A Anbu

17 A invasão de Pain


Keiko surgiu na frente de Akane, repentinamente, fato que fez a garota mais jovem recuar, os olhos se arregalando de susto perante a figura séria da ruiva. Não era exatamente fácil começar a se acostumar e confiar em Keiko, não quando ela era totalmente oposta a infância que Akane conhecera. Ela tivera pais amorosos, nunca planejara ser ninja e esperara uma vida pacata.

Tudo que Keiko propunha era oposto a aquilo. Ainda mais da forma que ela passava.

E, apesar de saber que a ruiva não tinha motivo algum para mentir, era doloroso pensar que a sua infância com os pais fora uma farsa. Que o romance de seus pais começara como um ardil e que ela tinha sido uma espiã o tempo inteiro. Que, caso a vila natal dela não a tivesse matado, a própria Keiko o teria feito.

— O que houve, Kumiko –Sama? – Perguntou tentando manter a voz respeitosa. Keiko a olhou séria, mas humor se insinuou por detrás dos olhos dela. Claro que Keiko iria achar engraçado Akane pisando em ovos com ela. O gênio da garota começou a se insinuar contra a postura servil, mas conseguiu se manter quieta.

— Vou desfazer o selo da sua mãe. Meu clã era especialista em selos, então não importa o que ela tenha feito. Eu posso desfazer – Disse ela explicou naquela voz monocórdica que dava calafrios.

Akane arregalou os olhos. Apesar de nunca ter sonhado com nada daquilo e de, definitivamente, sentir falta da vida com os pais... Ela se animava com a ideia de um Kekkei Genkai. E, pelo que Keiko lhe pusera a estudar até então, aquilo poderia lhe dar diversas vantagens em batalha. Akane não estava planejando morrer cedo.

—Isso é serio? Pode mesmo fazer isso?! – Perguntou Akane meio hesitante, mas sabendo que o fundo de animação se insinuava em sua voz.

— Sim, é sério. – A ruiva retrucou e deu as costas. Queria que ela a seguisse.

Akane a seguiu hesitante saindo da casa. Elas andaram por aquele pequeno vilarejo de casas abandonadas até dentro da mata que rodeava. Ela a levou para um lago. Cheio de jardins em volta, um cheiro intenso de flores e a água límpida parecia... Parada demais. Não tinha peixes no lago?

Não parecia ter vida alguma além das plantas ao redor.

— É... lindo. – Disse ela com incerteza. A outra obviamente ouviu a inflexão e ergueu uma sobrancelha.

— Não é só lindo; essa água combinada com um jutso meu tira qualquer selo... Nunca o testei com jinchuurikis, mas eu não duvidaria. Enfim, ela é imbuída de chakra Uzumaki. – Disse Keiko disse, então um pequeno sorriso enviesado para Akane. – Não vive nada lá dentro por isso.

— Há mais coisas assim por aqui? Coisas do seu clã, diferentes do resto e que ficam escondidas? – A curiosidade dominou Akane, mas a ruiva apenas assentiu e não lhe deu tempo de questionar mais.

Agarrando sua mão Keiko a puxou para que a água estivesse até pouco acima de seus tornozelos. Era gélida. Gélida demais.

Ela fez uma longa, complexa e rápida sequencia de selos, então tocou a testa de Akane; de repente toda a água começou a banhar as duas em um redemoinho estranho. Era vertiginosamente rápido e teria sido incrível observar o lago tomando vida daquela forma, mas Akane não estava muito possibilitada de notar. Não com a dor que varreu seu corpo com o contato da água, como milhares de agulhas gélidas perfurando sua pele, seus orgãos e lhe conduzindo a agonia.

A menina perdeu a consciência. Keiko a observou por um momento, os olhos estreitos na concentração do chakra dentro do corpo de Akane, então, ao notar que obtivera sucesso... Desfez o jutsu. Toda água caiu de volta ao lado, num silencio e tranquilidade antinatural, e o corpo de Akane tombou para os braços de Keiko.

Ela observou por um tempo, incomodada com os gritos de Akane soando em seus ouvidos e se perguntou, por um momento, o que Itachi sentira quando tivera de testa-la. Não era uma lembrança que Keiko tivesse, era jovem demais e sua cabeça pulsava de uma dor aguda ao tentar lembrar, mas Satsuki mencionara aquilo algumas vezes.

