Notas iniciais
O capítulo ficou muito grande, então eu não coloquei tudo o que queria nele. Considerem o próximo como continuação desse, embora ele será publicado com outro título :)

They don’t appreciate

How deep the bond between us is

All they do is trying to... On you

They don’t wanna see you doing, baby

Keep a man that dees the things I do for you

— Freddie Jackson

Assim que pisou na sala de estar da casa dos Potter, Vega abriu o primeiro berreiro que Sirius escutou na vida, o que não melhorou de todo o seu estado de ânimo.

— Ah! Não! Não, não, não! — ele pegou-a no colo, derrubando a cesta no chão, e começou a balançá-la, desesperado — Calma, estrelinha! Calma!

Lily não demorou para aparecer, e ele nunca sentiu-se tão aliviado. Ela, mais do que nunca, era a sua salvadora.

— O que você fez? — uma salvadora um pouco injusta.

— Eu estou atrasado para o trabalho, não podia trazê-la por lareira, tive que aparatar! — Sirius respondeu, ofendido.

— Ela nunca deve ter aparatado antes, Six! — a ruiva quase arrancou a criança de seus braços, como uma leoa defensora — Você pode ter se relacionado com uma trouxa!

— Se fosse uma trouxa, ela não conseguiria me encontrar — ele fez questão de lembrá-la.

— Você não estava atrasado para o trabalho? — Lily retrucou, mal humorada — Vamos! Ande logo!

— Lily, eu queria falar contigo sobre as coisas da Vega... — ele passou a mão no cabelo, a convivência excessiva com James já estava o afetando — Ela só tem essa roupa, não dorme em outro lugar que não seja a cesta...

— Eu resolvo isso, mas quero ser a madrinha dela. Sirius! Você tem que registrá-la!

Um som vindo do relógio o fez se lembrar de seu próprio atraso, e atravessou a sala com rapidez, indo para perto da lareira.

— A gente resolve isso depois! — ele pegou uma grande quantidade de pó de flú — Ministério da Magia!

Já era difícil pensar em como ele teria que aprender a cuidar de uma filha, com aquela aparência toda frágil, sem experiência alguma. Não contente com isso, ele teria que resolver todo o resto: conferir se ela tinha uma certidão de nascimento já, ou se ele teria que registrá-la, comprar roupas e brinquedos para ela, arrumar um lugar para que ela pudesse dormir...

E pensar que ele acreditava que ela daria mais trabalho quando estivesse na adolescência, cheia de pretendentes, ou depravados sexuais que iriam querer abusar de sua inocência, como ele preferia pensar.

Ele era um canalha no colégio, e justamente por isso, ele sabia bem o que um adolescente pensava e agia quando os pais estavam longe. Sendo filha sua, ela não seria muito inocente, isso seria pedir demais para os seus genes, e era o que mais o preocupava.

Sim, em segundos, tendo a visão rápida e confusa de tantas lareiras, ele conseguiu pensar em todos aqueles problemas. Já podia sentir cabelos brancos surgindo pela sua cabeça, sofrendo por antecipação.

— Parabéns, Black!

Sirius franziu o cenho sem entender, enquanto vários desconhecidos cumprimentavam-no pelo caminho até o quartel general dos aurores. Assim que pisou dentro de lá, foi afastado por Frank, Remus e James.

— Vamos, meu amigo! — disse James, com alguns pergaminhos em mãos — Temos que interrogar uma pessoa que está internada no St. Mungos.

— Eu fui promovido e não sabia? — perguntou Sirius, enquanto eles seguiam pelo caminho que ele acabava de vir — Por que está todo mundo me parabenizando?

— James me contou sobre Vega, e... Bem, Alice escutou, e contou para algumas pessoas — disse Frank, claramente constrangido.

— Algumas pessoas? Ela contou pro departamento inteiro? — a voz de Sirius ficou levemente mais fina, enquanto eles pegavam o elevador, milagrosamente, vazio — Só falta o próprio ministro da magia descer e me cumprimentar.

— Vocês parecem duas menininhas fofoqueiras — comentou Remus, olhando para os outros dois, que coraram fortemente — Depois reclamam de Alice e Lily!

— Passar tanto tempo com elas dá nisso! — defendeu-se Frank.

Sirius recuperou-se, lançando um olhar debochado para os amigos, que apenas levantaram o dedo do meio para ele.

