A Alma de minha Vida...

1 Capítulo I - A Criança da Floresta...


Notas iniciais
Então, não posto nada há uns 2 meses... Minhas outras fics, estou com um bloqueio de criatividade, porém essa me surgiu do nada!
Era para ser uma one-shot, mas percebi que ficaria muito grande se fosse assim, então serão 3 capítulos. Estarei postando os outros até o fim da semana!

Peço que prestem atenção nos trechos em itálico nos capítulos, pois juntando todos, forma um texto que simboliza o desfecho da fic.

É isso aí, boa leitura o/

Quem chegasse àquela rua, estranharia o silêncio predominante. As casas fechadas, o aspecto de abandono predominando em cada canto. Aos que fossem levados pela curiosidade, perceberiam que algumas casas possuíam sinais de vida. Embora, transmitissem uma vida obscura.

Já perdera a conta de quantas pedras jogara no lago à sua frente, sentado na grama. Estava cansado de esperar seu irmão o encontrar. Detestava ter que admitir que se encontrava perdido, apenas por isso que ainda estava naquela clareira. Jogou uma nova pedra, vendo as ondulações na água. Irritado consigo mesmo, bagunçou os fios negros, se não fosse por querer ser o melhor no esconde-esconde, não estaria ali.

Ouviu o som de alguns galhos se partindo. Levantou-se num salto, esperando encontrar o mais velho, porém seu pedido não fora atendido. Ao seu lado estava outro garoto, esse menor que si, os cabelos louros em uma combinação perfeita com os olhos cerúleos:

- Está perdido? – a voz suave chegou aos seus ouvidos.

- Por que eu estaria perdido?

- Você tá com cara de perdido, ‘ttebayo!

Voltou a se sentar na grama, nunca que admitiria não saber voltar para casa. Ainda mais para um completo estranho. O silêncio se instalou na clareira, pensou estar novamente sozinho, no entanto, percebeu o menino sentando-se ao seu lado.

Observavam o lago que, naquele momento, possuía tons laranjas e vermelhos devido ao entardecer. Olhou o menor ao seu lado, os poucos raios de sol iluminavam seu rosto, deixando-o mais bronzeado. Reparou nas cicatrizes que o mesmo carregava em ambas as bochechas, curioso com a origem delas. Parecia ser uma criança frágil, pois era perceptivelmente bem magro. Talvez estivesse doente? Meneou a cabeça achando-se idiota, afinal, quem que deixaria uma criança doente sair por aí assim? Ninguém.

Tornou a admirar o lago, não percebendo os olhos azuis o analisando. Uma brisa gélida percorreu a clareira, provocando-o um arrepio de frio. Era bom que seu irmão chegasse logo, não queria estar ali quando a noite caísse:

- Meu nome é Naruto, Uzumaki Naruto, e o seu?

- Uchiha Sasuke... – respondeu, direcionando o olhar para o louro.

O garoto abriu o maior sorriu que já vira até então, os dentes brancos alinhados perfeitamente, parecendo iluminar tudo ao redor. Observando com atenção, percebeu que vestia boas roupas e, apesar de magro, era bem cuidado. Desviou o olhar sentindo o rosto esquentar, por que ele tinha que lhe parecer justo um anjo?

- Se estiver perdido, posso te guiar para fora da floresta, Sasuke.

- Você sabe o caminho?!

A risada do menor preencheu a clareira. Quando se tocara do desespero que havia na sua voz, o moreno bateu na própria testa, irritado. Reparou em Naruto se levantando, batendo nas roupas para tirar a grama que ficara presa, e fez o mesmo. Caminharam em silêncio, o louro na dianteira abrindo passagem pelas árvores.

Sasuke quase abraçou o rapaz de felicidade ao ver a sua rua, quase. Ao invés disso, apenas agradeceu, sua voz seca como sempre. No entanto, nem por isso deixou de receber um caloroso sorriso por parte do outro:

- Espero te ver de novo, Sasuke! – o Uzumaki virou-se para o outro lado.

- Ei, Naruto! Quantos anos você tem?

- Huh? 7 anos!

- Eu também... – sorriu de leve – Até outro dia...

