A Assassina e o Agente.
25 Caixa postal é um saco.
Notas iniciais
There's a pain that sleeps inside
It sleeps with just one eye
And awakens the moment that you leave
Though I try to look away
The pain it still remains
Only leaving when you're next to me
Do you know that everytime you're near
Everybody else seems far away?
So can you come and make them disappear?
Make them disappear and we can stay
Hoobastank — Disappear.
OLIVER.
As coisas em Washington estavam piores do que imaginei. A base em que operávamos estava praticamente Destruída. E em consequência de toda a destruição promovida pelo exército de Ra’s Al Ghul, Diggle ficará internado 15 dias para tratamento. Tália havia sido resgatada pelo exército do pai e tínhamos mudado de base. Além disso, Felicity estava com problemas pessoais, com uma pessoa, que ela não quis dizer nada sobre.
Quando ela disse que Darhk a queria longe de toda essa confusão, instintivamente pensei que ela também se afastaria de mim e esse medo me corroeu por dentro. De fato o que sinto por ela é forte demais e me faz passar por coisas que nunca passei, como sentir medo de nunca mais vê-la. Antes era fácil dispensar uma mulher, mas não consigo me imaginar fazendo isso com Felicity.
O bip do meu despertador penetra meus ouvidos, fazendo-me esticar o braço e praticamente socar o botão "off". Se eu dormi duas horas esta noite, já foi muito. Passo a mão por meu rosto e pressiono o polegar em uma têmpora e o indicador na outra, a dor latente que sinto na cabeça faz com que sinta vontade de ficar o dia todo deitado, mas tem o Diggle e Amanda deve estar como a personificação do Diabo comigo.
Tenho que me arrumar e ir para o hospital, Lyla passou a noite com Dig — depois de insistir muito para que ela fosse para casa descansar, fui vencido por nove palavras: Ele é o meu marido e eu vou ficar —, mas ela também precisa descansar e ficar com Sara, então prometi que durante a manhã ficarei com Diggle, já que a tarde tenho que enfrentar Amanda.
Pego meu celular sobre a cômoda e checo se tem ligações, mensagens, algum sinal de vida de Felicity, mas nada, ela não mandou nenhuma mensagem, dizendo que está bem ou que chegou bem de viagem. Frustrado, levanto e me arrasto até o banheiro, tiro a calça de moletom e a cueca e tomo uma ducha quente.
Chego ao hospital e me encaminho para o quarto onde Diggle está. Não consigo imaginar os próximos dias, Dig gosta da profissão e nunca gostou de depender de alguém, e agora ele terá que ficar internado, até o médico achar que sua condição é boa para voltar para casa. Tenho certeza que o humor dele vai piorar e eu tenho pena dos médicos.
Adentro o quarto e Diggle ainda dorme, Lyla está dormindo no sofá no canto do cômodo, ao lado de uma mesa com vasos de flores. Aproximo-me dela e agacho-me a sua frente. Seguro seu ombro e o balanço de leve, logo Lyla acorda, senta-se e esfrega os olhos.
— Oliver, não precisava vir tão cedo. — resmungou, ainda sonolenta. A noite não havia sido fácil para ninguém.
— Está tudo bem, Lyla. Vou passar a manhã inteira com ele. E você vai para casa descansar e ficar com Sara, ela precisa de você.
— Ai Oliver. — colocou a mão sobre minha bochecha e acariciou. — Você é um anjo. Obrigada pela ajuda.
— Vocês são como minha segunda família. Devo muito a vocês. — Lyla sorriu e balançou a cabeça.
— Bobagem, você não deve nada. — levantou-se e caminhou até a cama. Parou perto de Diggle e lhe acariciou o rosto, depois deu-lhe um beijo casto nos lábios. Virou-se para mim. — Dig odeia comidas de hospitais, então, boa sorte. — pegou sua bolsa. — Até mais tarde, Oliver. — e se retirou.
O quarto ficou silencioso novamente. Nunca gostei de hospitais, eles fedem, são apavorantes. Mas não é nenhum sacrifício passar algumas horas dentro de um. Sentei no sofá que Lyla dormia antes. Peguei meu celular e chequei, nenhum sinal de vida de Felicity, eu não sei se devo me preocupar, será que devo? Digito mais uma mensagem, perguntando se está tudo bem. Porém, não obtenho respostas.
— Como você mudou em tão pouco tempo. — resmungou Dig, se ajeitando na cama. — Virou um idiota.
Eu sabia que ele estava me provocando, Diggle nunca perde uma oportunidade. E eu sempre disse que homens apaixonados são idiotas e irracionais e agora, eu havia virado um idiota. E Dig me provocará por um longo tempo. Mas por um lado ele tinha razão, em pouco tempo eu mudei muito, Felicity passou a ser algo grande demais na minha vida e é claro que eu me preocupo e que quero passar horas e horas ao lado dela. É natural.
— Que bom que acordou com bom humor, vou chamar a enfermeira e pedir para ela providenciar o seu café. — Dig fez uma carranca, deixando visível a repugnância que sente por comidas hospitalares.
— Prefiro tomar calmantes e dormir o dia inteiro do que engolir aquelas gelatinas com gosto de urina.
— Você já provou urina? — questionei, fazendo-o bufar. — Eu logo volto.