— Por que temos que interrogar essa pessoa do St. Mungos? — ele perguntou, assim que chegaram ao térreo.

— Rufus acredita que Pettigrew tem provas sobre a corrupção no Ministério — respondeu James, o olhar ficando sombrio na menção dos nomes — Você sabe como ele é louco para acusar Fudge, e ficar com o seu lugar.

— E aí o nosso auror chefe seria o Proudfoot — Sirius fez uma careta, ao dizer isso.

— Eu não vou reclamar, eles não implicam com o meu probleminha — murmurou Remus.

— Vai ver são tão burros que nem notaram — ele retrucou.

Aparataram assim que alcançaram as lareiras, que estavam desligadas, pois o horário de entrada já havia passado.

— Mas o que...

James tomou a frente deles, apontando a varinha para a pessoa de olhos arregalados.

— Obliviate! — uma luz branca saiu de sua varinha.

Frank apressou-se em bater no vidro da loja de departamentos abandonada, antes de acenar com a cabeça para os amigos, entrando lá, como se a vitrine fosse feita de água. James guardou a varinha, olhando ao redor para garantir que não precisaria apagar a memória de mais alguém, antes de seguir com os amigos pelo mesmo caminho.

— O que, realmente, irrita Proudfoot é que vocês não precisam trabalhar, mas trabalham — comentou Remus, enquanto eles tentavam não esbarrar nos medibruxos que passavam correndo de um lado para o outro.

— Se não trabalhássemos, aí ele nos odiaria por sermos “desocupados” — Sirius bufou — Vai entender...

— A verdade é que ele é inegavelmente apaixonado por você, meu amigo — disse James, com uma falsa seriedade — Só que você não o corresponde.

Sirius começou a engasgar, enquanto Remus lançou um olhar repreensor para o amigo, que apenas sorria maliciosamente.

— Ei! Nosso amigo aqui precisa pensar no futuro! — Frank entrou na implicância — Agora tem uma filha para criar...

— Isso tudo é falta de sexo? Por que vocês não vão cuidar da vida de vocês? — pronunciou Sirius, quase que escandalosamente.

— Só queríamos ajudar, Pads — defendeu-se James.

— Com licença — Remus parou um medibruxo, mostrando o seu distintivo de auror — Estamos procurando por um paciente que deu entrada nesta manhã, Peter Pettigrew.

— Claro, me acompanhem! — o homem disse, desviando o qual seria o seu caminho original.

James e Frank coraram da cabeça aos pés com o olhar sério de Remus, era incrível como eles permaneciam agindo como estudantes do quarto ano.

— Vamos! — disse o lobisomem, cansado.

Subiram por várias escadas, o objetivo era o quarto andar (danos causados por magia). No entanto, enquanto faziam a passagem do terceiro andar para o quarto, Sirius foi puxado pelo braço.

— O que está fazendo aqui? — Marlene perguntou-lhe.

Ele olhou para cima, percebendo que os amigos não pararam, e desceu os dois degraus subidos.

— Interrogatório — respondeu, vagamente.

— Deixe-me adivinhar: Peter Pettigrew — ela olhou ao redor, antes de voltar seu olhar a ele — Eu acredito que não foi dano em magia. Deve ter sido algum artefato bruxo que causou aquilo nele...

— E veio me parar para perguntar isso? — Sirius cruzou os braços, sabendo que tinha outra razão para a intervenção.

— Eu estive pensando sobre Vega e, se a mãe dela era bruxa, precisou vir até aqui para conseguir um atendimento — explicou Marlene, erguendo-se em sua sola vez ou outra — Ou seja, ela deve...

— Eu pensei nisso mais cedo — ele confessou, olhando para outra direção — Mas eu ia falar com... Alguém que trabalhe na documentação do Ministério da Magia.

“Ou com alguém do Departamento de Acidentes e Catástrofes Mágicas” pensou consigo mesmo.

— Você não tem ideia de com quem você iria falar — constatou Marlene, pegando a sua mão — Vamos! É no térreo onde ocorrem os partos.

— Porque faria todo o sentido ser no último andar — ele tentou brincar — Os casos de assassinato por grávidas lá no quartel general não são suficientes...

— Oras, cale a boca!

Ela seria o tipo de pessoa que tentaria estrangular o marido enquanto estivesse em trabalho de parto.

