Notas iniciais
YAAAY, back right here! Capítulo novo na área, perspectiva da Ella para os fãs da loirinha =D Sem mais delongas, enjoy esse capítulo fresquinho com cheirinho de pão~~

Futilidade. Para onde olhava, Ella via apenas futilidade. As paredes espelhadas, pilastras de mármore, móveis da mais requintada madeira e decorações em ouro puro apenas reforçavam o que importava na Academia dos Perfeitos: a imagem, o exterior.

Ella mal ousava olhar para os lados e ver sua nova aparência refletida nos espelhos. Baixou os olhos para o chão e curvou os ombros, em um ato de rebeldia ao contrariar a filosofia do queixo erguido e postura altiva. Percebendo isso, o monitor que a conduzia até o salão onde os iniciandos ficavam intensificou o aperto em seu antebraço.

– Postura. Endireite a coluna e levante o rosto. Sua expressão deve desprezar até a mobília.

– Não é difícil desprezar essa mobília. — disse Ella, tão baixo quanto era possível. Chegaram a uma enorme porta de correr branca.

– É aqui?

– Não. Aqui é o estágio final. Vivaldi e Denerya, seus Embelezadores, vão te arrumar. Pode entrar.

– Tá. Obrigada. Puxou a porta para o lado e, ao entrar no cômodo branco, cheio de araras com roupas, provadores e produtos de maquiagem e beleza, foi recebida por um homem um tanto afeminado, com o cabelo metade castanho e metade loiro.

– Olá! Você deve ser a Ella. Denerya está escolhendo as roupas para você. Eu vou te maquiar e arrumar esse seu lindo cabelinho.

– Seu nome é Vivaldi? — perguntou Ella, curiosa.

– É sim, amorzinho.

– Sabia que existiu um músico com esse mesmo nome? Há muito, muito tempo, quero dizer.

– Acho que sim. Você gosta do passado?

Ella assentiu, enquanto posicionava a cabeça em uma espécie de bacia com torneiras para lavar o cabelo. Vivaldi ligou duas delas: de uma saiu uma água de coloração azul e com perfume de lavanda e de outra, um creme rosa. Depois de um tempo, os novos fios loiros de Ella estavam devidamente lavados e secos.

– Você prefere seu cabelo solto ou preso?

– Mais curto.

O Embelezador exibiu uma expressão horrorizada.

– Não! Nunca mais diga isso! Não é compatível, vê? — e estendeu um espelho para a garota poder ver seu reflexo. — Seus traços faciais não permitem um comprimento nem um centímetro menor do que esse. A linha do nariz, sobrancelhas, ficaria tudo um horror!

– Tudo bem, desculpe.

– Acho melhor esperar Denerya com suas roupas e depois acertar o melhor penteado. Assim que ele terminou a frase, uma mulher morena, com os cabelos pretos presos em um coque frouxo, apareceu. Nas mãos, ela segurava peças de roupa e uma caixa, provavelmente contendo um par de sapatos.

– Nada temam! Cheguei. Aqui, Ella, prove essas roupas e veja se servem.

Ella levou as roupas até o provador mais próximo e vestiu. Tratavam-se de um short curto e uma blusa larga e cavada, cuja manga esquerda caía pelo ombro, com estampa de flores, que chegava mais ou menos no meio do tronco.

– E então, serviu? — perguntou Denerya, entusiasmada.

– Sim, mas...

– O que houve? A estampa é ruim? Temos outros modelos e...

– Tem um modelo menos vulgar?

– Ah, você é conservadora. — a Embelezadora parecia desanimada. — Eu posso procurar outro look, mas antes vem aqui por favor, para eu poder ver como ficou.

Ella foi, constrangida devido à roupa. Os olhos de Denerya brilharam de admiração.

– Você ficou linda! Por favor, prove os sapatos! — e tirou da caixa um par de scarpins pretos com salto fino de 15 centímetros. Ella obedeceu e levantou, tentando se equilibrar. Até conseguiu, mas depois do primeiro passo, caiu no chão.

