Notas iniciais
Feliz ano novooo ❤ Obrigada a vocês que me acompanharam e fizeram mais feliz ainda meu final de 2024! E aqui está: parte dois do evento, esse eu chuto que vocês vão gostar bastante ein

Lorde Wendel foi educado e respeitoso, mas parecia tão interessado em dançar quanto eu. Quando a música terminou, ele fez uma reverência, que eu retribuí com um sorriso discreto antes de começar a me dirigir para fora da pista.

Foi quando um jovem de cabelos cor de canela levemente bagunçados e um sorriso provocador surgiu ao meu lado, inclinando-se em um gesto exagerado enquanto estendia a mão.

— Espero não estar sendo intrometido, mas não poderia deixar passar a chance de dançar com a mulher mais intrigante deste salão. — disse ele, sua voz carregada de um charme despretensioso que soava ao mesmo tempo ensaiado e natural.

Levantei uma sobrancelha, surpresa pela abordagem direta, mas não consegui conter um sorriso antes de aceitar sua mão.

— É muita responsabilidade carregar esse título. — respondi, rindo enquanto ele me guiava para a pista.

— Não vou negar que sou criterioso, mas tenho um bom olho para coisas raras. — ele piscou, conspiratório, como se compartilhássemos uma piada interna.

A música recomeçou, e percebi que ele sabia dançar muito bem, seus passos precisos e confiantes ajustando-se aos meus com facilidade. Apesar de toda a formalidade do ambiente, havia algo descontraído em sua presença.

— Você não é daqui, não é? — perguntou casualmente, enquanto me girava com uma leveza impressionante.

— O que deixou isso tão óbvio?

— Bem, além de você claramente não ter o sotaque local, acho que tem algo na maneira como observa tudo ao redor. — ele respondeu, inclinando a cabeça levemente enquanto nos movíamos pela pista. — Como alguém que está absorvendo cada detalhe, mas sem se deixar intimidar.

— E se for só meu jeito de esconder que estou intimidada? — retruquei, arqueando uma sobrancelha.

Ele riu baixo, e o som era genuíno, confortável.

— Então você está fazendo um trabalho excelente. — respondeu, guiando-me por uma sequência mais rápida da música. — Eu sou Henry, aliás.

— Evelina. — respondi, mantendo meu tom leve enquanto ele me girava novamente.

— Evelina. — ele repetiu, como se estivesse provando o som do meu nome. — Combina com você. Elegante, mas um tanto enigmático.

Não pude evitar o sorriso que surgiu no meu rosto. Sim, eu estava caindo em um flerte barato.

A dança típica de Osteland exigia movimentos rápidos e precisos, e me vi rindo enquanto tentava acompanhar o ritmo.

— Está indo muito bem, senhorita Evelina. — comentou, sua voz carregada de um elogio sincero, mas com aquele tom casual que ele parecia dominar.

— Só espero não pisar no seu pé. — devolvi, sorrindo.

Ele fingiu uma expressão de espanto.

— Ah, mas se pisar, isso será apenas mais uma lembrança de uma noite inesquecível. — disse, piscando novamente.

Eu ri, um som genuíno que nem mesmo eu esperava. Estava relaxada pela primeira vez naquela noite. Ele era divertido de uma maneira natural, sem parecer forçado. E ser bonito também era um baita bônus.

Quando a música terminou, me vi quase triste em ter que me despedir dele. Ele segurou minha mão por um momento antes de se inclinar levemente.

— Espero que esta não seja a última dança. Mas, se precisar de companhia para escapar de conversas monótonas, estarei por perto. — disse, um brilho travesso nos olhos esmeralda.

— Vou lembrar disso. — respondi, espelhando sua reverência vendo ele se afastar.

Enquanto voltava para a mesa, sentindo ainda o eco das risadas leves trocadas com Henry, notei um movimento na minha visão periférica. Meu corpo automaticamente parou ao perceber quem vinha em minha direção.

Ele estava impecável como sempre, trajando um gibão azul-marinho que parecia feito sob medida para destacar seus ombros largos. Seu cabelo, sempre perfeitamente arrumado em público, caía em ondas leves sobre a testa. O contraste de sua pele clara e o azul profundo da roupa apenas realçando ainda mais sua aparência marcante.

— Senhorita Petrova. — sua voz era firme, mas o sorriso que curvava seus lábios não parecia alcançar os olhos tempestuosos. — Espero não estar interrompendo. Me concederia a próxima dança?

Senti o peso de dezenas de olhares em nossa direção, avaliando cada gesto, cada palavra. Recusar publicamente parecia impossível, mesmo que minha mente gritasse contra a ideia. Engoli em seco e forcei um sorriso educado.

