Notas iniciais
Hello there! Bom gente, como é meu aniversário hoje (me dêem presentes u.u), resolvi atualizar todas as histórias. (Estou sem criatividade para o título. Gastei tudo escrevendo ontem.) A Irresponsabilidade aqui do meu lado mandou um oi e disse que está comendo o miojo que ela tinha feito. Bom, é isso, aproveitem um capítulo novíssimo com cheirinho de pão~

Ella acordou em uma sala completamente branca. Estava deitada em uma maca dura e desconfortável. Havia uma bandeja metálica móvel com bisturis e instrumentos de sutura. A menina tateou o próprio corpo. A barriga, que antes era pequena, não existia mais. Seus braços estavam mais finos e sua pele, macia e lisa, o rosto sem nenhum resquício das antigas espinhas.

Ella mal podia acreditar. Mal completara 15 anos e já sofrera as cirurgias plásticas dos Perfeitos.

A garota passou os pés para fora da cama, ignorando o chão gelado e andou em direção à porta. Antes que pudesse tocar a maçaneta, a porta abriu, e uma mulher com roupas de enfermeira entrou no quarto.

– Acordou há muito tempo? – ela perguntou, em um tom entre o simpático e o severo.

– Não. – Ella não queria ser amigável com a mulher. – O que vão fazer comigo?

– Vamos escolher a roupa certa para você. Afinal, de nada adianta ter um rosto, corpo e pele perfeitos se você usar trapos, certo?

– Vocês mudaram minha aparência? – Ella perguntou, já que ainda não olhara-se no espelho.

– Não muito. Levantamos um pouco suas maçãs do rosto e as sobrancelhas e mudamos a cor do seu cabelo. Agora você é oficialmente loira. Só falta uma coisa... – a enfermeira tirou do bolso uma caixinha que Ella reconheceu como lentes. Por favor, não sejam azuis, pensou ela. Eram azuis. – Posso colocar ou você mesma quer pôr?

– Eu preferia não usá-las. – Ella retrucou, ríspida. A postura da mulher mudou, tornando-se mais agressiva.

– Você não é uma garota burra e sabe para onde vai se não usar. Não será perfeita sem as lentes.

– Eu preferia não ser. – murmurou para si mesma.

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Daniel guardou a pistola no bolso e analisou os resultados daquele roubo. Joias. Dinheiro. Documentos. Suspirou, entediado. Sempre as mesmas coisas. Sempre as mesmas regras. Roubar e entregar para o chefe. Não que ele não gostasse da rotina de ladrão; era até divertido. Mas às vezes seria bom quebrar a monotonia.

Deixando os pensamentos de lado, Daniel reuniu os objetos roubados em sacolas e seguiu para o escritório do chefe, pedalando algo que seus bisavôs chamavam de bicicleta. Aquela provavelmente era a última bicicleta que sobrara no país, talvez no mundo.

Ao chegar ao edifício cinzento, entrou pelas portas de vidro e seguiu em direção à recepção. Uma garota com o cabelo pintado de laranja na altura dos ombros e um piercing no nariz estava atrás do balcão, escrevendo algo em um caderno. Daniel deu um peteleco na testa dela para desviar sua atenção para ele.

– Larga esse caderno e faça seu trabalho, Joan. Tenho uma entrega para o chefe.

– Você... É o irmão mais irritante do mundo. Mas eu te amo mesmo assim. Vou avisar que está subindo. Aliás, perdi minha carteira pela terceira vez essa semana. Isso não é coisa sua, é?

– Talvez, Joan, talvez... Afinal esse é o meu trabalho. Não fica chateada, porque é isso que paga seus cheeseburgers com café expresso.

– Pode até ser, mas a irmã mais velha sou eu e quem devia sofrer nas minhas mãos era você, e não o contrário. Pode subir.

