A Assassina de Adarlan
5 Do ódio nasce uma amizade
Notas iniciais
Depois da conversa com Arobynn, Celaena voltara para a estalagem, tinha um pouco de dinheiro guardado para pagar Samael. Depois de paga-lo iria embora. Entrou em seu quarto e arrumou suas coisas, iria voltar para o antigo apartamento e depois que Arobynn estivesse preso iria reivindicar a Fortaleza dos Assassinos como sua — e de Lysandra também — e assim dariam início a uma nova guilda.
Foi até o quarto de Samael — dessa vez usando o corredor para chegar até a porta — para descobrir que ele não estava lá. Desceu até o bar e também não o achou. Teria que atrasar sua partida por culpa do rapaz. Estava pensando em voltar para o quarto e tirar uma soneca, quando percebeu que Will — o balconista — a estava olhando com curiosidade.
— Olá senhor Will — cumprimento Celaena — sabe se Samael está por aqui? Tenho que entregar isso a ele, mas não o encontrei no quarto.
— Ele está consertando a pia — respondeu Will indicando a porta atrás do balcão — pode entrar e falar com ele. Se quiser eu deixo esse baú aqui guardado.
— Obrigada — disse ela sorrindo.
Entrou por trás do balcão e se dirigiu a tal porta, Samael estava abaixado ao lado da pia, trajava uma camiseta branca e uma calça preta, parecia estar bem concentrado no problema. Tão concentrado que nem percebeu Celaena, então a garota aproveitou para observá-lo atentamente. Ele estava com os cabelos molhados e colados na testa, a camiseta branca estava quase transparente, com a pouca luz do local seu rosto magro e anguloso parecia mais agradável de se observar.
Celaena ficou perdida observando-o, ele estava tão belo, e ultimamente ela estava tão carente — tentava tanto evitar isso que até se esquecera — e agora olhando-o assim, era impossível não achá-lo atraente. Que Sam a perdoasse, mas achava Samael muito atraente, muito mesmo. Sam não iria querer que ela ficasse sofrendo tanto, sentia a dor de perder seu amado, mas não poderia se prender eternamente a ele.
— Celaena? — disse o rapaz, assustando-a — está tudo bem?
— Olá, está tudo ótimo — respondeu ela, estivera totalmente perdida em pensamentos, mas se recompôs rapidamente — tudo correu como planejado.
— Isso quer dizer que…
— Estou aqui para te pagar e — disse ela com pesar — me despedir. Deixei o baú com Will.
— Você irá hoje mesmo?
— Sim.
Os dois ficaram se olhando, ambos sem saber o que fazer. Celaena queria abraçá-lo, mas sentiu certa vergonha. Não o conhecia muito, e não era como se fossem amigos, passaram bastante tempo juntos, mas ele havia sido pago para isso. Quando percebeu Samael se aproximando já era “tarde” de mais. Ele a envolveu em um abraço distante e tímido, quando percebeu que havia sido correspondido Samael intensificou o abraço, e ela pode sentir o coração dele batendo, o calor do corpo dele.
— Queria ter mais tempo com você — sussurrou ele, no ouvido da garota.
— Daqui a um tempo irei reivindicar a Fortaleza dos Assassinos — disse ela, com a cabeça ainda apoiada no peito do rapaz — você poderia fazer parte da nova guilda.
— Pensarei no assunto — respondeu ele, com um sorriso brilhante no rosto — irei sentir falta dos treinamentos.
— Se você entrar para a guilda, poderá treinar o quando quiser.
— Isso é golpe baixo — respondeu zombeteiro — seu poder de persuasão é tão incrível quanto suas habilidades de assassina.
— Ei, isso era para ser sério.
E assim eles se soltaram, o abraço havia sido bom e a conversa também, mas Celaena teria que ir, a arrumação do apartamento a esperava. Teria também que comprar a liberdade de Lysandra, já havia combinado com a garota, iriam assistir de camarote o desfile da carruagem de prisão de Arobynn Hamel. Havia conversado com o príncipe herdeiro, e o mesmo afirmara que o rei dos assassinos seria mandado para Endovier por todas as mortes que causara, e Celaena seria absolvida de sua sentença por ter cooperado.
— Vou pensar com carinho na sua proposta — respondeu ele.
— Se quiser me ver, estarei observando a partida de Arobynn — disse piscando para ele — nos próximos dias estarei na Fortaleza dos Assassinos ou no meu apartamento.
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Depois de arrumar o antigo apartamento Celaena estava exausta, então decidiu tomar um bom e demorado banho. Ao sair do banho foi escolher uma roupa, primeiro pensara em usar algo básico, como calça e blusa, mas então pensou que deveria estar glamurosa. Escolheu um vestido azul claro todo trabalhado em rendas no busto, um belo e discreto decote, e com saia de seda, de um azul pastel. A ocasião merecia toda a sua arrumação.
