A Batalha Do Tempo

2 Capítulo 2 - VIDAS FUTURAS


II

VIDAS FUTURAS

PERSIA ANTIGA.

HÁ MUITOS ANOS ATRÁS...

Era uma floresta de ébano que ficava ao lado da gloriosa cidade da Pérsia. Muros altos, torres altas e o esplendoroso castelo.

O castelo possuía muitas janelas e ornamentos. Uma cidade rica que já vivera terríveis guerras e mistérios. Atualmente vivia um momento de paz. A paz adquirida pela força e determinação do jovem príncipe da Pérsia.

Na floresta de ébano corria um riacho límpido de águas cristalinas. Esse local era protegido por alguns soldados do reino, pois era considerada sagrada pelo povo da região.

Um homem de vestes ricas caminhava pela floresta. Tinha cabelos lisos e negros, olhos azuis atraentes. Movia-se como um felino. Não fazia propositalmente, mas por estar habituado.

Aproximou-se com cautela do riacho e lá viu uma mulher sentada numa pedra contemplando a paisagem, de costas para ele.

Ela tinha longos cabelos negros e ondulados, com um broche azul de perolas em formato de borboleta preso nas mechas. Trajava um tecido leve que deixava as costas e a barriga, bem delineada, a mostra. Usava algumas pulseiras de prata nos pulsos.

Sem fazer barulho o homem se aproximou e tapou os olhos da mulher. Ela tocou delicadamente nas mãos dele e sorriu.

- Dastan, sei que é você.

- Como pode saber assim, tão rápido? – perguntou ele com um sorriso brincalhão querendo saber o mistério.

- Mesmo que não possa ouvi-lo, sei que está perto.

Dastan fitou os olhos escuros de sua amada e deu um beijo carinhoso em seus lábios.

- Lilandra, meu amor...

- Meu amado.

Ele sentou ao lado dela. O príncipe jogou uma pedra no riacho.

- O que o preocupa?

Dastan sorriu para ela com um olhar serio.

- Você me conhece mesmo, hein? – ele pegou outra pedra e a arremessou. Esta acertou numa arvore e de tabela entrou num buraco. – estou tendo sonhos. Sonhos das muitas mortes que causei. Não falo dos monstros que enfrentei. Dos demônios e outras criaturas. Mas pessoas que, assim como eu, tinham sangue pulsando nas veias, vida, e quem sabe família.

- Você não teve escolha.

- Sim eu sei. Mas não consigo evitar a culpa. O peso das suas mortes. As suas vozes clamando por vingança.

Ele colocou a mão na testa.

- É tão difícil.

- Meu amado. – Lilandra se aconchegou mais a ele. – você é um homem bom. Um príncipe bom. E também um bom marido. Devemos olhar adiante e esquecer o que se passou.

- Eu sei. Mas os rostos...

Lilandra colocou um dedo em seus lábios, fazendo-o calar. Ele a abraçou. Ela sentiu seu coração batendo forte como o de um cavalo após uma corrida. A adrenalina corria nas suas veias.

Ela percebeu que ele ansiava por algo. Cingiu os olhos e beijou-lhe o pescoço. Queria chorar, mas segurou as lágrimas. Sabia o desejo dele.

Lilandra o levantou e o abraçou. Ele retribuiu. O príncipe pegou o queixo dela e a beijou ternamente.

O beijo foi interrompido. Lilandra abriu os olhos com forte adrenalina correndo em seu coração.

O príncipe da Pérsia se virou rapidamente. Ainda preservava os instintos de combate. Ainda respirava batalha e morte. Lilandra sabia disso. E sabia que a única forma de parar esse tormento, não era matar vidas, mas salvar vidas. A alma e corpo de Dastan ansiavam por isso, mesmo que ele não soubesse.

Eles avistaram um soldado real guiando um velho cego.

Dastan instintivamente apertou a mão de Lilandra. Quem era aquele ancião?

- Príncipe. Perdoe-me a intromissão, mas esse ancião disse que era urgente ter uma audiência com vossa majestade.

- Acredito que sim. – falou Dastan com uma voz sem emoção, olhando o ancião se aproximar com cautela, procurando equilíbrio e não pisar em falso.

- Príncipe da Pérsia! – exclamou o velho. – espero que ainda se lembre de mim.