Procurei pela enfermeira do prontuário de Diggle e disse a ela que ele havia acordado e estava com fome. Ela foi educada e mandou aguardar no quarto que logo levaria o café da manhã de John, assenti e voltei para o quarto.
— Felicity não está com você? — indagou. — Nós conversamos ontem, e eu gostei dela. Apesar de ela ter me envergonhado no xadrez.
— Você sempre se achou o melhor jogador de xadrez, só acho que você mereceu. — provoquei. — E ela não está comigo, teve que viajar.
— Para onde?
— Eu não sei. Mas alguém muito importante precisou da ajuda dela, então ela foi. — respondi, peguei o celular e nada.
— É por isso que fica olhando o celular toda hora? — assenti.
— Mas ela não responde e nem retorna minhas ligações.
— Oliver, você parece um namorado possessivo. Apenas dê tempo a ela, tenho certeza que logo ela vai retornar suas ligações.
E no fim do conselho de John, a enfermeira entrou com uma bandeja. John olhou para a típica gelatina de morango e para as frutas esmagadas, fez a maior careta.
— Por que tenho que comer essas papinhas de nenê? Eu ferrei com a minha perna, não com meu sistema digestivo. Qual o problema em comer hambúrguer e batata frita? — queixou-se. — Vá Oliver, compre algo bom para eu comer.
— Já estava na hora de você fazer uma dieta mesmo. — falei, cruzando meus braços sobre o peito e segurando o riso, Dig consegue ser pior que uma criança.
— Vá se ferrar, Oliver! Por que você não engole essa merda?
Antes que eu o rebatesse, meu celular começou a tocar, tirei-o do bolso, pensando que seria Felicity, mas toda minha empolgação sumiu quando vi o rosto arrogante de Amanda.
— É Amanda, eu já volto. — me retirei do quarto. Respirei fundo, porque sei que Amanda vai me infernizar e então atendi. — Alô. — minha voz calma e pacífica fez Amanda bufar.
— Onde você está, Oliver? Você sabe muito bem para que agência trabalha! Sabe que deve honrar seus compromissos como um homem e não um moleque! Está pensando que isso é um circo? — disparou, sem freios, em um tom ríspido e superior, típico dela.
— Sentiu tanta falta assim do seu melhor e favorito agente?
— Não me provoque, Queen! — ralhou. — Ou eu mando uma tropa de agentes a sua caça. E a ordem vai ser: Trazer você vivo ou morto.
— Eu estou no hospital, com o Diggle. Você colocou Tália presa na base, ao invés de prendê-la em uma prisão de segurança máxima, colocou a vida de todos em risco.
— Não me dê lição de moral, Oliver. Porque ao invés de você estar aqui, estava tirando uma folguinha com uma assassina de Damien Darhk. — podia imaginar um sorriso de vitória nos lábios de Amanda. — Realmente, Oliver, você desceu a um nível bem baixo, eu pensei que você só trepava com suas parceiras, mas conseguiu se superar. E além do mais, se você estivesse em Washington durante o ataque... as coisas seriam bem diferentes e John não estaria em um hospital.
— Você agiu de forma errada, não tente virar o jogo contra mim. E eu preciso desligar, Dig deve estar precisando de mim.
— Escute. — resmungou ela. — Você tem uma missão, então te espero aqui na base até às 14 horas. — e ela encerrou a ligação.
Esperei minha instantânea raiva por tudo que Amanda disse passar e entrei no quarto de Dig novamente, a enfermeira estava organizando tudo sobre a bandeja que trouxe com o café da manhã de John anteriormente, ele comeu apenas as frutas esmagadas. E parecia estressado.
— Bom, daqui a pouco você terá que tomar os primeiros remédios que fazem parte do tratamento. Eu volto logo. — informou a enfermeira e então se retirou.
— Olha só, ficar aqui nesse hospital parecendo um inválido já é terrível, ao menos eles podiam servir comidas decentes e com gosto de comida mesmo, não esses troços. — reclamou Dig.
— Você está pior do que a Sara quando fica sem desenhos. — comentei. Ele bufou e cruzou os braços.
— O que Amanda queria?
— O que você acha? — questionei retoricamente. — Mostrar quem é que manda. — disse. — Falou que tenho uma missão e que é para estar na base até às 14hrs.
— Não precisa ficar o dia inteiro comigo. Eu não sou mais uma criança e não quero sobrecarregar você. E também a Lyla. Posso passar algumas horas aqui, sozinho.
— Tem certeza? — ele assentiu. — De qualquer forma, vou ficar aqui pela manhã.
— E ficar fazendo vários nadas? A única coisa que faço aqui é encarar as paredes.
— Logo você vai voltar para casa e para o seu emprego.
— Eu espero. Aliás, você sabe que vai precisar de um novo parceiro, e tenho certeza que Amanda já escolheu.
— Não vou nem pensar nisso por hora. — disse.
(...)
A manhã passou de vagar, olhar para as paredes não é o melhor passatempo, Diggle tomou os remédios e antes do almoço ele teve náuseas, reação dos remédios, o médico disse que era normal, e ao meio-dia ele reclamou da sopa de legumes. Nenhum sinal de vida da Felicity e mais três mensagens minhas para ela.
