A Ascensão dos Semideuses
9 Will 3.2
Cheguei à oficina e subi as escadas correndo e ouvi o Bill me chamando:
—Me ajuda aqui meu filho. —Nem ousei olhar para o Bill.
Subi correndo e cheguei em casa, Ikki foi para seu poleiro.
—O que foi aquilo Ikki? Como você sabia que eu estava na quadra? —Sentei na cama e pus a mão na cabeça. —Que legal, estou ficando louco, uma ave vai me responder sim.
Depois de beber água, desci para trabalhar com o Bill, já era 12h00minh, forçando para não se lembrar do que tinha acontecido na quadra. Do Drible. Cesta. Empurrão. Jimmy. Transformação. Meu corpo não obedecendo. Ikki atingindo os olhos. Correndo. Essa sequência vinha em minha mente, minuto após minuto.
Estava concertando motor do Cadillac, quando senti alguém entrando na Oficina, só poderia ser o Bill:
—Me passa a Phillips, por favor, Bill. —Estiquei a mão para receber a chave e não veio nada.
—Seu nome é Will Blake? —Perguntou uma voz estranha, primeiramente eu pensei que fosse o grandalhão, para perguntar por que eu fugi da nossa “briga”, mas me virei e era um adolescente com cabelos encaracolados, calças jeans, blusa laranja escrita “Acampamento Meio-Sangue”, tênis e a um boné do Chicago Bulls.
—Como você sabe meu nome? —Vasculhei na minha mente, mas não consegui achar aquele rosto em nenhum lugar.
—Seu pai mandou vir buscá-lo e levá-lo para um lugar seguro. Meu nome é Eddie.
—Meu pai? — Perguntei assustado. — Não me faça rir. Meu pai abandonou minha mãe, quando descobriu que ela estava grávida. Agora você me diz que ele mandou você vir me buscar e me levar para um lugar seguro?
—Tem muito segredos sobre você e sobre seu pai que você nem imagina. —ele disse olhando para o chão.
—Tipo? —Joguei o pano que limpei as minhas mãos em cima do capô do carro.
—Seu pai não te abandonou. Ele foi forçado a isso. Eu... Não posso te explicar isso aqui. –ele olhou em volta, para a oficina.
—Ele foi forçado? E quem o forçou?
—Zeus.
Involuntariamente eu comecei a rir.
—Essas coisas não existem. Estou esperando a 3 anos Gandalf bater na minha porta e me chamar para uma missão, e você vem aqui e diz que Zeus proibiu meu pai de ficar com minha mãe? Conta outra. -Virei-me e andei em direção ao Cadillac para vê se o motor estava pegando.
—Will eu preciso que você venha comigo.
—Eu quero que você me conte algo que realmente valesse a pena. –me virei em sua direção.
—Nunca aconteceu nada de estranho com você? Algo que você não pudesse explicar?
—Eu sou um bruxo? –olhei pra ele perplexo. –Pensei que as cartas fossem entregues por corujas.
—Por que sempre esse lance de Harry Potter? –Eddie revirou os olhos.
O pior que era verdade. Algumas vezes, coisas estranhas aconteciam. Como agora pouco na quadra de basquete. E sempre minha ave, Ikki, me protegia. As pessoas dizem que ela é igual todas as aves, amarela e verde. Mas, às vezes, ela some é só permanecem cinzas em seu poleiro. Quando ela retorna parece mais jovem e mais vermelha.
—Isso não é nada. Eles não existem e pronto. —Falei de dentro do carro e liguei-o para testar o motor, o motor rangeu e não ligou, dei um soco no volante. —Que droga de motor, que droga.
—Já ouviu falar sobre os sátiros? —Eddie continuava no mesmo lugar, observando o sol.
—Já li em alguns livros, mas já te falei que não existem essas coisas. —Sai do carro e olhei para ele.
—Eu vou te mostrar uma coisa que pode fazer você acreditar em mitologia — Eddie então desamarrou os cadarços e tirou um dos seus tênis. A principio eu não entendi o que aquilo me provaria. Então olhei para o seu pé, ou pelo menos, aonde deveria ele deveria estar. No lugar disso, Eddie tinha um casco.
—Oh, oh, oh... Oque é isso cara? —olhei alarmado.
—Agora você acredita? —Seu sorriso ressurgiu.
—Tá bom. Tudo bem... Mas o que a mitologia tem haver com isso? — perguntei.
—Você terá que vir comigo. Quando chegarmos ao acampamento você saberá.
—Opa. Que papo é esse de “Quando chegar ao acampamento”? E se você também for um monstro? Nem todos os sátiros eram bonzinhos e protetores da natureza.
—Acampamento Meio-Sangue. —Ele apontou para sua camiseta laranja. –Lá você estará seguro. E te garanto que não sou um vilão. –Pode confiar. –ele me estendeu a mão.
Eu a apertei. Ainda não tão seguro.
—Se você realmente é um sátiro... Aquele papo de que Zeus proibiu meu pai de estar perto de mim e minha mãe é verdade?
—Sim. Zeus não gosta que interfiram nas suas proles mortais e... –Depois Eddie se calou como se tivesse percebido que tinha falado demais.
—Proles mortais?
—Will, vamos embora daqui agora. Aqui não tem um cheiro muito bom.
—Não tem um cheiro muito bom? Eu acabei de limpar esse lugar! –disse irritado.
—Não... Não é isso. Tem cheiro de monstros. –ele disse farejando o ar.
—Tá bom bode. —Andei na direção dele. — Como chegaremos ao Acampamento?
—Podemos ir de ônibus. Acho que não tenho dracmas o suficiente para a Carruagem da Danação. –ele disse verificando os bolsos e tirando algumas moedas douradas.
—Carruagem da Danação? Dracmas?
—É uma longa história.
—Tá bom... —falei. —Tenho que ir em casa pegar minhas coisas e esperar o Bill chegar para eu entregar a chave da Oficina.
—Não temos tempo para esperar esse tal de Bill. —Eddie disse olhando no seu relógio de pulso.
Fechei a oficina e deixei uma mensagem para o Bill em cima do Cadillac, que dizia:
“Caro Bill, Falta pouco para esse motor ficar bom. Enfim, estou indo para um acampamento de verão, talvez eu possa descobrir coisas sobre o meu pai. Se cuida velho. Obs.: O dinheiro do aluguel está dentro do correio do seu apartamento.”
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