A Batalha de Panteões

1 1 - Os mitos vivem em Mythos


Notas iniciais
Eie ei pessoal! Quero dizer que essa fic é a realização de uma vontade antiga. Quero agradecer a meu amigo Adilson por ter ajudado nas pesquisas. então sem mais delongas está o primeiro capitulo de A Batalha de Panteões.

Todos os deuses existem. Os gregos, nórdicos, egípcios e romanos. Talvez os outros também existam, só não tive o prazer (ou desprazer, nunca se sabe) de conhece-los. Sei que isso pode ser uma notícia meio impactante a princípio, mas depois de um tempo você se acostuma. Uma coisa sobre os deuses: são criaturas extremamente difíceis de se lidar, é difícil não perder a paciência com eles. Mas ao invés de eu ficar falando essas coisas, melhor eu ir direto à história.

Meu nome é Théo Rodrigues, tenho vinte e cinco anos e sou um repórter. Eu morava em São Paulo capital até tudo isso ocorrer. Eu era bem famoso pelas minhas reportagens e entrevistas, que eram transmitidas nos principais jornais do mundo. Era uma vida boa, pra dizer a verdade. Eu não era a celebridade que as pessoas iam no aeroporto para me ver desembarcar, mas também não era um completo anônimo.

A uns seis meses atrás, eu estava no meu apartamento. Tinha acabado de acordar e fui tomar um banho. Depois do banho eu comecei a me arrumar. Eu tinha que fazer uma viagem até Europa, dali umas duas horas. Vesti uma calça jeans, um tênis, uma blusa rosa bem clara por baixo de um blazer preto. Se existe uma peça de roupa que eu amo são blazers. Vai entender. Depois de fazer minha mala de roupas, fiz minha mala de trabalho, câmeras, notebook, cabos, tudo que me fosse necessário.

Sai do apartamento e peguei um taxi até o aeroporto de Guarulhos. Ele não estava muito lotado neste dia. Assim que embarquei, deram-se os avisos e seguimos voo. Eu estava ao lado da janela e sempre que eu queria olhar por ela o reflexo de meus cabelos negros e arrepiados atrapalhavam minha visão. Já estou acostumado a viajar de avião. Não é uma coisa que posso dizer que gosto, mas é necessário.

A viagem estava tranquila, até que o avião começou a balançar. Era uma pequena turbulência. Eu nem me apavorei, por que isso é bem comum. Só não posso dizer isso da minha primeira viagem, nessa, quando ouve uma turbulência, eu quase peguei um paraquedas e me joguei do avião, se houvessem paraquedas, é claro. Entretanto isso não vem ao caso.

De repente a turbulência ficou mais intensa. O avião balançava muito forte, e com certeza, logo o piloto perderia o controle. Porém antes do avião cair, algo muito estranho aconteceu. A porta do avião foi arrancada por um tornado, que parecia ter vida própria. Eu pensei que as coisas começariam a ser jogadas para fora do avião, mas não, tudo ficou em seu devido lugar. A única coisa que foi arrastada foi eu. Não sei como meu sinto de segurança estava aberto, me lembro muito bem de tê-lo fechado. Eu tentei segurar na minha poltrona para evitar que eu fosse sugado, mas foi em vão. Foi tudo muito rápido. Num momento eu estava sentado na minha poltrona, no outro eu adentrava num funil de vento até perder a consciência.

Acordei deitado em uma grama, que ao invés de ser áspera era meio fofa e fazia cócegas em minha pele morena. Eu devia estar meio tonto, pois juro que vi dois monumentos, que não consegui identificar o que eram, flutuando no céu em cima de nuvens. Eles mantinham certa distância um do outro, como se fossem imãs que se repelissem.

Levantei da grama um pouco zonzo. Não sabia o que tinha no café que havia bebido mais cedo, mas meu cérebro insistia em ver coisas estranhas. Dessa vez eu vi um arco-íris que brotava do chão e subia inclinada para o céu e parava aonde? Se sua resposta foi um imenso palácio flutuante em cima de uma nuvem, a resposta está certa. Tentei não fixar olhar na ponte e desviei o olhar, procurando algo mais real em que pudesse me concentrar. Talvez assim as alucinações passassem. O local era todo coberto por grama. Era plano e liso sem nenhum relevo, somente gama verde infinitamente pelos lados.

