A Aventura Continua
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era uma manhã como outra qualquer. O Sr. Jones ajudava seus filhos a se prepararem para o último dia de aula.
Ninguém percebia, mas à medida que os dias passavam, eles se afastavam cada vez mais do conceito inicial da palavra “família”. Enquanto tomavam café da manhã, nem ao menos olhavam um para o outro, pois estavam muito ocupados mexendo em seus notebooks, Iphones e Ipads.
Quando terminaram de se arrumar, o Sr. Jones os conduziu até o carro e assumiu o volante.
-Então... Vocês se lembram de sua avó Susana? – tentou timidamente iniciar uma conversa.
-Aquela velha maluca que fala coisas sem sentido? – perguntou George, sem tirar os olhos de seu Ipad.
-Ela não é maluca! Tenha mais respeito, George.
-Pai, ela fala de dragões e terras mágicas. – retrucou Louise – Ela pode até não ser maluca, mas também não é nem um pouco normal.
-Já chega! Vocês não deviam falar assim de sua avó. Bem, onde eu estava mesmo? Ah, sim! Vocês vão passar as férias na casa dela.
-O QUÊ?!!! – perguntaram todos ao mesmo tempo.
-Eu vou viajar para a Itália à trabalho e não posso levá-los.
O término dessa frase fora o início de uma discussão caótica no carro. Todos falavam ao mesmo tempo.
-CALADOS! SE NÃO FICAREM QUIETOS, PODEM DIZER “ADEUS” À SEUS APARELHOS SUPER TECNOLÓGICOS.
Todos ficaram em silêncio. Não houve sequer um sussurro. Pensaram tanto sobre como seria triste a perda de seus tão preciosos aparelhos, que nem perceberam que já estavam em frente à escola.
-Tenham um bom dia. Não virei buscá-los depois da aula, então quando eu chegar em casa, quero encontrar todas as malas já arrumadas. Vou levá-los ainda hoje para a casa de sua avó. E sem protestos, por favor. Já está tudo acertado.
As crianças despediram-se do pai e foram para a escola.
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Após a aula, os irmãos Jones se encontraram na frente da escola e foram para casa juntos.
Assim que chegaram em casa, começaram a arrumar suas malas. Horas se passaram. Até que o Sr. Jones chegou em casa
-Todos prontos?
-Sim, pai. – falou Anthony – Já terminamos de arrumar nossas malas.
-Bem, lamento, mas seus aparelhos eletrônicos não deixarão nossa casa.
-O que? – indignaram-se as crianças.
-Eu tenho observado que, ultimamente, vocês não ligam para nada, a não ser a tecnologia. Por acaso vocês já leram algum livro? – ninguém se manifestou. – Foi o que eu pensei. Bem, na casa de sua avó Susana vocês poderão mudar isso, já que lá tem milhares de livros.
Todos estavam chocados demais para dizer alguma coisa. Sem tecnologia? Até as férias acabarem? Isso era pior que um pesadelo.
Mesmo indignados, dirigiram-se para o carro, numa viagem que durou cerca de uma hora.
-Estamos chegando. – Sr. Jones disse ao se aproximar de um casarão.
E quando eu digo casarão, não quero dizer aquelas casas enormes que vemos em todo o lugar. Essa casa era como se fosse a mãe de todos os casarões que existem na face da terra.
O Sr. Jones estacionou e os conduziu até a entrada da casa onde uma senhora de olhos azuis os aguardava.
-Patrick, querido! – a senhora quase sufocou o Sr. Jones com seu abraço – Senti tanto a sua falta! É uma pena que você não possa ficar.
-Eu adoraria ficar, mãe. – ele se soltou do abraço sufocante – Mas tenho que pegar um avião daqui a algumas horas.
-Eu entendo, querido.
-Crianças, vocês se lembram da sua avó Susana, não é mesmo? – quatro crianças assustadas fizeram que sim com a cabeça – Ela irá cuidar de vocês. Agora, eu preciso ir.
O Sr. Jones se despediu de seus filhos e foi embora.
-Bem, crianças, — disse vovó Susana – o que desejam fazer?
-Nós podemos dormir? – perguntou George.
-Pobrezinhos, devem estar cansados da viagem. Venham, eu lhe mostrarei seus quartos.
Louise e Mary dividiam o mesmo quarto, assim como Anthony e George. Antes de irem para a cama, jantaram juntos com vovó Susana. Ela fez questão de que comessem algo antes de irem dormir. Depois do jantar, vovó Susana lhes desejou boa noite e todos foram dormir.
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-Louise? Está acordada? – perguntou Mary imóvel em sua cama.
-O que houve, Mary? – perguntou uma sonolenta Louise.
-Eu não consigo dormir. O que devo fazer?
-Ah, não sei, Mary. A casa é enorme, vá explorá-la. – Louise se virou para o lado e voltou a dormir.
Mary pensou na ideia que Louise lhe dera. Ela sabia que não tinha permissão para fazer isso, mas não conseguiria pegar no sono tão facilmente.
Pegou uma lanterna que havia colocado em sua mala e começou a explorar a casa, que era maior do que pensara.
Chegou em um corredor em que quase todas as portas estavam trancadas, apenas uma, não estava. Resolveu voltar para o quarto antes que amanhecesse, mas foi só uma ideia passageira, pois sua curiosidade falou mais alto e num ato de imprudência, abriu a porta.
Não havia nada demais, apenas uma janela do lado esquerdo e algo enorme coberto por uma manta branca. Afastou a manta e viu que era apenas um guarda roupa marrom com um desenho de uma árvore. Mary o abriu e ficou maravilhada com todos os casacos de pele que haviam nele. “A vovó Susana não vai se importar se eu experimentar alguns”, pensou. No entanto, o casaco que mais lhe interessava, estava bem no fundo e, como era uma menina baixa, teve que entrar dentro do guarda roupa para conseguir pegá-lo. Antes que pudesse experimentar o tão precioso casaco, notou que havia algo branco caindo sobre o mesmo. Neve. Estava nevando dentro do guarda roupa. Chegou um pouco mais para trás, para que pudesse ver melhor. Foi quando percebeu que o fato de estar nevando não era o mais estranho no guarda roupa e sim, que havia uma terra escondida dentro do guarda roupa. E não era um pequeno pedaço de terra. Haviam dezenas de montanhas ao seu redor. E ainda estava nevando. Como tudo isso poderia caber dentro de um simples guarda roupa?
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