A Academia
1 Prólogo
As sacolas pesavam em suas mãos enquanto Albert caminhava pela calçada em frente ao supermercado, se apressava para poder chegar o mais rápido possível. Pensava em estar nos braços de Victoria, que agora esperava seu segundo filho, e em sua pequena Isabelle. Queria apenas ficar feliz ao lado das pessoas que amava.
Até que ouve um grito não muito longe de seu destino.
– Mamãe! Mamãe!! Levante!!
Naquele momento tudo começou a ficar em câmera lenta, as sacolas caíram e as compras se esparramando ao chão mas, Albert não percebeu. Quando voltou à tona, estava correndo o mais depressa possível. A voz era de sua filha.
Quando conseguiu enxerga-la, parecia estar ajoelhada ao lado de um saco de roupas mas, quanto mais chegava perto, percebia quem realmente era.
Deitada no chão se encontrava uma mulher de cabelos longos e pele clara. A posição em que estava deitada era a dos filmes, com membros contorcidos e cercados por uma poça de sangue. Albert se lembra de quando via isso nos filmes e ela ria, uma gargalhada gostosa que mudava todo o clima monótono do filme. Agora foi sua vez de rir, enquanto seus olhos de enchiam d' água.
Se ajoelhou ao lado dela, debruçando-se sobre seu corpo e encharcando seu rosto de sangue, diluído por suas lágrimas. Ao longe, ouvia passos pela rua deserta que tinham um ritmo entre um soluço e outro.
Duas mãos seguraram firmemente seus ombros e o afastaram do corpo inerte de sua mulher e um sussurro atingiu seu ouvido direito.
– Você quer vingança? — A voz grave fez passar um calafrio por todo o seu corpo enquanto memorias de Vic eram ressuscitadas em sua mente. Seu sorriso, seus sedosos cabelos e alva pele preencheram toda sua cabeça por um curto tempo de espaço, até que começaram a se dissipar. Seus olhos não passavam de borrões, tudo começava a ficar embaçado, e com apenas um piscar de olhos, ela se fora. A única lembrança que restara dela estava ali, sua pequena filha de apenas três anos pedindo para que a sua mãe volte de um lugar onde não há volta. Parecia que o homem atrás dele também viu o que ele observava.
– Você quer um lugar seguro para a sua filha? – Era tudo que restava para ele, e ele faria o possível e o impossível para salvá-la, sua única lembrança de Victoria, sua única esperança. E vingaria cada gota de sangue derramado dela naquela calçada.
– Sim – Albert disse que uma voz firme e fechando as mãos até os nós dedos ficarem brancos. – É tudo o que eu mais quero. – Apenas escutou o sussurro da voz fria em seu ouvido como resposta.
– Bem-vindos à Academia.
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