Passeando com os olhos pelo local, vi mais um efeito da minha alucinação. Uma pirâmide. Ela estava rodeada por um pouco de areia. A pirâmide parecia enorme de longe, nem quis imaginar sua altura de perto. Até aí, eu já havia criado várias teorias sobre o que aconteceu comigo. Primeira: Eu estava morto e estava numa espécie de pós morte. Segunda: eu havia sobrevivido ao acidente com o avião, mas havia ficado em coma ou louco. Terceira, e a menos provável: tudo aquilo era real.

Comecei a andar pelo local, seguindo para oeste. Vi um caminho feito de pedras e resolvi seguir, igual a garotinha do Mágico de Oz. Indo por esse caminho, dei de cara com uma espécie de reunião entre quatro homens. Eles estavam sentados à beira de uma fogueira, apesar de ainda ser dia. Estavam sentados sobre pedras redondas. Quanto mais me aproximava, mais percebia que estavam discutindo. Estava a uns cinco metros deles, quando um deles me viu. Minha primeira reação foi tentar correr, mas antes que eu pudesse fazer algo, ele disse com uma voz gentil:

– Veja só, o nosso convidado chegou. – esse homem tinha uma barba enorme, e branca que chegava até seu tórax. Seus cabelos também eram longos, que chegavam até seus ombros. Usava uma armadura que cobria apenas os braços e as pernas, usando um saiote branco ao estilo grego. Seus olhos eram de um azul intenso. Talvez ele nem fosse tão velho, mas aquela barba e cabelo davam a ele um toque ancestral.

Ele fez um gesto para que eu me aproximasse e foi o que fiz, mas ao chegar mais perto fiquei pasmo com o que vi: do pescoço para baixo, um dos homens tinha aspectos normais. Uma pele moreno avermelhada, músculos definidos, e não parentava ter menos de 1 e 70. Só que do pescoço para cima, ele tinha a cabeça de uma ave, com bico, pena e tudo! Além de um auréola, o que me fez presumir que eu estava realmente morto. Dessa aureola, emanava uma luz amarelada, que aquecia mais que o próprio fogo da fogueira. Ele também vestia um saiote, só ao invés de somente branco, como o do barbudo, esse tinha detalhes dourados e vermelhos. Seu olhar era penetrante como o de uma ave de rapina, o que deixava ele ainda mais bizarro. Resisti ao impulso de correr, afinal, o barbudo disse que eu era convidado e não me pareceu uma ameaça.

Além do cabeça de pássaro e do barbudo haviam mais dois outros homens. Um deles parecia o barbudo. Ele tinha cabelos lisos e brancos, mas estes eram curtos. Também possuía uma barba que cobria todo o rosto, porém era uma barba normal. Seus olhos tinham um tom acinzentado. Vestia uma toga branca que cobria quase todo o corpo, menos o peito, que ficava quase todo exposto, a não ser por uma tira de pano que cortava-o.

Já o outro era um velho que usava um tapa olho cobrindo um dos olhos e o outro era negro, tinha também tinha uma barba branca, só que era mais volumosa que grande. Seu olho que estava coberto possuía uma pequena cicatriz em forma de uma linha vertical acima dele. Usava um elmo negro e de metal que cobria a cabeça e este possuía dois chifres. Ele era meio baixinho e barrigudo, vestia uma armadura negra de metal por cima de suas vestes simples. Ele tinha dois corvos, um em cada ombro, e estes me olhavam como se imaginassem qual seria o meu gosto.

Os quatro homens estavam discutindo, até eu chegar. Depois que me notaram eu havia me tornado o centro de suas atenções.

– Então é este aqui, Zeus? – disse o homem de toga. Sua voz era grossa e rude. – Esse é o mortal que você escolheu?

Zeus? Mortal? Essas palavra já me faziam começar a raciocinar.

