Marshall parecia um menino normal, não um lobisomem, o que me deixou aliviada. Mas a história de que seu grupo havia se separado e tentava achar recrutas para a guerra era meio... Questionável, para falar o mínimo.

–Como conseguiu entrar? — eu perguntei.

–Fui mordido por Licáon... Isso deve ser o mesmo do que ser uma das caçadoras de Ártemis ou algo assim. Por isso consegui entrar. Você... é uma semideusa, certo?

–Sim.

–Que bom que não é parte daquelas arqueiras loucas de da deusa da Lua. — ele sorriu.

Eu soube bem o que ele quis dizer com aquela frase, mas deixei pra lá. Os flertes dele eram fofos, na verdade.Mas eu não tinha tempo pra isso, e eu ainda não havia falado com Gote sobre... o beijo.

–Melhor eu te levar para a Casa Grande. Você pode se recuperar lá.

Eu o levantei e coloquei seu braço em volta do meu pescoço, quando me dei conta de que era 40 centímetros mais baixa que ele, e apesar de ser forte, aquele cara devia ter uns 80 quilos ou mais.

–Espere aqui, vou pegar um cavalo.

–Não precisa... — ele levantou. — Eu não quero ir pra lá mesmo.

–Marshall, você e eu estamos lutando contra os mesmos caras, e você está ferido. Deixa eu te ajudar. Não custa nada você ficar aí e não sumir até eu voltar com uma porcaria de cavalo, ok? Sua alcateia não está aqui pra proteger você. Eles recrutam lá, você fala com Quíron aqui. Agora, fique quieto.

Ele não retrucou, apenas afirmou com a cabeça que sim, então eu fui pegar o cavalo. Quando voltei, ele estava apenas alguns metros longe, perto do riacho:

–Eu fiquei com sede.

Coloquei-o em cima do cavalo, atrás de mim e fomos devagar para não chacoalhar muito. Quíron fez as mesmas perguntas a ele enquanto colocava ataduras e curativos:

–Ele está começando a ficar com febre... Vou chamar Annabeth para me ajudar.

–Não! Deixe que eu faço. Apolo me ensinou. — e me sentei do lado dele.

Algo estava estranho e ainda não se encaixava. Sabe aquela sensação ruim? Como se todos os instintos do seu corpo te avisassem que ali não é seguro?

–Você ainda não disse de onde veio. — ajeitei as ataduras em sua testa.

–É porque eu não disse mesmo. — ele abriu os olhos, e eles estavam de um vermelho profundo. — Não fique com medo. — ele fechou-os. Deve ter percebido minha cara de espanto.

Eu me levantei e me afastei.

–Desculpe. É coisa de lobisomem. — ele riu. — É um instinto que eu luto contra desde que... Desde que tudo isso começou.

–Vai me contar a verdade agora?

–Tudo bem... — ele respirou fundo abrindo os olhos de vez. — Só não se assuste. Nem me mate.

–Tudo bem, vou tentar.

–Tudo começou... quando eu tinha uns 12 anos. Eu era órfão e Licáon me tirou de lá com seu bando. Vivi com eles desde então, quando começaram os ataques. Eles eram muitos... Vinham de noite quando os sentidos deles eram aguçados como os nossos. Como eram silenciosos... Eles, eles.. Eles quebravam os pescoços enquanto dormíamos na forma de lobos, faziam isso com 7 ou 8, depois iam embora. O sentinela morria sempre. De 50, nos reduziram para 6 em menos de um mês. Eles sempre nos encontravam. Sempre. Outros bandos estavam sofrendo o mesmo. E alguns variantes da nossa espécie também. Há vários tipo de lobisomens. Há lobos, coiotes, raposas, chacais... Estavam matando os bandos de todos eles. Então, uma noite... Eu resolvi ir embora.

–Resolveu fugir. — eu disse.

–Eu tinha que me salvar! Achar um lugar seguro!

–Como achou aqui?

–O plano era chegar aqui desde o início. Eles começaram a correr, sem descansar. Foi quando pegaram eles. Licáon conseguiu fugir. Mas seus filhos... Todos mortos. Ele logo chegará na Colina. Esperamos outros bandos aqui.