— Seria uma honra, Alteza. — respondi, permitindo que ele tomasse minha mão.

A música recomeçou, uma melodia lenta, quase melancólica. Enquanto ele me guiava pela pista, senti a diferença imediata. A dança com Henry havia sido divertida, quase despreocupada. Aqui, cada passo parecia carregado de significado, o espaço entre nossos corpos mais tenso do que qualquer proximidade poderia ser.

Nikolaus quebrou o silêncio, sua voz baixa o suficiente para ser ouvida apenas por mim, mas ainda firme.

— Foi uma bela surpresa encontrá-la aqui.

Levantei os olhos para ele, que me guiava com precisão por entre os outros casais na pista. Seu tom não parecia acusador, mas havia algo na maneira como ele falava que sugeria curiosidade genuína.

— Na verdade, não recebi um convite. — confessei. — Depois da nossa conversa, achei que este seria o evento ideal para conhecer melhor a nobreza e, principalmente, me aproximar da duquesa Haglund. As damas no almoço mencionaram sobre o baile, então foi apenas uma questão de encontrar o jeito certo para entrar.

Ele arqueou uma sobrancelha, visivelmente surpreso.

— Você entrou sem convite?

— Digamos que improvisei. — dei de ombros. — Convencer algumas meninas de me convidarem para conhecer o ateliê onde, coincidentemente, ladies da organização do evento estariam, não foi exatamente um desafio. — disse, um leve sorriso tocando meus lábios. — Depois disso, só precisei ser adorável o suficiente para estar aqui.

Nikolaus parou por um segundo, mas logo retomou os passos, agora com um sorriso quase divertido.

— Adorável, hein? — ele repetiu, quase como se estivesse degustando a palavra. — Devo admitir, sua perspicácia é impressionante. Mas você poderia ter simplesmente falado comigo, sabe.

Mantive meu tom firme, embora meu coração estivesse acelerado pela intensidade do olhar dele.

— Não quis arriscar. — respondi. — Além disso, não parecia apropriado pedir algo assim a você.

Ele parou por um breve instante, nos girando na pista enquanto seus olhos permaneciam fixos nos meus.

— Eu poderia ter conseguido o convite para você. — disse ele, baixinho, como se fosse um segredo entre nós. — Poderia até tê-la trazido como minha acompanhante.

Minhas mãos se apertaram instintivamente em seu ombro e mão. Aquelas palavras me atingiram com mais força do que eu esperava, mas mantive minha expressão neutra.

— Acho que é melhor evitarmos qualquer proximidade que chame atenção. — rebati, minha voz mais dura do que pretendia. — Já foi arriscado o suficiente você me tirar para dançar.

O sorriso dele desapareceu por um instante, substituído por algo mais sério. Seus olhos buscaram os meus como se procurassem uma explicação.

— E por que seria um erro? — perguntou, um pouco mais baixo.

Pausando por um momento, deixei escapar um suspiro antes de encará-lo diretamente.

— Porque fofocas são perigosas. E quando se trata de você, Nikolaus, elas têm o potencial de se tornarem algo muito maior. — respondi. — É por isso que devemos evitar qualquer tipo de manchete.

Ele deu um sorriso que não chegou a tocar seus olhos, o tipo de sorriso que me deixava incerta sobre o que ele estava realmente pensando.

— Não se preocupe com isso, Evelina. — ele murmurou, girando-me mais uma vez antes de me puxar suavemente de volta. — Com os risinhos e o divertimento com Henry, tenho certeza de que as manchetes só falarão disso.

Senti meu rosto aquecer com a implicação. A tensão entre nós era palpável, mas dessa vez, havia algo mais. Um tom que eu não conseguia identificar totalmente, mas que fez meu coração acelerar de um jeito que eu não queria admitir.

— Você o conhece?

— Não reconheceu os traços da família, então? — seu tom estava carregado de sarcasmo. Ele me olhou de canto de olho, reparando minha confusão. — Henry é meu primo.

O choque quase me fez tropeçar nos meus próprios pés. Novamente, eu havia sido enganada pela minha própria capacidade de identificação. Como eu não o reconheci?

Henry von Ostergäard, filho do príncipe August — irmão do meio do rei Axel. Em retrospectiva, seus cabelos acobreados eram iguais aos do rei, talvez fosse mesmo traço de família, traço esse que Nikolaus não tinha. Mas o formato do rosto e o sorriso travesso eram definitivamente semelhantes.

Engoli em seco, tentando assimilar a nova informação enquanto meus passos se ajustavam automaticamente à dança. Nikolaus continuava a me observar com um misto de expectativa e algo mais, talvez divertimento.