Assim que adentrou em casa, foi sufocado pelo abraço de sua mãe. Atrás dela, pode ver Itachi, o mesmo mantinha uma expressão preocupada. Provavelmente, procurara-o por todos os cantos. Quando se viu livre dos braços maternos, preparou-se para o sermão que seguiria, todavia, apenas foi chamado para o jantar.

Antes de adentrar a sala de jantar, sentiu o aroma de macarrão no ar. Mikoto fizera exatamente o que mais gostava, macarrão com molho de tomate, muito tomate. Sentou-se faminto e se pôs a comer, lembrando-se só ao final do garoto que conhecera:

- Um garoto me ajudou a voltar para casa... – falou sem muito interesse.

- Que menino gentil! Quem seria? – sua mãe parecia empolgada com a ideia de um amigo.

- Ele disse que se chamava Uzumaki Naruto...

- Uzumaki...? – a voz de Itachi saiu confusa.

Observou a mãe e o irmão se encararem, algo no olhar deles parecia incrédulo. Estranhou isso, tendo certeza que não se enganara com o sobrenome do louro. Quando ia perguntar o motivo da troca de olhares, a matriarca lhe deu um gentil sorriso:

- A família Uzumaki morreu ano passado, querido...

- Você deve ter se enganado, otouto... – seu irmão voltara a comer.

Bufou irritado, por que ninguém acreditava nele? Levantou-se estressado, dirigindo-se direto ao quarto.

Quem fosse até o fim da rua, encontraria uma casa com a porta semiaberta. A tinta descascando, revelando as infiltrações de água na construção. Os mais atenciosos, notariam um leve movimento em uma das cortinas, no segundo andar da casa. Movimento esse que logo se encerrou.

Corria por entre as árvores, as vezes pulando por algumas raízes elevadas, outras se abaixando de galhos muito baixos. Sua risada ecoava por todo o ambiente, límpida e sonora. Atrás de si, era possível ouvir passos apressados, parecia que tentavam o alcançar a todo custo:

- Você não irá me pegar, Naruto! – novamente riu – Muito, muito lento!

Ouviu um xingamento por parte do outro garoto, o que apenas o fez cair na gargalhada. Deixou-se cair na grama assim que chegou à clareira, o peito subindo e descendo rapidamente, ofegante. Fechou os olhos, sentindo o orvalho resfriar seu corpo quente. Logo sentiu um movimento ao lado, abriu os olhos e sorriu para o louro que tentava respirar:

- Kuso... Sasuke! – a voz suave soava frustrada – Você tem jatos nos tênis?

- Quem colocaria jatos em um tênis, dobe?

O menor resmungo chateado, o que causou uma nova crise de risos no moreno. Quando o mesmo se recuperou-se, notou os olhos cerúleos o observando atentamente. Tinha certeza que começara a ficar vermelho, pois suas bochechas queimavam. Naruto pareceu perceber a situação, pois voltou o olhar para o céu, o rosto bronzeado rubro de vergonha.

Já havia se passado um mês desde que se conheceram nessa mesma clareira, quando então passaram a se ver todos os dias. Era o Uchiha chegar da escola, que almoçava e fazia seus estudos o mais rápido o possível, para correr ao encontro do louro. Não se importava se sua família não acreditava em si, confiava no amigo como nunca confiara em alguém.

O silêncio instalou-se entre eles, ambos olhando o céu. As nuvens manchavam o azul, tomando formas engraçadas. Estava tão concentrado, pensando nos desenhos brancos que via, que não reparou a aproximação do Uzumaki. Percebeu o peso em seu peito, deparando-se com um mar de fios de ouro. Por instinto, levou a mão até lá, afagando a cabeça do amigo. Esse fechou os olhos, deliciado com o carinho que recebia:

- Sasuke...

- Hm?

- Promete que sempre vai estar ao meu lado? – a voz tão alegre possuía um pingo de tristeza.

- Claro! – respondeu firme – Somos amigos, Naruto!

- Hai...