— Acho que você deve ir à base, ou Amanda vai ficar furiosa. — murmurou Diggle. — Vou ficar bem, a cada 10 minutos as enfermeiras veem me ver.
— Não queria encarar Amanda, mas ela tem um pouco de razão, eu tenho que honrar meus compromissos.
— Então, boa sorte. Depois de tudo o que aconteceu, Amanda deve estar furiosa.
— Um pouco foi culpa dela, deixar Tália presa na base era um risco e Amanda sabia disso e mesmo assim, arriscou. — comento. — Você acha que tem um agente duplo na nossa equipe?
— Por que acha isso? — questionou Dig, franzindo o cenho. — Não, Amanda sempre foi cautelosa com as escolhas dos seus agentes.
— Ainda não sei, mas não vou descartar essa possibilidade.
— Tudo bem. Mas agora você precisa ir e eu, bom, vou tirar um cochilo. Tem um lado bom, eu durmo quase o dia inteiro.
— Está bem, vê se se cuida.
— Você também.
(...)
— O bom filho a casa torna. — disparou Amanda, assim que coloquei os pés na base. Ignorei seu tom arrogante e seu ar indiferente e soberano. Detesto discutir com ela, e sei que todos os argumentos que ela usaria seriam provocações. Às vezes, ignora-la é o melhor e foi exatamente o que eu fiz.
A nova base era inferior à outra, menos equipamentos, menos tecnologias. Tinha um enorme telão de led acoplado na parede, alguns computadores de última geração e um canto com um grande arsenal, mas não era como a outra. Ainda. Porque pelo visto, Amanda já estava mudando as coisas, alguns agentes corriam para um lado e para outro, trazendo coisas e levando, acatando todas as ordens dela. O número de pessoas trabalhando na base aumentou também. Cruzei meus braços.
— Por que me chamou aqui, Amanda? — perguntei. Ela olhou para mim e deu um sorrisinho sínico.
— Por quê? — cruzou os braços e me encarou profundamente. — Porque, Oliver, você trabalha para o governo e eu sou sua superior, quando digo que você tem uma missão, você deve estar pronto para tudo. — respondeu, deixando bem visível o quanto ela abusa do poder. Respirei fundo, meu dia já está péssimo e Amanda não facilita as coisas. — Agora me acompanhe, vamos discutir sobre a sua nova missão.
Segui Amanda para longe de toda a correria e o caos que se instalava no centro da base, seguimos por um pequeno corredor e paramos em uma porta branca de metal com o nome dela. Amanda abriu a porta e se esgueirou para dentro da sala, era um espaço pequeno, mas bem organizado.
Com uma mesa pequena, sustentando um computador, pastas, pilhas de papéis, pequenos objetos decorativos, um porta retrato com uma foto de Amanda e uma caneca com canetas. Atrás uma cadeira estofada e uma bancada com vasos de flores artificiais. Na parede quadros e certificados, que Amanda tinha orgulho de exibir.
— Sente-se, Oliver e vamos conversar. — disse, em um tom passivo e profissional. O que eu estava estranhando, pensei que ela estaria furiosa. Jorrando fogo pelos olhos e boca. Puxei a cadeira e me sentei à frente dela.
— Então conseguiu uma sala? — questionei.
— Ao menos em uma coisa essa base supera a outra, o tamanho. Consegui arranjar esse espaço, agora às reuniões da nossa equipe aconteceram aqui.
— Não existe uma equipe. Diggle está internado e pode perder a perna. — rebati áspero. Amanda ponderou antes de retrucar minhas palavras. Ela sabia que um terço da culpa é dela e estava sendo bem cuidadosa. Ela colocou as mãos sobre a mesa.
— Bom, enquanto John Diggle não volta ao posto dele, eu encontrei um novo substituto, afinal, você precisa de um parceiro e com essa caça ao pote de ouro, chamado Ra's Al Ghul, acumulamos algumas missões, então vou lhe colocar a par delas, para serem resolvidas de uma vez por todas.
— Que missões são essas? — indaguei. Amanda remexeu na pilha de pastas sobre sua mesa e jogou um arquivo a minha frente. Abri e vi a foto de um homem americano, eu reconhecia seu rosto, já tinha o visto uma vez, em uma missão sigilosa no sul do Afeganistão.
— Você deve se lembrar de Scott Parker, não é? — perguntou, franzindo o cenho.
— Sim, você me mandou para uma missão no Afeganistão, teria que resgata-lo.
— Exato. — afirmou. — Parker estava sob proteção da cia, ele é engenheiro químico e desenvolveu o protótipo de uma bomba capaz de dizimar uma cidade inteira. — assenti. — O esconderijo que mantínhamos Scott foi descoberto por um grupo liderado por David Morris. Morris é um grande empresário em Londres, mas a fonte de toda a fortuna dele nunca foi confiável, claro que a empresa petrolífera gera milhões de euros para ele, porém, David acumula uma quantia enorme, propriedades, dinheiro escondido em contas fantasmas, e, além disso, ele doa milhões todos o meses para instituições de caridade. Claro que é apenas para manter a posse de bom moço.
Ela deu uma tossidela, e inclinou o corpo sobre a mesa.