— Não fazia ideia. — admiti, minha voz um pouco mais baixa. — Ele não mencionou nada.

Nikolaus soltou um pequeno riso, mas não havia humor nele.

— Isso soa exatamente como Henry. Ele gosta de se divertir e de manter as pessoas curiosas. — comentou, a ponta de sarcasmo ainda presente.

Meu olhar desviou por um momento, voltando a se fixar no movimento dos nossos pés. Não sabia bem como responder. A menção ao primo parecia carregada de algo que eu ainda não conseguia compreender totalmente.

— Parece que vocês dois se deram bem. — ele disse, a voz casual demais para ser natural.

Levantei o olhar para ele, questionando sua expressão.

— Ele foi gentil. — respondi. — E divertido. Não vejo mal em aproveitar uma conversa leve em uma noite como esta.

O príncipe arqueou uma sobrancelha, como se ponderasse minhas palavras. Por um momento, pensei que o assunto terminaria ali, mas ele quebrou o silêncio novamente.

— Gentil e divertido. É bom saber que ele causou uma boa impressão. — disse, com um tom que era totalmente desconcertante não conseguir identificar.

A música começou a desacelerar, e percebi que nossos passos também estavam diminuindo. Seus olhos buscaram os meus novamente, e por um breve instante, o salão ao nosso redor pareceu desaparecer. Um zumbido no meu ouvido gritava incessantemente: Perigo! Perigo! Perigo!

Quando a música finalmente parou, nossas mãos se separaram de forma quase mecânica. Antes que eu pudesse processar o que dizer ou fazer, percebi um grupo de jovens damas reunidas ao lado da pista. Seus olhares estavam fixos em Nikolaus, com sorrisos ansiosos e gestos sutis de expectativa.

Ele também as notou. Seu sorriso —dessa vez um pouco mais natural— surgiu ao inclinar-se para mim em um cumprimento elegante.

— Obrigado pela dança, senhorita Petrova. — disse, antes de se virar em direção ao grupo, deixando-me ali, sozinha.

Observei enquanto ele fazia uma reverência a uma das damas, que riu de maneira melodiosa antes de aceitar sua mão. Um nó estranho se formou no meu estômago. Algo entre desconforto e uma lembrança incômoda de por que eu estava ali.

Ele era um príncipe.

E esse não era um jogo que eu estava disposta a jogar. Eu não poderia jogar.

Dei as costas para a cena e segui em direção a um garçom segurando uma bandeja de vinho. Eu não costumava beber em ambiente de trabalho, mas essa noite pedia uma exceção.


Eu estava distraída virando metade da minha taça de vinho quando Linnea Haglund se aproximou, seu andar elegante atraindo olhares ao redor. Os cabelos pretos cortados em um chanel impecável moldavam um rosto sério e bonito, que parecia carregar um misto de frieza e charme. Quando parou ao meu lado, seu sorriso era educado, mas medido.

— Evelina Petrova, certo? — disse, sua voz baixa e impecavelmente controlada. — Nos vimos no almoço na casa da Cassilda Mourant.

Assenti, me virando para ela.

Essa era a mulher que eu precisava estudar mais a fundo. A duquesa Haglund vinha de uma das famílias mais antigas e influentes de Osteland — donos, praticamente, de uma cidade inteira. Seus laços com a nobreza eram tão profundos que havia rumores de que sua filha, Lilian, tinha sido cogitada como noiva do príncipe.

Linnea pegou uma taça de champanhe de um garçom que passava e ergueu o queixo levemente, como se avaliasse o salão.

— Um evento magnífico, não acha? — comentou, com um sorriso discreto.

— Sem dúvida. — respondi, mantendo meu tom neutro, mas atento. — Reunir tantas figuras importantes em uma só noite é um feito impressionante.

Ela soltou um leve riso, o tipo de som que parecia ensaiado.

— Osteland sempre valorizou a oportunidade de celebrar suas tradições, mas também de fortalecer laços. — continuou, olhando para mim de lado. — E, claro, essas ocasiões são perfeitas para conversas mais proveitosas.

Inclinei a cabeça, curiosa com a direção que ela estava tomando.

— Geróvia e Osteland certamente têm muito a ganhar com uma aliança mais próxima. — falei, testando as águas.

Linnea tomou um pequeno gole de vinho antes de responder.

— Concordo plenamente. — ela afirmou, com um brilho enigmático no olhar. — Aliás, eu estava me perguntando se o príncipe William também passará a frequentar Osteland, agora que os países estão tão alinhados?

Fingi pensar, mas a pergunta dela já trazia sua própria resposta.

— Não saberia dizer com certeza. — respondi cuidadosamente. — Mas é possível que haja mais visitas entre as famílias reais.

