A Baby-sitter

14 Capítulo 14 - Verão de 2019


Notas iniciais
Aqui está queridas leitoras! Eu sei que a fic tá bem chata e sem acção, mas ela vai começar esquentando no proximo cap.
Este capitulo e o maior que já postei :D de dicado a tdas voces que sempre fizeram reviews desde o primeiro capitulo ♥ danke euch!!!


Foi então que me lembrei do armário que estava fechado e no qual haviam bolachas, guloseimas, fritos bebidas e…o tal pó branco.


- Sarah, me mostra o armário? – perguntei curiosa


- Num, num posso – sentou no sofá com uma cara séria

- Não pode? Porquê? – Perguntei confusa


- Porque… — me olhou e sorriu feliz – é um xeguedo meu e do tio Bi

- Ahhh – Fingi não ter ainda percebido – então, só você e o tio é que sabem das bolachas?


- Sim, e só o tio me dá as bolhachas, mas ele agola nunca tá cá – lamentou. Notei a tristeza na cara da criança pelo facto do tio não passar tempo em casa.

“Então quer dizer que ele te dá guloseimas às escondidas” – sorri – “Afinal ele tem um lado menos mau. E eu já sei quem é o dono do tal armário misterioso, do qual pedi algumas coisas emprestado” Pensei.


- Bom, então parece que infelizmente eu não posso dar as bolachas do tio…


- Porquê?


- Porque só vocês os dois sabem das bolachas – sorri e ela sorriu cúmplice.


- Mas posso lhe dar uma bolacha ou duas das minhas…


- você tem bolhachas? – Arregalou os olhos, prestando atenção a cada movimento meu

- Tenho…mas só dou se me prometer uma coisa, ou melhor, duas – pisquei o olho

- Diz – me respondeu prontamente


- A primeira é que se eu der as bolachas, fica um segredo só nosso


- “Pometo” – sorriu


- E a segunda é que não quero ver mais essa carinha triste – sorri com ela que acenou positivamente.


Subimos então até ao meu quarto e lhe dei 2 bolachas. Descemos e juntas e vimos televisão até ao jantar. Sarah me dava vontades maternais. Mas eu estava errando, não podia ligar tanto a ela, em uma semana iria desaparecer na sua vida e não quero nem posso permitir mais saudades no meu peito.

Nessa noite Sarah acordou por volta da uma da manhã e correu para o meu quarto pedindo para dormir na minha cama. Hesitei um pouco, eu era apenas a ama. Mas eu sabia como era ser pequenina e se sentir assustada com um mau pesadelo, ainda mais aquela criança que era tão carente de afectos. Deitei-a ao meu lado e tapei-nos acalmando-a
com frases calmas e festas nos seus cabelos. Era tão linda, tinha uns olhos mel que se parecia com os do seu tio, o nariz era sem dúvida do seu pai e os lábios talvez da mãe, por cerem um pouquinho carnudos.
Desejei ter uma coisinha pequenina assim só minha e de um homem, um homem com quem partilhasse todo o meu ser, todos os meus desejos carnais e terrestres.

Nunca vos falei desse aspecto, nem de nenhum em particular da minha vida. Mas porque na verdade, nada é muito interessante. Não sou nenhuma estrela, não sou nenhuma inspiração nem sirvo como modelo para ninguém. Já mudei de casa 9 vezes, de cidade 4 vezes, sou “quase-pobre” em Portugal (muito pobre na dimensão americana ou da família da Sarah) e o último namorado que tive foi aos 19, á 4 anos, e durou 2 semanas.


Estamos no meio do Verão de 2019, tenho 23 anos, estou num país estrangeiro, sem casa própria e sem carta de condução ou meio de transporte próprio.
Pelo menos tenho um emprego, mas é provisório, pois logo que o casal fofinho chegar eu tenho de dizer adeus a Sarah e Scotty, que é a minha companhia á noitinha, e nunca mais os vejo.
Me sinto tão só e desamparada no mundo. Sinto que se morrer esta noite, talvez apenas faça falta a Sarah, que dorme nos meus braços. Se desse por mim morta de manhã iria ficar assustada ou talvez sentir saudades, mas por pouco tempo pois ainda é uma criança pequena, se desaparecer da sua vida não irei ficar na sua memória, e o seu tio Bi iria tratar de me mandar enterrar num buraco qualquer no meio da estrada.
Lembra de quando, no primeiro dia, Ria me perguntou se eu era mãe?
Eu lembro, e lembro também que lhe respondi que não por ainda ser nova, mas às vezes eu acho que já nem eu acredito na resposta.
É certo que ainda sou nova, com 23 anos estou na flor da idade.
Sei que Tom e Ria têm 27 anos e por isso foram pais aos 24, e olha só no que deu!

Despertei dos meus pensamentos com o bater forte da porta de entrada da casa, em seguida ouvi alguém repreender outro alguém com um forte “Shhhhhh” e uns risinhos se seguiram. Devia ser Bill, mas parecia trazer companhia.

Ouvi passos e uma luz a acender, era a da sala. Depois mais risinhos e num instante o cheiro intenso a tabaco. Ouvi uma garrafa de champagne ser aberta e copos batendo uns nos outros. Mais risadas abafadas. Depois um breve silêncio e logo de seguida ouvi uma música de rock pesado começar a tocar na sala.
Arregalei os olhos, não podia acreditar na falta de respeito dele pela sobrinha que podia acordar com aquela música pesada que se fazia ouvir em toda a casa. A música que começou a tocar depois era bem conhecida por mim. Era Blew dos Nirvana, minha banda preferida.

“Até que tem bom gosto musical. Mas e se Sarah acorda? Tenho de fazer alguma coisa, são 2 e meia da manhã, não é hora de festa para quem tem uma criança.”

Notas finais
E ae? *.*