O teste não tinha sido agradável para nenhum dos três dizia sem entender o por que Keiko não lembrava. Bem, ela não tinha nem cinco anos.

É bom que tenha esquecido esse tipo de coisa. Satsuki dissera em tom sombrio parecendo que a memória do dia o perturbasse.

Keiko deixou o passado no passado, amordaçou seu incomodo e levou Akane de volta a casa. Ela passaria um bom tempo desacordada e Keiko tinha que reforçar as proteções da casa antes de ir até a central da Anbu.

[...]

— Eu... não posso lutar? — Perguntou Keiko friamente, contendo a própria fúria.

O ataque de pain estava acontecendo, todos os ANBUs reunidos na área mais profunda da vila, Akane havia sido trancada desacordada e protegida por todos os Jutsos que Keiko colocara naquele mini vilarejo. Keiko despertara os próprios olhos, todos os seus jutsus de selos e ainda um dos seus corpos do Rinnegan para evitar que a vila fosse atingida, então partira para a Anbu.

Para se preparar para um confronto com Nagato.

Mas... Danzou acabara de lhe dizer que ela não lutaria.

— Sei muito bem que você responde a mim e a Godeime também. Ela tem ciência disso também, assim como com quem repousa sua real lealdade. A questão é que você não deve lutar nessa luta, Keiko, pois será quem me sucederá na Ne quando eu virar Hokage. Precisa estar viva até lá e incólume. Não irei arrisca-la atoa. – Disse Danzou para ela, seus olhos brilhando de ambição sobre ela.

Keiko se sentia enjoada com aqueles olhares dele apesar de nunca demonstrar ou dizer nada. Não podia. Tinham seus planos. Seu sangue gelava nas veias ao pensar na batalha que ocorria na superfície da vila, na diferença devastadora que ela podia fazer... Aquela era a vila que ela e Itachi mataram para proteger.

Que ele morrera para proteger. Shisui morrera para proteger. Aqueles dois deixaram levados para ela...

Mas contrariar Danzou ia contra os planos que Keiko fizera após a morte de Itachi para se manter sã. Ela não queria ter que fazer aquela maldita escolha. Um legado de alguém que morrera ou os planos de um futuro aonde tudo poderia ser muito pior caso ela não agisse com cautela.

— O que eu farei então? – Perguntou tentando ao máximo não mostrar seu nojo perante seu líder, assim como seu conflito. Ele não percebeu nada. Ninguém percebia.

— Ficará aqui comigo e com os outros Ne. Nós somos a raiz que sustenta Konoha, se matarem a raiz a arvore não é nada. – Disse Danzou. Ela se sentia atormentada. – Então, mesmo que o corpo pereça hoje, a raiz irá faze-la se re-erguer novamente depois.

O tempo passou devagar para Keiko; ela não estava com os outros, ela estava numa sala vazia, encolhida no canto de uma parede, todo seu corpo tremia. Danzou sabia aonde ela estava, obviamente, sentia o chakra dela próximo, mas a jovem dera desculpa de usar o tempo para relatórios e planos para o futuro. Ele aprovara.

Inferno, ela queria lutar! Sabia que se fosse a vila poderia ser salva, só que Danzou jamais a deixaria sair de lá. Seu corpo se contraiu pensando no que ele faria. Keiko tivera que optar por obedecer para poder estar ali ao lado de Danzou, para que seu plano funcionasse futuramente, para que ela pudesse proteger a vila no futuro.

Itachi tivera que tomar aquele tipo de decisão na Akatsuki também, ela tinha certeza, mas...

Itachi, eu me sinto uma traidora, não consigo proteger a vila da maneira correta por medo do que o futuro reserva. Por uma posição que pode ajudar futuramente... Eu quero lutar, quero salvar a vila, só que ele nunca deixará. Aquelas vidas sendo perdidas lá em cima... São Konoha. Eu estou indo contra tudo que me ensinou...

Seus pensamentos eram aqueles, ela queria tanto que ele estivesse vivo, que estivesse com ela. Que algum deles pudesse manter a posição para o outro romper e arriscar. Riscos. Eles tinham assumido riscos antes, mas anonimamente... Aquilo. Aquilo rompeu tudo que Keiko vinha segurando a muitos anos. A quebra de toda uma ideologia de vida.

Ela estava ruindo ruindo ruindo e o rinnegan se ativou em seus olhos.

Ela começou a sentir as pessoas morrendo.

