A Areia Vira Vidro
2 Capítulo 1 - Cinco Chamas se Apagam
Notas iniciais
(6 anos atrás)
Nunca aquele lugar esteve tão aflito. Todos estavam preocupados com o procedimento que ocorria no lugar mais bem guardado daquele estabelecimento. Anbus e Jounins cercavam o perímetro em vigilância máxima.
Naruto estava sentado numa cadeira próxima a porta de uma sala com o desespero tomando conta de seu ser, sala aonde estava o motivo de toda aquela preocupação. Hinata estava dentro daquele cômodo em trabalho de parto naquele momento, e ele se sentia um inútil por não poder fazer nada.
Ele se lembrava da reação da Tsunade ao ouvir que Hinata estava prestes a dar à luz, ela imediatamente se propôs a fazer o parto junto com Sakura e Shizune, assim como também reforçou a segurança do Hospital, sendo Tsunade a responsável pelo Hospital, a Senju tinha autoridade pra fazer isso. Ela disse que era como no parto de Kushina, mas como Sachi e Saisei eram filhos de um Jinchuuriki que portava duas bijuus, era necessário precaução máxima no parto, para manter Hinata e os bebês em segurança.
Ao se lembrar dessas palavras a culpa passou a compartilhar lugar com o desespero e a preocupação, era por causa dele que Hinata estava sofrendo tanto.
–Vamos lá Naruto sai dessa, ela vai ficar bem – Falou Kurama em sua mente – Pelo menos não é o Jinchuuriki que está dando a luz dessa vez, assim fica mais seguro para todos.
–Mas Tsunade disse que ainda sim o parto é de alto risco... – Disse o Uzumaki preocupado — Que há problemas com a linhagem, chakra...dilatação...e-
–Pode parar, eu não entendo nada dessas coisas! – Reclamou Isobu – Bijuus não tem filhos. Mas eu sei o que você está sentindo, não adianta se culpar Naruto.
–Mas...
–Nada de mas! Este é o momento em que você precisa ser forte! – Encorajou Isobu – Eu não entrei no seu corpo depois da Guerra pra ouvir você ficar se culpando!
–Naruto, a tartaruga caolha tem razão – Concordou Kurama – Você precisa ser forte, pela Hinata.
Naruto enxugou as lágrimas que escorriam e abriu um leve sorriso.
–Obrigado pessoal...obrigado mesmo.
–Não há de que. Amigos servem pra isso, certo? – Disse Kurama com um de seus raros sorrisos – Agora pare com essa frescura e volte lá pra fora, tem um Uchiha quase lhe esganando.
Naruto assim o fez e quando abriu os olhos viu que Sasuke realmente estava com as mãos envolta do seu pescoço.
–EI! EI! EI! O que foi? – Perguntou Naruto assustado.
–Porra! Eu já to te chamando a 5 minutos seu Uzumaki desmiolado! – Gritou Sasuke, tirando as mãos do pescoço de Naruto.
Os guardas Anbus ficaram tensos, não era uma boa hora pra aqueles dois começarem a brigar.
–Tá...Tá. Voltei, o que você quer? Aliás, quando foi que você chegou?
–Cheguei assim que você “saiu”. E só queria puxar papo mesmo – Respondeu Sasuke com um sorriso besta na cara. Naruto teve vontade de estrangulá-lo ali mesmo.
Quando ele estava pensando seriamente em como fazer isso, um grito ecoou pelo corredor, vinha de dentro da sala de parto, e a voz era de Hinata.
–HINATA! – Gritou Naruto saltando e tentando entrar, ele foi parado pelos dois Anbus que sabiam que não conseguiriam segurar o Uzumaki por muito tempo, Naruto apenas usando sua força conseguia esmagar rocha maciça. Quando os dois guardas estavam quase perecendo a força esmagadora do Uzumaki, um braço esquelético agarrou Naruto pela cintura e o prendeu na parede, era Sasuke que manifestara o Susano’o na primeira forma.
–ME LARGA CACETE! EU PRECISO VER A HINATA! – Berrou Naruto fazendo força pra se soltar, alguns segundos depois o braço do Susano’o começou a rachar.
–“Filho de uma puta...tinha esquecido do quanto você é forte” – Pensou Sasuke fechando os olhos, respirando fundo e abrindo-os logo em seguida. O braço do Susano’o passou para o segundo estágio apertando Naruto contra a parede com mais força ainda.
–SASUKE ME SOLTA! – Gritou Naruto. Quando ele ia falar mais alguma coisa, outro gritou de Hinata veio da sala – Ela...ela está sofrendo. Me...solta...
