Notas iniciais
"O trabalho constituirá título de confiança em seu caminho"

Eu tinha que sair dali, e rápido porque aquilo não ia bater onde eu estava, mas no posto de gasolina... Gasolina! Não poderia nem sair pela porta da qual eu entrei, pois os encerebrados estavam lá forçando entrada... Peguei a mochila recolhi tudo que eu podia com toda a rapidez e quebrei uma das janelas ao lado da porta com um pedaço de cadeira que tinha ali dentro... Os encerebrados logo trataram de vir atrás de mim pela janela quebrada, deixando a porta livre... Ok tinha alguns na entrada ainda, mais muito poucos e isso não conta quando se está correndo pra sobreviver... Só tinha um problema, na hora em que eu comecei arrastar as barreiras que eu tinha posto na porta, eles entraram pela janela e começaram a puxar minha blusa e minha mochila e então aconteceu...

Apenas um barulho e um clarão para mudar a minha vida por inteiro. Bastaram alguns segundos pra que eu morresse.

“-Bom dia gente – Entrava a Dona Lúcia, uma professora de matemática muito legal – Como foi o final de semana de vocês?

Os alunos a adoravam, sempre dando ponto extra, distribuindo doces e balas pelas respostas certas ou às vezes até tentativas mesmo. A forma com a qual ela dava aula era mágica, todos prestavam atenção e sorriam felizes e ela não usava nenhum palavrão e nem fazia piadinhas sobre ninguém pra isso.

Suas aulas aconteciam não em formação com as cadeiras enfileiradas, mais em formato de “U” em torno do quadro, fazendo com que todos fossem vistos e observados por todos e com que ela se movimentasse e interagisse melhor. Trazia curiosidades sobre as aulas e toda a última sexta-feira do mês ela passava um filme.

Meu grande amigo Matheus de 18 anos, MC, crítico da sociedade e engajado em movimentos para a derrubada do capitalismo, sempre trazia uma visão interessantes nos debates sobre a matemática na turma. Viciado em teorias da conspiração, a matemática e os números eram muito bem usados por ele.

Uma vez caímos na porrada, daquelas de machucar, sangrar e irmos da diretoria à delegacia de viatura. Fomos babacas admito, mas aquilo apenas fortaleceu nossa amizade.

- Vai se ferrar cara! – Me xingou ele

- Mano, fica zoando a Jéssica pra tu ver!

- Quem, aquela gorda? Aquele planeta fora de órbita? Só serve pra ocupar espaço “rapá”

- Falou o magrão, se ferra aí na sua solidão. Só porque ela tem namorado você sente raiva dela – Todos sabiam que a implicância dela com ela e comigo era apenas um pretexto para brigarmos por ela já que nós dois gostávamos da Jéssica”

- ACORDA VAGABUNDO! O DIA JÁ NASCEU! ACORDA VAMOS, VAMOS! – Gritou um homem

Eu abria meus olhos lentamente e com muita dificuldade, não sabia onde eu estava nem quem eram e porque eu estava ali, apenas que... Um tapão foi o que eu tomei pra despertar daquela lerdeza toda.

- EU DISSE PRA ACORDAR, SE VOCÊ QUER FICAR COM A 1ª TEM QUE SER ATIVO, NÃO ACEITAMOS PASSIVOS – Idiota, sempre usando frases com duplo sentido – EI TO FALANDO COM VOCÊ! ACORDA IDIOTA!

Era um baixinho vestido com uma farda do exército... Mais que velhinho marrento hein... Eu estava agora numa espécie de tenda, com bastante barulho do lado de fora. Fui informado de onde estava e o que era aquilo:

- Bom dia senhores – Falou um cara que parecia superior, tanto em escala quanto em patente, ao meu amiguinho do “TALIGADO” – Bem vindos À 1ª Esquadra de resistência do Rio De Janeiro, mais conhecida como 1ª Do RJ. Este lugar tem aproximadamente 1500 pessoas cada uma com suas funções. Professores, médicos, psicólogos dentre outros. Meu Nome é Raphael e sou um dos três líderes que comandam a 1ª. Sou o líder militar da esquadra, por favor, dirijam-se a mim como General Raphael. Cada um de vocês foi designado a testes e serão levados a interrogatórios, pois não sabemos quem são ou o que querem, para que vocês possam se juntar definitivamente à nossa esquadra e serem realocados de acordo com as suas habilidades para outras tarefas e áreas.

Tudo ali parecia ser bem organizado e eu estava ansioso pra saber mais. Tinha em torno de 30 pessoas que não eram fardadas naquela sala, mais umas 10 fardadas.

- Vocês todos já foram tratados com os procedimentos médicos necessários, então vamos amanhã começar a série de interrogatórios. Boa noite a todos e sejam, novamente, bem vindos! – Então ele saiu da tenda e nós fomos divididos em grupos de três ou quatro integrantes.

Cada grupo foi saindo com um guia ou mesmo um líder, para fora da tenda. O meu grupo tinha eu, um cara e uma garota. Virei para o homem baixinho fardado na nossa frente e perguntei:

- Onde estão minhas...

- Boa Noite pra você também. – Cortou-me rispidamente – Educação é uma coisa que eu aprecio isso vale pros outros dois também.

- Boa noite – Respondeu os outros dois

-Boa noite – respondi eu – Prazer meu nome é...