— Depois de algumas investigações, descobrimos que Morris tem um negócio bem sujo, ele vende armas como: Lança granadas, rifles, metralhadoras, ak-47, M-16, e M82A1 Barret. E bombas para grupos terroristas. Cheguei à conclusão de que, ele vai obrigar Parker construir uma bomba que de inicio é apenas um protótipo, para vender no mercado negro.
— Certo. E o que eu tenho que fazer?
— Matar cada integrante do grupo de Morris, capturar Scott Parker e trazê-lo em segurança para Washington. Depois disso o General levará Parker para um novo esconderijo.
— Tem informações de onde enfiaram Parker? — questiono. Amanda joga outra pasta na minha frente, abro e checo todas as informações.
— Morris tem uma mansão em Londres, as últimas informações são que ele mantem Parker preso no subsolo, sua missão é simples, se infiltrar, matar Morris, e trazer Parker.
— Está bem. Agora, pode me dizer quem vai dividir a missão comigo? — Amanda deu um sorrisinho zombeteiro e pegou o telefone.
— Venha até minha sala. — disse apenas.
Poucos segundos se passaram até a porta se abrir revelando: Amber, a agente mais insana que já trabalhei. Ela é uma mulher bonita, cabelos escuros e longos, olhos verdes e corpo esguio. E é completamente pirada, desde que trabalhamos juntos — no passado — ela nutre uma paixão obsessiva por mim. E agora eu entendia toda a calma de Amanda.
— Só pode estar brincando com a minha cara, Amanda. — exclamei, furioso. Amanda pareceu se divertir ainda mais com a situação. Eu nunca tive tanta vontade de esganar alguém como sinto agora.
— Não, não estou. — rebateu. — Amber será sua parceira por tempo indeterminado. — decretou.
— Você sabe muito bem como Amber é. Uma louca pirada que vai colocar as missões em risco. Ela é obsessiva por mim, Amanda. Não posso trabalhar com ela.
— Francamente, Oliver, eu não mando você trepar com todas as suas parceiras. Amber e você trabalharam juntos novamente e chega desse assunto. Agora, vamos apenas discutir sobre a missão.
Senti a vontade de cometer um assassinato crescer dentro de mim. Amanda é a pior pessoa do mundo e a única coisa que consigo pensar e em eu apertando o pescoço dela.
— Eu estou bem, Oliver, não se preocupe. — interferiu Amber. — Nunca estive tão bem.
— Será? — murmurei. Fechei meus olhos por breves segundos e o rosto de Felicity sorrindo apareceu a minha frente, consegui me acalmar com a imagem, mas não sabia quanto tempo a paz que senti duraria.
(...)
— Eu preciso de dois quartos, mas com dois andares de diferença entre eles. — falei para balconista, ela assentiu levemente com a cabeça e começou a arrastar os dedos sobre o teclado do computador.
Essa diferença de andar vai manter Amber e sua obsessão bem longe de mim. A última vez que trabalhamos juntos ela entrou escondida no meu quarto e me seduziu, não que isso vá acontecer agora, tenho um motivo enorme para mantê-la longe, apesar do meu relacionamento com Felicity não ter um rótulo, é com ela que eu estou agora.
— Desculpe, senhor. — disse a balconista com uma expressão frustrada. — Mas só temos quartos vagos no mesmo andar, aconteceu uma tempestade de neve e o hotel acabou ficando lotado. Mas são quartos individuais.
Suspirei. Porém sem escolhas aceitei os quartos, aquilo que aconteceu comigo e Amber no passado não vai se repetir agora.
— Então, conseguiu um quarto? — perguntou ela, enrolava uma mecha de cabelo nos dedos e me encarava como se eu fosse um pedaço de bife prestes a ser devorado.
— Infelizmente, vamos ficar no mesmo andar. — respondi e os olhos verdes de Amber brilharam, ela nem escondeu o sorriso de triunfo. — Seu quarto fica ao lado do meu — entreguei a chave dela. — vamos subir e nos preparar para a missão.
— Okay, marido. —disparou, virando-se, e andou em direção ao elevador. Bufei e a segui.
Amanda tinha dado ordens expressas — afinal, isso é o que ela gosta de fazer. —, devo manter as aparências, — independente do perigo que Amber significa em uma missão —, somos casados, um casal jovem, apaixonado e feliz, mas não curto muito essa ideia. E vamos ao jantar que Morris está dando em sua mansão. Vamos no infiltrar e procuraremos Parker, depois Morris e sua gangue serão — como Amanda gosta de dizer—, exterminados.
— Por que tanto olha para esse celular, Oliver? — perguntou Amber, quando tirei mais uma vez o celular do bolso. — No jato até que aterrissamos perdi a conta de quantas vezes olhou para esse maldito aparelho e no taxi também. Algo que vá atrapalhar nossa missão?
— Não, Amber, aliás, estou preocupado com suas maluquices, ela sim pode atrapalhar essa missão. — respondi áspero.
À medida que meu dia vai passando ele fica pior, ainda mais intragável. Primeiro: Felicity não responde minhas mensagens e ligações. Segundo: tenho que engolir todas as provocações de Amanda e ela ainda me arranjou uma parceira maluca em uma missão super delicada. Não tem como meu dia piorar.
— Eu já disse que estou bem, Oliver. A cia dispõe de ótimos analistas. — resmungou Amber.
