Depois daquela conversa com John, Edward desceu até as masmorras subterrâneas que tinha no castelo.

Ele já estava acostumado a ficar naquele lugar. Não para ficar de vigia, mas para pensar, e era uma coisa que ele fazia muito. A última vez em que ele entrou ali foi para tomar conta da família real de Aquário, que estava sendo mantida presa. Ele se lembrava de todos os detalhes daquele dia, as roupas que eles usavam, o jeito de falar e os rostos bondosos.

E principalmente ele se lembrava de Isabella, não que ele quisesse, – os cabelos cor de chocolate e meio ondulados, os olhos marrons, a boca em formato de coração, o jeito com que ela tinha ficado irritada toda vez em que ele tinha chamado ela de princesa, o olhar orgulhoso, a maneira como ela tinha agradecido a ele por ajudá-la a sair da li, o jeito com que ela se agarrou a ele e não parecia querer soltar e o jeito que ela olhava pra ele, como se ele fosse especial. – mas não conseguia evitar.

Quando ele se deu conta, já estava em frente a sela do causador das mais recentes dores na cabeça dele.

Ele era alto, magro e cheio de manchas na pele, tinhas a cor dos olhos típica dos aquarianos, – que agora ele não estava achando tão atraente quanto tinha achado em Isabella. – e cabelos meio acinzentados.

Edward deu um sorriso quando parou bem ao lado dele e perguntou:

– Então, qual é o seu nome?

Edward ficava lindo sorrindo, mas naquele momento só conseguiu ficar assustador. – Eu perguntei qual é o seu nome, e eu gosto que me respondam.

Disse tirando uma adaga da parte de trás da calça e cravando na mão dele, esse por sua vez deu um grito de pura agonia.

– É Marlom. Marlom Strogivi senhor.

– Bom garoto Marlom, viu como vai ser mais fácil se você cooperar.

– O que vocês vão fazer comigo?

– Não é meio obvio? – ele alargou o sorriso mais ainda – Você vai morrer, mas primeiro eu vou te dar uma surra que você nunca vai esquecer. Não que você vá viver muito para ficar remoendo isso de qualquer jeito.

O caminho até Aquário parecia demorar uma eternidade, eles já tinham passado de Libra ao que parecia ser horas atrás, Tom estava dormindo no colo de Roselie, essa no caso estava olhando pela janela a muito tempo. Edward achava uma grande perda de tempo terem que ir até Aquário para acabar com o verme do Marlom, ele podia fazer em um segundo se quisesse.

A comitiva estava dividida em duas carruagens uma com vários soldados e o preso, e na outra estava a comitiva do rei. Ninguém falava nada. Roselie devia ser porque estava voltando a Aquário depois de dois anos, o rei John estava perdidos em pensamento que Edward desconfiava que deveria envolver o filho. – O rei Carlisle, ou príncipe, tanto faz. – O resto ele não estava nada interessado.

Edward tinha que admitir, o reino de Aquário era magnifico. Tinha torres no estilo abobado por todo o caminho, era cheio de lagos e rios, que ele com certeza iria querer dar um mergulho. O palácio era lindo. Tinha torres de vidros era completamente branco.

Quando eles enfim pararam Edward não sabia se ainda conseguia mover as pernas. – Nem sentir na verdade.

– O que foi Edward? – John perguntou.

– Minha perna entravou.

Ele estava rindo da própria situação.

– Levanta já daí Edward. Não estou com paciência pra você hoje.

Edward achou melhor não irritar Rose por segurança própria. Ela parecia bastante nervosa. Talvez fosse porque estava voltando ali ou talvez ela só tivesse acordado irritada.

– Senhores? Posso ajudar?

Era uma voz hesitante, quando Edward se virou deu de cara com um senhor baixinho de longos cabelos brancos

O general olhou para ele de cima a baixo com uma expressão de censura no rosto

– Sim. – curto, grosso e eficaz. – Nós temos uma audiência marcada com o rei e a rainha.

Edward sentiu algo na voz do homem. Hesitação talvez.

– Se o senhor me permite perguntar, – era até engraçado olhar para o homem tremendo igual a uma folha. Como ninguém interrompeu ele continuou. – O duque Swan mandou perguntar do que se trata.

Sam parou por um segundo para ver se o rei que não tinha saído da carruagem se opunha a ele falar. Como o rei não fez nenhum movimento ele com um aceno de cabeça mandou um dos soldados tirar Marlom da sela da segunda carruagem.