Daniel seguiu até o velho elevador que, infelizmente, era o melhor que as pessoas do seu bloco podiam desfrutar. Eram os mais pobres dos cinco blocos. Talvez fosse por isso que sobrara para eles roubar. Quando o elevador parou e abriu as portas à sua frente, Daniel saiu e andou até a porta do escritório, imaginando se o chefe aceitaria sua proposta.

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Brianna tomou um gole do seu chá com leite já frio enquanto clicava no próximo episódio do seriado que estava assistindo pela internet. Isso era uma das poucas coisas que a agradavam: assistir programas que terminaram décadas atrás. Um de seus preferidos era The Walking Dead. Um apocalipse zumbi... Como os produtores de antigamente tinham criatividade. Mas para Brianna, um apocalipse zumbi seria melhor do que a vida que ela vivia.

A garota prendeu suas mechas pretas e azuis em um rabo de cavalo e tomou mais chá, fazendo uma careta devido à temperatura. Estava na verdade matando o tempo até a próxima Coleta. Os Coletores chegariam dentro de meia hora para recolher alguns pertences de todos para serem doados.

Brianna odiava essa prática. Suas coisas eram suas, de mais ninguém! Os pobres e doentes não precisavam dos antigos CD's que guardava ou de sua coleção de canecas. Ela não poderia oferecer nada aos necessitados, tampouco queria fazer isso. Era egoísmo.

Ela sorriu para si mesma. Era a ovelha negra dos Bondosos. A única do bloco que saía toda noite para rever seus pertences no monte de entulho para onde iam as doações não aproveitadas. A única apegada fortemente aos bens materiais. Brianna não se orgulhava disso, mas achava graça. Nascera no lugar errado. E nunca iria se adaptar.

A garota ouviu uma batida na porta. Era sua mãe, voltando do trabalho no orfanato. Ela não se achava nem um pouco parecida com a mãe, que era loira e usava roupas discretas, diferentes das camisetas pretas cortadas e jeans rasgados de Brianna. Jenna, sua mãe, dizia a ela que seus cabelos negros eram iguais aos do pai, pai que Brianna nunca chegou a conhecer, mas sempre via em um retrato que ficava na estante.

– Como vai, filha?

– Estou bem, mãe. Só que meu chá esfriou.

– Coloque de novo para esquentar amor. É tão simples...

E, com essa fala, foi se deitar para descansar um pouco. Brianna colocou o chá para esquentar e depois voltou a assistir seu seriado. Passado um tempo, escutou batidas violentas na porta.

Os Coletores haviam chegado.

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Alex retirou o capacete de realidade virtual e deu uma olhada em seu quarto, acostumando-se com a iluminação exagerada que fez seus olhos doerem. Sua mãe o chamava para o almoço. Levantou-se da cadeira, esticando as costas e bocejou. Mal dormira aquela noite, jogando online com os amigos, mas a mãe não sabia.

Andou em direção à porta para destrancá-la, e no caminho esbarrou na escrivaninha com os enormes livros de Física e derrubou todos no chão.

Enquanto arrumava-os de volta na mesa, perguntou-se o porquê das escolas ainda usarem livros velhos, se eles tinham a tecnologia mais avançada de todos os blocos. Diziam que era para conservar os antigos estudiosos, mas Alex achava que era porque distribuir holográficos em colégios era demais para o governo, que precisava de dinheiro.

Como se o que eles roubavam das competições intelectuais não fossem o bastante.

Ele já participara dessas competições antes. Eram idiotas e supérfluas, mas os pais amavam ver os filhos lá, como macaquinhos geniais, respondendo perguntas. Os torneios de realidade virtual eram mil vezes melhores. Eles chegavam até a ser violentos às vezes, mas era divertido explodir coisas sem machucar ninguém. Eram ilegais, claro. Se algum não-participante descobrisse, eles seriam punidos severamente.