O louro aconchegou-se mais a si, deixando Sasuke preocupado que ele estranhasse o quão acelerado seu coração estava. Não entendia o porquê, não controlava as reações de seu corpo. Sentiu a típica brisa da clareira, trazendo com ela o aroma perfumado que desprendia de Naruto. Fechou os olhos, apreciando a fragrância. A respiração do menor acabou por se tornar mais lenta após um tempo, com isso precisou abafar o riso. Aquele dobe conseguira dormir naquela situação.

Deixou-se levar pelo silêncio, também se entregando ao cansaço. As folhas mais altas chacoalhavam ao vento, trazendo uma sinfonia natural aos garotos que dormiam. Embora estivessem no princípio do outono, o calor do verão ainda era presente, deixando o clima agradável.

Naruto abriu os olhos, sonolento. Levou um tempo até se acostumar com o ambiente, percebendo ainda estar deitado no peito do moreno. Sentou-se, observando o garoto adormecido ao seu lado. Seu típico sorriso havia deixado espaço para uma expressão desolada.

Suspirou, massageando as têmporas. O vento bagunçou os fios dourados, levando junto as poucas lágrimas que deixara cair sem perceber. Afastou alguns fios negros que caiam no rosto de Sasuke, reparando o quão profundo era seu sono:

- Né, Sasuke... – sussurrou incerto – E se eu morresse...?

Tornou a deitar, fitando o céu que começava a ser tingido pelo crepúsculo. Seus pais deveriam estar sentindo sua falta já. No entanto, não poderia deixar o moreno, não naquele momento, não quando finalmente conseguira ser seu amigo. Lembrava-se quando se mudara para a mesma rua em que a família Uchiha morava. Sempre observava Sasuke brincando com o irmão, em como Itachi parecia onipotente e inteligente.

Tentara algumas vezes chamar a atenção dele para si, mas sua presença era quase inexistente. O primogênito era o único na vida do amigo até então. Seus pais também nunca o deixaram sair de casa sozinho, não podia brincar na rua como os demais. Por isso, em nenhum momento se surpreendeu por não ser notado pelo Uchiha mais novo:

- Eu continuaria ao seu lado... – a voz rouca preencheu o silêncio.

Naruto, surpreso por ter sido ouvido antes, virou-se para o moreno. O mesmo sorria tranquilamente, embora estivesse confuso com a expressão triste do Uzumaki. Queria muito entender a razão por trás daquela pergunta, mas fora interrompido por um abraço do menor.

Ficaram assim por alguns minutos, período em que podia ouvir os batimentos do louro perfeitamente. Apertou-o mais contra seu corpo, uma sensação ruim tomando seu ser. Balançou a cabeça, tentando afastar aquele sentimento:

- Acho melhor voltarmos, Sasuke...

- Uhum... – afagou os fios dourados.

Ambos se levantaram, guiados pelo Uzumaki para saírem da floresta. Embora fosse todo o dia lá, o moreno não conseguia memorizar o caminho de forma alguma. Por isso não entrou mais sozinho, com medo de se perder sem que o amigo pudesse o levar de volta para casa.

Quem decidisse entrar no local, notaria o casaco encharcado atrás da porta e os sapatos jogados de qualquer forma no chão. Os movidos pelo fascínio, notariam as louças sujas abandonadas na mesa de jantar. Na estante, um porta-retratos virado de cabeça para baixo.

Quanto tempo se passara? 5 meses? Sasuke perdera a conta de quando o louro entrou em sua vida. Não tocara mais no assunto com ninguém de sua família, o que parecia deixá-los contentes.

Olhou o relógio na cabeceira da cama, logo o amigo estaria chegando. Convidara-o para passar a noite em sua casa, naquele dia seus pais saíram em viagem e Itachi estava ocupado com os estudos. Acabou de arrumar o quarto, tomando o cuidado para deixar tudo organizado como gostava.

Enquanto passava pela janela, vislumbrou o Naruto chegando. Correu escadas abaixo, não querendo que a campainha fosse tocada, de forma a não chamar a atenção do irmão. Chegou a tempo de abrir a porta no instante em que o menor se preparava para apertar o botão, deixando-o atônito:

- Ehh?! O que houve, Sasuke?

- Nada! Vamos, entre!

