Notas iniciais
Bom galera, fiz os agradecimentos no outro post, então aqui está o que vocês me pediram. Peço desculpas por estar muito longo mas eu precisava estender pra poder atender os pedidos de vocês. Enfim, espero que gostem! Feliz 2017 e que todos os projetos e sonhos de vocês se concretizem, como os meus que sei que também sairão do papel! Ano que vem to de volta com mais uma história! Beijo nas crianças! ♥

Alguns anos se passaram, Emma já estava com 26 anos, e Regina 27. Em pouco tempo Regina fez nome da área jurídica e estava numa situação financeira confortabilíssima no momento.

Seu agora sócio David, havia casado com Mary e ela estava grávida, coisa que fazia o rapaz quase surtar de alegria. Killian e Ruby haviam se casado e ele estava trabalhando no Seattle Grace, como residente de neuro, indicado pelo próprio Derek Shephard que adorou a dedicação do rapaz e o convidou para trabalhar ao seu lado.

Ruby abriu uma clínica de fertilização com a ajuda de Ana que se tornou sua sócia e usaria as instalações para manter seus projetos de pesquisa científica, ela era Biotecnóloga e estudava opções de melhora do conforto e qualidade de vida de pessoas com deficiência usando tecnologia.

Era um pouco complicado para Ruby no começo pois Killian estava do outro lado do país. Eles revezavam- se um na casa do outro mesmo casados nos finais de semana para ficarem juntos, e quando Ruby decidiu engravidar, Killian pediu transferência para o Hospital Central de Nova York. Abriu seu consultório algum tempo depois, mas continuou atendendo no hospital. Ele aprendeu em casa que devia sempre ser humilde e sempre ajudar quem precisa e por isso, cedia tempo diário pra tratar pacientes que não podiam pagar e por isso procuravam o atendimento público.

Cora se mudou para Nova York pra ficar mais perto dos filhos. Graham agora era CEO da empresa de arquitetura e tinha menos tempo, mas nem por isso deixava de estar presente nas datas especiais quando toda a família se reunia.

Emma havia feito uma grande carreira no ballet, conseguiu prêmios e dançou nos melhores teatros no mundo inteiro. E sempre que podia Regina a acompanhava, e se encantava mais uma vez com a magia que Emma emanava por onde passava com sua dança.

Mas estava pensando em fazer uma pausa. Havia pensado nisso há algum tempo e sentia que era a hora certa. Ela queria ser mãe e sabia que estava na hora. Ela já tinha inclusive recebido uma proposta da diretoria do Bolshoi para ser instrutora da companhia, ensinando novas turmas, novas meninas que assim como ela sonharam estar lá.

E estava considerando a proposta, ela queria parar um pouco, e não queria adiar esse novo sonho que tinha com Regina inclusa. Ela estava pensativa com uma xícara de chá na mão recostada na varanda quando sentiu o perfume que ela tanto gostava se aproximar.

—Chegou cedo, alguma razão especial?_ela perguntou quando sentiu os braços lhe envolvendo pela cintura._

—Sim, saudade_ ela lhe beijou docemente_ Eu vi sua mensagem e quis vir pra casa mais cedo_ ela apertou mais Emma em seus braços cheirando seu pescoço_ Huum que saudade, foram quatro dias horríveis sem você aqui

—Ai meu deus mas que esposa mais carente que eu tenho_ ela disse rindo levemente_

—Muito _ ela deu mais um beijo na mulher e a levou até o sofá_ Me conta, como foi lá na Rússia?

—Ah, o de sempre, tivemos aquela apresentação anual e a reunião nos dias seguintes. Estou cansada, mas eu adoro ir pra lá.

—Eu sei, e eu adoro essa expressão no seu rosto quando você vai.

—Amor?

—Oi vida

—Eu quero ter um bebê!

Emma disse de uma vez, e Regina processou a informação lentamente, fazendo Emma ficar apreensiva pelo silêncio.

—Fala alguma coisa amor!

—Você tem certeza?

—Sim, eu acho que está na hora, mas eu queria falar com você antes, porque quero que você queira também.

—É claro que eu quero amor, podemos falar com a Ruby, ela vai ficar louca quando souber. Já pensou, uma mini bailarina correndo pela casa? E eu vou ensinar ela a dança do Willy Cangurú porque é a única que sei fazer sem quebrar uma costela_ ela diz rindo_

Emma sorriu com os planos da mulher, e teve mais certeza de que era isso que queria.

—Eu vou adorar ver isso..._ela ao se dar conta do que disse abaixa o cenho_ Bem... Você entende né?

—Emma, eu vou amar ser mãe com você, mas eu queria te pedir uma coisa também.

—E o que é?

—Eu quero que você faça o tratamento, quero que tente.

—Rê...

