A Balada da Donzela e do Anão

1 A Balada da Donzela e do Anão


Lá está ela, a donzela

Tão sozinha, tão na dela

Sem graça ou rosto belo

Sem encanto de tão magrela

Com seus olhos caramelo

Fita de dentro da cela

O nascer do sol amarelo

Uma pobre Cinderela

E ele chega, lá de fora,

- Anão, salve-me agora!,

Grita ela, sem demora

Ela fria, e ele chora

Olhos dele, cor-de-amora

A encaram naquela hora

Um momento, e ele cora

E eis que o anão vai embora

Mais tarde, céu rosa

Sol já indo se deitar

Ela recita em prosa

Feliz, pra se confortar

Põe-se bem esperançosa

Para ele reencontrar

Despetala uma rosa

Bem-me-quer a entoar

E ele aparece, fugaz

Noite já se levantando

E ela sorri, vivaz:

- Estive te esperando!

Ele responde, sem mais:

- Andei de ti lembrando!

Na cela, a solidão jaz

Duas mãos se entrelaçando

E caía a madrugada

Os dois dividindo canção

Descendo felizes a estrada

Jamais se separarão

Coreografia ritmada

Ao som do meu violão

E assim, fim d'A Balada

da Donzela e do Anão

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