O Uzumaki entrou, ainda confuso com toda a pressa do moreno. Observou a casa atentamente, reparando em como era tudo tão organizado e limpo. Segurou a vontade de rir, aquilo era tão a cara dos Uchihas. Teve a atenção chamada pelo outro, que parecia estar o esperando há algum tempo na escada.

Subiram em silêncio até o quarto, era óbvio que Sasuke tentava não atrair a atenção de quem estivesse na casa. Ao adentrarem o cômodo, o louro abriu a boca em espanto. Era tudo muito arrumado e monocromático, resumia-se a um misto de azul e branco:

- Vocês têm algum TOC por organização, teme?

- Cala a boca, Naruto!

O Uchiha sentou-se na cama de casal, convidando o amigo a sentar ao seu lado. Enquanto Naruto se aconchegava no colchão, pegou os controles do Xbox e alguns jogos. Voltou-se para o lado, encontrando o menor deitado de bruços, as safiras vidradas na escrivaninha. Dirigiu seu olhar na mesma direção, vendo uma das suas pelúcias ali em cima:

- Hey, Sasuke... – a voz suave o chamou – Onde encontrou essa raposa?

- Achei ela quando estava vindo da escola, ano passado... – deu de ombros – Estava largada ao lado da ponte que tem aqui perto.

Observou o Uzumaki se levantar e buscar a raposa, para então voltar a se sentar na cama. Arqueou uma sobrancelha, indagando a ação do outro. No entanto, ele parecia concentrado demais em mexer na pelúcia, analisando-a de todas as formas possíveis. Quando estava prestes a perguntar o que havia de tão interesse em um brinquedo, Naruto começou a chorar em silêncio:

- Eu costumava sempre ver uma criança com essa raposa, aqui nessa rua...

- Huh? Sério? – estava curioso.

- Hai... – o menor abraçou a pelúcia – Mas... Parece que ele e os pais sofreram um acidente, ano passado, na ponte... Disseram que ninguém sobreviveu...

O Uchiha engoliu em seco. Será que Naruto falava da mesma família que sua mãe mencionara naquele dia? Apenas ele não soubera de nada sobre o tal acidente? Puxou o amigo para um abraço, visto que esse parecia abalado ao encontrar a raposa daquela criança.

Achou melhor o distrair com algo, por isso logo deu início a uma competição de videogame. Sorriu ao ver que tivera sucesso, o louro estava focado em o derrotar em todos os jogos possíveis. Passaram o resto da tarde jogando, vez ou outra, Sasuke ia até a cozinha roubar algo para comerem. Para alívio de ambos, Itachi não dera as caras. O mesmo ficara o dia todo no quarto, estudando para as provas finais.

Sentia-se feliz com a intenção do moreno de o distrair, porém sua mente estava presa em Kurama, a raposa de pelúcia que Kushina o deu de presente aos 5 anos. Em nenhum momento, pensou que a veria novamente. Estava contente, apesar de a dor que sentia ser muito mais forte. Olhou de esguelha para o maior, procurava nele qualquer vestígio do porquê de aquilo estar acontecendo. Por mais que pensasse, não entendia como era possível que Sasuke fosse seu amigo, não àquela altura.

Já era quase 21:00 horas quando deixaram o videogame de lado, prontos para tomarem banho e se jogarem na cama. O Uchiha não via problema em dormirem juntos, afinal tinha uma cama de casal. No entanto, isso não significava que não tenha hesitado em sugerir tal coisa. Ou que não tenha ficado vermelho quando o louro concordou, abrindo seu típico sorriso.

Deitaram-se, ambos cansados pelo excesso de TV. Naruto ainda mantinha em seus braços a pelúcia, porém Sasuke já não se importava. Estava extremamente feliz, ganhara um amigo que até viera dormir na sua casa, coisa que antes nunca acontecera. Fechou os olhos, sentindo o sono o tomar, todavia, sentiu quando o louro pegou em sua mão antes de adormecer. Um sorriso sereno no rosto de ambos.

Notas finais
Gostaram? Reviews são bem vindas sempre haha'
Se não gostaram, bom, fazer o que, acontece ^^'

Beijos, até o próximo!