—Não Emma, nada de Rê, você não quis fazer anos atrás porque não queria que eu pedisse dinheiro a mamãe pra pagar as despesas, mas hoje eu tenho dinheiro suficiente pra tentar mais de uma vez. Aliás, umas 7 vezes se eu quiser. Por favor, tenta, por mim, pelo nosso filho, você precisa tentar. A Anna disse que a tecnologia com células tronco evoluiu muito nos últimos anos. Por favor, faça isso por nós.

—Mas e se não der certo? Não suportaria mais uma decepção Rê

—Sim você suporta, porque eu estou aqui, porque somos felizes juntas, e teremos um bebêzinho lindo daqui um tempo. O que você precisa pensar é que isso é apenas algo pra agregar, você não precisa enxergar pra ser feliz e eu sei disso, e te amo ainda mais por isso, mas você precisa perder o medo de tentar.

É difícil, eu sei, mas eu sempre vou estar aqui pra te apoiar. Eu te amo Emma e não importa o que aconteça eu sempre vou te amar.

—Tudo bem, eu vou tentar_ ela disse fazendo Regina sorrir abertamente e lhe dar um selinho_ Mas nosso bebê é prioridade.

—Está bem, vamos a Nova York e conversamos com Ruby e veremos o que podemos fazer.

Alguns dias depois, elas viajaram a Nova York para conversar com Ruby, que ficou louca ao saber que elas queriam ter o bebê. Ruby e Anna explicaram tudo sobre a inseminação e o tratamento com células tronco. Segundo Anna as pesquisas e testes estavam super avançados e não havia restrição com relação a gravidez, porém ela deveria começar o quanto antes pra que a cirurgia não cause muito desconforto.

Tudo foi feito em questão de semanas. Emma voltou ao oftalmologista de Paris e ele ficou feliz em ver que Emma tinha resolvido tentar. Logo depois, Regina deixou o escritório aos cuidados de David, e viajou com Emma para Quendao, onde a cirurgia já estava marcada. Killian, foi com a irmã e a cunhada para acompanhar o procedimento.

Emma estava nervosa, e os resultados só começariam a aparecer com o tempo. Ela não sabia o que iria acontecer, mas esperava de todo o coração que funcionasse.

A cirurgia foi um sucesso, pelo menos no sentido do procedimento. Elas receberam instruções e continuariam o tratamento em casa.

Foram instruídas a viver a vida normalmente e deixar o tempo se encarregar do resto.

Algum tempo se passou, e a inseminação de Emma havia vingado, fazendo todos comemorarem. Emma havia aceitado a proposta do Bolshoi e assim que terminasse a licença maternidade ela iria começar a dar aulas de ballet para crianças, e ensaiar o corpo de ballet principal do Bolshoi de Paris nas apresentações.

Emma passou toda a gravidez sendo paparicada pela esposa, pela família e amigos que estavam radiantes.

Emma estava com quase nove meses, e seu tratamento para recuperar a visão não havia surtido efeito. Elas seguiram todas as recomendações, mas nada havia mudado. Ninguém havia comentado sobre, nem mesmo Regina, ela sabia o quanto Emma ficara decepcionada, frustrada e em parte isso era culpa dela, então estava fazendo de tudo para que a mulher se sentisse feliz e amada.

Faltava um dia para o aniversário de Emma, no fim da noite do dia 20 de outubro, Regina dormia tranquilamente abraçada de lado a mulher que se remexia na cama incomodada.

—Regina

—huum..

—Amor acorda, nosso bebê... Acho que vai nascer.

Regina acordou num pulo e constatou pela cama molhada que a bolsa havia rompido. Saiu correndo feito uma maluca e catou todas as coisas enquanto Emma ria do desespero da mulher apesar das contrações que estavam leves, ela ouvia Regina correndo de um lado pro outro sonolenta e batendo nos móveis.

—Amor, calma, faz as coisas devagar.

—Desculpa amor, eu tô nervosa, finalmente vamos saber se é menino ou menina.

—Eu sei, vamos logo porque eu to começando a ficar com mais dor.

Elas correram em direção ao hospital, ligaram pra médica no caminho que preparou a equipe para esperar Emma.

Várias horas se passaram e Regina estava desesperada, já tinha ligado pra família toda e pra David que prometeu ir com Mary para o hospital nas primeiras horas da manhã. Logo ao desligar o celular a médica chamou Regina para se preparar, estava na hora.

Emma já estava exausta, precisou esperar para que sua dilatação estivesse alta para que pudesse fazer o parto. Há alguns minutos Regina segurava a mão da esposa que gritava a cada empurrão.

—Eu...Não..Aguento...Mais...Re...gi..na...Eu...

—Calma amor, eu estou aqui, só mais um pouco, aguenta mais um pouquinho que já vai acabar.

—Minha...cabeça...Dói...