–Então o Acampamento estará cheio de cães? — eu olhei pra ele.

–Provavelmente. Mas de número bem reduzido. Os vampiros estão se unindo a todas as suas espécies em diferentes culturas. Inclusive grega. Aquelas dracaenaes, e outros bichos de Hades. Há vampiros até da mitologia hindu se juntando. E eles não têm nada a ver com o Edward. — então, ele se encolheu de dor.

–Está doendo muito? Fique calmo, você está seguro agora.

–Casha? — Quíron surgiu na porta em forma de cavalo. — preciso de você na fogueira, é importante.

Eu não tive escolha senão deixá-lo sozinho. Eu sabia que ele estava seguro.

Logo, eu via altas labaredas iluminar fileiras de meio-sangues:

–Boa noite! — Quíron dirigiu-se ao pessoal, enquanto eu ficava de pé ao seu lado, esperando ser apresentada. — O Senhor D. também deseja uma ótima noite! — os aplausos eram fracos, mas ainda existiam. — Hoje, recebemos uma mais nova meio-sangue: Casha...

–Só Casha, por favor, Quíron.

–Casha. Pois sim, vocês ouviram.

–Filha de quem? — a pergunta surgiu anônima na arquibancada.

–Indeterminada ainda. — Quíron contornou a situação. — Mas logo será reclamada. — Hoje, meus caros. — ele tomou a voz mais séria. — Tenho o que receio ser... Más notícias. Tivemos um ano de descanso, mas uma nova força ameaça nossa paz. Muitos de vocês já conhecem: vampiros. Muitos enfrentaram as dracaenas, ou as fúrias, que são muito parecidas... Bem, vocês também viram as personalidades gregas e romanas dos deuses... Hã... Instáveis. Agora, essa raça se junta a um grupo ocidental, os vampiros popularmente conhecidos. Eles estão transformando os humanos e planejando um mundo onde só exista presas e predadores. Isso, claramente perturba a ordem do mundo mortal.

–Deixa isso pro Van Helsing! — alguém gritou.

–Infelizmente, isso não é possível. O Olimpo conta conta a ajuda dos heróis. E, é claro, de novos aliados. Vocês talvez não tenham tido contado com nenhum tipo de licantropo. Os famosos lobisomens. Aqui, sentados nessa fileira — Quíron apontou para umas 30 pessoas sentadas em um banco de madeira perto do Sr D. Então, eles já haviam chegado. — estão alguns deles. Alguns são coiotes... Outros lobos, eu ainda não estudei o suficiente mais farei as honras, me perdoem. — o centauro riu simpático. — Eu quero que comam bem, e que se divirtam, essa noite.

–Engraçado como não parecem tão preocupados... — eu falei baixinho.

–É, não são Gigantes mais antigos que os Deuses que são super difíceis de matar. São só morcegos, certo?

Virei-me e vi o par de olhos mais verdes que já vi na vida.

–Prazer, Percy Jackson.

Eu estava em choque, mas estendi a mão.

–Essa é minha namorada Annabeth.

–Prazer. — a loira disse.

–Prazer. — respondi.

–Então, o que temos de informação desses caras? — ela perguntou.

–Não muita coisa. — eu respondi sincera. — Apenas aqueles boatos da internet.

–Entendo. — eu vi preocupação nos olhos dela. Ela tinha noção do que era não ter informações, mas no fundo, eu via que ela estava calma também. Eles têm razão, o que é eliminar uns branquelos quando já se caiu no Tártaro e impediu o mundo acabar tantas vezes?

Não conversamos mais que isso, mas eu pude identificar os campeões da Liga Passada como Piper, Leo e Jason. Faltava mais dois, mas eu não estava preocupada em rastreá-los. Decidi voltar para a Casa Grande e checar se Marshall estava melhor.

Ele surpreendentemente estava se arrumando como se nada tivesse acontecido.

–O que...?

–Os lobisomens se curam rápido. Não estava curando pois tinha veneno. Quando eu lavei melhorou. Vamos?

Ele me acompanhou até onde o pessoal bebia em volta da fogueira e cantava enquanto um porco assava, quando eu percebi que estava incomodado:

–Qual o problema? — eu perguntei.

