A Batalha de Panteões
4 Luz, Câmera, Ação!!
Notas iniciais
O coliseu estava pronto. Em menos de uma hora, eles construíram o maior monumento que eu já tinha visto ao vivo, e olha que eu já vi muito monumentos. Além do seu enorme diâmetro e suas belas arquibancadas, o coliseu que era todo branco, possuía barreiras mágicas que protegeriam os telespectadores que estivessem nas arquibancadas. Quando se trata de quatro deuses disputando algo, é sempre bom prevenir, tanto que as barreiras foram sugestões minha, já que eu era o único a se preocupar com isso.
Já o Gods Studio, como Vulcano resolveu batizar a nossa rede de Tv, também já estava a todo vapor. Havia várias câmeras mágicas e flutuantes espalhadas por todo coliseu, para poder capturar cada ângulo das batalhas. Já no estúdio em si, eles montaram algo como uma central de transmissão, onde enviaria um sinal para todos os cantos da terra, interrompendo todas as programações e com legenda para todas as línguas. Só fico imaginando a cara dos meus amigos quando me virem anunciando a batalha dos deuses, pena que eu não poderia presencia-las, ia ser muito engraçado.
Os deuses lideres estavam reunidos com seus panteões, como se fossem um time, armando estratégias. Porém, eu havia avisado a eles que as disputas não seriam meras batalhas. Com a benção de Atena sobre mim, eu iria desenvolver uma desafio especifico para cada disputa, para que não ficasse monótono e chato. Eles concordaram, mas insistiram em criar estratégias.
Eu estava dentro do estúdio, quando um sujeito baixinho de um metro e meio venho até mim. Ele usava um boné que tinha dois furos para que seus pequenos chifres pudessem ficar ao ar livre. Não usava camisa o que deixava seu pele branca exposta. Sua barbicha fazia uma sinuosa curva para cima, e da cintura para baixo, ele tinha pernas peludas e cascos. Pelos meus conhecimentos mitológicos, essa criatura era um Fauno, metade humano, metade bode. O sujeito era muito estranho. Seu andar com cascos fazia um barulho irritante e ele tinha um sotaque que eu não conseguia decifrar de onde.
– Olá pessoal – ele falou – Meu nome é Bundad Pelo, e eu serei o diretor da transmissão das batalhas.
Juro pra vocês, eu tentei segurar a gargalhada, sério mesmo. Mas o cara se chamava Bundad Pelo, que tem uma pronuncia parecida com Bunda de Pelo, e o cara tinha bunda de bode! Não há como ser alguém maduro numa situação dessas. Pensei que fosse até uma piada, mas quando ele me olhou sério, eu parei de rir e disse:
– Desculpe-me. Prossiga.
– Como eu ia dizendo – continuou Bundad – Serei o diretor, e espero que nossa equipe possa se dar bem.
– Equipe? – Perguntei – Quem seriam os outros membros?
Dentro do estúdio entraram mais dois seres. Um deles tinha quase do dobro da minha altura. Da cintura para cima ele possuía um aspecto franzino de um adolescente de uns dezessete anos. Seu rosto era coberto de sardas e seus cabelos ruivos, seu olhos eram cor mel. Da cintura para baixo ele tinha corpo de cavalo, com um pelo marrom sedoso e brilhante. O jovem era um centauro, metade homem, metade cavalo.
– Este é Dramur. Ele será seu câmeraman.
Dramur era bem tímido, só conseguiu me dirigir um sorriso sem graça. O outro ser, era uma mulher com pele verde, cabelos e olhos da mesma cor. Ela tinha um cheiro de natureza, uma ninfa.
– Esta é Kia, ela vai ser nossa repórter de campo, que vai entrevistar os deuses antes da Batalha.
– Ok. – falei.
De repente, um sujeito da minha altura, magro com orelhas pontudas disse:
– Sou Néft. Estarei encarregado de fazer a transmissão ao vivo de tudo.
Ele era um elfo. Seus cabelos loiros eram longos, chegavam até os ombros. Seus olhos eram verdes e sua pele meio amarelada. Ele prosseguiu:
– Espero que Façamos um bom trabalho.
Depois de tudo pronto, era hora de sortearmos o primeiro confronto.
Pedi ao Telquines, apesar de estar com muito medo deles, que criassem uma roleta a prova de magia, ou seja, nenhum deus poderia alterar seu resultado. Pedi que em cada espaço da roleta, colocasse um símbolo que representasse a zona de poder dos deuses. Eis que ficou pronto. Ela tinha cerca de um metro de diâmetro, bordas douradas e seu centro feito de algum material cor prateada, no qual estava gravado os símbolos.
Os deuses se reuniram a minha volta e por fim girei a roleta. Resisti ao impulso de gritar: “Playstation! Playstation!” Por causa de um programa que marcou a minha infância. Todos olharam apreensivos, até que finalmente ela parou. A ponta de metal parou em cima do desenho de uma Lua. E já estava claro: Máni, Diana, Ártemis e Khonsu seriam os primeiros a lutar.
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