— Espero mesmo que isso seja verdade, ao contrário, essa missão corre riscos. — murmurei.
O elevador chegou ao sétimo andar e as portas se abriram, saímos em um corredor estreito com paredes brancas e carpete bege, uma iluminação fraca. Dirigi-me até a porta do meu quarto e antes de entrar nele disse para Amber estar pronta as nove, e que passaria pegá-la. Ela assentiu.
Meu quarto tinha uma decoração bem simples, e uma sacada. Joguei minha mala sobre a cama e puxei as cortinas da porta que dava acesso à sacada. Tirei meu celular do bolso e pela milionésima vez disquei o número de Felicity. Soltei um gemido de frustração quando caiu na caixa postal e então deixei um recado.
— Oi. — comecei, meio sem jeito. Caixa postal é um saco. — Tentei falar com você o dia inteiro e nada. Não que eu esteja cobrando, eu não sei como as coisas estão aí onde está e nem como essa pessoa importante está e talvez seu celular esteja sem bateria. Mas é que eu. — soltei um suspiro longo e profundo. — Sinto saudades. E não entendo como algumas horas longe de você me deixam assim, transtornado e com medo que nunca mais veja você. Eu estou em uma missão em Londres, talvez mais tarde eu não atenda sua ligação, mas vou ficar feliz se retornar. E é isso, só quero ouvir sua voz.
Finalizei a ligação e fiquei segundos encarando o celular. Como pode Felicity mexer tanto comigo? Isso nunca aconteceu. As pessoas mais importantes da minha vida estão longe, e eu as julgava únicas na minha vida e agora tem a Felicity, que em pouco tempo se tornou algo precioso demais para mim.
Arrastei-me até a cama e abri minha mala, tirei meu terno e as armas que havia trazido. Nada muito grande, precisamos ser discretos essa noite e não chamar a atenção de ninguém. Antes de me vestir, preciso de um banho. Dirijo-me até o banheiro. Tomo um banho rápido e quando saio do banheiro... Amber está sentada na minha cama. Ela usa um vestido vermelho, justo e com um decote bem chamativo.
— O que está fazendo aqui? Não falei para esperar-me em seu quarto? — exclamei.
— Sim. Mas preciso da sua ajuda. — levantou-se e caminhou até mim. Virou-se e o zíper do vestido estava aberto. — Feche para mim, por favor.
Ergui o zíper rapidamente e depois peguei meu terno sobre a cama. Amber virou-se sorridente.
— Agora saia! Preciso me vestir. — desfez o sorriso, mas ao menos acatou meu pedido.
Terminei de me arrumar e olhei meu pequeno arsenal espalhado pela cama, escolhi uma arma pequena e coloquei no coldre, presa a lateral do meu corpo. Ajeitei minha gravata e sai do meu quarto. Bati na porta de Amber e ela não demorou, esgueirou-se por uma fenda da porta e sorriu sedutora.
— Está lindo, marido. Como sempre. — elogiou, e mordeu o lábio. Poderia achar isso destruidor no passado, mas agora apenas balancei meus ombros e dei as costas para ela. Dirigi-me em direção o elevador.
— Você vem? — indaguei e escutei um suspiro longo dela e em seguida seus passos rápidos.
Pensei em pegar o celular no bolso e checar se Felicity havia respondido minha ligação ou mandado uma mensagem, todavia, desisti. Eu precisava me concentrar na missão e além de tudo me sentia exausto de estar, de certa forma, bancando o possessivo. Nunca fui esse tipo de homem, na verdade eu nunca precisei correr atrás de uma mulher, assim como faço com Felicity.
Desde a faculdade — antes de Shado ser estuprada e morta por Slade Wilson e eu ainda ser um cara normal.— as mulheres sempre se jogavam em cima de mim, elas brotavam no meu caminho e é claro que eu não despachava, e agora, qualquer mulher, exceto Felicity , perdeu a graça para mim. Já Felicity, é como escalar o Everest, eu nunca sei se chegarei ao topo, mas sei que cada momento, e esforço valem a pena.
As portas do elevador se abriram.
— Eu pedi para a recepcionista pedir um taxi para nós. — informou Amber, enquanto ajeitava sua echarpe sobre os ombros.
— Certo, apresse-se.
Um taxi nos aguardava. Abri a porta para Amber, tínhamos que fingir ser um casal apaixonado, e até então eu estava bancando um marido bem indelicado. Amber sorriu e entrou no carro, fiz o mesmo e passei o endereço da mansão de Morris.
Durante todo o caminho Amber segurou minha mão e manteve a cabeça deitada no meu ombro. Quando o motorista entrou no bairro chelsea, seguiu por ruas íngremes e estacionou em frente um palácio.
— Casão esse hein. — disse o motorista, maravilhado. — Nem se eu juntasse o dinheiro que ganhei durante toda minha vida e o que irei ganhar o restante, não pago uma casa dessas. — eu sorri e dei o dinheiro a ele. O motorista olhou para a grana e sorriu ainda mais, feliz pela gorjeta. — Se todos os passageiros fossem generosos como o senhor, já teria ao menos um décimo do valor dessa casa.