– Nunca andei de saltos antes. Não tem nada mais baixo?

– Você não gostou de nada que eu separei?

– Ficaria bom em outra pessoa, tenho certeza. Olha, a blusa é bonita, mas será que não dá para eu usar com outra por baixo? E com um short mais comprido? E com sapatilhas em vez de saltos?

– Você não entende. O look é imutável. Eu criei esse conjunto para você, não posso ajeitar aqui e ali, você vai ficar remendada. Vou criar outro em 15 minutos.

No tempo certo ela voltou, e entregou as roupas à Ella, que retornou ao provador. Dessa vez, o conjunto era um vestido xadrez amarelo com um casaco preto curto. Satisfeita, Ella saiu do provador para colocar os sapatos. Eram estilo boneca, de cor bege, e tinham um salto de cortiça baixo, fácil de se andar.

– Melhorou? — perguntou Denerya.

– Muito. Obrigada.

– SANTO CAVIAR! — gritou Vivaldi. — Tive uma epifania. Ella, senta nessa cadeira a-go-ra! Vou fazer a maquiagem perfeita.

Em 20 minutos, depois de muitos "sorria", "infle a bochecha", "feche os olhos" e "pare de tremer a pálpebra pelo amor de Deus" proferidos pelo Embelezador, o rosto de Ella estava maquiado de tal forma que parecia natural.

Depois Vivaldi ligou um aparelho para fazer cachos, jogou os cabelos de Ella para a direita de modo a caírem pelo ombro, mantendo-os lá usando fixador e cacheou as pontas.

– Perfeito, perfeito... Denerya, flor, os acessórios dela. — a Embelezadora retirou-se e voltou com uma caixa. Abriu-a e tirou de lá uma tiara vermelho-escura, decorada com um laço, um par de brincos em formato de rosas vermelhas e um colar de pérolas. Ella colocou todos, ficando devidamente pronta.

– Está linda! — exultaram os Embelezadores, em uníssono.

– Agora é a hora em que eu dou adeus? — questionou a menina.

– Não, bobinha. Você vai embora sim, mas nós fomos escalados para seus Embelezadores. — disse Vivaldi.

– Vai nos ver todo dia, Ella. — reforçou Denerya. — Pode nos considerar seus amigos.

Com as despedidas feitas, Ella seguiu para o salão onde começaria a iniciação. Várias outras garotas lindas e bem vestidas estavam sentadas em cadeiras, prestando atenção em uma mulher que falava, praticamente desfilando no tablado.

– Cada iniciando recebe uma missão diferente. Vocês são separadas dos garotos nesse primeiro estágio, mas no próximo estarão todos juntos. Se não conseguirem completar a missão terão outra chance, desde que ao menos tentem completá-la. Agora, por favor, venham até essa urna para ganhar a missão.

Como robôs, as outras meninas foram ao serem chamadas, permitindo a Ella observar suas roupas. Muitas estavam vestidas de um modo normal, mas outras usavam shorts e saltos mais curtos e altos do que os que Ella provara. Uma dessas, ao passar por ela, lançou um olhar de puro desprezo, que foi respondido.

– Algum problema? — perguntou.

– Você parece um mendigo. — disse a outra garota, jogando os cabelos loiros para trás com um movimento de cabeça. — Nunca vai passar pela iniciação. Nunca vai ser como eu. — e saiu rebolando. Ella não aguentou e explodiu em uma gargalhada, atraindo olhares. Ela teria arrumado problemas se seu nome não fosse chamado logo, fazendo-a parar de rir.

Seguiu até o tablado e retirou um papel da urna. Voltou ao seu lugar e o desdobrou, lendo o que estava escrito: "Partir um coração." Um misto de indignação e raiva se formou em seu peito. Ela não esperou por nenhuma explicação por parte da instrutora; simplesmente levantou-se e disse em alto e bom tom:

– Não vou fazer isso. — e rasgou seu papel.

