A estrela que aquecia nosso planeta nascia no horizonte, logo tinha percebido que não havia dormido a noite inteira. A cela parecia mais fria que o normal durante todos os dias que havia estado ali. Quanto tempo eu realmente estava ali? Dias? Semanas? Meses? Não sabia mais realmente.

Tentei sentar na cama enquanto me orientava. Estava acontecendo uma guerra fora dali e eu não podia fazer nada, não podia ajudar meu povo a se proteger, estava imune dentro de paredes de concreto.

Dois homens conversavam não muito distante dali, provavelmente alguns guardas e conseguia ouvir atentamente.

- Não podemos mais deixar assim, o plano do Ancião dará errado. Aldebaran apagará.

— Não apagará enquanto cada um das raças sobrevive.

— Como você sabe se nos planetas perdidos ainda tem alguém vivo? Ninguém coloca um pé lá em 500 anos. – Um dos homens gritava.

- Faça apenas o seu trabalho, Altair. – O outro falava calmamente. – Enquanto um Nacci e um Arqui sobrevivem, tudo ficará bem.

- O Ancião disse que tem que ser os opostos dos filhos de Aldebaran. Você sabe do que eu estou falando, Simas. O último filho de Agena nasceu a alguns meses e a de Rigel?

- Lyn estava guardando a última filha. – Estremeci ao ouvir a voz de minha esposa – Pegue a menina e o seu pai da cela 24-B. Mande-os para a Terra.

Não estava acreditando que ela tinha sobrevivido. Tinham me prendido um tempo depois que Lyn caiu morta. Logo me lembrei, ela a protegeu com o próprio corpo, a própria vida.

- Eu soube que ele também tem um filho – Esperava que Leo com certeza estivesse bem longe dali naquele momento, já tinha idade para se virar sozinho e sabia que tinha que fugir. — Ele irá junto?

- O garoto está desaparecido – Foi ótimo ter ouvido isso – Mande apenas os dois, o filho de Agena também deverá ser mandado. Sua função é deixar os 2 vivos pelo menos até terem 11 anos de idade, então traga-os de volta para a cerimônia.

- Sim, senhor. Não tem mais... – Foi interrompido.

- Vá agora, Altair. Não podemos perder tempo.

- Sim, senhor. – Logo ele se aproxima da minha cela. – Fique feliz por um tempo, você sairá daí e ficará com sua filha.

- Por que por um tempo?

- Logo você irá saber – Altair sorria ironicamente. – Ande logo, temos que ir para a nave.

Antes que eu pudesse falar ou fazer algo, me tiraram da cela e me colocaram em uma nave com Lyra, sabia que em apenas alguns meses chegaríamos na Terra e viveríamos como humanos normais. Ou quase normais.