A Anticristo- O Governo Da Escuridão.
2 Capítulo 2- Trajeto inconveniente.
Notas iniciais
–Você só pode esta brincando, vamos interrogar os outros candidatos a presidente? Tem ideia do que a mídia vai falar? Isso sem contar que não falamos com o chefe ainda sobre esse caso...-Julio comentou, embora quisesse muito desvendar esse mistério e ser reconhecido, como o investigador que prendeu do Serial Killer dos Estados Unidos, ele lembrava que ainda tinha superiores entre ele e seus objetivos, e queria lembrar a seu amigo da mesma coisa.
Miguel entortou a boca ao se lembrar desse pequeno mas não despercebido detalhe, sabia que não podia ir em uma investigação de estado sem a permissão de seu chefe. Tinha que pensar, e rápido.
–Nós interrogamos Michael e Suzan, e depois falaremos com o chefe. Ele vai entender se dermos uma boa explicação. -sorriu.
Julio riu sarcasticamente e depois fitou o amigo serio.
–O problema é que não temos uma boa explicação Miguel! -avisou.
–Invente uma. -Miguel murmurou.
O moreno o olhou o tanto ofendido, mas claro que era só fingimento, o que ele realmente queria era sair daquela conversa sem futuro entre ele e o amigo.
Ramires, o tirano.
Era assim que eles e todos os investigadores do departamento de policia forense de Rockville chamavam o chefe, um senhor de baixa estatura, robusto e pardo, com olhos de águia que tudo vê, e uma barba enorme que o fazia parecer um intelectual de Universidade. Mas só fazia parecer. Seu olfato para mentiras era extraordinariamente aguçado, sua audição para conversas paralelas era misteriosamente afiada e sem contar em sua visão que independentemente de usar óculos ou não, era como olhos de um falcão.
Arrepiou-se só de pensar no que o chefe faria se descobrisse essa investigação não permitida, Julio era corajoso, mas quando o assunto eram seus superiores, ele se escondia atrás de Miguel.
–Eu não, invente você! -se defendeu. -Se é tão bom em fazer planos, invente uma explicação pra ele, e uma explicação boa.
–Eu não minto. -indagou Miguel. -Eu só faço concordar.
–Ah, claro! O senhor bons modos, judeu de sangue e alma nunca mente! Nem mesmo para salvar nossos empregos!
–Pelo amor de Deus, Julio! Não é o fim do mundo! E além do mais, nossos empregos não estão por um fio como você pensa. Se o chefe descobrir, explicamos a ele a nossa intensão, caso ele não descubra, é só eu e você ficarmos de boca fechada. -Miguel explicou passando a marcha do carro, e virando a esquerda.
Julio suspirou emburrado, pensou que aquilo era loucura da parte do amigo, mas ao mesmo tempo era uma boa ideia da parte dele. Só que não iria admitir isso em voz alta, seu ego e seu orgulho eram maiores.
O trajeto que fizeram não era muito longo, mas era demorado por causa do trânsito constante de Washington. O moreno abriu um mapa da cidade e o revisou, tinha que saber onde estava se metendo, então mostrou ao amigo.
–Já esteve aqui? -perguntou apontando para o papel.
–Columbia Heights? -Era o nome que constava no mapa. -Uma vez, quando criança. Por que?
O moreno dobrou o mapa e o guardou em seu bolso esquerdo da calça azul marinho.
–É onde Michael Smith mora. -Julio respondeu, pegou uma cartela de cigarro e retirou um de dentro já colocando-o na boca e oferecendo a Miguel.
–Não, obrigado. Eu não fumo. -retrucou o moço.
–Você é sem duvida um judeu cheio de frescura. -revidou Julio ascendendo o cigarro dentro do carro e guardando o isqueiro.
O loiro não tirava os olhos do volante.
–E você é um judeu sem respeito algum. -Miguel respondeu sorrindo leve. -Ainda bem que você mora na America meu amigo.