- Como poderia esquecer? Deixe-nos soldado. Daqui em diante cuido dele.

O soldado fez que sim com a cabeça e retirou-se.

Dastan pegou a mão do velho e o fez sentar-se numa pedra perto de Lilandra.

- Quem é essa jovem? – perguntou o velho levantando a cabeça como se farejasse algo.

- É a minha esposa, Lilandra.

- Hummm... – fez o velho.

- O que o trás aqui Joseph? Pressinto que não foi uma visita cordial.

O velho baixou a cabeça. Usava uma túnica vermelha. O rosto cheio de rugas como uma passa. Seus olhos eram de um branco leitoso. Sua barba branca batia no meio da barriga. Carregava um cajado humilde de madeira.

Apoiou as duas mãos no cajado e falou como um lamento:

- Sim, príncipe. Nossos encontros geralmente não são de cordialidade. Tive uma visão de um guerreiro mudando o futuro. Ele tem que ser derrotado.

- Isso não é novidade. – riu Dastan. – onde eu entro nisso? E quando vai acontecer?

- Você é o único que pode impedi-lo. É o único com habilidade para tal. A questão está na segunda pergunta. É o que me intriga.

- Como assim?

- Essa luta que terá que travar é num futuro distante de uma terra também distante.

- E por que eu deveria ir para um tempo futuro numa terra que nem sei da existência?

- Por causa das areias do tempo.

- Como... ? – surpreendeu-se Dastan. – as areias do tempo estão em segredo e guardadas de forma inacessível. Ninguém poderia achá-las...

- Mas a acharam e a usaram para o mal.

- Entendo. Mas ainda não vejo onde entro nessa historia. Afinal, é um futuro com muitos e muitos anos à frente. Não tem como isso me influenciar agora.

- Realmente. Não o influencia agora. É apenas uma questão de evitar que as areias do tempo sejam usadas de forma errada. Cabe a você se vai querer seguir essa jornada ou não.

- Eu não...

- Lembre-se. As areias do tempo são responsabilidades dos guerreiros do tempo. E você, ao usá-las, acabou por se tornar um guerreiro do tempo. É a sua obrigação, príncipe. Mas, é claro, não poderei forçá-lo. Afinal, esses eventos do futuro não o influenciarão agora.

Dastan olhou para Lilandra e depois se voltou para o riacho. O sol batia na superfície formando varias “estrelas” em alguns pontos. Lembrou dos pesadelos e das vozes. Algo parecia borbulhar dentro de suas entranhas. Uma silhueta de sorriso queria aparecer em sua face, mas se conteve.

- O que devo fazer?

Joseph fez que sim com a cabeça, aprovando a decisão do príncipe da Pérsia. Lilandra o olhou com carinho e medo. Sabia que ele precisava de uma ação que o redimisse. Todo o corpo dele não se contentara com a vida monótona de um príncipe. Precisava de ação. E perto dele, sentiu o corpo do seu amado arder de satisfação por uma aventura. Mas tinha medo de não mais vê-lo.

Joseph inclinou um pouco a cabeça como se buscasse da memória.

- O tempo é de guerras e batalhas. Muitos guerreiros e soldados. Mas um dentre eles se destaca. Possui correntes como armas e vingança como força motriz. Ele deverá derrotar um deus. E seu destino se completará.

Mas alguém o impedirá, usando as areias do tempo e matando-o. Sem o conhecimento e técnica, ele nunca conseguirá derrotar o novo guerreiro do tempo: Thanus.

É preciso destruir Thanus e o que restou das areias do tempo. Não podemos deixar esse poder para o futuro da humanidade. Eles não saberiam usa-las com sabedoria.

- Então... Devo ajudar esse tal guerreiro do futuro?

- Sim. Encontre-o e você encontrará Thanus.

Dastan colocou dois dedos no queixo, pensativo. Fitou sua esposa, a contemplá-lo como a implorar que ele não partisse nessa jornada.

- Querida...

- Eu sei. – respondeu ela com os olhos molhados.

Ele a abraçou com força.

- Eu voltarei! Eu prometo.

- Não deixe de cumprir sua promessa. – ela riu o olhando com carinho.

- Quando deverei partir?

- O mais breve possível, príncipe. – informou o ancião.

- Bem... – riu Dastan de forma misteriosa. – aqui vou eu de novo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.