— Boa sorte, amigo. — desembarquei do carro e em um gesto de cavalheirismo ofereci a mão para Amber, ela aceitou, ficou ereta e enganchou o braço no meu. — Lembra-se de todas as recomendações de Amanda? — murmurei, quando nos afastamos do taxi.
— É claro que sim, Oliver. Você sabe que sou uma ótima agente.
— Okay. — não podia negar, apesar de ela ser louca, é também profissional.
Logo na entrada pediram nossos nomes, dei graças por James ter colocado nossos nomes falsos na lista. Éramos Senhor e Senhora Hill. A recepcionista checou a lista, deu um sorrisinho e liberou nossa entrada. Seguimos pelo interior da casa, tudo muito elegante, podia identificar algumas peças de artes muito caras e claramente o lustre de cristais era muito caro.
— Uau. — Amber deixou escapar um suspiro. — Isso parece palacete de contos de fadas.
— Foco, temos que achar Parker. — sussurrei. — E onde está David Morris?
— A sua esquerda, conversando com um casal. — olhei cuidadosamente na direção de Morris, ele parecia bem envolvido num papo amistoso com o casal. — Está claro que ele colocou seguranças em todo canto.
Passei meus olhos por todo salão, e Amber estava certa, tinha brutamontes por todos os lados. James fez um relatório completo sobre a estrutura da mansão, nos arquivos do arquiteto que projetou a planta da casa continha um pedido especial de David, fazer um covil para ele se proteger de futuras guerras, se Parker está nessa casa, só pode ser no covil.
— Não podemos chamar atenção. — comentei baixinho, Amber assentiu com a cabeça. — Mas precisamos circular e encontrar um ponto cego.
— Tudo bem. A gente se fala pelo comunicador. — concordei. Amber sumiu no meio das pessoas, comecei a circular pelo salão. Os guardas estavam atentos e parecia não ter um ponto cego.
Peguei uma taça de champanhe e beberiquei. Prestei atenção em um guarda que parecia falar por um comunicador. Ele trocou um olhar significativo com outros dois e então os três se retiraram.
— Amber, fique no salão e me avise qualquer movimento duvidoso.
— E aonde você vai?
— Apenas fique aqui, logo me comunico com você.
— Está bem.
Olhei ao redor, para checar se não havia chamado a atenção dos outros guardas, felizmente não. Abri a porta no canto esquerdo da sala, ela dava em uma enorme sala de jantar, a mesa estava arrumada delicadamente para o jantar de logo mais. Atravessei a sala e abri outra porta que dava acesso a um corredor longo e escuro. Com alguns passos e checando todos os cômodos, encontrei uma entrada que deduzi ser do porão, tinha uma escada com alguns degraus, acendi a luz, mas era apenas um porão vazio, com algumas caixas no canto e prateleiras repletas de bagunça.
Peguei meu celular e liguei para James, logo ele atendeu.
— Eu estou em um porão vazio. — alertei.
— O que você vê ao seu redor. — chequei mais uma vez.
— Caixas, máquinas de lavar roupas e prateleiras por quase todos os lados.
— Talvez tenha uma porta escondida atrás das prateleiras.
— Tem certeza? Isso parece um filme mal feito de ação.
— Não vai falhar. Afaste as prateleiras, bata na parede, se o barulho for oco, voilà! — exclamou.
Comecei arrastar prateleiras e empurrar, com a mão fechada comecei distribuir socos pelas paredes, nenhum barulho era oco.
— Não está funcionando, James. — balbuciei.
— Talvez uma das prateleiras seja a porta e você deve puxar um livro ou um objeto qualquer. — sugeriu.
— Não estamos em um filme da família Adams. — ralhei.
— Estou fazendo o que posso. — resmungou James.
— Está bem, digamos que sua tese está certa. Quer dizer que devo puxar os objetos que estão nas prateleiras?
— Bom, eu estava brincando, mas quem sabe funciona? — respirei fundo. — Desculpe senhor. Você checou todas as paredes? Quer dizer, deu socos em cada parte?
— Espera, tem as máquinas de lavar roupa. — exclamei, mas antes mesmo de mover uma delas, escutei vozes. Escondi-me atrás das caixas de papelão e fiquei na espreita, eram dois brutamontes, seguranças de Morris. Os segui com os olhos, e lá estava uma porta escondida atrás das maquinas. Esperei eles sumirem do meu campo de visão e os segui, com passos minuciosos.
— Oliver. — Amber chamou pelo comunicador. — Onde você está?
— Tenha calma, Amber. Logo falo com você. — tirei o ponto da orelha e guardei no bolso do paletó. — James, ainda está aí? — perguntei pelo celular.
— Sim.
— Okay, encontrei a porta, tem uma escada e um longo corredor.
— É o covil, siga por esse corredor, vai chegar a uma sala. Talvez Parker esteja trancado lá.
— Está bem, fique aí.
— Bom, isso é legal, é o mais perto da adrenalina que já cheguei, tirando o dia que zerei um jogo espetacular de vídeo game e, olha só, não estou correndo riscos. E é man...
Guardei o celular no bolso antes de escutar todo o discurso de James. Desci mais alguns degraus e virei à esquerda, logo encontrei uma porta, mas um detalhe me impedia de entrar, era um sistema de senhas e não sou bom com isso.
— Tenho um problema. — disse, colando o celular na orelha de novo.
— O que aconteceu?