—Eu sei linda, só mais um pouco_ Ela disse depois de plantar um beijo em sua têmpora_

—Emma eu já consigo ver a cabeça, quando eu disser quero que empurre o máximo que puder, tudo bem?_ a médica disse e Emma assentiu_

—Tudo bem... Agora Emma vamos, empurre

E a loira segurou forte a mão de Regina e empurrou, empurrou com toda a sua força, queria fazer seu melhor, e prometeu silenciosamente enquanto empurrava que daria tudo por aquele bebê, e que sua cegueira nunca seria um empecilho.

Fez tudo que podia, tirou toda a sua força enquanto empurrava, que retesou seus músculos e travou seu corpo. De repente ela ouviu o choro alto, era seu bebê, ela tinha conseguido.

Mas sentia que seu corpo perdia as forças. Ouviu a médica dizendo _Parabéns mamães, vocês tem uma linda menina_

Sentiu um peso em seu peito e o choro mais próximo, ela notou que o som fazia forma na escuridão de seus olhos, então ela percebeu, o som tinha forma, depois luz, e finalmente cor. Estava muito confuso e parecia um borrão, mas no meio dele ela encontrava seu bebê, ela a viu, viu seu rosto, e foi a primeira, e última imagem que viu antes de apagar.

Regina estava desesperada por Emma ter perdido os sentidos, mas foi tranquilizada pela médica que explicou que ela havia tido estafa física e emocional, seu cérebro então desligou, mas ela já havia checado e Emma já estava estável, porém sedada para que pudesse descansar. Nesse meio tempo, Regina cortou o cordão umbilical, entregou a muda de roupas e agora admirava sua filha no berçário.

Já havia pegado a menina no colo e chorou, na verdade ela não parava de chorar desde que ouviu seu chorinho pela primeira vez. Esperava ansiosamente que Emma acordasse para dividir com ela sua alegria.

Algumas horas depois, Regina já estava no quarto com Emma, ela lia um livro e ouviu quando Emma resmungou acordando.

—Ai...

—Emma, amor, ta tudo bem? Ta sentindo alguma dor?

—Minha cabeça, parece que vai explodir e...

—O que?

—Meus...Meus olhos.. Estão doendo, ardendo. Você... Você pode apagar a luz?

—Luz?

—Sim, estou enjoada

Regina ainda sem entender aquilo fechou as persianas, deixando o quarto a meia luz e voltou pra perto da cama

—Pronto amor, diminuiu o incômodo?

—Aham, eu ainda me sinto tonta e enjoada, mas já não parece que tem algo perfurando meus cérebro pelos olhos.

—Emma...

—Oi amor

—Você pode abrir os olhos um instante?

Emma abriu os olhos lentamente, e as sombras começaram a estabilizar, e de repente ela viu suas mãos. Ela as virava na frente do rosto e não conseguia dizer uma palavra, ela estava... Ela estava vendo? Não podia ser, ela fez aquela cirurgia havia tanto tempo, mais de um ano, e nada aconteceu. Foi tirada de seu devaneio ao ouvir aquela voz, aquela voz que tanto amava. Se virou lentamente e a viu, olhando em seus olhos com o olhar preocupado.

—Amor? Você está bem?

E foi o necessário pra que uma torrente de lágrimas viesse e Emma só conseguisse segurar no seu rosto e acariciar cada parte. Regina estava confusa e nervosa por ver a mulher chorar sem parar.

—Emma...

—Eu estou vendo... Rê, amor, eu posso ver você... Eu posso, eu posso ver você!

Então Regina entendeu, ela entendeu a enxurrada de emoção de Emma. Ela a abraçou apertado e enxugou suas lágrimas, lágrimas de felicidade.

—Isso é incrível, amor... Você está mesmo me vendo?
—Sim, eu estou vendo você chorar, e que está descabelada e eu sempre soube que essa cicatriz era sexy_ ela disse chorando_

—Meu deus, eu nem acredito_ Regina sorria entre lágrimas e a abraçava_

—Olá mamães, eu trouxe um pacotinho que está doida pra tomar seu lanchinho_ a enfermeira entrou trazendo a bebê, e Emma não conseguiu segurar as lágrimas mais uma vez. Ela pegou aquele pequeno pacotinho rosa e admirou cada traço. Ela abriu os olhinhos e olhou diretamente pra mãe, abrindo um pequeno sorriso de bebê, fazendo o coração de Emma errar uma batida e Regina se derreter toda ao lado dela.