Os olhos de Naruto começaram a adquirir um aspecto de sapo, ele estava entrando no modo Sennin.
–Naruto, se você quer tanto passar por mim e chegar até a Hinata, me diga. O que você pretende fazer quando conseguir fazer isso? – Perguntou o Uchiha com suor escorrendo pela testa.
Com aquela pergunta Naruto se calou, ele não sabia o que fazer, ele só queria estar do lado dela quando ela mais precisasse, assim como ela ficou do lado dele.
–Eu...eu...
–Vamos lá, respire fundo, se acalme. Não há nada que você possa fazer pra ajuda-la agora, deixe isso com a Sakura, a Shizune e a Tsunade, elas estão dando tudo de si lá dentro – Confortou Sasuke ainda tenso. Se Naruto resolvesse não se acalmar, o Uchiha sabia que não conseguiria pará-lo sem destruir o Hospital. Mas ele relaxou quando viu Naruto respirar fundo se acalmando enquanto o aspecto anfíbio deixava seus olhos.
–Muito bem...eu estou calmo – Suspirou Naruto – Me ponha no chão seu corvo desgraçado.
Sasuke suspirou e colocou Naruto no chão lentamente, desfazendo o Susano’o logo em seguida.
O Uzumaki se arrastou até uma das cadeiras ali perto e se jogou nela, sendo seguido por Sasuke que sentou ao seu lado.
–Você se mijou? – Sussurou um Anbu para o outro que ainda estava tremendo.
–Não, mas foi quase. Nunca vi tanto chakra sendo emanado...nem pelo Madara Rikkudou, e eles nem estavam a sério ainda... – Respondeu ele.
–Agora sei porque eles são os ninjas vivos mais fortes do mundo... — Comentou o outro Anbu.
Sasuke os calou com um olhar de seu Sharingan.
–Então...onde está o resto do pessoal? – Perguntou Naruto quebrando o silêncio que havia se formado – Eu imaginei que qualquer um viesse aqui, até mesmo o Shino, qualquer um menos você.
–Eles estão fazendo a segurança do perímetro – Respondeu Sasuke – E eu não vim só para parar você caso seja o que está pensando.
Um silêncio se fez entre os dois, Naruto estava de cabeça baixa, e Sasuke mesmo que odiasse admitir, estava preocupado com o amigo. O Uchiha suspirou fundo e falou.
–Naruto, apesar de tudo, nós ainda somos grandes amigos...e você sempre esteve ao meu lado quando eu precisei, mesmo contra a minha vontade... E-então está é minha forma de agradecê-lo, estando ao seu lado quando você precisa.
O Uchiha estava tão vermelho quanto os olhos que portava, e Naruto estava surpreso pela súbita declaração do amigo.
–Sim, obrigado – Agradeceu o Uzumaki com um grande sorriso. E vendo Naruto sorrir naquela situação, Sasuke sabia que havia falado a coisa certa.
Nesse momento, os guardas Anbus deram um passo pro lado e a porta se abriu, Tsunade saiu de lá com a testa molhada de suor, um olhar cansado e um sorriso de vitória.
–Naruto, entre – Disse a Senju mal conseguindo conter a empolgação.
O Uzumaki após um momento e hesitação, se levantou e andou em direção à sala. Sasuke decidiu não o seguir, era um momento de Naruto e Hinata, ele não tinha nada para fazer lá. Enquanto Naruto entrava na sala, o Uchiha virava de costas e partia com um sorriso no rosto.
Quando Naruto entrou no cômodo ele viu Hinata deitada numa maca com uma expressão de exaustão, ao seu lado estavam Sakura e Shizune que tinham lágrimas nos olhos enquanto olhavam pro o que Hinata segurava nos braços. Envolto em lençóis haviam dois bebês, um menino calmo e sereno e uma menina que chorava a plenos pulmões.
O Uzumaki se aproximou com lágrimas nos olhos.
–Nossos filhos... -Falou Hinata com a voz fraca – Saisei e Sachi.
–Nossos filhos... — Concordou Naruto chorando.
Ele começou a soluçar enquanto acariciava a cabeça dos bebês delicadamente. Finalmente tinha conseguido uma família completa, que o ama e que ele ama. Nem mesmo Tsunade conseguiu evitar uma lágrima ao ver essa cena.
Eles ficaram ali, somente observando as crianças por vários minutos, até que Sakura que estava se odiando por quebrar aquela cena linda, avisou que tinham que levar os recém-nascidos para fazer exames e tratar de Hinata. Naruto concordou e dando um beijo na testa de sua esposa, se despediu.