Kakashi. Kakashi, o aluno remanescente de seu pai, estava morto.

Maldito Rinnegan! Ele tinha se ativado sem que ela sequer notasse e aquilo fazia tudo pior; ela sentia as mortes, sentia os corpos desfalecidos, o sofrimento de todos e aquilo estava acabando com ela.

A morte de milhares de civis, indefesos, por conta de Keiko não poder cumprir sua maldita promessa por planos políticos. Ela iria explodir explodir explodir... Algo sombrio, duro e maligno se insinuou dentro dela, querendo tomar conta, assumir e dominar. A sua cabeça pulsou, uma dor aguda e profunda que fez seu corpo inteiro estremecer.

Memórias borradas começaram a se insinuar. Keiko estremeceu com a dor pulsando por detrás de seus olhos.

Foi quando ela sentiu, arrancada da própria agonia, o Jutso de destruição do Rinnegan. Com força total!

A estrutura do local começou a tremer, era baixo demais no subsolo para o Jutso o alcançar, mas abalou as estruturas. Keiko sentiu tantas vidas saindo de seu corpo que foi o maior sacrifício manter algum pingo de sanidade. No meio do espiral de desespero no qual se pusera, a garota mordeu o próprio punho e o gosto metálico de sangue invadiu seus lábios. Morte para todo lado. Ela sentia as mortes.

Ela sentia a vitalidade das pessoas acabando, os chakras dos ninjas parando de correr, seus corações parando de pulsar...

Apesar de tudo ainda conseguiu sentir uma quantidade considerável de sobreviventes, mas era infimia comparada ao que fora Konoha. Fora. Sua promessa, sua casa, sua vila... Fora.

Então ela sentiu o chakra dele. Naruto.

Naruto tinha voltado em plena batalha.

Ela respirou fundo aliviada, além dela, Naruto era o único capaz de derrotar Nagato. Se ele voltara, fora por que obtivera sucesso.

Ela começou a monitorar a luta com seu dom, vendo, com e sem seus olhos, cada um dos caminhos de Pain ser destruído. Sentiu Naruto conversar com Nagato, sentiu as vidas voltando, só que o que veio foi muito pior... Logo em seguida.

A morte da Nagato.

Foi perverso sentir aquilo; Ele usara o ultimo recurso daqueles olhos. Dar a própria vitalidade, a própria força... Para trazer aqueles que já tinham ido de volta a vida. Uma vida por diversas vidas.

Uma onda pura de desespero e luto a perpassou; era um problema de família, ele não morrera por assassinato. Naruto não o matara como Keiko teria feito caso o confrontasse... Nagato, por alguma razão, morrera porque quisera dar sua vida a outros que ele mesmo tinha matado. O luto se misturou ao alivio enquanto Keiko forçava seu corpo a sair do chão, a sentar na mesa, mas ela não conseguia tirar os dentes do próprio punho e, aos poucos, notou que sangue pingava de seu nariz na madeira.

Ouvia as pessoas comemorando. Keiko estava estoica, olhando ao nada, como se aquele redemoinho de emoções, vida e morte, a tivessem drenado. Ela se sentia oca. Danzou a encontrou daquela forma, mas, após um momento de hesitação observando os olhos roxos, ele se aproximou com segurança tranquila.

Apesar da garota ruiva de olhos espiralados roxos e sangue pingando da mão, do nariz e pelo queixo ser uma visão inquietante, Danzou era seguro demais da lealdade de Keiko.

— Pode sair agora se quiser. – Disse ele – Tsunade está em coma, logo serei eleito Hokage. Se prepare para assumir a Ne. Recomponha-se, Keiko, ou não irei hesitar antes de acabar contigo também. Você não é aquele passional do Pain. Você não sente, não tem identidade, não tem razões... Você é a raiz e existe apenas para o sustento pelas sombras de Konoha. Lembre-se disso. Agora, como eu fui, você será a raiz.

Ela assentiu, ainda estoica, e se limpou do sangue. Dor ainda pulsava por detrás dos seus olhos. Havia anos que não tinha uma crise daquelas... Keiko fechou os olhos. Invocou a imagem de Itachi por detrás de seus olhos. Ela não lutara por Konoha, mas agora Naruto o fizera. Seu irmão poderia segurar a vila perante a luz enquanto ela agia nas sombras. Ele podia fazer aquilo.

Ele dissera que ajudaria no jeito ninja dela... Um riso seco escapou pela garganta dela.

