A Anbu
2 Primeira Vigia
Notas iniciais
Enquanto ia para o quarto, Keiko topou com Sai. Ele a parou e por um momento a ruiva quis ter pego outro caminho. Sai estava diferente, fora do caminho da NE, e isso era claro para ela a distância. A última coisa que queria era conversar com ele.
Quando retornasse a Konoha, devia prestar relatório a Danzou sobre o rapaz.
— Parece que seu nome agora é Sai, não é? – Comentou ela, Sai deu de ombros.
— E você agora se chama Keiko, achei muito diferente de seu nome normal. – Retrucou ele dando um dos seus típicos sorrisos falsos. Keiko revirou os olhos, ele não sabia seu nome real. Ele apenas foi em muitas missões com ela em outro nome, mas Keiko era o mais comum que ela usasse.
Fora o primeiro nome falso que tinham lhe dado quando entrara para a NE.
— Venha, quero falar com você. – Pediu ela indiferente e começou a andar o levando pra fora, perto de umas árvores que tinha em volta do hotel.
Sai e Keiko ficaram em silêncio por alguns momentos. Diferentemente de Sakura, Sai não ligava pro silêncio. Ele já se acostumara aos hábitos dos ANBU Ne e era bem comum eles ficarem em silêncio por uma boa quantidade de tempo. Não havia amizade suficiente para que tivessem necessidade de conversar, não havia o desejo de interagir muito menos a necessidade de compania humana.
— Bem, você estava certo, as pessoas desse time fazem perguntas inconvenientes. – Disse Keiko fria; ela deveria ser a mais fria de toda a Ne, ao menos na opinião de Sai. Ela, mais do que ninguém ali, matara dezenas de pessoas, milhares de renegados e todos os que entravam em seu caminho, desde guardas de cadeias, até antigos amigos desses renegados, as famílias deles, qualquer um que entrasse em seu caminho ela matava sem piedade e sem pensar duas vezes.
Os boatos das missões dela atormentavam todos os novatos, pois o próprio Danzou contava algumas histórias. Quem a vida treinando, mascarada e com apenas o cabelo ruivo de referência, com as histórias de Danzou na cabeça... Ser como Keiko: era a meta deles. Fria, sanguinária e absolutamente leal a causa. Ela era uma meta impossível, mas Danzou dizia que menos do que aquilo era inadmissível.
— O que Sakura perguntou? – Ele questionou indiferente por fora, porém ele voltava a ter seus sentimentos aos pouco e sentiu uma pontada de curiosidade.
— Perguntou sobre minha família, mais especificamente os meus pais. – Respondeu indiferente. Sai não sabia muito sobre ela. Sabia coisas básicas como o fato de que com apenas quatro anos ela era gennin. E que seu sensei virou um ninja renegado alguns anos depois. Além de que, sempre que Danzou mencionava os pais de Keiko, ele usava a mesma voz que usava para o terceiro, desprezo, porém com muita admiração escondida. Não era segredo que ela sempre vivera fora sozinha e que seus pais morreram antes que ela os pudesse conhecer.
A maioria da Anbu Ne não saberia dizer nem sequer o fato dela ser órfã. Todavia, Sai conquistara graças com Danzou tal qual ela.
— Às vezes ela é mais inconveniente que Naruto. – Comentou Sai. Ele não podia demonstrar para ela que se tornara amigo dos dois. Ela reportaria isso a Danzou imediatamente e ele seria retirado da equipe Kakashi.
— Falando nele, me fale dele. Ele é o Jinchuuriki da Kyuubi. Que tipo de pessoa ele é? – Ela perguntou friamente, como se não ligasse, mas Sai sabia que, de alguma maneira aquela informação era bastante importante.
Para que? Ele não fazia ideia.
— Em combate? Ele é aquele que estraga todo o plano, porque não tem a mínima capacidade de esconder os seus sentimentos ou de seguir o plano a risca. Pessoalmente? Ele é o tipo de pessoa que falta nesse mundo. – Respondeu Sai dando de ombros. E pela primeira vez ele ouviu aquela garota rir.
Ela deu uma leve risada ironia e sombria.
— Quem diria que Sai, um dos ANBU Ne mais frios, amolecendo por causa de palavras bonitas de um garoto ingênuo. – Disse a Keiko com sarcasmo. Sai a olhou com frieza, quase uma advertência. Estragara tudo com um comentário. Inferno...– Não se preocupe, não contarei nada ao Danzou-sama . – Finalizou começando a se afastar.
