A Bailarina

4 Capítulo 4 - A descoberta.


Notas iniciais
Hello silver! Bem, como prometido aqui estou para postar o próximo capítulo da saga da nossa bailarina. Devo postar mais um capítulo hoje, dependendo da minha disposição pra editar e dos comentários de vocês. E talvez, talvez, eu poste mais de dois amanhã, já que sexta, sábado e domingo não postarei pois estarei ocupada. Como eu disse a fic esta finalizada e a postagem depende única e exclusivamente de vocês. Sem mais delongas, vamos ao capítulo.

Ruby acordara super animada aquele dia... Ainda mais que o normal se é que isso era possível. Sim... Hoje seria o dia que as tão esperadas aulas de ballet começariam oficialmente, e ela não via a hora.
Outra que não via à hora de se encontrar novamente com uma certa bailarina era Regina... E hoje seria sua oportunidade. Nem morta ela perderia aquelas cem pratas, não desistia fácil.

—Espero que esteja economizando pra pagar minhas cem pratas_ David disse dando um tapinha no ombro da amiga.
—Se continuar me lembrando dessas malditas cem pratas eu vou arrancar a sua língua fora_ Regina disse sorrindo.
—Alguém já lhe disse que você é uma pessoa muito agressiva?
—Já_ ela concordou.
—Tudo bem_ sacudiu a cabeça_ vamos sair depois da aula?
—Tenho outros planos_ disse fitando as paredes.
—Que planos podem ser melhores do que sair com a galera pra pegar umas gatinhas?_ David questionou.
—Qualquer coisa é melhor que sair com um bando de retardados e ficar ouvindo as cantadas baratas que vocês soltam.
—Como se as suas cantadas fossem o máximo_ revirou os olhos.
—Não costumam reclamar _ ela disse rindo_Eu vou ganhar essa aposta... E vou começar hoje.
—Tudo bem_ David riu.

O tempo passou rápido aquele dia... Assim que o sinal indicando o fim da aula bateu, David e os outros meninos saíram juntos pra curtir. Regina ficou na escola e foi assistir a primeira de balé de Ruby.
Ela sorriu pra amiga quando ela se aproximou vestindo a roupa de balé... Não era bem o estilo dela.

—Você esta linda nessa roupa_ ela zombou.
—Não venha de gracinhas pra cima de mim_ ela disse irritada_ o que você faz aqui? Devia ter saído com os meninos pra vigiar o Killian pra mim.

—Eu não vou ser o cão de guarda do seu namorado_ fez careta.
—O que faz aqui Rê?_ questionou_ aposto que não veio me ver.
—Você é esperta_ sorriu de lado.
—Esta perdendo seu tempo_ avisou_ ela não esta aqui.
—Não sabe se ela vai vir?_ perguntou.
—Não sei e se soubesse...
—Não me diria_ ela terminou a frase_ blá, blá, blá... Já conheço esse discurso, muito obrigada pela ajuda.

Regina deu as costas a Ruby e saiu do estúdio... Talvez ela voltasse outro dia. Iria se encontrar com os amigos e se divertir. Os meninos não se importavam de ter Regina por perto, ela era divertida e não tinha essas frescuras de meninas, e não era devido ao fato dela ser gay. Regina sempre foi descolada, sem frescura e extrovertida. E todo mundo gostava de estar com ela, especialmente as garotas, que faziam a alegria dos meninos e dela mesma quando estavam juntos.
Porém, enquanto caminhava pelo corredor, a cabeça baixa, as mãos dentro do bolso, ela acabara esbarrando em alguém.

—Oh me desculpa_ a garota pediu.
—Tudo bem_ ela sorriu ao ver quem era_ pode esbarrar em mim sempre que quiser.
—Ah é você?_ Emma ajeitou a mochila nas costas_ então foi bem feito.
—É por isso que adoro conversar com você... É tão simpática_ ela zombou.
—Da próxima vez olhe por onde anda e quando me vir... Passe bem longe_ ela pediu avançando um passo, mais Regina se pôs novamente na frente dela a fazendo esbarrar nela novamente.
—A culpa não foi só minha_ ela disse_ você também devia prestar mais atenção.

Emma riu e virou o rosto em outra direção... O som soou um tanto quanto presunçoso. Regina não entendeu qual era a graça.

