A Aposta - Lonely Girl
36 Capitulo 37- II temporada
Notas iniciais
Respirei o ar puro daquela noite fria. Meus nervos estavam à flor da pele. Eu não gostava muito de confraternizações; muito menos quando eu era o centro das atenções.
–– Te deixo tão nervosa assim? – Pedro me abraçou por trás. – Marcos está desconfiado.
–– Me solte. – eu disse calma.
–– Aprenda a lidar com isso. Para todos aqui, somos um casal. – ele afastou meus cabelos. – É estranho você se afastar sempre que te toco. – ele beijou meu pescoço e eu suspirei profundamente, mas dessa vez ele não percebeu.
–– Não precisamos de demonstrações públicas exageradas. – eu tentei controlar meu tom de voz. Ele me deixava fraca.
–– No mesmo ambiente que Marcos, sim. – ele me virou para ele, ficando muito perto e eu me inclinei para trás. – Eu vou te levar para casa.
–– Eu posso ir sozinha.
–– Eu disse que eu te levo. – ele disse autoritário.
(...)
Quando cheguei em casa, minha mãe ainda estava acordada. Eu apenas disse que tinha sido divertido e fui para o meu quarto.
Joguei-me na cama pensando naquela noite, não acreditando que eu ainda era tão vulnerável a ele. O pior era que era tarde para desistir de tudo, então eu tinha que ir até o final.
Na manhã seguinte, acordei cedo. Eu precisava procurar, o quanto antes, um bom hospital para levar minha mãe. Depois do café da manhã, fomos até um dos hospitais no centro.
–– Eu já acertei tudo. – eu voltava da recepção. – Os exames e o tratamento.
–– Não acho que seja... – eu a olhei. – ‘Tá bom.
–– Eu preciso ir agora, preciso fazer o teste do vestido.
–– Ainda tem tempo de desistir. – ela tentou me animar.
–– Não, mãe, não tem mais tempo. – eu suspirei. – Bem, eu vou indo.
Eu saí do hospital e fui até a loja de noivas a pé mesmo, já que o hospital não ficava muito longe. Enquanto eu caminhava, percebi que eu nunca tinha reparado como a paisagem daquela cidade era linda. Bom, se olhasse o lado rico, ficaria encantado mesmo. A 5ª Avenida era simplesmente linda; as lojas, os carros, as pessoas, tudo.
–– Senhorita? – um homem vestido de terno preto me parou. – Me acompanhe.
–– O-O quê? – eu nem terminei de falar e o homem segurou em meu braço e me empurrou para dentro de uma limusine. – Marcos? – sim, o tio de Pedro estava dentro da limusine.
–– Desculpe por isso. – ele sempre usava esse tom de voz sedutor. – Mas eu precisava mesmo falar com você.
–– Comigo? – sentei-me o mais longe possível dele. – Aconteceu alguma coisa com o Pedro?
–– Não. – ele sorriu. – Na verdade, eu queria te ver. Desde ontem, estou encantado com você. Meu sobrinho tem muita sorte.
–– Ah, obrigada. – bem que Ana me avisou, quando ele quer uma coisa... – Bem, se é só isso, eu preciso ir.
–– Espere! – ele segurou meu braço antes que eu saísse. – Que tal nós darmos... Uma volta?
–– Não, obrigada. – eu sorri. – Estou atrasada para a prova do vestido. Então, com licença.
Abri a porta da limusine e saltei para fora como se uma fera estivesse lá dentro. Na verdade, havia uma chamada Marcos Ramos.
Cheguei à loja super atrasada, mas, depois da minha pequena apresentação de ontem, as portas das lojas se abriram facilmente para a noiva de Pedro Ramos. Perdi a conta de quantas funcionárias vieram me atender; cada uma com vestidos diferentes nas mãos, sapatos e tiaras.
–– Vicki? – liguei para ela. – Ocupada?
–– De ressaca. – ela sorriu do outro lado da linha.
–– Preciso da sua ajuda com o vestido de noiva. Pode vir até aqui, se não for incômodo?
–– Claro. Estou com tédio.
(...)
–– MENINAS! – Vicki gritou no meio da loja. – Organização, vestidos sem alça primeiro.
–– Obrigada. – eu sussurrei para ela. – Eu estava perdida.
–– Um prazer ajudar. – sentamos em um dos sofás da loja enquanto os funcionários nos mostravam vestidos. – Talvez seja bom chamar um estilista e fazer um modelo exclusivo.
–– Desde que ele não me encha de vestidos assim. – eu vi um vestido que eu gostei. – Hey, você! Traz esse aqui.
–– Esse é divino. – era um vestido comprido com calda removível, sem alças e justo na cintura até se soltar embaixo. A saia era toda trabalhada em um bordado fino e o véu era bem delicado. – Experimenta esse.
–– Vou experimentar. – fui até o provador e, com a ajuda de algumas vendedoras, consegui colocar o vestido. Mesmo sendo um casamento falso, eu tive vontade de chorar quando me vi no espelho. Era simplesmente perfeito e havia se encaixado muito bem em mim. – O que acha? – perguntei à Vicki.
–– É lindo. – ela deu a volta em mim. – Sem falar que não temos muito tempo até o casamento.
–– Eu gostei muito desse.
–– Está mais linda ainda. – pelo espelho, vi Marcos parado me encarando.
–– O que faz aqui? –Vicki disse virando-se para ele.
–– Vim falar com Karina. – ele disse como se fosse óbvio.
–– Eu não tenho nada para falar com você. – eu não entendia o que ele queria falar comigo.
–– Só queria convidá-la para almoçar. – ele sorriu de forma sedutora.
–– Na verdade, Marcos, ela vai almoçar com o noivo. – Vicki interferiu.
–– É? – eu entendi que ela viu que eu não tinha o que dizer. – Claro, saindo daqui eu vou almoçar com o Pedro.
–– Entendo. – ele aparentou estar desapontado. – Quem sabe da próxima. – ele veio até mim e beijou minha mão olhando-me nos olhos novamente. – Quem me dera que eu estivesse no altar.
Marcos saiu da loja sem que eu respondesse. Eu havia ficado sem palavras. Ana começou a sorrir com a audácia dele de me cercar daquela forma.
–– Pelo visto ele quer mesmo que Pedro não se case de todo o jeito. – ela pegou o celular.
–– O que está fazendo? – eu desci do degrau em que estava.
–– Vou ligar para o Pedro vir te buscar.
–– Espera! Não, não faz isso.
–– Alô? Pedro? – ela pausou. – Acho melhor você vir buscar a sua noiva. – pausa. – Marcos está cercando ela. É! Ele esteve aqui e quase a arrastou para um almoço. – ela sorriu demasiadamente como se Pedro estivesse falando algo engraçado. – ‘Tá, eu espero você chegar. – ela desligou.
–– Por que fez isso?
–– Com certeza Marcos está esperando lá fora para, se preciso, te raptar. – ela sorriu nostalgicamente. – É melhor tirar o vestido antes que Pedro o veja.
Fui até o provador e tirei o vestido colocando minha roupa em seguida. Encostei-me à parede encarando o espelho. O que eu faria com Marcos atrás de mim assim? Eu bem que podia ficar com o titio e ver o Pedro sofrer, mas eu não era assim. Pelo menos, ainda não.
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