Quando saiu do hospital, encontrou não apenas os seus amigos mais próximos, como também a vila inteira. Todos estavam ansiosos pra saber o que tinha acontecido.
–Foi...foi um sucesso – Disse Naruto vermelho por ver tanta gente se reunindo por seus filhos.
Toda a vila explodiu em aplausos e congratulações. Os amigos de Naruto se jogaram encima dele, lhe dando parabéns assim como instruções e conselhos, e Naruto sendo um pai de primeira viagem ouvia tudo com atenção.
–Nunca dê a mamadeira diretamente pro bebê – Explicou Kurenai por cima dos gritos – Sempre verifique a temperatura antes.
–Mas eles ainda nem mamaram a primeira vez – Disse Naruto vermelho com tanta atenção.
–É bom saber desde cedo – Confirmou Kurenai piscando o olho para Naruto.
–Do jeito esse aqui é...ele é capaz de ele esquentar o bebê e dar pra mamadeira tomar – Brincou Kiba.
Todos começaram a rir, incluindo Naruto, que estava tão vermelho quanto um tomate. E então uma grande festa foi dada em Konoha, uma festa que durou 3 dias inteiros. Uma festa em comemoração ao nascimento dos filhos do Rokudaime Hokage, as primeiras sementes dessa geração.
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(Tempos Atuais)
Sentado em sua poltrona, Gaara observava através das grandes janelas de seu escritório o céu nublado que dava sinais de uma possível chuva. Raras eram as vezes que se chovia no deserto, e já estavam em andamento processos para armazenar a bem-vinda água que banharia a vila. Algumas pessoas em Sunagakure nunca viram uma gota sequer de água cair do céu, e o fato de elas finalmente poderem ver este fenômeno simples mas lindo que é a chuva, o deixava feliz.
Ele percebeu que estava tendo um branco quando o ninja que havia vindo entregar um relatório pigarreou.
–Ahm...Kazekage-sama, está tudo bem com o senhor? –Perguntou o Jounin – Se quiser posso voltar outra hora.
–Não. Eu estou bem, só me perdi um pouco nos pensamentos agora – Respondeu Gaara se voltando para o ninja – E também já é tarde da noite, melhor resolvermos isso logo.
O Kazekage suspirou enquanto pegava o relatório que o ninja pusera encima de sua mesa. Pegando uma caneta, Gaara começou a ler atentamente o manuscrito.
–Bom...pelo visto está tudo bem – Disse o Kazekage assinando o relatório e entregando ao Ninja.
–Tudo graças ao seu ótimo governo Kazekage-sama – Falou o Jounin respeitosamente enquanto fazia uma pequena reverência.
Gaara sorriu com aquilo. O Kazekage se lembrava daquele homem. Era o menino o qual ele havia ferido acidentalmente com a areia quando era apenas uma criança... Era o menino que o chamou de monstro e que bateu a porta em sua cara quando Gaara foi entregar um remédio como pedido de desculpas. E este homem agora o respeitava e lhe admirava, assim como o elogiava, e Gaara sabia que aquele rapaz estava sendo sincero em suas palavras, e isso lhe deixou ainda mais feliz. Pois confirmou que ele realmente havia ganhado o respeito de todos que sempre o odiaram.
–Não agradeça a mim. Só estamos indo tão bem assim porque o mundo mudou...mudou para melhor – Afirmou Gaara afastando aqueles pensamentos, cruzando os braços e voltando a olhar para o céu – Agradeça ao homem que mudou este mundo.
Com isso, o Kazekage dispensou o ninja. Assim que ele saiu, Gaara bocejou e se espreguiçou em sua poltrona, neste momento Kankuro entrou na sala segurando uma pasta.
–Juro que se estiver trazendo mais coisas pra eu assinar. Eu jogo essa mesa na sua cabeça e dou uma escapada pra Konoha – Ameaçou Gaara sem tirar os olhos da pasta que Kankuro segurava.
Era uma fofoca bem comentada em Sunagakure e em Konoha que o Kazekage estava tendo um caso com uma mulher sobrevivente do recém estabelecido em Konoha, Clã Kagami. E pelo visto, os boatos estavam certos. O Mestre de Marionetes riu com aquilo, Gaara realmente havia mudado bastante.
–Calma aí Vossa Excelência – Disse Kankuro num tom irônico – Isto aqui é apenas o seu pedido de reunião com o Hokage.
–Assim está melhor – Suspirou Gaara – Se eu tivesse que assinar mais alguma coisa hoje...