– Sinceramente, eu esperava coisa melhor. – Falou o homem do elmo. A voz desse não era rude e nem gentil, parecia mais um pai falando com seus filhos, mas acho que não era esse o caso.

Por fim o homem com cabeça de pássaro falou:

– Qual foi seu critério? – A voz do cara de pássaro era estranha e irritante.

– Bem – o homem que se chamava Zeus deu um sorriso simpático – Este é o Théo. E meu critério de escolha foi – Zeus deu um sorriso largo – Porque nome dele em grego significa “deus”. Além dele ser um repórter conhecido.

Aquilo foi o que eu precisava entender quase tudo.

– Vocês são os deuses gregos?! Se você é Zeus, quem são os outros?!

– Não me ofenda garoto. – disse o cara rude de toga. – Eu sou Júpiter, e sou um deus romano.

– Como assim, Júpiter? — falei. — Zeus e Júpiter são o mesmo deus, só que cultuado por culturas diferentes.

Eu sabia muito sobre mitologia greco-romano, fora um dos meus assuntos prediletos durante o fundamental.

– Blasfêmia! – gritou Júpiter. Zeus tentou acalma-lo dizendo:

– Calma Júpiter. Você sabe muito bem que os mortais, às vezes, fazem interpretações erradas sobre os aspectos divinos.

Júpiter não parecia contente, mas se calou enfezado.

– Se você é Zeus, e você Júpiter – eu apontei respectivamente para os dois barbudos, que poderiam ser irmãos. – Você é Rá e você Odin. Certo?

Eu não sei como pude aceitar tão facilmente que os deuses existem, entretanto eu aceitei bem rápido. Eles me explicaram que o nome daquele lugar era Mythos. Um universo paralelo onde os seres mitológicos se retiraram do mundo terrestre, afim de resolver uma questão entre os deuses. Eles estavam cansados de ser comparados pelos povos, por isso decidiram que achariam uma forma de apenas um deles, ser o deus de cada coisa, sendo que os outros abdicariam do cargo. Porém, eles não estavam achando uma boa forma para isso.

– Tudo bem, até aí eu entendi, mas o que eu tenho a ver com isso?

– Você é o mortal que vai nos ajudar a decidir isso. – Falou Zeus.

Júpiter olhou com desdém para mim e depois disse a Zeus:

– Você escolhe ele só por causa do seu nome e quer que ele nos ajude numa decisão tão importante? Fala sério.

Este comentários não me fez sentir o “escolhido”. Rá e Odin não pareceram se incomodar, já Júpiter estava uma fera. Seus intensos olhos cinza fixaram se no meus olhos castanhos e eu tinha medo que ele me pulverizasse a qualquer momento, afinal, o cara é um deus. Agora foi a vez de Rá se pronunciar, e toda vez que ele mexia o bico, eu esperava ouvir um pio.

– Então garoto, alguma ideia de como nos ajudar?

– Já tentaram par ou ímpar? – falei sarcasticamente. Eu sempre uso o sarcasmo em situações que me deixam nervoso.

Eles se entreolharam, como se aquilo fosse uma opção plausível. Tratei logo de tirar essa ideia da cabeça deles, até porque, se fosse pra escolher um deus definitivo para cada coisa, não deveria ser de forma tão superficial. Eu percebi que não iria embora até resolver isso, por isso falei:

– Esqueçam essa ideia de par ou ímpar. Me dê alguns dias e pensarei em algo. A propósito, onde eu vou ficar passando meus dias por aqui?

– Fique no Olimpo Grego! – Sugeriu Zeus.

– Não! Ele vem pra Asgard!

– Venha para a minha pirâmide Duat, garoto!

– Calem-se. – Júpiter estava irritado. – Vocês só querem que ele fique com vocês, para que ele decida em seu favor. O garoto vai ficar onde ele quiser.

– Só que pra isso, ele vai ter que conhecer este locais, não é mesmo? – Odin olhou em minha direção – Que tal rapaz. Quer conhecer o lar dos deuses?

Notas finais
E aì galera?! Gostaram do capitulo da fic? O que acharam do viram até agora? o que pode ser melhorado? Deixem suas opiniões nos comentários!