— Sistema de senha, não sou nerd como você, então, alguma sugestão?
— Preciso saber qual sistema é esse. Tire uma foto e mande pelo sistema de comunicação da cia.
— Está bem. — fiz o que ele mandou e esperei por volta de dez minutos até James me ligar. — E então?
— Esse sistema de senhas é bom, na verdade ele foi bom em 2008, e então depois de dar uma breve estudada...
— Simplifique, por favor.
— Você terá que desmonta-lo.
— E como vou fazer isso? — questiono. Eu não tinha nenhuma ferramenta e nem tempo.
— Ele é revestido com plástico. Bata nas laterais com sua arma.
Fiz o que James disse, até o revestimento se desencaixar do interior e ficar preso por dois fios, um vermelho e outro amarelo.
— Preciso puxar um desses fios? — perguntei.
— Não, isso não é uma bomba. — rebateu. — Está vendo uma placa esverdeada?
— Sim.
— Arranque fora, é simples, pode fazer isso com os dedos, depois a porta se abrirá automaticamente.
Puxei a placa e quando ela se desligou, a porta se abriu, peguei minha arma e cautelosamente adentrei outra sala, vazia também e com mais uma porta. Atravessei o cubículo e quando abri a porta, um cheiro intragável tomou conta da pequena sala. Tinha uma passarela, ligando a sala ao que me parecia ser o esgoto.
— Parker não esta aqui, há apenas uma sala vazia e o esgoto. —ralhei.
— Então entre no esgoto. — ponderei, talvez a passarela me levasse a algum lugar. Guardei o celular novamente e coloquei minha mão sobre o nariz, o cheiro era forte de mais.
Atravessei a passarela e cheguei a uma plataforma, desci mais alguns lances de escada e o cheiro era ameno. Vi os dois brutamontes conversando sobre algo, perto de uma porta de aço. Eu não podia deixa-los me verem e aquela porta era a minha última expectativa. Parker pode estar lá. Então, optei pelo que quase sempre devo fazer: matar. Mirei a arma na cabeça de um dos homens e disparei, em menos de um segundo ele estava no chão e sem dar tempo para o outro reagir, dei mais um disparo fatal no peito dele.
Dirigi-me até a porta de aço, tinha trancas simples, atirei contra a tranca e dei um chute na porta, no canto esquerdo, Parker estava me olhando atônito, com as mãos no alto.
— Quem é você? — perguntou ele.
— Vim tirar você daqui, vamos.
— Espera, você é da cia? — assenti. — E por que não está evitando a venda de uma bomba nuclear capaz de acabar com uma cidade como Nova York? — arqueei minhas sobrancelhas, não falávamos a mesma língua. — A festa é só de fachada, Morris vai vender a bomba esta noite, para o líder de um grupo terrorista.
— Na festa? — ele assentiu. — Você sabe que grupo é esse e quem é o líder?
— Pelo que escutei da conversa dos guardas é um grupo da Al-Qaeda e o líder é Sachafer alguma coisa.
Se a missão já era arriscada, agora ela havia dobrado de tamanho. Desde o inicio eu sabia que seria uma operação delicada, e agora que Parker falou que uma bomba altamente perigosa pode estar nas mãos de um grupo da Al-Qaeda, responsável por diversos atentados letais, principalmente o de 11 de setembro que gerou um número lamentável de mortes, tudo se torna mais complexo e eu sei que vidas correm riscos.
— Está bem, vamos sair daqui. — puxei-o pelo braço e o guiei. Peguei o ponto eletrônico e enfiei na orelha. — Amber?!
— Porra, Oliver! Onde você está?
— Morris vai vender a bomba na festa. Isso deve estar ocorrendo agora ou um grupo terrorista tem em mãos um enorme triunfo. Você viu algo suspeito?
— Não. — disse. — Na verdade sim, as luzes se apagaram por alguns minutos, e Morris pediu desculpas em seguida e a festa seguiu.
— Está bem, fique atenta. Eu estou subindo com Parker. — disse. — Foi você que fez a bomba?
— Dez dias sendo ameaçado e sofrendo diversas torturas fazem um homem ser produtivo.
— James, eu vou precisar de reforços, mande uma equipe da SWAT e um esquadrão antibombas.
Quando cheguei à sala de jantar, dei de cara com um guarda, ele veio para cima de mim, eu desviei e o segurei pelo paletó, o lancei em cima da mesa e distribui socos em sua cara até ele desmaiar. Peguei a arma dele e me virei para Parker.
— Você sabe atirar?
— Sim. — entreguei a ama a ele e escondi o segurança em baixo da mesa.
— Fique escondido aqui, qualquer pessoa que se aproximar, exceto eu, você atira. — com os lábios trêmulos, Parker deu um leve aceno com a cabeça. Virei-me a caminhei até as duas portas pelas quais entrei antes, quando as abri, uma única pergunta rondou minha cabeça. Como tiraria todas aquelas pessoas dali?
— Oliver. — senti alguém agarrar meu ombro, Amber me puxou para um canto do salão. — O que temos que fazer?
— As pessoas, elas correm riscos, uma equipe da SWAT está a caminho, e há terroristas aqui, se não esvaziarmos esse lugar, vai ser uma carnificina só.
