Capítulo três: The Believer


Notas iniciais
Povo, me desculpe a demora para postar capítulo novo, é que eu fiquei de recuperação em matemática -.- e consequentemente sem internet. Enfim, o capítulo tá ótimo enjoy.

Capítulo três: The Believer
Acordei com uma nota aguda roçando-me a orelha. Procurei a fonte daquele barulho insuportável, chocando minhas mãos com um objeto metálico, que após alguns instantes, descobri ser o despertador. Marcava sete horas da noite. Sabia que eu mesma o havia programado para tocar naquele horário, pois minha festa de aniversário seria comemorada dali a alguns instantes. Porém, não tinha a mínima vontade de me levantar. De repente a vida não parecia mais convidativa, e sim, banal... Ah, amor. O amor é o convite à um futuro tão previsível. Tão cheio de mágoa. Melhor ficar deitada na cama esta noite. Realmente não percebi quando havia começado a chorar. Acho que à partir do momento que pensei em Jared. Contive as lágrimas e os soluços com muito esforço, e, obrigando a mim mesma a se levantar, caminhei cambaleante até a suíte, onde lavei minha face numa tentativa mal sucedida de esconder a cara de choro. Desistindo, acabei tomando um banho quente e relaxante, o que me fez pensar no que havia acontecido horas atrás. Sou uma idiota. Não só pensei, como repeti a frase em voz alta, como se aquilo fosse me oferecer algum tipo de alento. Mellanie, o que você fez? Ele não sente nada por você, é só o seu melhor amigo. Você fez papel de tola. Acho que você deve desculpas a alguém. Respirando profundamente, enrolei-me na toalha, e peguei uma roupa qualquer no closet, com um desinteresse assustador. Saí do quarto quando conseiderei-me "apresentável". Desci as escadas com um pedido de desculpas já gravado na mente. Encontrei Jared de costas pra mim, fitando a janela da sala. Caminhei silenciosamente, com um medo infantil de irritá-lo de alguma maneira. Porém, de qualquer forma, ele acabou ouvindo o som abafado dos meus passos no piso de madeira. Se virou lentamente para mim, os olhos tão azuis, hoje, opacos. Abri a boca, porém não emiti som algum. Não sabia o que dizer, simples. Nada que pudesse falar parecia a altura dele. De algum jeito estranho não queria estragar aquele momento. Algo nele me pedia para não fazê-lo. Calada, sustentei seu olhar. Após uma pausa tensa, ele desviou o rosto do meu, mirando o chão.
— Me desculpe... — foi quase um sussurro gentil. Nunca soube exatamente o que aconteceu ali. Jared cobriu a distância entre nós rapidamente, abraçando-me com força, enquanto apoiava o queixo no topo da minha cabeça. Meu corpo agiu de modo automático pelo simples contato com sua pele. Envolvi suas costas com meus braços, enterrando o rosto em seu pescoço. Tentei gravar ao máximo aquela cena em minha mente, pois parecia a última vez que o iria sentir tão proximo à mim. Naquele instante, percebi o quanto ele também precisava de mim. Não. Precisava não é a palavra. Talvez "dependia" se encaixe melhor. Finalmente aquelas simples palavras saíram desapercebidamente por meus lábios.
- Eu não quero perder você.
Pareceu errado. Senti seu corpo enrijecer. Ele afastou o rosto alguns centímetros, para poder me fitar. Havia um brilho estranho em seus olhos.
- Porque?
- Porque? — Procurava inventar uma desculpa — Porque você é meu melhor amigo e... — Sentía-me mais idiota que o normal. Aquilo não o convenceu, ele deixou explícito na expressão — além disso você é importante. — Procurei fingir desinteresse. Ele segurou meus ombros com as mãos, exercendo uma leve pressão.
- Não. — Ergui uma sobrancelha, ele balançou a cabeça, como se tentasse clarear a mente. — Não, Mellanie. Não minta pra mim. Aqueles olhos pareciam enxergar mais do que desejava que fossem capazes. Sabia que não conseguiria mentir pra ele. Estava na hora. Precisava dizer que o amava.
- Jared, porque eu te...
- Surpresa! A porta se escancarou, e dela surgiram várias pessoas. Várias amigas de infância. Jared se afastou, ficando novamente de costas pra mim, apoiando-se na janela. Uma jovem ruiva, esguia e bem vestida me abraçou, soltando gritinhos histéricos.
