A Ascensão dos Semideuses
14 Charlie 4.2
Sr. Harris olha pra mim. Eu faço a coisa mais óbvia. Pego a minha mochila e saio correndo do ginásio.
–COLLINS.
Saio da escola e pego o primeiro ônibus que encontro. Sento-me ao lado de uma senhora, uma idosa.
Isso é o que aconteceu. O resto você já sabe. Encontrei Will e Eddie, e agora estou num lugar desconhecido.
Estou deitado em um dos beliches do chalé 13. Sophie dorme a cama ao lado. Os pensamentos não deixam minha mente por um instante. Então me obrigo a levantar e vou para o banheiro. Tomo um banho demorado desejando que todas aquelas coisas fossem pelo ralo assim como a água.
Pelas histórias que os outros me contaram os deuses não poderiam ver seus filhos. Isso explicava o motivo de meu pai ter sumido. Mas alguns recebiam a visita de seus pais. Assim como Nico. Ele havia até mesmo passado um tempo no Mundo Inferior. O que eu não entendia era porque meu pai nunca havia ido nos visitar. Pelo menos pra ver se estávamos bem. Ou mandar uma carta, um sinal de fogo. Algo pra pelo menos fingir que se importava conosco.
Sophie se revirou na cama e abriu os olhos lentamente. Ela me fitou.
–Charlie!
–Eu... Eu não consegui dormir. Mas está tudo bem. Volte a dormir.
Ela se sentou na cama e me olhou. Seus olhos estavam vermelhos e lágrimas escorriam pelas suas bochechas.
–Ei Sophie! O que aconteceu? –me aproximei de sua cama.
Ela me abraçou forte.
–Eu tive um pesadelo horrível Charlie. –ela soluçou.
Eu passei a mão pelas suas costas.
–Ei Sophie, foi só um sonho ruim.
–Eu, você, Jenn e Will estávamos nele. Estava muito escuro, e quase não dava pra ver nada. Algo nos atacou. E machucou você.
Você estava lá caído, sangrando. A Jenn estava em choque, e Will lutava contra a coisa invisível. Eu fiquei ajoelhada a seu lado, mas... Você não se mexia mais. E... –ela voltou a chorar mais ainda.
–Ei, se acalme! Eu estou aqui, nada vai acontecer. –eu disse.
Então em um momento pensei se ela ficara bem depois que eu a deixei com os meus avós. E isso eu já sabia a resposta. Sentia-me culpado por ela estar assim.
Sophie saiu do meu abraço e afastou os cabelos do rosto.
–Eu a vi novamente. –ela disse me fitando.
Eu sabia a quem ela se referia. A mulher da jaula que pedia ajuda toda noite.
–Ela disse algo diferente?
Ela balançou a cabeça negativamente.
–Seja o que for vamos descobrir. Agora volte a dormir. Luke não vai gostar se você continuar com essa aparência de zumbi.
Ela me olhou como se tivesse levado um choque.
–Jenn me contou algumas coisinhas. –expliquei sorrindo.
–Eu vou matar aquela garota. –ela disse e parecia que ia se levantar.
–Às três da manhã? Com as harpias lá fora? É claro que vai. –eu disse irônico.
Ela me deu um tapa leve no braço.
–Volte a dormir, Charlie.
–Você também, Sophie.
Voltei pra minha cama. Sophie já estava com os olhos fechados. Só esperava que ela não acordasse gritando como aquelas garotas de filme de terror. Gradativamente, cai no sono.
Fale com o autor