- Cara, nada de apresentações agora, cala a merda da boca e vai dormir, vai ter muito que falar amanhã! – Me cortou novamente aquele maluco baixinho, que já estava me irritando – Você não tem o que refletir não? Pelo amor de Deus cara chato hein...

Calei-me como ele pedira, não queria causar problemas. Tudo lá fora era muito organizado, pareciam àquelas cidades do século XIII onde o comércio era feito de feiras e tudo era através de escambo. Muito interessante e nós estávamos em um... Bosque. Uma cidade no meio da floresta, que inteligente!

Todos olhavam pra nós que andávamos agora em fila indiana para dentro de várias tendas que estavam nos cantos... Eu e meu grupo fomos para a terceira tenda à esquerda e lá havia colchões com lençóis, água e pão. A iluminação era feita por tochas presas a pequenas barras de ferro fincadas ao chão.

- Boa noite, me chamo Marcelo e sou o 11º oficial de acolhimento da 1ª do RJ. – Falava ele de Nariz em pé – Estou aqui para cuidar e vigiar vocês para que nada façam até amanhã de manhã. Não quero conversas e muito menos perguntas. Sou rígido e exijo respeito. Boa noite e bom descanso.

Sentou em um canto da pequena tenda e nós nos arrumamos para deitar. Era tudo um pouco estranho, eu estava sem meu arco e flecha com comida e proteção. Deitei e comecei a adormecer:

“– Lucas, você está a salvo agora – falava uma vós calma e bem tranquila.

- Mãe? É você?

- Não interessa quem sou apenas estou aqui pra te auxiliar. A batalha não acabou apenas acaba de começar – Falou ela – Esse lugar que você está, proteja-o com todas as forças.

- Per aí, tô ficando maluco ou algo do tipo? – Questionei eu – Primeiro morro e agora to aqui...

- Você não morreu, desmaiou devido ao impacto e pressão. Tudo será esclarecido na hora certa

- Impacto? Pressão? – Eu me esquecera do Helicóptero, já que tudo corria desta forma – AH Tá! Lembrei-me agora

- Mas espera um momento, eu...”

- ACORDA VAGABAAAAAAAAA TÁ DE MANHÃ JÁ! O QUE VOCÊ TÁ ESPERANDO? VAI COMER OU VAI VIRAR COMIDA! – Babaca ainda fazendo piadinhas

- Mas o que é isso... – Cortaram de novo – AH PARA, TODA HORA TU ME COR...

- CALA BOCA EU JÁ FALEI SEM CONVERSA!

- Mas que diabos está acontecendo aqui? Posso Saber o porquê dessa gritaria toda? É muito barulho – General Raphael estava agora na entrada da tenda Querendo explicações.

- Esse menino aqui... –Lhe cortaram

- Apenas o faça ficar quieto, não precisa trata-lo assim. – Cortou Raphael

Após tudo isso, fomos levados a um lugar para comer e ali fomos servidos com café e frutas frescas. O nosso guia se calou durante o resto do dia até chegarmos a uma tenda bem grande toda revestida de panos pretos, deixando-a escura numa penumbra que causava certo temor psicológico.

- Grupo III do dia 27/05, primeiro candidato!

Era eu que entrava naquele lugar totalmente fechado, com cinco guardas à minha volta e dois homens e uma mulher à minha frente:

- Diga seu nome, idade e de onde és! – Falou a mulher vestida de jaleco branco – Prazer, meu nome é Janaína e sou a líder Civil da 1ª do RJ.

- Meu nome é Lucas, tenho 16 anos e venho de botafogo. Eu estava tentando chegar à floresta da tijuca já que lá as chances de sobreviver eram melhores. – Eles se entreolharam

- Prazer, sou João, líder civil-militar da 1ª do RJ. – Quais são as suas habilidades e o que pretendia fazer na floresta?

- Eu era atleta de arco e flecha, ainda pratico e é bem útil pra sobreviver nesses dias difíceis. Sou ágil pra pular, subir e correr tem movimentos leves devido a minha prática de parkour.

- Parkour? Mas o que é isso? – Perguntou Raphael

- parkour é um esporte que procura ultrapassar todos os obstáculos da paisagem urbana, como muros, carros, prédios, casas e etc. Muito bom para conseguir escapar dos Encerebrados.

- Me desculpe você disse encere o quê? – Perguntou Janaína

- Encerebrados, é como eu os chamo, esses monstros que nos caçam por aí.

- Você tem família? – Perguntou João – Viva?

- Sim, dois irmãos pequenos, João e Gabriela... Desapareceram durante esse caos todo. – Falei eu antes de começar a chorar – papai e mamãe morreram num acidente de carro. Minha irmã também se fora.

Eles se olharam e chamar um dos guardas.

- Pode descrever seus irmãos, por favor? – pediu Janaína – Quantos anos eles tem?

- A Bia tem seis anos e o Gabriel tem três. A bia é branquinha, cabelos longos, olhos claros e é branquinha. Seus cabelos são sedosos e tem uma deformidade no dedinho do pé. Já o Gabriel é moreno, gordinho e cabelo bem curto. Adora falar de animais.

Alguns minutos depois entrava outro guarda:

- Eles estão lá fora, esperando entrar Janaína! – Gritou um dos guardas da entrada da tenda, deixando um pouco da luz entrar...

- Ok! Mande-os entrar – Falou Janaína – São eles Lucas?

E então eu me virei...

Notas finais
o próximo só na sexta até mais galera!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.