A Aposta - Lonely Girl
27 Capitulo 27
Notas iniciais
Eu abri os olhos de vagar, me doía abri-los. Olhei em volta, eu estava em um quarto de hospital. Minha cabeça rodava e eu me sentia confusa e perdida, mas eu podia lembrar do que havia acontecido. Eu me lembrava da conversa de Pedro e Josh, e isso me doía mais que o meu corpo.
Olhei para a poltrona ao meu lado e ele estava lá, dormindo. Devia estar com a consciência pesada por parte desse acidente ter sido culpa dele. Eu queria gritar para ele sair dali. Eu devia estar dopada a dias, meus braços estavam ralados e doía até respirar. Aparentemente eu não havia quebrado nada, o que me deixou aliviada.
Sentei-me na cama, vários fios de diversos aparelhos estavam ligados a mim, um tubo com soro, outro com sangue, um medindo meus batimentos... E outros mais sabe-se lá para quê. Decidi que eu ia sair dali, não queria ficar no mesmo ambiente que aquela pessoa dormindo na poltrona. Mas quando toquei meus pés no chão meu corpo simplesmente desabou, eu estava muito dopada de remédios para simplesmente levantar e sair andando.
Com o barulho que fiz ao ir de encontro com o chão Pedro acordou e veio em minha direção, segurou-me em seus braços tentando me levantar.
–– Meu amor, finalmente você acordou. – ele beijou minha testa, senti nojo.
–– Me solta, ME SOLTA. – eu gritei debatendo-me em seus braços. – ME SOLTA! – doeu quando as lágrimas desceram por meus olhos. – NÃO ME TOCA, NÃO ME TOCA NUNCA MAIS! – Pedro tentava me controlar, mas eu me debatia.
–– ENFERMEIRA! – ele apertava o botão em um dos aparelhos ao lado da cama.
–– O que está acontecendo aqui?! – uma senhora de branco entrou no quarto com uma seringa na mão.
–– Ela está descontrolada.
–– ME SOLTA, EU TE ODEIO, ME SOLTA! – a enfermeira veio até mim e aplicou o conteúdo da seringa em mim, meu corpo começou a ficar mole, meus olhos queriam fechar. – Te odeio... – eu sussurrei antes de apagar nos braços dele.
(...)
Abri os olhos quando o efeito dos remédios passaram, dessa vez ele não estava mais lá, com certeza percebeu que eu havia escutado a ‘conversinha’ dele com o Josh.
–– Filha. – minha mãe veio até mim me abraçando de leve para não me machucar. – Graças a Deus você está bem, o que deu em você? – ela chorava. – O Pedro disse que você teve uma crise quando acordou, o medico disse que isso é comum.
–– Onde está o Pedro? – eu disse friamente.
–– Ele foi tomar um café, ele esteve aqui o tempo todo. – isso não me comoveu, a ferida eu meu coração era maior.
–– Quando ele voltar eu quero falar com ele, a sós.
–– O que aconteceu? Por que saiu da festa daquela maneira?
–– A culpa é dele. – minha mãe não entendia, Pedro era um queridinho para ela. – Eu descobri uma coisa...
–– Ka você acordou! – ele entrou no quarto com caneca de café na mão e entregou a minha mãe que saiu do quarto como pedi. – Meu amor você está bem? – ele veio até mim para me beijar, mas virei o rosto.
–– Eu já disse pra não encostar em mim. – eu disse friamente.
–– O que aconteceu Ka?
–– Eu escutei a sua conversa com o seu ‘amigo’ Josh, não precisa mentir Pedro, eu já sei de tudo. – ele ficou estático. – Como você pode fazer isso comigo? Eu te amava sabia?
–– Eu te amo Karina. – pude vê-lo perder o controle.
–– Não me ama, se tivesse pelo menos consideração por mim não teria feito isso.
–– Eu sei....eu ....foi errado, eu queria parar eu juro, mas eu não consegui me afastar de você.
–– Você nunca devia ter chegado perto de mim. – eu tentei não chorar. – Você me matou Pedro. – eu vi certa dor no olhar dele. – Você me matou naquele dia.
–– Ka... – ele abaixou a cabeça enquanto lagrimas desciam por sua face. – Você nunca vai me perdoar, eu sei... Mas eu te amo, eu não quero te perder.
–– Você pode sair? – eu disse encarando a janela.
–– Karina....
–– Para sempre.
Ele se levantou e saiu do quarto. Assim que ele saiu não pude mais me conter e chorei, eu chorei por causa daquela dor... Que não passava...
–– Querida o que aconteceu? O Pedro saiu daqui mal...
–– Eu não quero falar disso agora mãe, por favor!
(...)
Delma e Marcelo foram me visitar no outro dia, eu não tive nenhuma culpa de contar a eles o que aconteceu. Eu contei tudo, a aposta, e o motivo do acidente. Doeu-me ver o decepção no olhar de Marcelo por saber o que Pedro havia feito, Delma chorou, eu não chorei mais, minhas lagrimas havia secado só restava a dor.
No dia seguinte eu recebi alta e fui para a minha casa, assim que cheguei contei finalmente para a minha mãe o que havia acontecido. Ela queria ir a casa de Pedro, mas eu não deixei disse que já estava tudo resolvido e que eu já estava bem grande para me cuidar sozinha.
–– Eu vou ter que trabalhar, tudo bem ficar aqui só?
–– Mãe, está tudo bem. É melhor você ir ou vão querer te demitir.
–– Tem razão, eu vou indo. Os remédios estão na cozinha, qualquer coisa me liga.
–– Mãe...
–– Ta! To indo.
Assisti TV durante toda a tarde, estava morrendo de tédio quando a campainha tocou, Bianca havia prometido que ia me visitar. Fui na velocidade máxima que eu conseguia, devido aos machucados não era muito rápido, abrir a porta.
–– Está atrasada... – minha voz morreu quando eu vi quem estava na porta. Pedro, segurando um buquê de rosas vermelhas e brancas. – O que você quer aqui?
–– Preciso conversar com você. – ele foi entrando.
–– Não temos o que conversar, então você pode ir embora agora. – eu dizia enquanto ele sentava-se no sofá.
–– São para você. – ele me entregou as flores.
–– Eu não quero.
–– Karina, por favor. – ele levantou-se. – Eu sei que fui o maior idiota do mundo, sei que não foi certo o que eu fiz. Eu me arrependo cada dia que eu passo sem você, cada dia que eu lembro do seu sorriso, cada dia que não te beijo. Eu te amo.
–– Pedro isso não é nada perto do que eu senti, você ficou um ano inteiro comigo e tudo era uma farsa, um simples joguinho para você. Desde aquele dia eu me sinto morta, eu não sinto mais nada.
Antes que eu pudesse recuar ele selou nossos lábios, eu não reagi eu fiquei imóvel enquanto os lábios dele se moviam sobre os meus, eu nem si quer fechei os olhos. Queria não sentir nada, mas eu sentia, era uma mistura de raiva, nojo e paixão. Quando ele se afastou eu simplesmente o olhei friamente.
–– Se você já terminou, já pode sair.
–– Eu tentei, se é assim que você quer... – ele jogou as rosas no sofá. – Até nunca mais.
–– Seu idiota. – as palavras saíram da minha boca sem que eu pudesse controlar.
–– Você ama esse idiota.
–– Porque sou idiota também. – eu suspirei. – Adeus Nicholas.
Ele não respondeu, só virou-se e foi embora. Eu tive vontade de chorar, mas não o fiz não tinha mais forças.
(...)
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