A Anticristo- O Governo Da Escuridão.
4 Capítulo 4- Interrogatório.
–Péssima ideia, péssima ideia...-Julio não se cansava de repetir isso, Miguel apenas girava os olhos, o amigo dava ideia e no final morria de medo de segui-la.
Os dois já estavam no segundo andar do hotel, entraram pelos fundos sorrateiramente e cuidadosamente. O que precisavam não passava de uma conversa com o candidato iluminista, mas também se ele tivesse algo haver com isso, precisariam ser mais espertos. Todo politico é esperto, já nascem espertos, são preparados desde cedo para um dia serem lideres e não se importar com o que precisam sacrificar para conseguir isso.
–Dá para você parar de falar isso o tempo todo? -Miguel perguntou enquanto eles dois já entravam no elevador a caminho do quinto andar.
Julio entortou a boca.
–Iremos invadir o apartamento do cara! Quer mais? -seu nervosismo era evidente até para quem não enxergava, batia o pé no chão inúmeras vezes e cruzou os braços.
–Não vamos invadir, vamos chama-lo. Ele vai ver que sabemos que ele esta em casa então vai ter que abrir a porta de todo jeito, vê se para de dar chilique. -Miguel murmurou e Julio o olhou com revolta.
–Chilique? -o elevador parou antes que o moreno pudesse responder ao amigo, uma senhora idosa, de cabeços grisalhos e bengala dourada entrou no elevador e assim seguiram o rumo.
Eles se olharam como quem avisa para ficar quieto, não seria uma boa ideia uma velha senhora escutar briga de dois marmanjos por causa do medo de um deles, isso estava fora de cogitação até pro Julio, mas ele não deixou de soltar aquele olhar de "Vai ter volta" para Miguel que sorriu da cara do amigo.
Mais de 5 anos trabalhando juntos eles já sabiam conversar só em troca de olhares, mas não era da vida policial que eles se conheciam. Ambos judeus, foram criados no mesmo orfanato depois que suas mães sumiram, Julio descobriu que a sua mãe tinha morrido e foi vendido como escravo em Israel, mas um casal Americano o comprou e o colocou no orfanato para poder ter uma vida digna. Ou quase. Já Miguel, até hoje não sabe o que aconteceu com sua mãe, ela poderia esta em algum lugar do mundo, ou, do mesmo estado que a mãe de seu amigo.
Mas embora suas historias sejam tristes aos olhos de muitos, eles se consideram irmãos, embora tenham muitas diferenças.
Muitas diferenças mesmo...
–Eu vou matar você...-sussurrou o moreno e Miguel apenas cruzou os braços.
–Vai ter que esperar o fim da investigação pra isso. -ele respondeu fazendo o amigo soltar um suspiro pesado.
O elevador parou no quinto andar, eles saíram e a velha senhora continuou mais além. Eles ajeitaram seus sobretudos e seguram para o quarto de Michael, estava cheio de seguranças, a cada vazo de planta lá existente, tinha um segurança. Julio e Miguel se encostaram na parede e respiraram fundo.
–Ai que ótimo, ali deve ter um batalhão de seguranças e meu karatê é péssimo para combate-los. -Miguel o olhou incrédulo e depois balançou a cabeça.
–Primeiro, você não sabe karatê, em um único soco você voa longe. Segundo, temos que ter um argumento para passar por eles e terceiro, eles devem ser de alguma agencia de segurança avançada então passar por eles não vai ser fácil. -o loiro comentou procurando em sua mente um meio de passa por aqueles homens de preto e óculos de sol.
–Ou podemos mostrar nossas carteiras de investigadores e tocar na campainha do Michael. -Julio falou de modo obvio.
Miguel o olhou e depois respirou fundo.
–É, isso também é uma ideia. -eles saíram e se aproximaram dos seguranças retirando as carteiras e os mostrando.
–Investigadores de Washington, precisamos falar com o senhor Smith. -falou o moreno.
–Precisamos fazer umas perguntas a ele. -e Miguel continuou já guardando a carteira dentro do sobretudo.
–Desculpem, mas ele não pode atender no momento. -o homem alto, forte, de ombros largos e roupas pretas respondeu aos investigadores. -Ele tem companhia...
