A Abelha Mentirosa
2 Capítulo 2
Raquel acordou em um hospital. Estava atordoada, meio tonta. Percebeu que estava sozinha na sala. Recebia soro pelas veias. Lembrou-se do carro em chamas. Aflita, gritou:
– Aahhh!!! Cadê a minha filha?
Levantou-se desesperada da cama, arrancou o soro e caminhou com dor até a porta. Antes de abri-la, olhou para baixo. Estava sangrando. Levantou a roupa esverdeada de hospital e percebeu que havia sido esfaqueada, mas não havia curativo nenhum. Tentou abrir a porta, mas estava trancada. Gritou por socorro e nada. Nenhum ruído. Olhou a sua volta, as paredes daquela sala eram escuras e esverdeadas, não pela tinta e sim pelos musgos. Aquele quarto fechado era quente e úmido e seu chão era cheio de poeira, fios de cabelo e o sangue de Raquel, derramado pelos seus cortes.
Olhou para um armário de madeira que ficava ao lado da sua cama. Correu para abrí-lo, mas estava sem forças. Seus joelhos caíram ao chão. Olhou em volta mais uma vez e antes de desmaiar concluiu: aquilo não era um hospital.
Enquanto isso, uma cidade mineira com um pouco mais de 20 mil habitantes chamada Jacutinga estava em estado de alerta. Ao menos oito crianças entre seis a onze anos foram encontrada mortas nos arredores do município na virada do dia.
O delegado local Jonas Minera que cuidava da situação recebia um telefonema.
– Alô? Jonas? Tenho mais notícias.
– O que...
– Melhor vir conferir.
O delegado foi até o local. Acharam a nona vítima. Mais uma criança morta. Era uma menina e ela estava intacta, como se tivesse morrido de causas naturais. Jonas e mais cinco policiais analisaram o entorno. O local ficava no meio do mato. Árvores e mais árvores. Jonas andou mais a frente e disse, surpreso:
– Olhem! Achei algo! Um rastro de carro...
Antes pudesse terminar a frase, um policial surgiu com um casal de idosos.
– Senhor, esse casal vive em uma fazenda aqui ao lado. Acho melhor escutá-los.
Nesse exato momento mais um policial surgiu.
– Olhe o que eu encontrei!
Esse policial trazia algo em suas mãos.
– Leia você mesmo! — disse o policial ao delegado. Jonas respondeu zangado:
– Mas que coisa! Vocês parecem vagabundos! Tudo eu! Você não sabe ler? Uma coisa de cada vez! Primeiro vou ouvir o casal aqui.
A senhora do casal se aproximou, aparentava ter uns 80 anos. Já banguela, ela disse aparentemente sem expressão:
– Essa noite acordei com tosse. Fui beber água na minha cozinha. Fui pegar o copo de água e vi umas luzes douradas que vinham desse local.
O senhor, mais ancião ainda completou:
– Ela me chamou assustada. E confirmo as luzes. Ficou uns cinco minutos lá, girando, descendo e subindo. Parecia fogo, mas não era.
O outro policial entregou o que trazia nas mãos. Uma espécie de livro. O delegado leu em voz alta o que estava escrito na capa:
– "Diário Secreto de uma Abelha"!
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