A Bailarina
12 Capítulo 12 – Impulso
Na segunda feira Regina chegou a escola animada e ansiosa... E durante toda manhã ficou contando as horas, esperando que passassem rápido. Quando finalmente o sinal do fim da aula tocou, se levantou correndo e saiu da sala sem avisar ninguém aonde ia... E quando chegou a porta do estúdio de balé sentiu uma animação crescente em seu peito.
—Regina_ era Ruby que se metia na frente dela, tampando sua visão e lhe impedindo de procurar por Emma.
—Oi Rubs_ ela forçou um sorriso.
—Perdeu sua viagem_ ela comentou_ Emma não esta aqui.
—Ela não vem à aula hoje?_ ela questionou.
—Não_ respondeu simplesmente.
—Mas por quê?_ perguntou intrigada, ela nunca faltava às aulas.
—Parece que ela esta um pouco doente_ deu de ombros_ uma gripe ou algo do tipo... Ai ficou em casa hoje.
—Ah... Tchau Rubs.
Antes que Ruby pudesse abrir a boca de novo, Regina já havia sumido... Ela cruzou os braços, bufou e revirou os olhos.
—De nada, disponha_ disse ironicamente_ sempre que precisar... É pra isso que a otária aqui serve.
Antes que pudesse perceber Regina estava tocando a campainha da casa de Emma, queria saber se ela estava bem... Se sua doença era algo grave. Sentia-se uma completa idiota por tamanha preocupação, mais não podia evitar.
—Quem é?_ a voz doce e suave perguntou através da porta.
—Não consegue adivinhar?_ Regina perguntou sorrindo.
A porta se abriu rapidamente e mesmo sem poder vê-la Emma sorriu, refletindo o entusiasmo de Regina ao poder olhar pra ela.
—O que faz aqui?_ ela perguntou surpresa.
—Me disseram que estava doente_ ela deu de ombros_ vim ver se estava bem.
O sorriso de Emma aumentou_ entra.
A menina deu espaço pra que a outra passasse entrando na casa... Era um lugar espaçoso, agradável e bem decorado. No fundo, o acesso ao segundo andar da casa era através de uma rampa ao invés de uma escada.
—Essa é minha casa_ Emma sorriu indo pra junto dela.
—É linda_ a morena comentou com um leve sorriso_ mas então? Como esta?
—Estou bem_ garantiu_ só um pouco gripada, com dor de cabeça... Então resolvi ficar em casa... Ficar rodopiando com dor de cabeça não é uma boa ideia.
—Ah_ suspirou_ fiquei preocupada.
—Não precisava, eu estou bem_ ela garantiu.
—Que bom_ disse um pouco envergonhada_ você esta sozinha?
—Eu moro sozinha_ ela disse.
—Sério?_ questionou surpresa.
—Meus pais morreram há alguns anos... Mia tia vem aqui uma vez por semana ver como estou, me ajuda com a faxina e as compras, e me liga todo dia.
Regina mais uma vez estava impressionada, não imaginava que Emma vivia sozinha... Afinal com o problema dela deveria precisar de ajuda. Mais ela já devia imaginar que seria assim... Emma estava sempre a surpreendendo e não parecia precisar de ninguém pra absolutamente nada.
Ela era incrível.
—Eu queria muito ter ido à aula hoje_ ela comentou pra quebrar o silencio_ eu queria praticar o nosso passo.
—Novo passo?_ ela sorriu_ eu gostaria de ver.
—Eu vou estar na escola na quarta_ ela sorriu_ apareça por lá.
—Não pode me mostrar agora?_ ergueu a sobrancelha.
—Agora?_ disse surpresa.
—Algum problema?
—Bom, já que esta aqui_ ela sorriu_ acho que já posso arriscar uns passos, a dor de cabeça passou.
Elas afastaram um pouco mesa no centro da sala... Emma não esperava ter Regina em sua casa mais estava feliz por ela estar ali. E também gostava de dançar pra ela.
Regina se afastou um pouco e a deixou no centro da sala.
—Não se assuste se eu fizer errado_ ela riu_ ainda estou meio tonta pelo remédio que minha tia me deu.
—Tudo bem_ ela riu_ eu sei que não vai errar.
Emma se pôs na ponta do pé... Ela não precisava de sapatilha, nem de roupa, ou preparação, a dança estava no sangue dela.
Começara muito bem, graciosa como sempre, movimentos perfeitos e lindos... Mas quando fora fazer um rodopio se desequilibrou e quase caiu no chão. Regina rapidamente deu um passo e a segurou com força antes que pudesse se machucar.
—Hei, você ta bem?_ ela perguntou preocupada.
—To bem_ ela disse se segurando na morena com firmeza_ só estou um pouco tonta, é pelo resfriado... Já vai passar.
Emma se ajeitou, ficando em pé direito, mas continuou bem perto de Regina, com os braços dela lhe envolvendo protetoramente... De repente a proximidade das duas já não era tão inocente... Regina estava perfeitamente consciente do corpo frágil da menina em seus braços... O rosto dela tão perto do seu.
Antes que percebesse, sua mão se ergueu pra tocar o rosto delicado dela, o acariciando com cuidado, algo que Regina desejava fazer desde que vira seu lindo rosto a primeira vez. Emma ficou paralisada, os olhos abertos, fixos num ponto distante... Ela não podia ver, mais podia sentir a repentina eletricidade que fluía entre elas.
—Tem certeza que ta tudo bem?_ ela voltou a perguntar ainda segurando o rosto da loira em suas mãos.
—Tenho_ sussurrou.