—Não sei se você é extremamente arrogante ou extremamente burra_ ela disse.
—Porque acha que sou burra?_ ela questionou.
—Porque você, mesmo com seus dois olhos não consegue ver aquilo que esta bem na sua cara.
—O que quer dizer com isso?_ ela estava confusa.
—Olha, não tenho tempo pra conversar com você... Tenho uma aula agora, pode sair da frente por favor?_ ela pediu.

Ela a fitou por um instante... Os óculos escuros lhe escondendo os olhos. Então muito calmamente deu um passo pro lado, dando espaço pra que ela passasse.

—Boa aula_ ela sussurrou.
—Obrigada_ agradeceu secamente.

Ela continuou caminhando, a outra bailarina que sempre a acompanhava a encontrou no final do corredor e então as duas seguiram juntas até aula.

—Que menina mais difícil_ ela bufou.

Ao invés de ir encontrar com os amigos como pretendia, Regina ficou na escola... Deu algumas voltas pelo lugar pra passar o tempo e quando deu por si à aula de balé já havia acabado. Ela caminhou calmamente de volta ao estúdio e encontrou Emma sozinha. Ficou escorada na porta observando em silencio enquanto a menina ligava o som em uma música suave e ia pro meio do salão.
Ela começou a rodopiar graciosamente, fazendo movimentos lindos e precisos.
Regina sorriu sozinha, até que em um desses rodopios os óculos escuros que a menina usava voaram de seu rosto, caindo no chão bem perto de onde ela estava.

—Droga_ a garota resmungou zangada parando de dançar na mesma hora.

Regina riu discretamente, e se abaixou pra pegar o óculos, então caminhou calmamente até o meio do salão onde a garota estava parada, com os olhos bem fechados e uma expressão de frustração no rosto.

—Devia tomar mais cuidado_ ela disse.
—Pode por favor devolver o meu óculos?_ ela pediu esticando a mão.
—Porque não vem aqui pegar?_ ela desafiou.
—Eu pegaria se pudesse ver onde ele esta_ ela respondeu com impaciência.
—Talvez você visse se abrisse os olhos_ ela rebateu.

Emma suspirou tentando manter a calma e então muito calmamente abriu os olhos... Eles eram verdes, bem claros, e incrivelmente lindos. Regina se pegou encantada por um instante com tamanha beleza.

—Bom, eles estão abertos_ ela disse nervosa_ agora devolva meu óculos.
Regina pegou o óculos e o pôs na mão da garota, ela o segurou com força.
—Você tem lindos olhos_ ela disse.
—Pena que não me servem pra nada_ respondeu grosseiramente.
—Como assim?_ ela questionou confusa.
—Eu sou cega sua imbecil_ as palavras saíram asperamente.

Por instante Regina pensou ser brincadeira... Mais então viu a expressão irritada no rosto dela, o modo como seus belos olhos estavam sempre parados, fixos em um ponto vazio, sem demonstrar nenhuma emoção. Então lembrou que ela sempre andava acompanhada com alguém, usando os óculos escuros ou de olhos fechados.
Ela não estava brincando... E ela ficou sem saber o que dizer.

—Desculpe_ ela disse sem jeito_ eu não sabia.
—Claro que não_ ela riu sem humor_ ninguém percebeu... Vocês passaram tempo demais observando meus seios e minha bunda pra reparar em algo que realmente importe.
—Olha, eu realmente não quis ofender você e...
—Não me ofendeu_ ela garantiu_ já estou acostumada a essas coisas... Agora será que pode me dar licença?

Regina hesitou por um instante, ainda chocada com a descoberta... Se ela não tivesse dito nada talvez nunca percebesse que ela era cega. Era tão segura de si, parecia saber muito bem aquilo que fazia... Fora realmente uma surpresa. Ela sacudiu a cabeça pra espantar os pensamentos e caminhou até a porta, mais parou de novo ao chegar lá e se virou novamente pra olhar a menina.
Ela abaixou a cabeça e Regina pensou ter visto uma lágrima descer pelos olhos dela... Mais não teve tempo de ver se estava certa. Ela ligou novamente o som e voltou a dançar como se nada tivesse acontecido.