— Ele estava certo.

Uma vez do lado de fora ela encontrou todos jogando Naruto para o ar e comemorando. Keiko sorriu com a cena, apesar de ter uma tensão e sombras nos olhos. Ela sentira muitas daquelas pessoas morrendo...

Quando Naruto foi abaixado ele passou os olhos por todos, procurava a irmã e ao achá-la ele correu para ela e abraçou a erguendo e girando no ar. Estava feliz por ter ajudado a vila. Keiko segurou-se a Naruto pelos cabelos dourados do irmão e respirou fundo para conter-se. Queria agradece-lo por ter feito o que ela não pudera. Por ter sido o suporte a vila que ela não pudera. Por ter sustentado a vila, como Keiko dissera a Itachi que faria na infância.

— Kumiko, eu consegui! Convenci Nagato a voltar ao lado do bem – O rapaz dizia animado, então desceu a irmã. Ela engoliu em seco, um bolo na garganta, e, ao não conseguir dizer nada, se agarrou a cintura de Naruto o abraçando. Ele sentiu as lagrimas dela assim como a suave respiração entrecortada. A reação da irmã chocou Naruto. – O que houve?

— Me leva para casa, Naruto, por favor. – Ela pediu. Naruto não viu sentido naquilo, franzindo a testa, a vila havia sido destruída. Tudo fora. – Eu coloquei Jutsos naquela área, não foi destruída, além de ser distante. Lá não chegou com a mesma capacidade destrutiva.

Ele fugiu do monte de gente que lhe cumprimentava, recebendo olhares curiosos de vários pela companhia desconhecida, e levou Keiko para casa; Quando chegou estranhou uma garota estar lá. Ela estava com o rosto vermelho, parecendo possessa, e prestes a ter uma crise de mau gênio.

— Não acredito que me trancou aqui! – A garota gritou irritada quando viu Keiko, mas só após pareceu notar o rosto marcado da garota. – O que houve, Kumiko-sama?

Naruto estranhou o pronome de tratamento. Keiko estava abraçada a Naruto e não o soltava de maneira alguma a algum tempo. O silencio dela era quase um estado de choque. Akane estranhou aquilo.

— Quem é você? – Perguntou ela rude para Naruto pensando que aquele garoto podia ter feito algo a sua mestre. Pela primeira vez, Akane se sentiu protetora quanto a Keiko.

— Naruto. Sou irmão dela. E você quem é? – Perguntou Naruto andando em direção ao quarto de Keiko, ela havia voltado a chorar baixinho e o coração do Uzumaki se comprimiu. Era um som vulnerável e totalmente atípico da Keiko ao qual ambos estavam acostumados.

Ele se sentou na cama e Akane ao lado dele. A garota ainda não respondera e, por isso, Naruto manteve os braços ao redor dela olhando com desconfiança. Akane suspirou.

— Sou Akane, discípula dela a pouco tempo. Agora ela é minha mestra e me trouxe para morar aqui. – Disse Akane, mas o garoto teve uma atitude atípica do que ela esperava. Ele sorriu, mas então o choro sentido da irmã retornou a atenção dele.

— Kumiko... O que houve? – Perguntou ele percebendo, enfim a mão dela. Preocupação tomou Naruto com ainda mais força, mas ela o olhou. Estava completamente desarmada. Vulnerável. Keiko desviou os olhos para baixo novamente. – A última vez que vi ela assim foi quando Itachi morreu, só que foi pior....

Akane percebeu que aquele garoto era mesmo irmão de sua mestra; ele sabia sobre Itachi.

— Eu não consegui... não pude cumprir minha promessa. – Disse Keiko baixo, a voz entrecortada e parecendo haver muito não dito entre aquela fala e o que ela realmente queria dizer.

— Promessa? – Naruto perguntou. Ela respirou fundo e se afastou do irmão. Respirando profundamente, os olhos focados na mão ferida, ela voltou a falar.

— Eu deveria ter matado Danzou quando ele me proibiu de lutar. Prometi a Itachi que faria qualquer coisa para proteger Konoha. Inferno, mas eu não podia contrariá-lo agora. – Disse ela furiosa, Naruto a olhou confuso.

— Por que não pode contrariá-lo? – perguntou Akane com raiva. Ela a encarou. A garota odiava Danzou e, agora, notava que Keiko não era a serva fiel que alegava. Ou talvez fosse... Mas ela queria matar Danzou. Quisera aquilo. Queria. Frustrava a garota e a assustava notar que ela desejava a morte do lider da Ne. – Porque não o matou?

