A Batida Absoluta

8 O Pós-Apocalipse


Yoshiki suspira. Avança em direção ao conjunto de Tetsuko e o destrói, acabando assim com a poderosa arma de destruição em massa na qual se tornou uma bateria nas mãos dela. Ele pára e passa a observar sua aluna, ali, caída e sem força alguma, com olhos carinhosos e um rosto lapidado pelo terror e pelo cansaço. Ao sobreviver à batida absoluta de Tetsuko, Yoshiki parecia ter envelhecido longos anos. Também pudera: submetido à mais intensa pressão psicológica que já sentira até então, viu toda a sua vida passar diante de seus olhos, como alguém em estado terminal que trava um longo duelo, já próximo do derradeiro fim, com a morte.


Então, ele cai de joelhos no palco, olhando para o alto como e sorrindo como se estivesse contemplando o divino paraíso, ou beirando a loucura. As luzes e a fumaça do gelo seco ofuscavam-lhe a vista, estorvando a sua já momentaneamente deturpada percepção das coisas. Aos poucos, o silêncio o ajuda a retornar à razão e ele finalmente se apercebe das silhuetas que o rodeavam. Enquanto uma delas se aproximava, Yoshiki sentia a cabeça doer, levando suas mãos a ela como que num reflexo para amenizar a dor.
A silhueta, que ele julgara ser masculina, cessou o andar e devolveu o absoluto silêncio ao momento, posicionando-se defronte o gênio da música e olhando-o de cima para baixo, com evidente ar de superioridade. A identificação dele por Yoshiki era, devido às circunstâncias, impossível. Ele posiciona sua linha de visão no que parecia ser o rosto do homem. Ouvira-o murmurar umas poucas palavras para ele, e notara a lenta aproximação de uma segunda sombra. A medida que esta ia se fazendo mais próxima dos dois, Yoshiki ia se entregando à sua debilidade. Desmaia.

Atsuko conta...

"Felizmente demos um fim àquele infeliz incidente. Aquele show, o último de nossa banda, marcou a todos como evento algum o fará, principalmente a nós. Graças a mim e ao Yoshiki, salvar a vida de minha irmã foi possível, sem contar a maior parte do público que assistia e vibrava à nossa freqüência. Os que não pertencem ao conjunto dos sobreviventes, ao menos foram a óbito acometidos de intensa felicidade (ha ha ha, bela piada, Atsuko). Assim como comigo ocorreu.
Desmaiada sobre uma poça brilhante e carmesim, senti minha vida se esvaindo gota a gota, como se fosse uma ampulheta cuja âmbula superior representa a minha vida. Infelizmente, ninguém foi capaz de pô-la de ponta-cabeça a tempo. Ao ser notada, eu já estava em outro lugar, longe de meu corpo. Mesmo à longa distância pude sentir meus queridos. Minha missão com eles é fazer as vezes de um anjo da guarda, mesmo tendo a belíssima e tradicional harpa substituída por uma MG-145S, que certamente em "vida" fizera muito bem as vezes de uma harpa angelical.
Enquanto eu, aproveitando minha postumamente adquirida habilidade, observando a mim mesma e aos meus caros, descobri que aquele show assinalava o fim da banda. Não apenas devido à minha permuta do plano material para o espiritual (afinal eles poderiam muito bem reerguer-se com uma nova guitarrista, talvez até tão boa quanto eu, após todo o pranto que o cessar de minha pulsação desencadeou tivesse fim), mas por uma sucessão de fatores... imprevisíveis.

Tetsuko continua viva e saudável, embora todo o esforço que fizera naquela noite tenha acabado por tornar um pouco dolorida a sua movimentação. Yoshiki, por sua vez, não apresentou seqüela alguma. Preocupado com sua aluna, trouxera Tetsuko para morar com ele em sua casa, a fins de acompanhar sua recuperação e tratá-la como exigia o seu problema motor. Em pouco tempo, inevitavelmente se tornaram amantes, como nos infantis e ideais sonhos de Tetsuko. Apesar disto, ela se sentia triste por ter se separado de suas irmãs, tão de repente como se tivéssem sido arrancadas de seus braços e levadas embora. Sim, a amável Ritsuko também havia sumido de cena.
Na realidade, ela foi a única pessoa além de Ren que, no show, permaneceu de pé após ouvir a batida absoluta de Tetsuko. Naquele momento, Ritsuko confessou seu amor ao vocalista.
Ren não lhe disse uma só palavra carinhosa, apenas a possuiu, ali mesmo no palco, de uma forma que poderia ser chamada de qualquer coisa, menos de romântica. Para Ritsuko, aquilo foi o seu modo de dizer "eu também". Para Ren, tal pensamento era apenas mais conveniente. Passaram, assim como Tetsuko e Yoshiki, a morar juntos, mas no armazém de uma cidade próxima, em troca de serviços como faz-tudo do armazém. Trabalhavam lá o dia inteiro, mas era um lugar tranquilo e bom até para ensaiar durante as folgas. Sim, Ren ainda queria uma banda, um meio para fazer sua hipnótica voz ser ouvida em todo o planeta ao mesmo tempo. Mas provavelmente, suas reais intenções visavam horizontes muito mais expansivos.

Que começavam a se expandir..."

~ Saga de Yoshiki concluída // Saga de hide coming soon ~

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.