Ninguém atravessou o caminho deles para questionar onde iriam, como Proudfoot faria com ele, e Sirius quase sentiu inveja por isso. Marlene tinha feito a própria fama por lá, ninguém a questionava, embora ela não fosse a própria chefe, e estivesse em um andar diferente do qual ela trabalhava. Talvez fosse comum por lá...

— Paden, eu preciso verificar os registros — Marlene disse, as mãos no bolso.

Não houveram perguntas, o medibruxo não desviou os olhos de sua pasta cheia de folhas para revisar, apenas acenou a varinha para um canto da parede, que revelou-se a eles.

A castanha deu uma piscadela para o cunhado, antes de entrarem na sala, e fecharem a porta.

— Vega Black — ela disse em voz alta.

Uma única pasta fina e solitária surgiu de uma das prateleiras mais altas, e flutuou até a mulher, que estava com a mão erguida à sua frente. Não precisou mover-se um centímetro, já que a pasta pousou delicadamente em sua mão, que fechou-se imediatamente.

— Vega Black — Marlene suspirou — Não tem segundo nome, a mãe não está registrada... Isso dá a impressão de que ela partiu assim que deu a luz.

Sirius franziu o cenho, pegando a folha principal para si.

— Ela nasceu em 2 de Janeiro de 1981 — ele leu — Se a mãe abandonou-a quando deu a luz, então com quem ela estava esse tempo todo?

A mulher voltou o seu olhar para as folhas restantes, mas a medibruxa que fez o parto estava de férias em outro continente.

— O que você vai fazer? — ela perguntou, fechando a pasta lentamente, os olhos fixos nele.

Sirius engoliu em seco, tentando evitar a resposta o máximo possível.

— O que eu vou fazer? — ele murmurou para si mesmo.

— Foi o que eu acabei de te perguntar — Marlene tentou brincar.

Quando o cunhado não entrou na brincadeira, ela pegou a folha que estava em sua mão, deslizou por um espaço disponível da pasta, e passou o fio ao redor.

— Eu vou te dizer o que vamos fazer — ela resolveu tomar as rédeas da situação — Você vai levar uma cópia dessa pastinha, e vai registrá-la no Ministério da Magia. Sem assinatura dos pais, a certidão não é válida.

— E agora eu tenho que ir — ele completou, pegando a pasta entre suas mãos, um pouco nervoso — Certo...

— Devolva depois!

Marlene foi à frente para abrir a porta, e dar passagem a ele.

Separaram-se nas escadarias, onde ele seguiu para o quarto andar, perdido em saber onde deveria ir.

— Onde você estava? Ficamos preocupados! — Remus foi quem perguntou, já estavam no corredor.

— Não importa — ele engoliu em seco, ciente dos olhares na pasta — O que aconteceu?

— Esse caso ainda vai dar o que falar — James suspirou — Peter se transformou, os medibruxos chegaram na mesma hora. Ele vai ser condenado por animagia ilegal.

Naquele momento, eles só podiam pensar na maravilhosa hora em que resolveram fazer o feitiço Fidelius. Apenas Alastor Moody poderia dizer o segredo deles. Quando entraram para os aurores, pensaram em registrar-se legalmente, mas o mentor evitou que eles fizessem isso, disse que era um ótimo elemento surpresa.

Já não eram mais próximos de Pettigrew, mas foram na época de colégio, então precisaram pegá-lo para evitar com que pudesse, em algum momento, ter a ideia de contar a verdade. Fora eles, apenas algumas pessoas sabiam.

Em casos como aquele, era ótimo ter essa garantia.

— Rufus deve negociar anos em Azkaban se ele colocar alguns lá — Frank deu de ombros.

— Não sei, ele não gosta de negociar — contradisse Remus.

— Mas ele está tentando colocar esses caras na cadeia há um bom tempo.

Permaneceram discutindo sobre o que o auror chefe faria durante toda a volta para o Ministério. Dessa vez, sem necessidade de obliviar alguém pelo caminho, foram mais cuidadosos, em parte porque não tinham vontade de voltar aos seus escritórios e lidar com papeladas.

Não perguntaram a Sirius sobre a pasta em momento algum, mas ele sabia que James ia querer saber, mais cedo ou mais tarde.

O quartel general estava silencioso naquela tarde, Frank e James foram reportar a Rufus a sua volta e dar as impressões que tinham sobre o caso. Remus apenas foi buscar um pouco de cerveja amanteigada, e Sirius o acompanhou. Estavam sentados no sofá, aproveitando a bebida, sem conversar, quando ele avistou uma possível ajuda.