Ele não foi tratado com nenhuma delicadeza

– O motivo, seu velho curioso, é que esse cidadão vai ser executado. E nos trochemos ele aqui para o seu rei e a sua rainha verem que a monstruosidade não é só de exclusividade nossa. Você entendeu ou vai querer que eu repita?

– Não senhor, eu entendi senhor.

O homem quase saiu correndo de medo de Sam e voltou mais rápido ainda mandando eles entrarem. John saiu da carruagem calmamente como se estivesse indo para um passeio bastante agradável.

– Por aqui senhores.

O palácio era ainda mais deslumbrante por dentro. Tinha vigas trançando-se até a altura do teto, a luz que entrava era exclusivamente das torres de cristal que refletiam a luz do sol e dava uma imensa claridade ao ambiente. Absolutamente lindo

Eles percorreram vários corredores e todos eles tinham janelas que não estavam abertas mas eram de cristal também. Ao chegarem na sala do trono foram recebidos pela rainha Esmee e o rei Carlisle, – ou príncipe – a direita ao lado da rainha estavam o duque e a duquesa Swan junto a Isabella, – que tentado a todo custo não olhar na direção de Edward, e não tendo nenhum sucesso na tentativa. – do outro lado a esquerda do rei, – ou príncipe – estavam três pessoas que Edward não conhecia, mas a julgar pelo olhar fixo deles na direção de Roselie só podiam ser a família dela. Os Hales, tinha uma linda mulher loira e um garoto ao lado que deveria ser o irmão dela Jasper, e na outra ponta estaca o duque Hale. E por todo o salão tinha criados e membros da corte.

– Jonah. A que devemos a honra dessa visita?

A rainha Esmee perguntou

– Minha cara, eu creio que deixei bem clara as minhas intenções com a carta que mandei endereçada a vossa majestade hoje pela manhã.

– Sim claro que foi. Eu só me pergunto se será necessário a morte a esse pobre homem.

Ela sabia que tinha que tentar melhorar a situação de algum jeito. – Ou pelo menos adiar o fim que ele teria.

– “Esse pobre homem” minha querida matou uma mulher e os seus três filhos sem a menor piedade. Porque algum de nós devia ter com ele?

– Entendo perfeitamente. – Ela não estava satisfeita, mas só poderia esperar até que eles acabassem logo com aquilo.

– Nós temos sorte de uma garotinha ter sobrevivido.

– Sobrevivido? Alguém sobreviveu? – Quando Marlom terminou de falar foi advertido com um chute de um soldado que estava escoltando ele

– Não dirija o olhar a vossa majestade. – Ele disse.

– Pode deixar soldado. – Disse se virando para Marlom e falou – Sim, ema menina sobreviveu. Porque?

– Porque todos que estavam ali deveriam ter morrido. Ninguém que estava na casa deveria ter sobrevivido. Meu pai está morto também.

Edward que até então se manteve calado não aguentou quando Marlom falou aquelas palavras e avançou para cima dele.

– Como você tem coragem de dizer uma coisa dessas em? Não são vocês de Aquário que são pessoas bondosas? Que só querem viverem paz com o próximo? – Àquela altura ele já estava perdendo o pouco de paciência que ainda tinha com aquele verme. – Ela chorou sabia, – Ele tinha uma calma assustadora na voz. – chorou pela mãe morta, chorou pelos irmãos, e você acha que que vingar o seu pai aliviou a sua dor?

– E-eu não sabia.

– Não sabia o que? Não sabia que tinha uma mulher doente e quatro crianças pequenas lá dentro? Ou não sabia que você ia acabar com a vida delas e destruir a vida de uma menina de sete anos para sempre?

Todos estavam calados só absorvendo as palavras dele.

– Não era a minha intenção matar aquelas pessoas.

Edward riu.

– Ah não? Então conte pra gente qual era.

Edward estava fazendo daquilo tudo um show particular. Ele queria humilhar aquele infeliz por tudo o que ele tinha feito. Edward iria vingar aquela mulher e as crianças. Iria vingar Rennesmme por perde tudo o que tinha.

– Fale!

– Eu só queria vingar a morte do meu pai.

– Como é? – Tom se intrometeu. – Que besteira é essa que você está falando?

– O marido daquela mulher, ele matou o meu pai.

Carlisle e Esmme só observavam tudo no mais completo silencio, eles não podiam intervir em nada do que estava acontecendo com aquele pobre homem. – Mesmo ele tendo matado quatro pessoas.

– Me diga. – Era Roselie, e ao ouvir o som da voz dela no palácio outra vez o coração de Emmett bateu mais rápido. – Qual era o nome do seu pai.

