A Arte Maior
4 Trevas
- Um.
Uma grande faísca sobrenaturalmente escura lampejou dentro do ambiente úmido da caverna, seguindo o comando da voz ao mesmo tempo jovem e gutural.
- Dois.
O mesmo sucedeu-se após o segundo comando, quebrando o breu absoluto que se fazia ali dentro.
- Três. Apresentar-se.
Ouviu-se vozes arrastadas e ininteligíveis ecoando por todos os lados, tais como o sibilar de cobras demasiadamente humanas.
Uma risada fúnebre e pastosa dominou o local, fazendo com que as três figuras materializadas prontamente se calassem.
- Como vocês já sabem, eu tenho mais o que fazer além de ir atrás de traidores. — Sua voz tornou-se mais grave e demorada nessa última palavra. — Mas como eu mesmo acabaria por me tornar um caso não o fizesse, decidi confiar esta pequena tarefinha a vocês três. Vamos à parte prática então.
Um silêncio profundo se arrastou por alguns instantes.
- Nosso alvo é uma antiga... amiguinha minha. Nós achávamos que ela estivesse morta depois daquele dia, mas a danada estava se escondendo. — Uma risada esganiçada e sinistra saiu de sua boca profana. — Agora nós finalmente conseguimos achá-la... e cremos que ela está organizando algum plano contra nós... aquela mente é venenosa... ela consegue ser tão cruel quanto nós... tão cruel quanto! — Sua risada novamente se estendeu pelo lugar. — Mas temos um consolo, e é um ótimo consolo! A mulher teve uma filha... e a soltou no mundo! Claro que ela não seria burra a ponto de deixá-la desprotegida, oh não. Mas ainda assim, ela é um alvo mais fácil... e o que atinge a filha, atinge a mãe em dobro! Precisamos encontrá-la, precisamos ir atrás dela... Para isso, eu preciso de uma amostra da energia dela... Qualquer objeto que ela já tenha tocado com as mãos nuas. Achem isso e tragam para mim. Vão, andem! Hoje é só o início da nossa majestosa travessura! — Ele riu mais uma vez, enquanto os espectros planavam em direção aos céus e à frente, guiados apenas por seus instintos, em suas mentes gravemente dementadas pelos anos de escuridão.
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