A Ascensão dos Semideuses
3 Jennifer 1.3
Quando abri meus olhos à primeira coisa que percebi, é como o tempo havia mudado. Ontem um calor de rachar, e hoje estava um frio horrendo. Levantei e fui pro meu dormitório fazer minha higiene matinal e trocar de roupa. Depois encontrei com Sophie e no café da manhã, que também parecia ter demorado a dormir.
–Pesadelos! –disse Sophie. –A noite toda. Tudo por causa daquela maldita garota.
–Sabe uma coisa estranha?- eu disse. — Toda vez que eu pergunto para alguém sobre a Kelly todos me olham como se eu fosse louca. Dizem que nunca teve nenhuma Kelly aqui. Até os amiguinhos dela.
–Comigo aconteceu à mesma coisa! –disse Sophie. – Será que imaginamos tudo aquilo?
–Eu não teria tanta imaginação. –falei.
Então nessa hora um Eddie muito nervoso chegou sentou ao nosso lado.
–Ei meninas! Bom dia! – ele deu um sorriso forçado.
–Está tudo bem Eddie? –eu perguntei.
–Sim claro, porque não estaria? –disse ele olhando a volta.
–Procurando mais monstros Eddie? –perguntou Sophie com frieza.
–O quê? – Eddie quase derrubou a mesa. –C-Como você sabe disso?
–Eu ouvi ontem à noite. Sua conversa com aquele homem. Quíron. –eu confessei.
–Ouviu? Toda? –disse ele assustado.
–Bom, uma parte. –eu disse e contei o que tinha ouvido.
–Ah! –disse Eddie que começou a comer o guardanapo.
–Ei, enlouqueceu? –disse Sophie.
–O que isso significa? Quem quer nos matar? –perguntei encarando Eddie.
–Eu... Eu não tenho permissão pra contar isso. Mas olha só, se qualquer coisa estranha ocorrer, se lembra daqueles presentes que eu dei a vocês? –Eddie perguntou.
–Sim, me lembro. – respondi.
–Bem... Usem. Basta pressionar: A coruja ou a caveira. –disse Eddie encarando o chão.
–O quê? –perguntei confusa.
Então nosso professor veio até nossa mesa.
–Bom dia garotas! E olá Eddie! –disse ele.
–Bom dia! –dissemos os três em uníssono.
–Bem Jennifer, eu recebi mais cedo uma ligação. Seu pai queria muito conversar com você. Ele está esperando sua ligação a qualquer momento.
–Ah, tudo bem. Me deem licença pessoal!
Chegando ao meu quarto disquei o numero da minha antiga casa. Demoraram uns três toques até que alguém finalmente atendeu.
–Alô!
–Alô! Oi pai, aqui é a Jennifer.
–Ah, olá querida. Como está a escola?
–Está tudo ótimo. E como está ai? Jake está se comportando bem?
–Sim. Ele está dando um trabalho danado pra mim e Mary. Ele fica o tempo todo perguntando pela irmã.
–Ah, estou louca para vê-lo.
–Bem querida, eu queria mesmo conversar com você sobre isso. Você não virá para casa nesse verão.
–Não? E porque não?
–Ah, meu bem. Isso tem haver com sua mãe. Ela queria que quando você completasse 15 anos fosse para um Acampamento para crianças especiais.
–Haver com a mamãe? Acampamento para crianças especiais? O que foi agora? Eu fiquei maluca?
Falar da minha mãe era um assunto complicado. Ela havia me abandonado quando eu ainda era um bebê, e eu ainda não havia superado aquilo muito bem.
–Não Jenny. Você não está maluca... E só que, não sei se sou o mais habilitado para lhe contar isso.
–Me contar o que? O que eu fiz? –eu já estava chorando. Ser rejeitada pelo meu pai? Já não bastava o que minha mãe fez? Ele nem queria mais que eu fosse pra casa.
–Ei querida, não chore, por favor! Você não fez nada. Mas nesse Acampamento você estará segura, eu prometo. Confie em mim. Tudo se esclarecerá quando você chegar lá.
–Como assim pai? Eu ainda não entendo.
–Você irá entender. Fique perto de Eddie e Sophie e tudo dará certo. Eu prometo. Eu te amo Jenny, fique bem. Eu tenho que ir agora.
–Ah, tudo bem. Tchau pai, eu também te amo. Estou com saudades. Mande lembranças a Mary e ao Jake por mim.
–Pode deixar, tchau querida.
Então ele desligou e eu fiquei encarando o fone por alguns minutos. Haver com minha mãe? Acampamento para crianças especiais? E como meu pai sabia que minha mãe queria que eu fosse para esse lugar? Até onde eu sabia meu pai não tinha contato com minha mãe há 15 anos, desde que ela decidiu nos deixar. Tinha alguma coisa muito errada nisso. Então alguém bateu a porta com força, eu levei um susto.
–Pode entrar! –disse, ainda com o coração disparado.
Sophie entrou. Sua expressão dizia que ela também tinha recebido um telefonema.
–Acampamento para crianças especiais? Qual é o problema de dizer que não quer me ter em casa esse verão? –ela disse com raiva, sentando a beira da minha cama.
–Eu também não entendi nada. –falei.
–Isso tem haver com seu pai, você precisa ir! –disse Sophie fazendo uma péssima imitação da voz de sua avó.
Sophie sofria com a mesma coisa que eu. Seu pai a havia abandonado logo depois que ela nasceu. Sua mãe conheceu outro homem e foi morar em outro país. Sophie optou por morar com seus avós desde então. Sophie tinha um irmão mais velho, mas raramente falava dele. Ela só sabia que ele era um ano mais velho e tinha ido embora de casa muito cedo.
–Meu pai disse a mesma coisa. Depois de anos sem ao menos se lembrar dela, ele do nada resolve seguir as vontades da falecida mamãe.
–Falecida? Você acha que sua mãe morreu?
–Sim. Morreu para mim. –eu disse suspirando.
–Você vai a esse Acampamento?
–Acho que sim. Não quero passar minhas férias, trancafiada nesse colégio. Nem uma biblioteca esse lugar tem.
–Eu também vou. –ela se levantou. –Vou arrumar minhas coisas. Eddie vai com a gente, eu acho. Te vejo daqui a pouco. –ela saiu pela porta me deixando sozinha.
Me levantei e comecei a arrumar minhas coisas. Depois de tudo pronto deu uma olhada ao redor. Tudo bem, as paredes estavam bem descascadas e as camas velhas, e antes havia teias de aranhas que fiz um escândalo até o pessoal da limpeza tirar todas, mas eu ia sentir falta daquele lugar. Fui até o quarto de Sophie. Ela e Eddie já estavam ao lado de fora com suas malas, me aguardando.
–Como vamos para esse Acampamento? –perguntei olhando para Eddie.
–Um amigo meu vem nos buscar. Ele já deve ter chegado. –disse ele.
–Você já esteve nesse Acampamento Eddie? –Sophie perguntou.
–Sim. Na verdade, eu passo todos os meus verões nesse Acampamento. –disse Eddie.
Eu e Sophie trocamos olhares. Eddie nunca tinha falado desse Acampamento. Que estranho. Pegamos nossas coisas e seguimos para o estacionamento.
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