— Porquê? – Sai falou a fazendo parar de andar, a garota olhou pra trás por um breve momento. Seus olhos azuis perolados pareciam o de alguém que vira o inferno, levara uma surra do diabo e voltara sem nenhuma vontade de viver.
— Tenho meus motivos, acredite, mas nenhum dele é para os teus ouvidos.
Yamato esperava eles com o jantar, Naruto e Sakura já estavam lá. Era uma mesa enorme, com todo tipo de comida, mas isso não tirou reação alguma dos dois Anbu. No meio da refeição, Keiko se vira pra Yamato.
— Sabe que esses seus rastreadores não funcionam em mim, não sabe? – Disse como se estivesse falando do tempo e Yamato a olhou com seriedade. Não deveria esperar menos de uma Anbu Ne.
— Keiko–san, não entendo o porquê de tanta resistência, teremos que usar trabalho de equipe pra proteger o Senhor Feudal. – Questionou Yamato para garota, a mesma apenas o encarou como se nem estivesse prestando atenção.
— Quem atacaria o Senhor Feudal? Konoha está com total vitalidade, qualquer coisa será reportada e retaliada. E mesmo que ataquem, não tenho medo de adversário algum. – Respondeu com indiferença.
— Não é correto subestimar um oponente. – Retrucou Yamato com um tom de advertência na voz. Uma piscada dos olhos azuis da garota e nenhuma reação receberam a repreensão do capitão.
— Acredite, posso fazer várias coisas, porém, nunca subestimo um inimigo. Contudo, isso não quer dizer que deverei temê-lo. – Finalizou a garota se levantando e saindo do local.
No dia seguinte, eles seguiram viagem para o centro do País do Fogo. A viagem durou apenas um dia e então eles estavam na mansão do Senhor Feudal. O trabalho deles naquele local não era muito complicado, como quase todos os 12 Ninjas que protegiam o Senhor Feudal se machucaram em uma missão, eles teriam que montar algumas guardas e estarem atentos a ataques e se caso houverem, eles teriam que lutar.
Durante a noite do primeiro dia, Keiko ficou de guarda em frente ao quarto do Senhor Feudal e junto a ela estava Naruto. O mesmo estava inquieto, pois considerava aquele serviço muito chato. Estava preocupado com a Vila, o que estaria acontecendo? E com Sasuke, onde ele poderia estar?
— Parece preocupado. O que te aflige? – A voz de Keiko o despertou. E ele a encarou, de alguma maneira aquela garota lhe era muito familiar, como se fosse alguém que ele não conhecia e deveria conhecer. Algo nela não o deixava acreditar no que Sai dissera, que ela era só mais uma ANBU da Ne, e que, era acima de tudo impiedosa.
Não, Naruto não acreditava nisso, não conseguia e nem queria acreditar.
Ela parecia, aos seus olhos, apenas educadamente desinteressada. Ele ficava impressionado em como os membros da Ne suportavam ser tão frios o tempo todo.
— Estava pensando na vila, na Obaa-chan e no Sasuke. – Respondeu a olhando, Keiko estava de pé apoiada na parede ao lado da porta, Naruto se sentara de frente para ela, se apoiando na outra parede.O corredor onde estavam era largo e acima de tudo muito longo, além de que naquela parte não havia janelas. O quarto do Senhor Feudal ocupava todo aquele andar e parecia mais um apartamento do que um quarto. Era especificamente o terceiro andar do local. E ainda havia mais um andar acima deles, que era onde ficavam os quartos de hóspedes.
— Não cheguei a conhecer Uchiha Sasuke, só que, conheci outros Uchihas. O Irmão dele entre eles. – Confessou a garota olhando pro teto com indiferença. Naruto se surpreendeu com a resposta.
— Itachi? – Naruto questionou, ela assentiu. – Como o conheceu?
Ela o olhou por um momento e balança a cabeça negativamente.
— Naruto-kun, não creio que deva se importar com isso, quanto mais longe você ficar de mim, melhor. – Disse Keiko fria, o garoto a olhou confuso.
— O que quer dizer com isso? – Ele perguntou, a garota o ignorou e foi assim todas as vezes que Naruto tentou falar com ela, durante aquela noite.
No dia seguinte, Keiko parecia pensativa. Naruto daria tudo pra saber o que ela pensava, só que por algum motivo ela não deixava que ele se aproximasse. A memória da conversa distante e confusa na noite anterior, porém, lhe intrigara e o deixará decidido a saber mais.
Queria saber quem era Keiko.
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