– Como assim? — perguntou a instrutora, fazendo-se de desentendida, mas reprimindo um risinho sádico, sabendo o que estava por vir.

– Isso é cruel. E baixo. E ridículo. Me recuso a fazer uma coisa dessas só para ser como vocês.

A instrutora balançou lentamente a cabeça e pegou Ella pelo braço, para levá-la até a Comandante. Ao passar pela fila de Embelezadores perto da porta, Ella perguntou:

– Posso falar um minutinho com meus Embelezadores? A sós?

– Sim, mas um minuto. Nada mais.

A garota dirigiu-se à Vivaldi e Denerya.

– Desculpem. Mas eu não podia aceitar algo daquele tipo. Era horrível demais.

– Sabe para onde você vai, não sabe? — disse Denerya, angustiada.

– Sei. E por isso gostaria de pedir um favor a vocês. E contou, rapidamente, o que pretendia. Relutantes, os dois aceitaram.

A instrutora voltou e logo estavam no escritório ricamente mobiliado da Comandante. A Comandante era uma mulher que exalava liderança. Tinha cabelos cor de chocolate e olhos verdes, e suas unhas estavam pintadas de vermelho. Ella pensou que talvez não tivesse precisado de cirurgias faciais. Ela já era linda.

– Sei o que aconteceu. Vi pelas câmeras. Ella, você tem duas opções nesse momento. Pode não retirar o que disse e ir para o Fim, ou pode retirar e nós esquecemos o que houve. Você volta para a iniciação e permanece viva.

Ella pensou em seus próprios princípios e deu-se conta de que eles eram mais inportantes do que o exílio ou a morte.

– Desculpe, mas não retiro nada. Aceito minhas condições como Renegada. Todos têm uma despedida antes de ir, não é?

– Sim. Gostaria de convidar alguém?

– Meus Embelezadores. Vivaldi e Denerya.

– Assim seja, então.

No dia seguinte, ela recebeu a mesma produção de quando era inicianda: roupas, cabelo e maquiagem. Seguiu para a cerimônia de despedida vestida como uma revolucionária, com calça preta, botas de couro, blusa velha e o cabelo solto apenas. A despedida aconteceu nos limites do Bloco, de onde seguia uma estradinha que levava diretamente ao Fim.

– A partir de agora, é uma Renegada. — proferiu a Comandante. — Disponha de quanto tempo precisar para se despedir dos seus acompanhantes. E tem o direito de levar um pertence, apenas um.

Ella abraçou Vivaldi e Denerya, com lágrimas nos olhos.

– A única coisa que eu vou sentir falta quando estiver definhando são vocês dois. "Levante essa cabeça!", não é? — baixou a voz. — Trouxeram, certo?

– Claro. — respondeu Vivaldi. — Vamos sentir muitas saudades. Se cuida. — e entregou um embrulho de veludo vermelho à Ella.

– Antes de ir, temos um presente. — Denerya entregou uma caixa de chocolates, que tinha junto uma carta: "NÃO SÃO DIET! Para você se esquecer dos Perfeitos, mas não se esquecer de nós.". Logo abaixo do textinho, havia uma foto dos dois acenando. — Guarde a caixa com carinho. — É óbvio que eu vou. Adeus. — e deu um último abraço apertado neles. — Comandante! Esse é o pertence que eu vou levar.

– E o embrulho?

– Não é nada. Dou para a senhora antes de ir.

– Vá para o carro então, e me dê o embrulho.

– Sim, sim. Mas antes... — Ella tirou o conteúdo do embrulho. Uma tesoura. E fez algo que constaria para sempre nos livros de história: da nuca para baixo, cortou todos os fios de cabelo.

Notas finais
E então? Aceito elogios, críticas construtivas, ovos de Páscoa atrasados, livros novos e uma calça xadrez. Até a próxima, kissus =*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.