O ônibus pareceu está numa montanha russa. Eddie e eu levantamos rapidamente e fomos na direção dela e o Eddie murmurava:

—Eu estava certo, eu estava certo. —Eddie tacou uma lata de algum tipo de refrigerante.

A velha, ou a antiga velha, pois agora ela era um monstro. Tinha a forma de um leão alado com uma cabeça de mulher. Parecia a versão real daquelas esfinges do Egito. E pelo que eu sabia, ela poderia ser mesmo uma. Corri em sua direção e ela me atacou, desviei e bati com a cabeça no chão. Coloquei a mão na cabeça para vê se tinha alguma ferida. Olhei para o boné caído ao meu lado e sem pensar o pus na cabeça. Nesse momento o boné ativou. Eu segurava duas espadas e vestia uma armadura completa de batalha grega. Porém não era tão pesada. Era como se eu estivesse com uma roupa normal. Fiquei espantado. Levantei-me rapidamente e gritei para ela:

—Vamos brincar agora sua velha. —Corri em sua direção.

Ouvi o motorista gritar algo tipo: “O que está acontecendo com o asfalto”? Ou “Nada de brigas dentro do meu ônibus”.

Ela me atacou primeiro meu corpo desviou sozinho, ela me atacou segunda vez eu desviei e gritei para o Eddie.

—Distrai-a para eu poder conseguir atacar. —Ele acenou com a cabeça, ele estava logo atrás de mim.

Ele passou na minha frente, eu subi no banco e passei por ela, em quando Eddie jogava as latinhas nela, eu vim por trás cortei-a a cabeça. Ela virou pó.

Eddie soltou um suspiro profundo e murmurou algo: “Só acontece comigo, só acontece comigo”.

Olhei para o garoto que parecia atordoado. Estava muito pálido e seu cabelo preto grudava em sua testa.

—Ei, tudo bem? —Perguntei.

—Que droga foi essa? —Ele parecia revoltado e confuso.

—Eu também não sei. —Olhei para o Eddie lá trás. —Eddie, oque foi isso?

—Acho que era uma esfinge. —Ele vinha andando em nossa direção. —Eu sabia, meu pressentimento estava certo.

—Esfinge? Aquela que tinha o enigma "Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?”"–perguntei.

—Exatamente, e você acabou de mandá-la para o Mundo Inferior. Ótimo timing Will. Até Sophie ficaria com inveja. –Eddie sorriu.

—Espera. Sophie? Você conhece uma garota chamada Sophie?- perguntou o garoto.

—Bem... Sim. Sophie Collins. Por quê? –perguntou Eddie.

—Oh, meu Deus. Ela é minha irmã. Eu sou Charlie. –o garoto se apresentou. –Estou à procura dessa pirralha a tempos. De onde você a conhece?

—Você é irmão da Sophie? —Do nada ele começou a rir. —Até que você parece mesmo com ela. Ela estudou comigo e agora ela está num Acampamento.

—Preciso que você me leve nesse lugar, preciso ver minha irmã. —O ônibus parou e nós três descemos.

—Let’s go!

–Nossa cara, você é fã dos Nets?-perguntou Charlie encarando o boné em minhas mãos.

–Sim. –eu e Charlie começamos a conversar sobre NBA, e todos os jogadores. Quando disse que tinha uma bola autografada por todo o time senti um pouco de inveja em seu tom de voz.

–Eu nunca pude ir a um jogo. –ele afirmou.

–Ah, cara! Deixa disso. Um dia nós iremos. –eu e ele trocamos um soquinho. Uma amizade bem rápida e natural.

Continuamos andando.

—Quanto tempo falta para chegarmos a esse bendito Acampamento, Eddie? —perguntei. Estava um sol de 30° graus, estávamos andando sem rumo na beira da pista.

—Faltam uns 5 km para chegarmos. —Ele respondeu. Nesse momento, viramos a esquina e vimos um posto de gasolina. —Vou ali comprar uma coisa.

Seguimos o Eddie até o posto e chegando lá, tinha uma quadra de basquete do lado do posto. Eu e Charlie decidimos jogar uma partida.

—Estou logo dizendo Charlie, se perde nada de chorar. —disse, caçoando dele.

—Não deixarei você ganhar Will. —ele disse e puxou a bola de basquete da minha mão.

Começamos a jogar. Charlie era bom, acima da média lá do bairro e até melhor que o Jimmy. Depois de meia hora jogando, decidimos que era a última bola, quem fizesse iria ganhar. Então eu peguei a bola, invadi o garrafão e o Charlie veio para me dar um toco, ameacei arremessar, ele pulou para dar o toco nesse momento eu driblei em baixo dele e fiz a cesta.

—Ganhei! —Gritei no meio da quadra.

—Da próxima não pegarei leve. —ele disse. Sorrimos e apertamos as mãos.

Saímos da quadra e encontramos Eddie na sombra, bebendo água. Peguei da mão a garrafa e dei um gole.

—Vocês são bons, mas temos que ir andando. Temos que chegar ao acampamento logo. —Ele se levantou e começou a andar.

Passei a garrafa d’água para o Charlie. A viagem parecia não ter fim. Até que saímos da pista e Eddie começou a subir uma colina.

—Uma colina? Ah, que maravilha. Era só o que faltava. –resmunguei.

Depois de alguns passos, Eddie parou. Havia uma placa de passagem. Pelo jeito, estava escrito em grego, mas consegui traduzir: estava escrito "Acampamento Meio-Sangue".

—Bem vindos ao Acampamento Meio-Sangue. —Ele disse apontando para a descida do outro lado da montanha.