A Batalha Final
2 Capítulo I
Notas iniciais
I
NICO
Nico voltou até onde Will estava. O louro lhe esperava plantado na frente da enfermaria com os braços cruzados aparentando estar bravo.
– Achei que não fosse mais voltar. — Falou enquanto descruzava e os colocava na cintura.
– Eu jurei pelo Estige que voltaria. E eu não sou de descumprir minhas promessas. — Falou Nico lançando um olhar severo a Will, que nem se importou
– Isso é bom, agora já pra enfermaria! — Ordenou o garoto.
– Está bem, não precisa agir como se fosse meu pai.
– Às vezes é preciso. Venha siga-me
Will conduziu Nico pela enfermaria, onde de um canto ao outro do chalé Haviam camas de hospitais com semideuses machucados. Alguns até eram romanos. Nico não pode deixar de lembrar-se de Octavian. Ele tentou afastar o pensamento, mas aquela era uma questão que lhe perturbava. Eles seguiram por um corredor que se formara entre o espaço de uma cama e outra. Alguns garotos do chalé de Apolo, irmãos do Will, o cumprimentavam e às vezes perguntavam coisas sobre curativos. Finalmente Will apitou para uma cama um pouco mais afastada das outras, ficava em um canto mais escuro do chalé. Reservado e aconchegante.
– Aquela é sua cama. Eu escolhi um lugar mais afastado por que bem... Han..., sei que não gosta muito de pessoas. E achei que um semideus tão importante como você merecesse um lugar melhor
– Aqui está bom. — Falou Nico enquanto se deitava na cama de hospital. — Obrigado. E eu não sou importante!
– Ah deixe de besteira. – Resmungou Will — Aqui esta o controle, com ele você pode fazer com a cama inclinar na sua cabeça para ficar confortável, ou abaixar — ele entregou o pequeno controle branco contendo alguns botões — aqui é sua mesa, caso você precise colocar alguma coisa ou pegar remédios ou sei lá, beber água. – Ele apontou para uma mesa branca a sua direita com uma gavetinha embaixo
– Ok — Falou Nico sem jeito, afinal não era comum alguém se preocupar tanto com ele.
– Agora deixe me ver esses seus ferimentos.
Nico gelou, seus piores ferimentos estavam localizados na barriga, costas e ombro e ele não queria ter que tirar a camisa.
– Eu não tenho ferimentos. — Mentiu Nico
– Você mente muito mal. vamos tire a camisa, ordens médicas.
Nico tirou sua camisa, um pouco sem jeito. E manteve o olhar baixo.
– Nossa! — Falou Will. E por um segundo Nico não sabia se ele se referia as feridas ou a Nico não ser tão magro quanto aparentava. — Esses cortes estão feios hein. Como você deixou chegar a esse ponto? Nem Néctar você teve coragem de tomar, quanta irresponsabilidade.
– Ei! -Reclamou Nico, e Will o olhou feio — Ta, desculpe.
– Como você conseguiu esses aqui no ombro? – Perguntou Will.
– Eu bem, lutei contra Licáon, o primeiro lobisomen e sua matilha de Lobos.
– Ual! Caramba!
Will sorriu e de repente deu as cotas deixando Nico plantado na cama sem camisa e confuso. Ele já ia vestir novamente a camisa quando O louro voltou com Néctar e ambrosia em uma das mãos, e uma maleta de primeiro socorros na outra.
– Aqui, beba isso — ele lhe entregou o Néctar, que não tinha gosto de nada. Ele sabia que Néctar deveria ter gosto da comida favorita de quem o tomasse, mas com Nico era diferente, ele não tinha comida favorita.
Will pegou um spray e passou nos cortes de Nico, que gemeu um pouco. Em seguida ele colocou uma facha de gaze que envolveu todo o peitoral de Nico. Ele selou a Gaze com esparadrapo, e deu ambrosia a Nico. Em seguida pegou as mãos do garoto e fechou os olhos. Ele sentiu um pequeno choque percorrer seu corpo.
– Como eu havia dito, sua energia está fraca. Nada de magia do mundo inferior. Se não obedecer terá de ficar mais tempo por aqui. — Em seguida ele colocou as mãos no peito de Nico. — Seus Batimentos estão acelerados, você precisa relaxar. Durma um pouco.
– Mas eu acabei de acor...
– Regra número 1: Nunca desobedeça ordens médicas!
– Mas...
Will olhou feio, Nico retribuiu o olhar se que no estilo Di Angeleo que normalmente intimida a qualquer um. Mas Will simplesmente deu de ombros e bagunçou o cabelo de Nico.
– Você não me dar medo. Pode ir parando com isso. Se tentar me matar com seus truques, você vai morrer antes me deixando no máximo desmaiado.
Nico bufou, era verdade. Estava fraco. Nico levantou a cabeça e deu de cara com dois pares de olhos azuis o encarando. Ele enrubesceu, e Will se tocou.
– Tenho que ir. E não esqueça Repouso absoluto.
Nico sentiu uma pontada de tristeza ao ver seu médico partir. Automaticamente afastou o pensamento.
