A Amazona E O Cavaleiro Das Trevas

13 Capítulo 13: Um novo Alfred


Notas iniciais
Vamos nos aprofundar no passado do nosso querido Alfred, boa leitura.(Sob o ponto de vista de Dick Grayson)

Acordei no dia seguinte ao casamento pensando como eu, Tim e Bárbara iríamos olhar por Gotham durante a semana que estaria a nossa frente, apesar de já termos individualmente provado que somos capazes de nos cuidar sem ele, talvez ainda não tenhamos a capacidade de olhar por nós e por Gotham ao mesmo tempo. Tomei um banho e resolvi ir até a cozinha, olhando pelo horário, Alfred estaria lá preparando o café da manhã e eu estava precisando de algumas palavras de conforto dele. Desci até a cozinha já vestido em algumas de minhas roupas mais casuais, e já nas escadas comecei a ouvir algumas risadas vindas da cozinha, imaginei que poderiam ser Tim e Estelar fazendo companhia a Alfred, porém quando cheguei lá, vi uma moça jovem sentada na bancada ao lado do fogão, olhando para um homem alto, de curtos cabelos negros que cozinhava algo, na hora fiquei curioso, surpreso por dois estranhos estarem na nossa casa e furioso por estarem invadindo nosso lar, porém quando fui proferir a primeira palavra, pude ouvir o homem dizer.

- Bom dia jovem Dick, dormiu bem?!

- Eu... – Eu gaguejei, aquela voz era tão familiar para mim quanto o rosto de Bruce, apesar de bem mais jovem, era a voz de Alfred, eu me aproximei, ele desligou o fogo e se virou, quando eu vi seu rosto, agora jovem, ele me abraçou forte – É você mesmo Alfred?

- Sim – A mulher de cabelos negros havia falado com uma animação que me lembrara de Bárbara, ela havia servido todos os pratos com as panquecas que Alfred acabara de preparar e pegou os copos e os pôs ao lado dos pratos, veio até o nosso lado e sorriu.

- Quem é ela? E como você rejuvenesceu?

- Tudo se resume a ela – Alfred a abraçou e beijou-lhe a testa – Ontem, no casamento nós nos conhecemos, por alguma razão ela leu minhas lembranças e se apaixonou pelo que viu.

- Como assim leu suas lembranças?

- Sou uma deusa, Athena, vim no casamento porque sou prima de Diana e acabei conhecendo Alfred...

- Então quer dizer que o nosso vovô conquistou o coração de uma deusa? Que romântico... – Bárbara tinha ouvido a conversa e entrado, ela apoiou as mãos em meu ombro e beijou minha bochecha – Uau! – Ela fez uma feição de surpresa quando viu o rosto de Alfred – E o deixou jovem e bonitão pra você... Você não é boba – Riu.

- Bom dia meninos, o que estão papeando? – Shayera tinha acordado e acabado de entrar na cozinha – Alfred?! – Como todos, ela ficou surpresa e logo se sentou em um dos bancos da cozinha.

- Depois eu explico – Alfred pegou um bule e serviu uma xícara de chá para Shayera – Beba, o preparei para aliviar seus enjoos – Sorriu.

O resto da manhã se seguiu sem a presença de Alfred, ficamos no jardim da mansão jogando futebol enquanto Alfred e Athena ficaram na caverna, fazendo não sei o que. Na hora do almoço todos estavam sentados a mesa, com exceção de Alfred e Athena, os pratos estavam todos servidos, porém ninguém iria comer antes que Alfred chegasse, quando ele entrou, passando pelo arco que dividia a cozinha da sala de jantar e se sentou na cadeira normalmente usada por Bruce, com Athena ao seu lado, de pé, com ambas as mãos postas sobre seus ombros todos ficaram boquiabertos, com exceção de nós, os três que o havíamos visto mais cedo. O primeiro a falar foi Wally.

- Jarvas? – Ele gaguejou – Me conta qual é o creminho que você usa, porque ele funciona pacas...

- Não acredito que é o Alfred, ontem mesmo ele parecia ter uns setenta anos – Garfield ficou com o queixo caído imaginando como aquilo havia acontecido.

- Acredito que todos vocês mereçam uma explicação para tudo isso – Alfred interrompeu as declarações e tomou a palavra – Ontem, durante a festa de casamento, eu conheci a linda Athena – Ele pôs a mão em seu ombro, sobre as mãos dela, porém continuou a olhar para nós – Tudo foi muito rápido... Em um momento eu a estava servindo, no outro ela me trouxe de volta a juventude e me beijou... – Alfred dava cada detalhe como se nos devesse explicações – Não pude me controlar, quanto mais eu tentava pensar claramente mais minha mente falhava e meu coração batia mais forte, sempre fui racional desde a adolescência, mas toda a racionalidade caiu naquele momento e eu me apaixonei...