Linnea sorriu, um gesto que agora parecia muito mais calculado.

— Ah, claro. Lilian sempre sonhou em estudar fora. Talvez essas novas alianças criem oportunidades para que jovens talentos de Osteland explorem outros horizontes, não acha?

A insinuação era clara. Ela não falava apenas de oportunidades acadêmicas.

Enquanto Linnea comentava de maneira casual sobre as conexões entre os reinos, comecei a entender seu verdadeiro objetivo. Ela não estava apenas apoiando o casamento de Nikolaus e Katerina por questões políticas; estava apostando que isso abriria caminho para Lilian, talvez como futura rainha de Geróvia.

— É uma perspectiva interessante. — respondi, mantendo meu tom cuidadoso. — Essas alianças realmente criam muitas possibilidades. Quem sabe até mesmo gerar outras uniões, como essa, entre os reinos.

Eu falei a coisa certa. O sorriso de Linnea parecia mais largo agora, como se eu tivesse dito exatamente o que ela queria ouvir.

Sorri de volta, deixando que a vitória se instalasse em silêncio entre nós.


O ar noturno estava carregado de flashes e murmúrios quando deixei o salão. Os fotógrafos gritavam meu nome, misturando perguntas que ecoavam como um caos bem orquestrado.

Antes de alcançar o carro, uma mulher em um blazer de corte impecável e sorriso profissional conseguiu avançar com o microfone em mãos.

— Senhorita Petrova, uma palavra para nossos telespectadores! Como foi participar de um evento tão grandioso?

Fiz uma pausa calculada, virando para encará-la diretamente, o sorriso no meu rosto tão controlado quanto a postura.

— Foi um privilégio representar Geróvia. Eventos como este não apenas celebram a moda, mas também criam pontes culturais entre nossos reinos. — disse, com um tom que equilibrava acessibilidade e confiança.

— E as danças? — continuou ela, aproveitando a abertura. — Vimos você na pista ao lado de figuras importantes. Algum momento marcante?

Inclinei levemente a cabeça, simulando uma ponderação.

— Cada dança trouxe algo único. É incrível como, através da música, conseguimos compartilhar momentos genuínos, independentemente de nossas diferenças culturais.

Ela sorriu, claramente satisfeita, mas não perdeu o ritmo.

— Algumas pessoas dizem que sua presença aqui marca uma nova etapa na relação entre Geróvia e Osteland. O que diria sobre isso?

— Diria que relações diplomáticas e culturais se constroem com gestos como este. Geróvia e Osteland têm muito a oferecer uma à outra, e este evento é uma prova disso. — respondi, com um leve brilho nos olhos que sabia que a câmera captaria como entusiasmo.

Antes que pudesse avançar mais, um dos seguranças deu um passo à frente, sinalizando que o tempo havia acabado. Fiz um último aceno, mantendo o sorriso enquanto me afastava.


Ao entrar no meu quarto, deixei os sapatos perto da porta e me joguei na cama sem cerimônias.

O cansaço pesava nos ombros e na mente. Fechei os olhos por um instante, sentindo os eventos do dia passarem como um turbilhão em minha cabeça. O celular vibrou ao meu lado, interrompendo o breve momento de paz. Peguei o aparelho, franzindo a testa ao ver um número desconhecido.


"Espero que tenha guardado energia suficiente para o resto da semana.

Parece que você improvisa bem, mas se precisar de ajuda para entrar em

mais algum evento, sabe onde me encontrar. — Nikolaus."


Sorri, sentindo um calor inesperado no peito. Respondi com um toque de humor:


"Não costumo precisar de salvadores, Alteza. Mas obrigada por se oferecer."


Ele respondeu rapidamente:


"Considero parte das minhas responsabilidades reais.

Aliás, meus amigos me chamam de Klaus."


“Sua mãe te chama de Nik.

Devo chamar assim também?”


“Talvez devêssemos tomar um café e você me conta como sabe

que ela me chama assim.

Ps.: você pode, se quiser”


Não pude evitar a risada para o celular, apesar do cansaço. Eu quase podia imaginar o rosto dele se franzindo.


“Isso é entre mim e ela.

Não seja tão curioso, isso faz mal. ;)

Ps.: Boa noite, Nik.”


“Hahah eu descobrirei de qualquer forma.

Ps.: Boa noite, Evie.”


Olhei para a tela por um momento, desejando não estar sentindo esse reconforto com o breve diálogo. Bloqueei o celular e fechei os olhos novamente, esperando que o sono finalmente viesse.

Notas finais
Alguém vai ter que segurar o coraçãozinho da nossa Evie, são muitas emoçõesssss
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.