— Héstia! — ele chamou-a, com preguiça de ir até ela.

— Eu não posso falar, Proudfoot está na minha cola o dia inteiro — ela sussurrou, indo na direção deles.

— Eu preciso da sua ajuda. O seu irmão trabalha nos tribunais, não é? — ele também manteve a conversa em um tom baixo.

— O que você fez agora?

— Não é isso. Eu preciso registrar a minha filha...

Era estranho falar isso em voz alta, mas todos já sabiam, graças a Alice, que ele tentou não se incomodar.

— Se Proudfoot me pegar, você vai ficar me devendo uma — Héstia resmungou, pegando a pasta, e afastando-se rapidamente.

— Obrigado!

O insuportável assistente passou rapidamente por lá, e tanto ele quanto Remus entraram em um acordo mudo de voltarem ao trabalho.

— Nós já tivemos mais ação — ele comentou, enquanto eles iam para o escritório que dividia com James.

— Acho que você terá muita ação daqui para a frente — Remus provocou, encostando-se à mesa de James.

— Você saiu rápido ontem — disse Sirius — O que houve?

O sorriso no rosto do homem hesitou um pouco.

— Dumbledore me chamou para uma reunião — Remus desviou o olhar.

— Do que se tratava? — Sirius perguntou, tentando não evidenciar muito a própria curiosidade.

— Bem, o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas se aposentou, e ele quer que eu ocupe o cargo — o outro respondeu — Moody não quis, agora que entrou na aposentadoria.

— Professor Lupin — Sirius soltou um assobio, admirado.

— Eu não sei se vou aceitar...

Assim que disse isso, James entrou na sala, as sobrancelhas erguidas.

— Estou atrapalhando algo? — ele perguntou.

Sirius evitou olhar para os amigos, sentindo como o duplo sentido da frase o atingia, o que não era muito incomum nos últimos dias.

— Dumbledore me convidou para lecionar em Hogwarts — explicou Remus, depois de limpar a garganta, também incomodado — DCAT.

— Isso é ótimo! — exclamou James, empolgado — Você deveria aceitar.

— Eu não sei... — o auror coçou o pescoço, nervoso.

Depois de passada a surpresa, Sirius sentiu como a empolgação o abandonava.

— Como assim se aposentou? O professor não era tão velho assim! — ele comentou.

— Ele não entrou muito em detalhes — confessou Remus — De qualquer forma, eu já disse. Não sei se vou aceitar...

— Por que não? É uma ótima oportunidade! — reclamou James.

Ele apenas negou com a cabeça, no instante em que Proudfoot apareceu.

— Já que estão tão entrosados, juntem-se a Frank para trabalhar — disse o homem, sério — Rufus quer um relatório até o final do expediente.

Remus deixou escapar um rosnado, assim que o assistente afastou-se.

— Calma, lobinho! — Sirius passou a mão pelo seu cabelo, antes de notar o que estava fazendo — Vamos?

Por algum motivo, James teve uma crise de tosse absurda, e afastou-se deles para beber um pouco de água, enquanto os outros dois foram ao escritório onde Alice e Frank conversavam, em vozes baixas, mas urgentes.

— Se aquele cara ficar de graça... — dizia Frank, irritado.

— Quer saber? A gente conversa mais tarde! — Alice despediu-se, esbarrando no ombro de Sirius.

— Ai! — foi apenas o que ele disse, levando a mão ao local.

Frank passou as mãos no rosto, tentando acalmar-se.

— Se quiser, voltamos mais tarde — disse Remus, prestativo.

— Não! Precisamos terminar isso logo — Frank respondeu, de mau jeito — Quero sair daqui o mais rápido possível... Quanto tempo será que falta para as minhas férias?

Sirius deu um sorriso sombrio, pegando uma das cadeiras e colocando-a na lateral de sua mesa.

— Querem? — James apareceu, oferecendo um copo de cerveja amanteigada.

Frank aceitou de bom grado, parecendo acalmar-se mais fácil assim.

— Certo... Quais pistas nós temos?

Assim que o expediente acabou, Frank descobriu que Alice tinha saído mais cedo sem avisá-lo. James ofereceu-se para levar o relatório para Rufus, na esperança de que negassem, mas Sirius e Remus apenas o olharam inexpressivos.