O Kazekage viu a expressão que Kankuro fazia ao lhe entregar a pasta.
–Pela a sua cara, parece que eu não vou gostar muito do que está escrito aqui – Comentou Gaara abrindo a pasta e lendo.
–Não vai mesmo... Adiaram seu pedido mais uma vez – Disse Kankuro nervoso – O Hokage não está em Konoha, e o responsável pela vila não tem autoridade pra responder por ele...não pra casos assim.
Gaara respirou fundo e fechou a pasta. Ele se recostou na cadeira, e se voltou para as janelas de seu escritório.
–“Esta já é a quarta vez que adiam este pedido... Naruto, onde diabos está você?” – Pensou o Kazekage enquanto observava a chuva que começara a cair.
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Na fronteira do País do Relâmpago com o País do Pântano há o maior cânion do mundo, as pessoas deram para ele o nome de Sekai no Kizu (Ferida do Mundo), pois ele se estende por grande parte da fronteira como se fosse um enorme rasgo na terra, é uma enorme e quase intransponível barreira natural.
–Ei Taka, vamos voltar... – Pediu uma Jounin da nuvem. Ela tinha longos cabelos verdes, corpo sedutor e usava o uniforme padrão de Kunoichis de Kumogakure – Não era nem pra estarmos aqui neste cânion. É proibida a entrada de shinobis e civis aqui...
Taka o Jounin da nuvem que andava na frente aparentemente sequer a ouviu. Ele possuía cabelo curto estilo militar, usava o uniforme padrão de Shinobis de Kumogakure e portava uma espada longa de duas mãos e duas adagas presas as panturrilhas.
–Ei Taka! Está me ouvindo?! – Chamou a Jounin – Já nos afastamos demais da nossa patrulha. E não têm ninguém pra nos substituir...assim vamos acabar sendo punidos.
–Ah...vamos lá Hebi, vai ser legal – Encorajou Taka – Quero descobrir porque é proibido entrar nesse lugar...
Hebi parou de andar, cruzou os braços e ficou batendo o pé irritada.
–Pois eu não, e também não vou dar mais um passo pra frente – Bufou Hebi irritada – Não quero ser punida por algo que sequer tenho vontade de fazer.
Taka se aproximou dela, a beijou e começou a fazer carícias em seu corpo.
–T-T-T-T-Taka! O que você está fazendo? – Perguntou Hebi completamente vermelha.
–Estamos sozinhos...com a névoa nos encobrindo... – Sussurrou ele em seu ouvido – Acho que podemos fazer outras coisas, certo?
–Só você mesmo pra pensar nisso nessas horas – Disse Hebi se afastando e dando meia volta.
Ele ficou parado de cabeça baixa envergonhado, quando sentiu uma mão em seu peito.
–Mas sabe... – Sussurrou Hebi – Acho que você está certo...
Eles se inclinaram para se beijarem enquanto acariciavam o corpo um do outro.
Mas algo caiu de uma árvore causando um barulho que ecoou pelo cânion assustando o casal.
Taka imediatamente sacou sua espada e se pôs entre Hebi e a origem do barulho.
–Hebi...examine a área. Agora – Ordenou Taka.
A Jounin fechou os olhos e fazendo alguns selos abriu a boca, mas nenhum som saiu dela, ao menos nenhum som audível. Após alguns segundos ela desativou a técnica.
–Não encontrei nenhuma ameaça em um raio de 300 metros – Informou Hebi – Nada além de animais pequenos, rochas, e troncos retorcidos. E não sei identificar exatamente o que há na origem do barulho, mas não é uma ameaça.
–Essa sua técnica de sonar é mesmo bem útil – Elogiou Taka.
Hebi sacou uma kunai e eles começaram a andar em direção a árvore a qual algo caíra.
Os Jounins se abaixaram, apenas alguns arbustos os separavam do que quer que tivesse caído da árvore.
–3...2... – Contou Taka em um tom de voz quase inaudível – 1...AGORA!
Os dois pularam os arbustos com armas em mãos e o que encontraram era muito pior que um inimigo.
Espalhados pela pequena clareira estavam 5 corpos. Corpos os quais eles reconheceram de imediato, tanto quanto pela fama deles, tanto quanto pelas aulas que tiveram sobre como enfrenta-los. Taka caiu de joelhos sem acreditar no que via e Hebi gritou e começou a chorar.
Espalhados pela clareira estavam os corpos de Inuzuka Kiba, Aburame Shino, Hyuuga Neji, Uchiha Sasuke e próximo da árvore a qual caíra, estava o corpo de Uzumaki Naruto, o Rokudaime Hokage.
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