O segurança falou de modo malicioso, modo que Julio entendeu logo de cara e Miguel ainda estava voando na conversa.
–Bom é um saco ser ela, eu acho que não fui claro, temos que falar com ele agora. -Julio estava serio o que chamou a atenção de Miguel, para onde tinha ido o moreno que estava quase molhando as calças de medo por ter que invadir o quarto de alguém?
Um dos seguranças bateu na porta duas vezes e depois a abriu, não esperando uma resposta. Os dois amigos entraram e então a porta fechou, o quarto era digno de um presidente, era todo refinado, os moveis eram colonias bem conservados, havia uma lareira no final do quarto e três sofás a arrodeavam. O piso era de mármore italiano da maior qualidade e as cortinas aparentavam ser seda pura, uma suite de luxo.
–Em que posso ajuda-los? -Michael era um homem barbudo, de cabelos e barbada negros, de estatura média e olhos verdes escuros. Usava um paletó azul escuro e segurava uma taça de vinho.
–Somos investigadores da policia de Washington e viemos apenas fazer algumas perguntas ao senhor. -Miguel tomou a frente quando notou que Julio olhava a moça de cabelos loiros deitada na cama de Michael.
–Eu acho que vocês não notaram que não é uma boa hora para isso. -o candidato a presidente comentou.
–Infelizmente temos que falar com você agora, nosso tempo é pouco e precisamos sair daqui o quanto antes. Eu sei que esta não é a hora mais adequada, mas é a unica hora que tempos. -o moreno falou.
Michael estirou a mão se virando para o lado, convidando os rapazes para se sentarem no sofá e assim fizeram. Eram curiosos, olharam cada canto da casa, cada objeto e cada decoração, não procuravam pistas de um assassino, até por que um assassino jamais mata uma pessoa e leva a arma do crime para dentro de casa. Michael os ofereceu Whisky mas ambos negaram, queria ir logo ao assunto.
–Eu não sei o que pode ter trazido os senhores até aqui. -Michael falou se sentando na poltrona do lado dos rapazes.
–Vamos ver, mortes, assassinatos, todos eles do partido dos rebeldes...-Miguel começou o "interrogatório".
–Se acham que fui eu quem matou essas pessoas nas ultimas semanas, estão muito enganados. Sou um homem ocupado, minha campanha toma todo o meu tempo hoje. -ele cruzou os braços.
–Pode ter mandando outras pessoas fazerem o serviço. -Julio argumentou.
–Eu não preciso sujar minhas mãos para ganhar uma eleição, e mesmo que eu não ganhe, não jogarei sujo. Sou do partido adversário do de Agatha, mas matar as pessoas que a ajudam na campanha já esta abaixo do que eu defendo e acredito. -Michael respondeu calmamente.
–O que me diz dos padres e bispos da ultima semana? -Miguel perguntou.
–Por que eu mataria padres e bispos? É sacrilégio. Matar padres dá um azar maldito. -ele respondeu.
–Sobre tudo para padre. -Julio fez um comentário.
–Olhem, vocês acham mesmo que eu iria matar pessoas do partido dos rebeldes em plena eleição? Claro que o povo desconfiariam de mim como estão fazendo agora, vocês tem ideia de como a minha porcentagem nos votos caiu da semana passada pra cá? É um absurdo! -protestou o iluminista.
–Compreendo. -falou o loiro. -Você tem alguma coisa contra Agatha Lucius fora a disputa de eleição?
–Não, por que teu teria algo contra ela? Além de ser rival de eleição, ela nunca fez nada contra mim, até por que ela não é muito vista andando por ai, ela só esta em poucas caminhadas e olhe lá. -Michael respondeu e eles concordaram com a cabeça.
–Acha que Suzan pode ter alguma coisa haver com isso? -Julio perguntou.
–E poluir o mundo com vários cadáveres? Não, acho que ela preferia passar o dia cuidando de sua plantação de rosas do que mandar matar uma pessoa. -Michael argumentou. -O que vocês estão procurando, não é a um politico, e sim a um religioso fervoroso e louco, um psicopata por religião que vai continuar a matar se vocês não fizerem nada.
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