–É o que eu digo, America é vida meu companheiro, prefiro morrer aqui sendo livre do que continuar preso na sociedade de Israel. -o loiro sorriu ainda mais, nunca viu uma pessoa negar tanto sua origem como o Julio, ele até entendia o lado dele, sua mãe morrera e ele foi vendido como escravo.
Ele não queria se lembrar da triste historia do amigo, eles tinham que focar na nova investigação, antes que seu chefe descobrisse, é claro.
Entraram no bairro e estacionaram em frente ao um hotel de luxo, então desceram automóvel preto. Miguel entrou na frente e se aproximou da recepção e apoiou o braço no balcão fitando a atendente. Uma mulher loira e pálida, seus cabelos estavam amarrados em um coque e sua boca era de um batom vermelho.
–Olá, gostaria de falar com o senhor Michael Smith. -Miguel falou educadamente, e Julio entrou já sem o cigarro, mas não antes de notar a moça na recepção e logo se aproximou.
–Só um minuto senhor. -a moça pegou o telefone e começou a digitar, Julio se aproximou do balcão e arqueou uma das sobrancelhas com um sorrisinho malandro.
–Olá coisa linda, qual é o seu nome? -Miguel revirou os olhos cruzando os braços. A moça fingiu não notar o que o moreno falava com ela.
–Sinto muito senhores, mas ninguém responde na suite do senhor Smith, gostariam de deixar um recado? -ela perguntou juntando as mãos.
Julio se aproximou.
–Gostaria de sair hoje a noite? -ele a convidou, mas logo Miguel o puxou pelo braço.
–Não, obrigado pelo atendimento. -Miguel então saiu puxando o amigo até a entrada do hotel.
Ao saírem, Julio puxou o próprio braço, e fitou o amigo serio.
–Nunca mais me puxe enquanto estou tentando fisgar uma mulher! -ele falou emburrando e Miguel cruzou os braços.
–Temos mais o que fazer sabia?
–Vão achar que somos gays! -o moreno protestou.
–Mesmo se eu fosse, eu não escolheria você! -o loiro sorriu fazendo o amigo ficar mais raivoso. -Se você é assim com as mulheres, imagine se fosse gay.
–Obrigado por me fazer sentir melhor. -falou o moreno sarcasticamente indo até o carro, pegando novamente a cartela de cigarro.
Miguel se aproximou do amigo colocando as mãos nos bolsos do casaco cinza. Seus olhos fitaram uma mulher ruiva, saindo do hotel, ela vestia um vestido preto bastante curto e decotado, segurava uma bolsa de brilhantes e jóias cobriam seus braços e pescoço. Mas uma coisa chamou a atenção dos seus olhos azuis, a mulher tinha um bottom azul no decote do vestido,, ao lado esquerdo tinha o nome de Michael Smith. Ele desconfiou.
–Ei Julio...-chamou o amigo.
–O que é? -Julio perguntou.
–Eu acho que Michael esta no hotel
–A mulher da recepção, que você não me deixou dar uma cantada, disse que ninguém atende o telefone na suite do cara. -ele argumentou.
–Aquela mulher...-Miguel apontou para a moça que tinha saído do hotel.
–Aquela que parece uma prostituta? O que tem ela? -Julio perguntou.
–Ela estava com Michael.
–Como você sabe?
–Ela tinha um bottom dele no vestido, com certeza foi ele que deu pra ela agora pouco. Temos que dar um jeito de entrar no hotel e ir até o quarto do Michael. -Miguel pensou alto e o amigo o olhou incrédulo.
–Ai que maravilha! Vamos invadir o hotel? Mais um motivo para o chefe nos colocar no olho da rua! -Julio falou colocando a mão na cabeça de forma irritada.
–Pare de pensar nisso cara! Temos que entrar no hotel, mas não sei como....-o loiro falou.
–Pelos fundos, assim ninguém vai nos ver entrando e ninguém vai poder dizer que estramos aqui. -Julio falou guardando a cartela de cigarro no bolso do casaco.
–Olha só, pelo menos agora você não esta pensando em demissão não é? -Miguel sorriu debochado, e andando para os fundos do hotel.
–Ha ha, muito engraçado. -Julio falou.
Fale com o autor