Prólogo

Após a batalha que dizimou boa parte dos humanos, a paz pairava sobre a Terra. Calmaria que provocava arrepios até nos mais jovens que nunca viveram tempos de aflições. Na época grandes reinos foram levados ao pó, camponeses e membros da realeza que escaparam do massacre passaram a viver em vales, vilarejos e aldeias, não foi diferente no Vale Aurok. Em Aurok vivem aproximadamente cento e cinquenta famílias que sobrevivem da caça, pesca e agricultura.

Ao sul do vale fica a Floresta Agriim, local escuro que exala o cheiro de terra úmida e de decomposição. Agriim é formada por majestosas sequoias, poderosos carvalhos revestidos de uma cor cinza esverdeada. Agriim é uma espécie de santuário onde o profundo silêncio predomina. Em alguns pontos a floresta é tão fechada que os espessos troncos enroscam-se uns aos outros, enquanto as raízes se deformam buscando espaço no solo e os ramos se entrelaçam como fios de lã formando redes vivas entre as majestosas árvores. Agriim esconde muitos segredos e mistérios, entre eles a passagem para o Vale dos Elfos. Clã descendente dos poderosos elfos de Âmbar, eles são extremamente orgulhosos de sua raça e história. Nobres e cultos evitam ao máximo o contato com outras raças, especialmente humanos e anões. Seres de uma beleza

irreal, voz calma, habilidosos na arte de lutas, arqueiros mortais, muitas vezes apresentam comportamentos arrogantes e presunçosos.

Artics foi criada depois de um desentendimento entre Fair e Daifre, os dois nascidos em famílias de grandes guerreiros de Aurok, que disputavam o amor de Lamifir. Uma jovem linda de cabelos castanhos, pele clara, lindos olhos azuis como o céu, em um rosto perfeito de lábios grossos e silhueta cheia de curvas. Ela sempre foi apaixonada por Fair, mas quando criança foi prometida a Daifre. Sentindo-se insultada pelo amor dos jovens, a família de Daifre tentou acabar com esse amor matando o casal. O pai de Fair, respeitado em Aurok por ser um dos fundadores e protetor do vale com suas habilidades e experiências em batalhas, convocou o conselho para resolver tal impasse. O conselho, comprado a peso de ouro pelo pai de Daifre, também fundador de Aurok, declarou que o jovem Fair seria banido do vale. Seu pai, furioso com a decisão do conselho, reuniu toda família partindo de Aurok declarando que seriam inimigos mortais da família de Daifre até que o último estivesse de pé. Metade dos guardiões, sabendo que o seu mestre e a família foram banidos do vale, resolveu segui-los. Em pouco tempo, a sudeste nascia Artics, fundada pelos banidos de Aurok.

Ao norte, a cinco quilômetros de Aurok, encontra-se a grande Montanha dos Anões. Homens de estatura baixa, fortes e habilidosos com machados e espadas, povo aficionado por metais e pedras preciosas. O antigo rei Faier desapareceu após um ataque dos

dragões à montanha. Depois de longas buscas, Bairo, o seu filho mais velho, tornou-se rei aos sessenta anos.

A oeste encontra-se o Vale dos Magos, homens sábios que respeitam a natureza e sua força, eles canalizam a energia da natureza para conjurar feitiços. Homens de pensamentos positivos e ótimos conselheiros, sempre estão lendo livros e pergaminhos antigos que escondem feitiços poderosos. Livros que proporcionam conhecimentos inimagináveis, eles os protegem com a própria vida para não caírem em mãos erradas. Lodur é o mestre no vale dos magos. Por trás dos cabelos brancos como a neve do andar firme para um homem de sua idade esconde um grande guerreiro de outrora. Os trovadores, quando se reúnem, os contos preferidos por todos são os que Lodur lutou bravamente entre humanos, elfos e anjos. Havia rumores de que ele tinha cerca de trezentos anos e que seria filho de uma humana com um elfo.

A nordeste fica a fenda dos dragões, criaturas grandes e perigosas; exímios caçadores. Poucos sobrevivem a seus ataques sem algumas cicatrizes ou mutilações.

A Floresta dos Elfos Negros fica a leste do Vale Aurok, eles são diferentes dos elfos de Âmbar, não têm piedade, vivem na escuridão temendo a luz do sol.

Arkar está a sudoeste, conhecida como reino dos humanos. O povo de Arkar, junto com a realeza, não quis abandonar os seus lares, mesmo estando em ruínas. Unidos no trabalho pesado, eles

conseguiram reerguer o reino novamente. O rei de Arkar foi brutamente assassinado em seus aposentos ao completar sete invernos após a guerra. O seu filho, o príncipe Urok, foi coroado rei, causando muitos conflitos. As atitudes do jovem herdeiro em sacrificar animais, mendigos e ladrões nos calabouços despertou o ódio dos seus súditos e o aumento de roubos na estrada do rei.

Após a coroação o jovem rei ambicioso e sanguinário aumentou os impostos, decretou que os filhos dos camponeses ao completar dezoito anos seriam obrigados a servirem à guarda do rei. Muitos jovens colocam suas vidas em perigo, fugindo para a Colina Negra, caminho perigoso que passa pelo vale dos amaldiçoados.