– Era Gus.

Quando ele olhou nos olhos dala logo tratou de se recompor – Ou tentou já que Edward tinha lhe dado uma surra nele mais cedo. Ele tinha simplesmente entrado na sela e batido nele.

– Senhorita. Ele disse com a voz elevando-se.

– Sim, é claro, senhorita.

– Bem melhor.

– Gus? – Tom perguntou – Era um cara alto e magro que tinha ido lutar na batalha de Glows?

– Sim senhor.

E quando ele terminou de falar Tom avançou com tudo pra cima dele, o agarrando pelo pescoço de uma forma assassina. E então de uma hora pra outra ele começou a rir – Era uma coisa totalmente estranha, já que todos no salão observavam aquela cena abismando.

– Thomas? – Era Samuel chamando. Mas foi prontamente ignorado pelo filho.

– Não foi aquele homem que matou o seu pai. Fui eu. E sabe como foi?

Ele sentiu que Marlom iria cair assim que ele soltasse. Só não iria saber dizer se ia ser pela falta de ar ou de susto.

– Thomas chega! – A voz não era a do pai mas ele não se importou.

– Foi bem lentamente. Aquele verme do seu pai era um homem duro. Ele tinha uma alma dura. Um coração duro, e como eu já disse, não passava de um verme.

Tom sentiu o aperto afrouxar entorno de Marlom. – Não que ele estivesse fazendo aquilo.

Ele se virou para Edward no momento em que o homem caiu no chão se contorcendo de dor.

– Edward? – A voz de Tom ara um misto de surpresa e raiva. Ele nunca gostou que reprimissem ele.

– Já chega Tom, ele já entendeu. – Como é que Edward podia manter a voz tão calma assim? Ele não tinha ouvido aquele homem dizer que tinha matado uma família? E tudo tinha sido por causa de uma batalha em que elas não tinham nada a ver. – Eu sei, eu entendo.

E Tom se perguntou se ele falou isso porque tinha lido a mente dele ou se estava tão obvio assim.

– Rei Jonah. – Era a voz calma e sempre bondosa da rainha Esmee. – Por favor, se vocês vieram até aqui para fazer o pedido de excussão desse homem sugiro que vá em frente.

– É claro que sim. – Ele deu um passo a frente. – E já que estamos sugerindo coisas uns aos outros, porque não deixamos o protocolo de lado e acabamos logo com isso? Eu quero voltar logo para casa.

Ao lado direito da rainha o duque Swan sussurrou alguma coisa para a filha que negou com um discreto balançar de cabeça.

– Sim é claro. – A rainha disse.

– Pois bem. Guardas, coloquem ele no centro do salão.

Marlom foi praticamente arrastado para o centro do salão por dois guardas. Ele se contorcia e tentava se soltar em vão.

– Por favor. Clemencia.

Como ninguém do lado de Aries se pronunciou ele virou o olhar para a família real de Aquário que estava logo a frente. Todos desviaram os olhares. Não podiam fazer nada.

– Agora, só me resta decidir como vai ser. Você prefere que seja lentamente, com muita dor ou indolor? Escolha bem porque hoje é o seu dia de sorte, e eu estou lhe dando várias opções.

– Por favor, eu tenho mãe e um irmão pequeno em casa que dependem de mim.

– Pensasse nisso antes de assassinar aquela mulher e os filhos dela.

Foi Roselie quem disse aquilo, ela estava tentando se manter calada a um bom tempo. Ela estava a todo custo tentando não olhar na direção em que estavam os seus pais e o irmão Jasper, mas ela podia sentir o olhar deles nela durante todo esse tempo.

– Certo, vamos acabar logo com isso – O rei falou. – Já que você não que escolher eu mesmo faço por você. Edward ou Roselie. Qual dos dois vai ser?

Roselie olhou aterrorizada para Edward. E ele entendeu. Não era que ela nunca tivesse matado alguém antes. Ela só não iria conseguir fazer na frente dos pais.

– Eu vou. – Ela olhou para ele com alivio claro no rosto e disse “obrigado” sem fazer nenhum som com os lábios.

– Mas porque a senhorita Hale não quer ir? – Edward conseguia ver que John estava fazendo aquilo só para provocar.

– Eu disse já disse que vou. Simplesmente isso.

John tinha no rosto um brilho de satisfação que qualquer um perceberia.

– Pois bem. Vá em frente.