Regina caminhou pelas ruas um pouco desnorteada... Na verdade estava se sentindo uma idiota pela mancada que dera com Emma. Parecia algum tipo de piada que uma garota tão linda e tão talentosa fosse cega.
Quando deu por si estava na porta da casa de David... Ela tocou a campainha e o amigo logo atendeu a porta.

—E ai gata?_ eles fizeram seu toque_ como foi com a garota?
—Ela é cega_ Regina sussurrou.
—Como é?_ David ficou sério_ ta brincando né?
—Estou falando sério cara, ela e cega... Eu vi, não é brincadeira.
—Mais ela não parecia cega_ ele disse.
—Exatamente, eu não sabia e banquei a idiota na frente dela_ ela suspirou.
—Nossa que chato.

Os dois se sentaram juntos na entrada da casa... Costumavam ficar assim durante horas em outros dias, apenas falando besteiras e brincando, ou até mesmo olhando o tempo passar, em silêncio, como agora. David era o melhor amigo de Regina desde crianças. Eles eram confidentes e David foi a primeira pessoa a quem Regina contou sobre gostar de meninas quando tinham 12 anos. Ele não só não se importou como a apoiou e apresentava garotas pra Regina, que ficava roxa de vergonha quando alguma menina se aproximava. David foi a peça crucial para que os amigos e os irmãos de Regina a entenderem e a aceitarem como ela era. Por ser muito querido por todos e muito popular, logo, todo mundo acabou se acostumando e o fato de Regina ser muito engraçada e legal na visão deles também acabou ajudando. Eles a viam como um deles, como uma pessoa normal, e era isso que ela era. Era isso que David dizia e que quem pensava o contrario é que não era normal e não devia andar com ele. E isso foi muito importante pra garota. Ela o amava como a um irmão, tanto quanto aos seus de sangue e mesmo com todas as brincadeiras e até mesmo desentendimentos, isso nunca mudaria.

—Ai, aposta cancelada_ David disse.
—Como é?_ Regina o olhou de lado_ por quê?
Ela achou a atitude do amigo estranha, estava esperando que ele a zoasse, cobrasse o dinheiro... Menos aquilo.
—Primeiro porque não é legal ficar zoando uma deficiente_ ele explicou_ e não vou te obrigar a ficar dando em cima de uma menina cega só por cem pratas... Não vou te torturar assim.
—Porque acha que isso seria uma tortura?_ fez careta.
—Como por quê? Ela não é como você... Ela é...
—Cega_ Regina disse.
—Exatamente.

Regina sacudiu a cabeça e riu... Pros seus amigos ficar com uma garota que não fosse perfeita (traduzindo: seios grandes, corpo de violão, oferecida, e é claro que enxergue muito bem e não tenha deficiências) era algo extremamente absurdo. Regina não costumava escolher muito... O que não quer dizer que ela saia ficando com qualquer uma... Só não era assim tão exigente.

—Ela é linda_ Regina comentou.
—Muito_ David concordou_ mais ela é... _ se interrompeu.
—Cega David... Não há problema em dizer a palavra cega_ revirou os olhos.
—Foi mal_ ele riu_ que seja... Aposta cancelada... Vamos partir pra outra.
—Tudo bem.
—Ballet nunca foi mesmo a minha praia_ deu de ombros.
—Bom, tenho que ir pra casa, agente se fala depois_ ela se levantou.

Regina ajeitou a mochila nas costas e começou a se afastar... David ficou observando de longe ainda um pouco boquiaberto com a noticia... Parecia maluquice.
—AÍ... TEM CERTEZA DE QUE ELA É CEGA?_ ele gritou.
—Até amanha Dave_ ela disse enfadada sem olhar pra trás.

Regina voltou pra casa dizendo a si mesma que não tinha nada com isso... Ela não sabia que a menina era cega e não fizera nada de errado. Mais quando se deitou na cama a noite a única coisa que vinha em sua mente eram os lindos olhos da garota.

Notas finais
Bem é isso galera, Regina já descobriu o "diferencial" da nossa bailarina. E agora? Como ela vai lidar com essa novidade? Não perca no próximo capítulo de A bailarina ;) Putz que frase de propaganda de novela ashdaudushdshdsuidha Enfim é isso galera, mais tarde eu venho postar o 5 e ver os comentários de vocês. E quero que vocês comentem meus pequenos gafanhotos! Até mais tarde mon amours! Bju nas crianças