— Tanto faz! — ele bufou, indo na direção de seu auror menos querido.

— Melhor irmos antes que decidam que temos que cobrir mais tempo — sugeriu Remus, empurrando-o para a porta de vidro.

— É verdade! Você ainda não conheceu a Vega! — exclamou Sirius, repentinamente.

— Eu... Eu preciso ir para casa...

Aquela era a desculpa mais esfarrapada e sem sentimento que ele já escutou na vida.

— Qual é o problema que você tem com a minha filha, Lupin? — Sirius cruzou os braços, a irritação acumulada pelo dia exaustivo de trabalho.

— O fato de que ela é a sua filha, talvez? — retrucou Remus, antes de arregalar os olhos — Desculpe!

— Você acha que eu pedi por isso? — o moreno disse, friamente.

— Eu não pedi por essa vaga em Hogwarts, e você parece agir como se fosse a minha culpa.

— Quer saber, Lupin? Esqueça!

Sirius caminhou até o elevador, motivado pela raiva, enquanto que deixava o rapaz para trás.

— Ei! Espere!

As portas metálicas quase fecharam-se, mas Remus conseguiu entrar, parecendo ter corrido uma maratona.

— Desculpe! — ele repetiu.

— Você não pode usar a lua como desculpa para tudo — Sirius murmurou, sem querer que os outros ocupantes ouvissem a conversa.

— Pegou-me de surpresa, assim como contigo! Eu não estava esperando...

— Eu não queria que isso acontecesse, mas aconteceu, e...

Vega estava apenas há um dia em sua vida, e já causava vários problemas.

Como ele podia se sentir sobre isso?

— Aconteceu! — ele retomou o raciocínio — E é impossível você não se cativar por ela.

Remus não respondeu, mas não afastou-se quando ele foi até a lareira para aparatar até a casa de James, que ainda não aparecia no átrio.

Fechou os olhos, não tão concentrado quanto deveria, mas sentiu como se desmaterializava no ar, e pôde jurar sentir a mão dele em seu ombro, sensação essa que desapareceu assim que surgiram na sala de estar dos Potter.

— Lily! Você está viva? — exclamou Remus.

Sirius lançou um olhar ofendido para ele, que deu de ombros.

— Uma filha de Sirius Black não pode ser a criança mais calma do mundo! — ele justificou-se sob o olhar dele.

— Pois está muitíssimo enganado! — Lily surgiu das escadarias, sendo seguida de perto por Harry, que engatinhava degrau por degrau atrás da mãe — Harry! Volte para o quarto!

— Ele sente que o padrinho está por aqui! — Sirius gabou-se, aproximando-se para pegar o afilhado, que reclamou, agarrando o braço do adulto com mais força.

— Acho que ele quer andar sozinho.

Lily levantou o olhar, notando a presença de Remus, e sorriu alegre.

— Você precisa vê-la! — declarou, pegando-o pelo braço para levá-lo para cima.

Harry resmungou, ao perceber que teve todo aquele esforço à toa, mas continuou negando o colo que o padrinho quis dar, voltando a colocar todas as suas forças em subir as escadas. Fascinado pela força de vontade do garoto, Sirius se pôs atrás dele, pronto para pegá-lo, caso caísse.

— Minha afilhada é a coisa mais linda — escutou Lily sussurrar.

Assim que Harry alcançou o último degrau, contemplando a altura com orgulho, Sirius pegou-o de surpresa, levantando-o.

— Fiquem quietos, vocês dois! — reclamou Lily, assim que escutou o filho gargalhar.

Assim que Sirius entrou no quarto, Vega abriu os olhos azuis.

— Como esses dois se saíram? — o marauder perguntou, ajeitando o afilhado no colo.

— Bem, eu suponho — respondeu Lily, temerosa — Deixe-o aí, preciso te mostrar uma coisa!

Vendo o afilhado e filha lado a lado no berço, Sirius perguntou-se como poderia ter considerado terem a mesma idade. Harry não tinha dificuldades para ficar sentado, enquanto Vega permanecia deitada, olhando curiosamente o seu redor.

Foi atrás de Lily, acordado de seu transe, tendo como última visão Vega estendendo os braços para um Remus paralisado.

Notas finais
Será que eu consigo escrever e publicar o próximo ainda amanhã? Fiquemos na torcida!