— Porque é tudo um maldito plano. Eu preciso assumir o comando da Ne para poder fazer isso. – Disse Keiko. Naruto viu que ela se recuperava, respirando fundo, Akane com o rosto virado e se lembrou de algo. Era aquelas memórias que surgiam do nada. Ele pensara em Keiko vulnerável e acabara lembrando de Itachi, então daquele dia aonde eles se depararam com ele.

— Kumiko? – Ela o encarou perante o chamado. O tom dele era pensativo. – Eu me lembrei da morte do Itachi a vendo assim, só que ai eu me lembrei daquele dia, ele me colocou em um Genjutso e, tipo... O que eu houve enquanto eu estava apagado? Quando voltei você estava com o cabelo e a roupa bagunçada, fora que estava sem a capa de viagem... Você não fala como se tivessem lutado, ou brigado, e sim como aliados, então...

Akane encarou Naruto incrédula, então encarou a figura de Keiko que o encarava entre o bestificada e o indignada, o rosto começando a assumir uma coloração avermelhada que se assemelhava aos fios rubros. Ela caiu na gargalhada. Riu tanto que seu corpo tombou no colchão fofo e lagrimas foram levadas aos olhos.

— Isso não é uma pergunta que se faça, Naruto, e pare de rir, Akane! – Disse ela entre o mau humor e a rispidez. Akane respirou fundo para tentar se controlar, mas caiu na gargalhada com a confusão persistente no rosto de Naruto.

— Eu estou rindo dele, francamente! Ele deve ter o que? Dezesseis anos? Quinze? Tenho treze e já entendi o que aconteceu. – Akane voltou a rir muito, mal conseguindo formular as frases entre o riso. Naruto olhou para Akane e para Keiko que fuzilava a garota com um olhar letal.

— E-Espera... não é o que eu... estou pensando... é? – Naruto perguntou de vagar, Akane riu ainda mais da forma hesitante com que Naruto questionou a irmã. Ela o olhou com impaciência, a vergonha substituída pela irritação, e Akane claramente segurava a barriga com dores de tanto rir.

— Ah, Naruto. Francamente! Nós nos beijamos. Era isso que queria saber? – A ruiva retrucou irritada, o rosto ainda vermelho pelo antigo constrangimento, mas se mantendo pela irritação.

— Okay, eu não precisava saber disso, Dattebayo. – Disse ele negando com a cabeça.

—Você que perguntou.– Disse Akane, depois lançou para Keiko um olhar malicioso – Depois eu quero detalhes, Kumiko.

A falta do pronome mostrou a Naruto que elas eram mais que pupila e mestra, eram amigas ou estavam caminhando para isso. Tinham idades parecidas afinal.

— Abusada. – Keiko acusou e a garota deu de ombros. –Akane, você é nova demais para pensar nisso.

— Ah é, então honestamente, sensei, quantos anos tinha quando beijou pela primeira vez? – Perguntou Akane. Keiko estreitou os olhos. Aquela garota não podia estar a encurralando, podia?

— Me respeite, Akane. Sou sua mestra! – Exclamou furiosa.

Akane riu, com sua resposta na recusa de dela em responder e Naruto olhou de uma para a outra novamente. Por Kami, ele só passara alguns dias fora.

— Kumiko... Quantos? – Perguntou Naruto que não tinha uma experiencia muito boa com beijos. Não queria dize-la a irmã, mas definitivamente precisava perguntar a ela.

— Oito. – Ela admitiu contrariada. Naruto arregalou os olhos, assustado.

Francamente, até Keiko, que era a pessoa mais fria que ele já conhecera, já tivera algum relacionamento. Naruto começou a se sentir passado para trás pela própria irmã.

— O Uchiha, é? – Perguntou Akane, Keiko revirou os olhos.

— E eu me enganando que você tinha vergonha de falar de homens. – Disse Keiko bufando. Naruto riu alto, era engraçado vê-la assim. – Você é uma desavergonhada, Akane.

Naruto começou a rir, mas o coração ficava mais leve. Keiko parecia mais leve, apesar de claramente não ter nem iniciado a dizer o que causara aquela crise. Ela estava melhorando, se abrindo, lentamente...

Por ora, aquilo bastava.