- Mellanie, que saudades! — A voz era a de Caroline. Soltando-me, completou — Nossa! Você está tão bonita! Então finalmente alguém percebeu que havia algo errado. Esse alguém era a Marie.
- Está tudo bem, amiga? — Ela se aproximou, lançando um olhar afiado enquanto me examinava — Você parece... Decepcionada.
- Não, não! — Neguei imediatamente, tentando me redimir. — É que estou tão emocionada... — Deixei algumas lágrimas caírem, porém as mesmas eram pro Jared e não para elas.
- Nós vamos ou não? — Perguntou Amy, ainda parada na soleira da porta. Afirmei com um leve aceno de cabeça, deixando meu olhar vagar até parar nas costas do meu melhor amigo. Marie, a mais perpspicaz, acompanhou-me até perceber que havia mais alguém ali além delas. As outras repararam um segundo depois.
- Nossa! E quem é esse? — Perguntou Carol, com a expressão pervertida. Nesse momento Jared se virou para elas, a expressão fria e calculada. Ele forçou um sorrisinho no canto dos lábios, que mesmo parecendo tão artificial à mim, não deixou de encantar à elas. Amy aproximou-se dele, a expressão boquiaberta.
— Ah, meu deus! Jared, é você!? — Ele fez cara de confuso, porém, assentiu. — Amy Roberts, do colegial! Você sempre me mandava flores no dia dos namorados! — ela riu meio sem graça e a fitou da cabeça aos pés. Dessa vez pareceu se lembrar;
- Nossa, é mesmo! Amy, você está ótima. — Os dois se abraçaram brevemente. Ele lançou um sorriso sincero, dessa vez. O sorriso que eu amava. Amei ainda mais, pois aquela era a expressão facial que eu conhecia como "velhos amigos" e não, "futura pretendente".
- Vamos, povo! — Gritou Marie. — Eu dirijo!
- Você ainda tem essa mania insuportável de dirigir? — Ri, revirando os olhos.
- Você ainda não viu da missa um terço, amiga. — cochichou Caroline enquanto andava em meu lado.
- CHEGUEI!
- ... Atrasada como sempre! — Exclamei para a jovem de cabelos longos e cacheados que vinha correndo em minha direção. — Julie! — A abracei com força.
- Deixem o assunto para depois meninas. — Falou Amy impaciente enquanto se dirigia até o banco do carona. Assim como prometido Marie entrou no lado do motorista. E o resto se amontoou no banco de trás. Julie entrou primeiro, ficando esmagada na porta da direita. Fiquei bem apertada à seu lado. Jared, estranhamente quieto, entrou logo atrás de mim, e Carol em seguida. Agradeci mentalmente pelo espaço bastante apertado. Pois daquele modo minha pele se mantinha em contato com a de Jay. Durante o trajeto inteirou fiz menção de entrelaçar minha mão com a dele, porém, a coragem me faltou. Não sabia o que estava se passando na mente dele, e resolvi não perguntar. Chegamos a uma pizzaria famosa no centro da cidade.
A noite passou rapidamente. Na maior parte do tempo, falamos sobre nossas vidas, e tudo o que havia acontecido desde que nos havíamos visto pelo última vez. Desenterramos coisas sobre o colegial, e consequentemente, não pudemos deixar de falar sobre as tais cartas do dia dos namorados que Jared enviara a Amy. Acabamos por descobrir que os dois estudaram juntos e que ele era completamente louco por Amy. O clima de descontração animou-me um pouco, até que Carol, já muito embreagada, levantou-se, apontando para um Karaokê no canto do recinto.
- Vamos, por favor! — Ela pediu. Julie, Amy e Marie, que também já tinham bebido todas, concordaram alegremente, arrastando-me com elas. Após cantarem, e arrancarem muitos risos dos outros freguezes, Julie teve uma idéia de gênio.
- Jared, canta pra gente!
Ele apenas riu e negou com a cabeça. Puxei-o pelo braço. Ele se deixou levar até lá.
- Canta, vai! — Pedi fazendo um beiçinho. Ele revirou os olhos, e subiu no pequeno tablado, ainda rindo um pouco. Todos acharam que ele ia selecionar uma música na tela, porém Jared ligou o microfone e pediu emprestado uma guitarra de um freguês ali perto. Ele pigarrou e então: — Essa música é minha composição, e é pra você. — Ele me fitou. Corei rapidamente quando todos aplaudiram. — Eu não pretendia fazer isso na frente de todo mundo, mas... — Ele negou com a cabeça, como se não soubesse o que dizer, e acabou por dar de ombros. — Feliz aniversário, Mellanie. Jared começou a tocar uma composição, que logo foi acompanhada por sua tão linda voz.