Alex abriu a porta e seguiu para a sala de refeições, onde a mesa já estava posta. Sua mãe colocava um pedaço do peixe grelhado no prato enquanto seu pai lia um exemplar de uma revista científica qualquer. Em seu bloco, ninguém ligava para a aparência. Eles acreditavam que "mais vale uma mente ativa e aparência desleixada do que uma aparência perfeita e um cérebro vazio. Alex concordava com esse conceito, mas achava exagero às vezes.

– Boa tarde, família...

– Boa tarde, filho. Estudou muito hoje? – perguntou o pai.

– Pai, hoje é sábado. Está na definição dos dias da semana, "sábado e domingo: dias reservados para o descanso".

– Mas todo dia é dia de estudar, meu amor. – interveio a mãe.

– Deviam dar uma trégua para essa pobre criatura. – Alex apontou para si mesmo com o dedo indicador. – Eu posso acabar ficando burro de tanto estudar.

A mãe olhou-o com reprovação. Odiava quando o filho dizia aquele tipo de coisa.

Quando terminou de almoçar, Alex foi para o quarto, vestiu uma roupa mais adequada para sair na rua e guardou na mochila o capacete de realidade virtual da sorte, as luvas hi-tech da sorte e um maço de cédulas de dinheiro amarradas com um elástico.

– Mãe, pai, vou sair. Com meus amigos. Volto antes das onze.

Ao bater a porta atrás de si, respirou fundo com os olhos fechados e sorriu.

Era dia de torneio.

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Chris embolsou o dinheiro que o homem de terno à sua frente havia entregado. Seu empregador agora segurava um cálice de vidro com um brasão antigo gravado. O garoto foi embora logo. Prometera à irmãzinha comprar o maior urso de pelúcia de uma loja para dá-la de presente em seu aniversário.

Chegava a ser terrível a idéia de que aquele urso estaria sendo pago com dinheiro vindo de roubos, seqüestros e até assassinatos. A irmã nunca saberia, claro. Ela não precisava ser introduzida tão cedo àquele mundo no qual viviam.

Chris comprou o urso, que era marrom e tinha uma mochila com um ursinho menor dentro. Sorriu para si mesmo. Lizzy ia adorar. Seguiu o caminho até sua casa. Ao entrar, encontrou Sarah, que era dois anos mais nova, de avental, cozinhando, e os gêmeos, de 10 anos, vestidos de guardas britânicos. Antes que pudesse perguntar o porquê, Lizzy apareceu com um vestido lilás e uma coroa prateada decorada com um pote de chocolate.

– Guardas, em formação! – ela ordenou. – Abram passagem para a Rainha Suprema do chocolate!

Enquanto ela passava, Sarah dava risada na cozinha.

– Meu brownie ficou pronto, cozinheira?

– Ainda não, Majestade. Preciso colocar no forno.

– Vá rápido! Quer deixar sua rainha com fome?

– Calma, Majestade. – falou Chris. – Se ela se apressar, não fica bom. Por que você não espera brincando com seu urso?

Os olhos de Lizzy brilharam ao ver o presente. Ela abriu um sorriso, que mostrava a perda de um dente de leite, e abraçou o urso. Depois, colocou-o no sofá e abraçou Chris, surpreendendo-o.

– Eu te amo. Você é o melhor irmão mais velho do mundo. Obrigada.

– Eu também te amo. Feliz aniversário!

– Quem quer lamber o brigadeiro da panela? – chamou Sarah da cozinha, aparecendo com uma colher e uma panela na mão. Todos correram até ela, menos Chris. Ele refletiu sobre a vida que levava fora de casa. Tinha que sustentar a família, afinal. Sarah sabia sobre os "trabalhos", mas nunca contara aos caçulas. Ambos sabiam o porquê.

O celular de Chris tocou. Ele e Sarah trocaram um olhar significativo.

Mais um serviço.

Notas finais
E então? Mereço tapas, reviews ou água de miojo na cara? Kissus e até a próxima =*