Não Di Angelo. Você não vai se apaixonar de novo. Pensou enquanto se deitava na cama e dormia.
Pela primeira vez não teve pesadelos, pelo contrário teve sonhos bons. Sonhou que estava nos campos de morango, era noite e todos deviam estar dormindo. Então Bianca, sua irmã, apareceu não como um fantasma, mas sim com sua antiga forma. Sua pele morena e os cabelos negros caiam sobre os ombros, usava a mesma boina verde de sempre, e mesmo se conseguir ver seus olhos direito, Nico sabia que seus olhos brilhavam em alegria. Em uma das mãos estava seu arco e pendurado nas costas a aljava cheia de flechas.
– Bianca! — Disse Nico e ela sorriu e abriu os braços para abraçá-lo.
Nico sentiu seu abraço reconfortante e protetor. Ele se sentiu criança de novo, brincando de mito magia com a irmã, como quando perdia ela o abraçava lhe incentivando a não desistir.
– Oh Nico — Sua voz era a mesma de sempre — Fico tão feliz que tenha ficado no acampamento. Finalmente encontrou um lugar. Isso me tranquiliza.
– Pois é — ele falou mais sua voz falhou e ele rompeu em lágrimas. — Queria que você estivesse aqui.
– Mas eu sempre estou ao seu lado Nico. — Eles continuaram abraçados — Me prometa que não vai mais fugir, mesmo que a situação seja difícil.
– Eu... Eu prometo, mas — Então Bianca foi se dissolvendo até se tornar um espectro. — Bianca?
– Eu tenho que ir meu pequeno herói. Não descumpra sua promessa.
E então ela sumiu por completo, e então logo era apenas Nico sozinho nos campos de morango. Ele ia chorar mais quando uma voz conhecida gritou atrás dele.
– O que você está fazendo aqui? Eu falei pra não sair da enfermaria.
Era Will, o garoto usava uma camisa laranja do acampamento, bermuda de surfe, jaleco e sandálias. Seu cabelo estava desgrenhado e balançava ao vento. O sol refletia no seu olho deixando ainda mais azuis e lindos.
O que? Pensou Nico. Afaste esses pensamentos.
– Está na hora de acordar, você tem que jantar. Acorde Di Angelo!
Falava o garoto e então Nico acordou. E deu de cara com os mesmos olhos azuis, e como assim Will vestia a mesma roupa do sonho? E porque segurava o sua mão?
– Eu dormi esse tempo inteiro? — perguntou se soltando das mãos do Will.
– Sim. — então Will apontou para a bandeja de comida no colo de Nico que até então não tinha se dado conta. — Sua janta.
–É... Obrigado.
– Não precisa agradecer, só estou cumprido o meu dever. — então ele segurou os pulsos de Nico, que novamente sentiu um choque e em seguida uma tranquilidade.
– Incrível! Você está se recuperando bem. Tipo, 40% concluído. Se continuar assim, terá alta logo.
Nico tentou sorrir, mas seus músculos doeram. Ele não era acostumado a sorrir. Mas estava feliz por está se recuperando.
– O que foi? — perguntou Will preocupado.
– Nada.
–Você fez uma careta. Sentiu dor aonde?
– O que? — então Nico se ligou: a careta era o sorriso sem jeito de Nico. Ele corou — Não foi nada. Mas porque se preocupa tanto comigo?
Ele encarou Will.
– Porque sou um curandeiro e não resisto ao ver um doente sem sentir a necessidade de cuidar. -Nico sentiu uma pontada de tristeza, não era bem essa a resposta que queria ouvir — E eu sou seu amigo, Di Angelo. Embora você seja muito idiota pra perceber, mas eu gosto de você.
Nico corou, borboletas esqueléticas surgiram em seu estomago. Gosto de você. Nico mal podia acreditar.
– C-Como amigo, lógico. Só quero que saiba que pode contar comigo. Não só comigo, mas com Jason também.
–Jason? O que ele disse sobre mim?
Nico estava nervoso.
– Nada de mais, falou que era difícil se aproximar de você, mas que não desistia porque no fundo, acho que bem lá no fundo mesmo, você é uma pessoa legal. — Ele sorrio.
Nico começou a comer, era uma Pizza de pepperoni e Coca-Cola. Uma parte estava faltando.
– Eu fiz a oferenda a Hades por você.
– An... Valeu.
Nico olhou ao redor, o número de pacientes diminuiu. Os romanos sorriam e pareciam bem melhor. Os gregos também, metade já tinha ido em bora.
– Sério que eu tive uma "ótima melhora"? Todos eles estavam quase mortos hoje de manhã e agora...
– Eles estavam aqui à bem mais tempo que você e nenhum deles viajou a Europa inteira pelas sombras carregando uma estátua de 12 metros, protegendo uma romana e sátiro. E ainda participar da batalha contra Gia, até o fim.
Nico se sentiu envergonhado e corou um pouco. Ninguém o elogiava muito. E ele não sentia tão heroico por isso. Tipo, ele só tinha feito a sua obrigação.
– Até amanhã, príncipe da Morte.
– Não me chame assim! — Repreendeu Nico. Will apenas sorriu e saiu da enfermaria.
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