Ninguém disse mais nada, todos sorriram após ouvir as declarações de Alfred, todas as garotas se abraçaram aos seus respectivos namorados, como se as palavras de Alfred as inspirasse a cuidar de seus sentimentos, vi Athena olhar a cena e corar, mas logo em seguida todos nós comemos silenciosamente, era impossível imaginar o que estaria na mente de cada um deles.

Quando o almoço terminou Ravena e Garfield se ofereceram para lavar os pratos enquanto eu, Bárbara, Alfred e Athena fomos para a caverna enquanto Victor, Tim e os outros voltaram ao jardim para jogar futebol. Alfred olhava os uniformes até que abriu o compartimento do traje de Bruce e pegou o cinto, o fitou por alguns minutos até que pegou alguns bumerangues e os atirou contra os alvos com maestria impressionante, acertando todos.

- Olha como a pontaria é boa – Bárbara ficou surpresa.

- A experiência leva a perfeição – Alfred ironizou.

Ficamos mais alguns minutos na caverna conversando até que Athena e Bárbara subiram para a cozinha comer algumas frutas e eu fiquei conversando com Alfred.

- Al, me conta como isso tudo aconteceu? De uma hora pra outra você se apaixonou?

- Jovem Dick, nem mesmo eu entendo como me apaixonei tão subitamente, afinal nunca fui muito passional, bom, não depois de meus quarenta anos – Alfred olhou pro teto e suspirou – Jovem Dick, quer ouvir minha história?

- Seria um prazer.

- Bom, logo quando eu me formei na faculdade de artes cênicas de Londres, passei a trabalhar como faxineiro em um grande teatro, até ter minha chance como ator, fiquei dois anos trabalhando como ator coadjuvante até ter minha chance como protagonista, não passou muito tempo até um agente da Scotland Yard me recrutar, já que acreditava que meu talento para atuar me seria útil trabalhando disfarçado. Eu na época não imaginei os perigos que esse emprego me traria, mas cumpri meu dever por vários anos sem nunca ser descoberto. Depois de muitos anos na Scotland Yard eu, já com trinta anos, sai e me alistei na marinha britânica, foram anos lá como médico depois que me formei, logo nos primeiros anos de serviço conheci uma mulher, o meu primeiro verdadeiro amor, uma linda oficial médica chamada Leslie Thompkins, vivemos um longo tempo juntos até que deixamos a marinha e viemos para a América, Leslie e eu passamos a trabalhar na faculdade de medicina onde ela foi professora de Thomas Wayne, logo eu e Leslie não mais convivíamos como antes, a vida de professora a afastara de mim e eu que fugia de meu passado “animado” agora era mordomo do jovem Thomas que acabara de se formar e se casar com a bela Martha Wayne. Tudo o que eles sabiam sobre mim era que eu fui uma grande paixão da professora de Thomas, mas ainda assim confiaram em mim e me abrigaram em seu lar, jurei que eu sempre os protegeria com todas as minhas forças e foi assim até que o jovem Bruce nasceu, foi o dia mais feliz da vida deles, aquele pequeno garotinho foi a luz dessa casa pelos oito anos que se seguiram até o evento trágico, quando soube fui até lá o mais rápido que pude quando cheguei a delegacia tudo o que encontrei foram Leslie e Jim Gordon consolando o inconsolável Bruce Wayne, nunca contei a ele essa história, nem meu envolvimento com Leslie, hoje minha paixão por ela se tornou um amor fraternal, por ela ter tanto me ajudado a me trazer até esse jovem que criei como meu filho e a vocês, meus queridos netos de coração.

- Alfred... Não sei o que dizer... – Eu fiquei sem palavras, o senhor educado e gentil que conheci foi em sua juventude um herói tão grande quanto o que sou ou até mais, naquele momento o admirei mais e mais.

- Agora, não sei como, o beijo daquela mulher reviveu meu coração adormecido com uma intensidade que eu jamais havia imaginado, me aqueceu com uma paixão que eu nunca havia sentido, nem com Leslie... Agora que o jovem Bruce saiu de suas sombras e voltou a carregar um verdadeiro sorriso, sinto que cumpri minha missão e quero poder fazer aquela mulher feliz...

- Alfred... Você vai embora?

- Não sei jovem Dick, preciso conversar com o jovem Bruce para decidir sobre isso...

Foi a primeira vez que senti tanto medo depois de perder meus pais, um dos homens em que eu mais confiava, aquele a quem eu considerava um avô, eu poderia perde-lo?

Notas finais
No proximo capitulo teremos a volta dos nosso heróis.