—Ela é tão linda amor_ ela dizia acariciando o rostinho da bebê_

—Ela é sim, linda como a mãe dela._ela disse fazendo Emma a olhar e sorrir_ Você já escolheu um nome?
—Não, pensei em nomes de meninos apenas, você tem algum?
—Eu posso?
—Claro amor, você é mãe dela também _ela disse enquanto colocava a bebê pra mamar e suspirava por poder ver isso_

—Tudo bem, então... seja bem vinda Snow Elizabeth Swan Mills_ Regina disse tocando a cabecinha da bebê e Emma a olhou emocionada_

—É o nome da minha mãe_ ela disse já com os olhos marejados_

—Eu sei, é um lindo nome, e tenho certeza que ela fará jus a importância que tem_ Regina disse com ternura_

—Obrigada, eu te amo_ ela disse e Regina lhe deu um selinho_

—Eu também te amo, e feliz aniversário bailarina_ ela sorriu_

—Obrigada. Esse é o melhor presente da minha vida_ ela disse emocionada_

E a emoção seguiu por um bom tempo. Emma não conseguia segurar o choro ao ver cada rosto conhecido pela primeira vez, mas principalmente de sua garotinha. Foi a melhor sensação do mundo poder ver aquele rostinho, furto do amor dela e de Regina, Regina que agora tinha rosto, e não apenas uma voz. Ela não saberia descrever a felicidade naquele momento, na verdade em todos os que se seguiram.

Voltou ao médico quando se recuperou do parto e o mesmo a explicou que isso poderia acontecer, pois a células tronco regeneram os tecidos e as vezes leva mais tempo. E o esforço sensorial que Emma fez no parto pode ter sido o estopim para que as retinas fossem estimuladas a ponto de voltarem a funcionar. Ele a liberou e pediu que tomasse alguns cuidados, mas teria uma vida totalmente normal.

Ela teve que reaprender a ver o mundo, mas estava sendo a melhor experiência que já teve. Demorou um pouco para se acostumar e Emma ainda tinha a percepção sensorial de um cego, e teria por muito tempo ainda. Mas aprendeu a viver num mundo de cores e luzes, e sombras também, mas dessa vez combinadas a luz.

Ela refletia sobre sua vida enquanto olhava as estrelas, na varanda de seu quarto na casa que tinham em Nova York. Estavam lá para a festa de aniversário de cinco anos de Elizabeth, sua filha, que tinha acontecido naquela tarde, e contou com a presença de toda a família, e amigos.

Ela acariciava a barriga de seis meses de Henry, que decidiu ter com Regina depois de terem adotado Mathew de seis anos, que era uma cópia fiel de Emma em todos os sentidos, apesar de não ser filho biológico, o garoto era doce e calmo como a mãe loira e tinha até os olhos claros e cabelos loiros, enquanto Elizabeth era a personificação de Regina com a aparência de Emma. Foi tirada de seus pensamentos ao sentir aquele perfume que adorava e sempre reconheceria, mesmo enxergando.

—Posso saber o que minha grávida favorita está pensando?_ ela perguntou enquanto a abraçava por trás e encaixava o queixo no ombro da esposa_

—Acho que em tudo, estava fazendo uma prece silenciosa, por nós, por ter conseguido tudo que sonhei e ainda mais... Mas principalmente _ ela se virou de frente abraçando sua mulher pelo pescoço_ Eu estou agradecendo a Deus por ter você, meu porto seguro, minha mulher, companheira, amiga, mãe dos meus filhos, que me deu algo que jamais poderia sonhar... Uma vida.

—Hey, mas eu não te dei a vida querida, tenho certeza de que foram seus pais_ ela disse divertida arrancando um sorriso da mulher_

—Sim, eu ganhei vida duas vezes Regina, a primeira quando nasci, e a segunda quando eu conheci você. _ela disse carinhosa fazendo Regina se emocionar_

—Eu te amo Emma, e agradeço a Deus todos os dias também por ter te colocado pra dançar ballet na minha escola. Você mudou tudo, você me mudou. E eu sou a mulher mais feliz do mundo por isso.

—Eu também te amo querida, você me faz mais feliz como jamais pensei que pudesse ser.

Regina sorriu antes de beijá-la com todo amor que sentia. Após findar o beijo, Regina colou suas testas e sussurrou.

—Dança pra mim minha bailarina?

—Sempre, mas dessa vez, que tal dançarmos juntas?

Regina sorriu mais uma vez antes de colar seu corpo ao dela, e juntas de olhos fechados dançarem uma melodia só delas, tocando em seus pensamentos, sincronizada com as batidas de seus corações e o movimento dos seus corpos.

Emma apesar de enxergar, ainda dançava de olhos fechados, pois assim mantinha a essência de sua dança, e ela continuava encantadora. Mas agora, sempre que podia chamava Regina para dançar com ela.

Ambas dançavam juntas a dança da vida, a dança do amor. E elas não precisavam nem de musica, nem da visão, pois como dito antes, para amar, não é preciso ver, apenas sentir, e isso, ambas tinham de sobra. E teriam por muito tempo.

Notas finais
É isso... Até a próxima história!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!