Então ela não pode mais se conter... Foi chegando com calma seu rosto mais perto do dela, sempre a olhando atentamente, procurando algum sinal de que ela recuaria ou não queria... Mas ela continuava paralisada sob suas mãos. Regina podia ouvir o coração dela batendo forte dentro do peito.
Então, com a maior delicadeza que pode, encostou seus lábios nos dela... Um toque calmo, carinhoso, um selinho provocante, tentador que só a fez querer mais. Porém, afastou-se dela por um instante, pra olhar novamente em seus olhos... Ela não disse nada, parecia nem respirar.
Então ela o fez... Juntou novamente seus lábios nos dela e a beijou de verdade. Um beijo calmo, carinhoso, e completamente apaixonado, diferente de qualquer coisa que já fizera na vida. O beijo não tinha malicia, somente amor. Mas a menina não correspondeu... Era uma pedra sob seus lábios, parecia assustada, mas mesmo assim não recuou... A sensação de ter os lábios de Regina nos seus era agradável, ainda estranha... Embora fosse algo completamente novo.
Depois de alguns instantes Regina partiu o beijo... Suas mãos deixaram o rosto da menina, mas continuava com seu corpo grudado ao dela. E ela continuava paralisada.
—Emma?_ ele chamou.
A menina não respondeu, sua respiração estava acelerada e pela expressão dela, Regina percebeu que poderia ter acabado de fazer uma tremenda burrada.
—Emma, me desculpe, eu não quis...
—Ta tudo bem_ ela finalmente disse.
—Olha, eu não queria ser abusada, nem ofender você... É que eu não consegui me conter... Desculpe... _ ela começou a se desesperar.
—Não precisa pedir desculpas_ ela sussurrou ainda meio estática_ ta tudo bem.
Não era o que parecia... Enquanto observava o rosto dela, Regina começara a se sentir culpada... E se ela estivesse com raiva? E se não quisesse mais vê-la ou algo do tipo? Devia ter se contido.
—Você esta com raiva_ ela disse.
—Não estou_ ela garantiu.
—Esta sim, olha pra você_ disse agoniada_ desculpa eu...
—Eu não to com raiva Regina_ ela garantiu parecendo de repente voltar a si_ é que...
—É que o que?_ ela perguntou aflita.
A menina corou e abaixou a cabeça envergonhada_ ninguém nunca tinha... Me beijado_ confessou.
—Sério?_ Regina perguntou surpresa.
—É_ ela sussurrou_ bom, esqueça... Isso não importa.
Regina estava surpresa com isso, Emma era uma garota incrivelmente linda, era incrível que nunca tivesse tido um namorado, ou namorada, mas a compreensão do porque lhe invadiu de repente tirando sua alegria. Porque ela era cega.
Contudo, no fundo ela ficara feliz de saber que fora a primeira... E também se sentira um tanto culpada.
—Emma, me desculpa por isso... Foi um impulso, eu...
—Ta tudo bem_ ela repetiu_ só esqueça.
—Mais eu...
—Ta tudo bem Regina_ ela disse mais alto_ érr... Vou arrumar alguma coisa pra bebermos.
Emma se virou apressada, pretendo ir até a cozinha, esbarrou em querer no sofá e parou um minuto pra respirar fundo... Ela conhecia sua casa como a palma de sua mão e nunca errava o caminho. Mas agora parecia que tinha perdido o chão, seu senso de direção, tudo estava confuso... E ela não conseguia ouvir mais nada além do som de seu coração, alto demais.
Todavia ela caminhou até a cozinha e encheu dois copos com suco, tentando fazer sua mão parar de tremer... Foi um acidente, não iria acontecer de novo. Ela pedira desculpas... Não ia se repetir... Elas eram apenas amigas não eram?
Emma voltou à sala, tentando parecer natural e entregou o suco a Regina.
Ela segurou o copo mais logo o pôs em cima da mesinha no canto.
—Ta tudo bem mesmo entre nós?_ ela perguntou.
—Já disse que sim_ ela garantiu_ só vamos esquecer ta bem?
—Ta_ ela concordou_ eu tenho que ir embora.
Ela não queria ir, não queria esquecer... Só queria beijá-la de novo. Mas tinha sido demais pra um dia... Sabia que era uma coisa nova pra Emma, e não ia forçar a barra. Ela esperaria... E não desistiria de conquistar ainda mais o coração dela.
—Tudo bem_ ela não tinha forças pra discordar_ érr... Antes... Queria saber se você topa voltar comigo ao instituto. Emily esta doida pra te ver de novo.
—Eu vou adorar_ ela garantiu... Qualquer coisa pra passar mais tempo com ela.
—Então até mais.
—Tchau Emma
Ela hesitou por um instante, fitando os olhos brilhantes da garota... Depois deu as costas a ela e saiu pela porta apressada, a deixando sozinha.
Então Emma desabou no sofá... Nunca havia beijado ninguém na vida. Nenhum garoto ou garota nunca se interessara por ela, por culpa de sua deficiência... Só que com Regina era diferente e lá no fundo ela tinha medo que a morena percebesse que ela não era boa o bastante pra ela. Só sabia que tinha acabado de bancar a idiota... E também sabia que estava totalmente apaixonada por ela.
E enquanto Regina voltava pra casa um sorriso surgira em seu rosto... Tinha pego Emma de surpresa com aquele beijo e quase estragara tudo. Emma era uma menina especial e ela devia ter cuidado com ela, mas estava feliz, como nunca esteve antes... Ainda podia sentir o gosto dos lábios macios dela... E então teve uma só certeza... A que vinha tentando ignorar... Estava completamente apaixonada pela linda bailarina.
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