— Vamos acabar levantando suspeitas.
— Acha que não pensei nisso? — olhei ao redor. A transação devia estar acontecendo no escritório de Morris no segundo andar. O número de seguranças era pequeno no primeiro andar e no jardim, o número devia ser maior do lado de fora do escritório. — Morris está no andar de cima. Vamos esperar a SWAT chegar e então, fazemos um escândalo, Morris e seus comparsas não terão tempo de fugir, enquanto as pessoas vão saindo nós vigiamos as escadas.
— Está bem. — peguei o celular, James ainda estava na linha.
— James, me avise quando a SWAT chegar.
— Já está a caminho. Assim que eles se posicionarem aos arredores da mansão, eu aviso. — encerrei a ligação. Fui até o bar e pedi a bebida mais forte, logo aquilo viraria um cenário de filme de ação.
Senti meu celular vibrar, peguei-o e o nome de Felicity estava estampado no visor. Não, agora não. Eu passei o dia querendo falar com ela, mas agora, se eu atender, colocarei a missão em risco. Deslizei meu dedo até a parte vermelha e rejeitei a ligação.
— Droga. — murmurei.
Pedi outra bebida e mais uma, as pessoas a minha volta bebiam e conversavam alegremente, se soubessem o que estava prestes a acontecer, estariam correndo como malucas. Tentando de qualquer forma sair ilesos de um tiroteio iminente. O celular vibrou mais uma vez e dessa vez era James. Atendi.
— Eles estão esperando o meu sinal e eu o seu.
— Bom trabalho, James. — peguei minha arma, algumas pessoas que viram meu movimento se assustaram, mas tudo virou uma confusão quando eu disparei no lustre e milhares de cacos de cristal caíram no chão.
— Agora, James.
Demoraram segundos até homens da SWAT entrarem pelas janelas e o tiroteio começar. Corri até as escadas e subi cada degrau. Amber estava comigo, assim como vários homens da SWAT. James deve ter dado todas as instruções. A invasão ao escritório de Morris foi rápida e fatal, não restou ninguém vivo e a bomba parecia intacta.
Uma equipe antibombas foi chamada para a retirada da bomba da casa. Amber sorria orgulhosa e a única coisa que fiz foi me afastar e ligar para Felicity.
— Oliver. — eu não conseguia explicar a sensação que senti quando escutei sua voz. Toda a angustia que senti durante o dia sumiu e a vontade que tinha de tocá-la aumentou, porem, eu nem sei onde ela está. — Amber?!
Eu ia questionar o fato de Felicity não ter me atendido durante todo o dia, mas o que ela sabia sobre Amber?
— Amber? — rebati. — Como assim? O que Amber veio fazer na nossa conversa?
— Não sei, quando liguei mais cedo ela me atendeu, disse que você estava tomando banho, e pediu se eu queria deixar recado.
— Aquela vaca! — exclamei muito furioso. Eu tinha estranhado seu bom comportamento durante o dia, mas ela pisou na bola. — Amber é minha nova parceira, Amanda a escolheu já que Dig está no hospital. Mas é uma história muito longa, não posso lhe falar pelo celular. E quando você ligou eu estava realmente tomando banho, mas nada aconteceu, ela é louca e invadiu meu quarto.
— Está bem, Oliver, eu acredito.
— Quando você volta? — Felicity suspirou.
— Amanhã pela manhã. — um sorriso involuntário escapou da minha boca.
— Eu não vejo a hora de te ver. — Felicity ficou em silêncio.
— Eu sinto sua falta. Eu viajaria hoje, mas a pessoa que...
— Eu sei, ela é importante. —completei. — Podemos passar por mais algumas horinhas separados.
— Eu sei. — resmungou. — Eu preciso desligar, foi incrível escutar sua voz.
— Você não faz ideia do quão bom foi escutar a sua. — ela riu. — Nos vemos amanhã?
— Sim. — Felicity deixou escapar toda sua ansiedade pela voz e eu me senti feliz com isso. Depois encerramos a ligação. Nós nos falamos tão pouco, mas o bastante para a falta que sentia dela crescer dentro de mim.
— Hey, Oliver! — exclamou Amber. Eu olhei para ela e me aproximei.
— Nunca mais, em hipótese alguma pegue o meu celular. Está escutando?
— Si...sim.
— Ótimo.
(...)
Era quase quatro da manhã quando chegamos a Washington, tudo que eu queria era dormir, mas tínhamos que passar na base e entregar Parker para Amanda, felizmente tudo foi rápido, ela nos elogiou e eu pude seguir para casa. Mas antes passei no hospital, um enfermeiro me informou que Dig estava bem, e dormia. Depois disso segui para minha casa.
Tomei um banho e me joguei no sofá. Logo caí em um sono profundo. O despertar foi a pior parte, minhas pálpebras pesavam toneladas devido às poucas horas de sono. Quando abri meus olhos por completos, senti dedos percorrerem por minhas costas, imediatamente me virei e Felicity estava em pé atrás do sofá.
— Eu fiz café para você. — disse ela. Eu podia sentir o aroma do café. Mas, não era o que eu queria. Passei meus braços pela cintura dela e a puxei para cima de mim. Grudei seus lábios nos meus e toda a saudade que sentia foi embora com um beijo urgente e quente.
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