–Muito barulho, meu ouvido é sensível. — ele gritou de volta.

Então ele me puxou pelo braço e acabamos sentados em um píer na beira do riacho. Percebi que do outro lado, Percy e Annabeth também estavam descansando. E, depois, vi Jason e Piper mais ao leste e... Hazel e Frank. E Will e Nico.

–Ham.... — eu estava sem graça. Aquele lugar claramente não era pra nós. Quero dizer, eu cheguei hoje ele também.

–Eles são legais? — ele balançou a cabeça na direção do outro lado do rio.

–Sim, são. Acompanhei todas as aventuras deles do Céu. — sorri. — São ótimas pessoas.

–Do Céu? — ele perguntou.

–É complicado.

–Você bem que tem jeito de anjo. — ele riu de lado. — Digo, curando as pessoas e tal... Cuidando, você é legal.

–É... Obrigada. — ri também. Aquilo era meio desconcertante. Mas ao mesmo tempo, eu não queria ir embora.

–Você é muito bonita. — ele diz olhando pra água.

–Obrigada. Você também não é nada mal.

Ele olha pra mim.

–Eu não sou boa com...

E finalmente, ele não me deixa completar a frase. Que bom, porque eu não sabia como ia terminar mesmo. Eu só tentei resgatar o restinho da minha adolescência normal, e ter meu primeiro beijo. Meu primeiro beijo real, de verdade. Eu não estava apaixonada, nem nada... Mas ainda sim foi um beijo.

–É... — eu dei uma risadinha nervosa. — Foi meu... Primeiro beijo.

–Jura? — ele une as sobrancelhas. — Quantos anos você tem?

–Fiz 17 há pouco tempo. E você?

–Tenho 21.

Uou. Ok. 21. Normal.

–Você tem cara de 15. — eu rio.

–Todo mundo diz isso. — ele ri. — Acho que vou deixar a barba crescer.

–Você é um lobisomem. — eu digo.

–É. É só ficar 15 minutos sem se barbear.

Eu não pude evitar e ri.

–Então... Nunca fez muita coisa?

–O que quer dizer com "muita coisa"? — perguntei preocupada.

–Calma... Muita coisa quer dizer... Ser criança, adolescente. Você parece tão séria o tempo todo.

–É complicado. Mas respondendo a sua pergunta... Não. Não fiz muita coisa.

–Já nadou em um lado a noite? — pergunta ele tirando a camisa.

–Não. — olho pra grama.

–Não pareço mais ter 15 anos né? — ele ri e mergulha. — Vou ficar com cheiro de cachorro molhado! Vem! A água ta ótima.

No fundo, fiquei com vergonha. Percy e seu grupinho olhavam diretamente para nós. Eu acabei entrando de roupa, para que ele parasse de gritar.

–Você vai afundar. — ele disse. — Isso é uma armadura.

Eu me virei para que ele soltasse as cordas das amarras, e joguei na beira. A espada tinha ficado, mas as botas e as meias eu tirei depois também, quanta burrice.

–É a sua primeira vez? — ele pergunta.

–Sim.

Depois disso, ele me puxa pra perto. Está tão frio que nossos queixos tremem, mas minha mão está nos cabelos dele. E as mãos dele estão nas minhas pernas. Nós rimos enquanto nos beijamos, até que vimos que Percy e seu grupo começa a tirar a roupa e puxar o pessoal. Foi legal. O brilho de todas as estrelas refletiam na água e os vagalumes chegavam tão perto... As nereidas também devem ter gostado dos risos, pois algumas algas brilhavam lá no fundo.

Depois de quase congelar, cada um foi pro seu chalé, menos Marshall que foi pra Casa Grande. Provavelmente os outros lobisomens também.

Eu sentia que a batalha começaria logo.

Notas finais
Eu estou tentando fazer tudo isso em uma noite só... E está dando mais trabalho do que eu pensei que daria, mas tudo bem. Eu apaguei mais de 10 capítulos, dei outra espinha pra história, e ainda to dando um ar muito mais decente de escrita hahahaha Eu também vou reescrever a segunda temporada e depois vou partir para as outras! Kisses!