Seguiu diretamente para o bordel de madame Clarisse, sua primeira missão seria libertar Lysandra. Chegando lá, a menina estava esperando ao lado de fora do bordel. Estava com um vestido vermelho, lindo e sensual que continha um decote nada discreto. Tinha que assumir, ela estava linda.
— Olá Lilian — cumprimentou a menina — vejo que se preparou para a ocasião
— Digo o mesmo sobre você — respondeu a outra brevemente, apesar de tudo, as vezes Lysandra ainda a irritava — onde está Clarisse?
— Está lá dentro. Quando disse que viria ela reagiu com uma certa incredulidade. Imagine quando souber que você pagará por minha liberdade.
— Ela ficará radiante pelo dinheiro, triste pela perda de uma cortesã e desconfiada por o dinheiro vir justo de mim.
Sorrindo uma para a outra, as duas adentraram o bordel de braços dados, como se fossem velhas amigas, aliás teriam que convencer Clarisse de que sua melhor escolha seria vender Lysandra. O dinheiro ajudaria, tanto para reformar o bordel, quanto para comprar novas jóias para a madame.
Clarisse estava logo na entrada, toda arrumada, como se Celaena fosse alguém importante. Exibia um típico sorriso falso de cortesã e tinha ao seu redor vários homens, a quem ela dispensou rapidamente. Foi andando até as meninas e parou logo a frente.
— Olá Celaena — cumprimentou Clarisse, para completar deu-lhe beijos na bochecha — quanto tempo não a vejo minha criança.
— Olá madame Clarisse — respondeu Celaena, com a mulher seria bom usar sua educação — podemos conversar em um lugar mais reservado?
— Claro — respondeu a outra, já indicando uma porta que levava ao escritório — você conhece o caminho.
E assim caminharam ao belo escritório de madame Clarisse, não parecia em nada com o de Arobynn — que agora seria seu por direito — o interior mostrava que pertencia a uma mulher elegante, os sofás e cadeiras tinham estofados de veludo rosa, as cortinas e tapetes de um tom de rosa pastel e uma mesa de madeira envelhecida.
— A que devo a honra de sua visita?
— Vim lhe fazer uma proposta — disse Celaena, enquanto Clarisse a olhava com interesse — como pode perceber, Lysandra e eu não temos mais os desentendimentos da infância. Como herdeira de Arobynn, eu gostaria de fazer de Lysandra o meu braço direito, e para isso pretendo comprar a liberdade de minha amiga.
— Você está querendo que eu venda Lysandra para você? — perguntou Clarisse incrédula — essa menina é uma das minhas maiores fontes de dinheiro.
— Lysandra não será minha — disse a menina, odiava que a outra visse Lysandra como um objeto de valor — ela será livre para fazer o que bem entende. Quanto a fonte de dinheiro, podemos fazer uma boa negociação.
— Quanto pretende pagar por Lysandra?
— Um baú cheio de ouro te interessa? — perguntou Celaena, vendo a expressão da mulher resolveu aumentar o lance — então dois, dois baús cheios de ouro. Não vou oferecer mais que isso.
— Dois baús de ouro? — perguntou ainda mais incrédula, Celaena não sabia dizer se isso era bom ou ruim — parabéns você acaba de comprar a liberdade de Lysandra. Se me dão licença tenho novos negócios a resolver.
Dando a conversa por encerrada, madame Clarisse saiu saltitando, deixando as duas sozinhas em seu escritório. Celaena sentiu pela primeira vez uma felicidade por fazer algo de bom a Lysandra. Apesar de ser irritante, a menina merecia alguém que cuidasse de sua liberdade, e sua segurança. Celaena seria essa pessoa. Sabia que em algum lugar Sam estaria orgulhoso dela.
— Parabéns Lysandra você está livre — disse a assassina com os olhos úmidos, o pensamento de Sam estar orgulhoso havia deixado Celaena sensível — se Sam estivesse aqui, estaria feliz por você.
— Obrigada Celaena — respondeu Lysandra com lágrimas escorrendo pelo rosto, se aproximou da assassina e lhe deu um rápido abraço — se Sam estivesse aqui ele estaria orgulhoso. Nunca chegamos a gostar uma da outra, mas agora você me libertou, tenho uma dívida com você, e serei eternamente fiel a você.
— Você não precisa me prometer lealdade, não me deve nada — respondeu tentando controlar suas feições e a voz chorosa — mas eu ficaria feliz em ter sua amizade.
— Tenho que assumir, eu sempre quis ser sua amiga, mas como você me odiava, eu te irritava só para chamar sua atenção.
E assim com sorrisos largos e resquícios de lágrimas no rosto, as duas saíram do escritório e foram direto ao quarto de Lysandra. Como sabia da vinda da outra, a ex-cortesã havia arrumado seus pertences para levar ao apartamento, onde ficariam até o outro dia. Depois de arrumarem o apartamento iriam direto ver Arobynn.
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