[ The Believer ]

This time
Dessa vez
He told you to hold on
Ele te disse pra aguentar firme
Look back on anything
Sem se arrepender
Even every moment that you remember
Nem de algo que você se lembre
Promise that you hold
Prometa que você vai segurar
Hold on to that moment
Se segure neste momento
And leave the battles uncovered
E deixe as batalhas descobertas
And walk away
E siga em frente
I want you to stay
Eu quero que você fique
I want you to believe
Eu quero que você acredite
I want you to win the battles that are before you
Eu quero que você vença as batalhas que são dadas à você
Will you stay?
Você vai ficar?
You're running away now
Você está fugindo agora
You search yourself
Se procurando em si mesma
Even then those stories that I re-tell
E em histórias que eu já contei
And that was yesterday
E ante-ontem
It could have gone away
Tudo poderia ter acabado
I want you to stay
Eu quero que você fique
I want you to believe
Eu quero que você acredite
I want you to win the battles that are given to you
Eu quero você vença as batalhas que são dadas à você
Don't you want to stay!
Não vai ficar?
Stay
Fique
Stay, oh
Fique, oh
Stay, oh, oh, oh
Fique, oh, oh, oh
won't you
Você não
I want you to stay
Eu quero que você fique
Even if you don't believe
Mesmo que você não acredite
So when you come across the battles that you're given
Então quando você acredita, cruza os limites das batalhas que são dadas à você
Don't you care
Você não se importa
Believe
Acredite
I want you to believe
Eu quero que você acredite
I want to believe
Eu quero acreditar
I'll always remember you
Eu sempre me lembrarei de você

Ouvi atentamente a letra, e mal podia acreditar no significado daquilo tudo. Sentia meu coração descompassado chocar-se contra minhas costelas. Ele me olhava fixamente, como se tentasse demonstrar o quão sinceramente aquelas palavras saíram por seus lábios. E então a música foi chegando ao final. — I want to believe — Ele fechou os olhos com força. — I'll always remember you
O ritmo e o clima foram cortados por um baque abafado. Olhei para trás e vi Julie caída no chão, inconsciente. Ela nunca fora muito forte com bebidas alcoólicas. Jared desceu do palco rapidamente, vindo me auxiliar, pois minhas amigas pareciam incapazes de fazer alguma coisa com tanta vodka na cabeça. Depois de passar aquele mico, colocamos as quatro no banco de trás, que dormiram rapidamente. O trajeto inteiro foi silencioso. Concentrei-me em minha própria respiração durante algum tempo. Até que o carro começou a parar, e percebi que estávamos em frente à minha casa. Finalmente Jared me fitou.
- O que você queria me dizer antes, na sua casa?
Dessa vez sentí-me confiante. Essa era a hora. Não hesitei.
- Eu te amo.
Pronto. Era tudo que ele precisava. Jared aproximou o rosto lentamente, seus olhos fixos nos meus. Sua boca encontrou a minha em estado de coma. Ele riu baixinho, parecendo compreender. Então roçou os lábios nos meus numa espécie de carícia. Finalmente recuperei os movimentos, e passei a retribuir calmamente, porém demonstrando certa urgência. Quando ele fez menção de se afastar, pousei minha mão em seu queixo suavemente, puxando-o para mais perto. Jared, porém, fez questão de sussurrar em meu ouvido.
- Eu te amo, Mellanie.
Uma mão tocou meu ombro tirando-me de meus devaneios.
- Mellanie? Está tudo bem?
Fitei Jared no banco do motorista. Mal conseguia esconder a vontade que tinha de agarrá-lo.
- Não. — Choraminguei.
- Não? — Ele repetiu, incrédulo.
- Não, eu... — Escondi meu rosto com as mãos.
- Eu preciso saber — Ele começou, com o tom distorcido. — O que você queria me dizer antes, na sua casa?
Meus ouvidos me traíram. Não, ele não havia perguntado isso, devia ser qualquer outra coisa. Queria ser forte como a Mellanie dos sonhos de agora pouco. Queria saber exatamente o que dizer e fazer. Porém, simplesmente parecia ser demais pra mim. Neguei com a cabeça, sem encontrar palavras.
- Que merda, Mellanie! — Ele exclamou, batendo com as mãos no volante, assustando-me. Então, Jared saiu do carro, passando os dedos entre os cabelos sedosos. Automaticamente o segui, temendo a reação. Ele parou na calçada de minha casa, as mãos massageando as têmporas com força. Contornei o carro rapidamente, e o abraçei por trás, pousando meu queixo em seu ombro. Jared, se recuperando, fez o que há muito, eu queria fazer: Entrelaçou os dedos nos meus.
- ...Porque — Minha voz tremeu brutalmente — Eu te amo.

Notas finais
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