Enquanto Edward se adiantava para fazer logo o que tinha de ser feito, ele percebeu Sam se aproximar de John e lhe dizer alguma coisa baixo o suficiente para ninguém ouvir. John apenas balançou a cabeça e ignorou o que quer que Sam havia dito.

A única coisa que Edward tinha em mente naquele momento era que ia enfim acabar com o verme do Marlom. Ele tinha esperado o dia todo para fazer aquilo e ninguém iria tirar o prazer dele com aquilo tudo.

Isabella Simplesmente achou que Edward iria enfiar uma espada na garganta do prisioneiro, mas não foi exatamente assim que as coisas aconteceram.

Conforme Edward foi se aproximando de Marlom, ele foi caindo. Simples assim. Edward se movia lentamente na direção dele aproveitando o momento como se estivesse se divertindo muito. Era bem estranho de se ver já que no momento em que Edward parou ao lado de Marlom ele caiu no chão e começou a tremer de um jeito que dava a entender que estava tremendo no interior também.

O que era aquilo? Bella tinha vontade de perguntar. Então esse era o poder dele. Fazer as pessoas sentirem dor? Era horrível de se ver, parecia que Edward queria de o homem pedisse para morrer – Coisa que ele estava quase fazendo.

Edward chegou mais perto de Marlom e sussurrou no ouvido dele:

– Dida adeus a sua vidinha miserável.

E com um piscar de olhos a vida de Marlom se extinguiu para nunca mais voltar a voltar outra vez.

Ela não conseguia olhar para ele. Esse Edward em nada se parecia com aquele que a tinha carregado durante horas só para mantê-la segura, ou como quando ele ficou sem saber o que fazer quando eles se encontraram na floresta. Não. Esse parecia que tinham arrancado um pedaço da alma dele, era assustador de ver. Mas toda vez que desviava o olhar ele estava lá para assombra-la.

Edward tinha dormido todo o caminho de volta. Estava cansado e também por que não queria olhar para Tom. Ele tinha encarado Edward durante todo o tempo depois que ele tinha matado Marlom. O único motivo viável para Tom estar encarando Edward era que ele estava encarando Isabella descaradamente na frente de todo mundo.

Ele acordou com Rose balançando ele de uma lado pro outro. Edward estava todo entravado, tinha dormido muitas horas em uma posição completamente desconfortável e nem tinha sido um sono tranquilo. Estava mais pra assustador em vez disso.

Ele estava de volta a sela dos sargitarianos. Só que dessa vez ele não estava sendo mantido em uma sela, ele estava do lado de fora. Observando a si mesmo do outro lado. Era agoniante está vendo a si mesmo naquela situação. Edward agora conseguia imaginar perfeitamente em que situação John encontrou ele.

Apesar de saber que tudo não passava de um sonho maluco ele não conseguia se afastar da sensação de agonia que enchia seu peito. Era como se todo o ar tivesse parado de se agitar, se o sangue não corresse mais pelo corpo dele. Edward se sentia imponente naquela situação. Ele queria entrar na sela e tirar ele mesmo de lá o mais rápido possível.

Ele já estava perdendo a razão e entrando lá quando ouviu passos se aproximando das masmorras. Ele devia correr, se esconder, mas ele só consegui ficar parado no mesmo lugar. Tinha total certeza de que se alguém chegasse ali agora ele estaria morto. Todo era um borrão confuso na cabeça dele, Edward simplesmente não conseguia se mover.

Ele estava assustado o bastante para ficar paralisado no início de tudo aquilo. Edward sabia que era só um sonho, – ou um pesadelo na pior das hipóteses – mas ele simplesmente não conseguia acordar. Era bem aterrorizante não estar no controle das coisas. Edward sempre se orgulhou de ser completamente racional e com a cabeça no lugar. – Sem nunca desviar dos seus propósitos. Então foi uma surpresa geral quando ele acordou abruptamente e completamente suado e tremendo na carruagem com um olhar totalmente assombrado no rosto.

– Edward? O que ouve? – John perguntou alarmado

O rosto dele devia estar branco como papel, porque ele não conseguia sentir o sangue subindo para a cabeça.

– O que? – Indagou confuso.

– Eu perguntei, o que você está sentindo. – John perguntou o com a voz mais calma, mas essa mesma calma que ele usava na voz não chegava aos olhos.

– Eu estou me sentindo bem John, é sério, não tem nada de mais.

Ele sabia que aquela simples afirmação não iria convencer absolutamente ninguém, mas ele não queria convencer ninguém, ele só precisava de um pouco de calma para colocar os pensamentos em ordem.

Pelo menos era o que ele achava.