Notas iniciais
"E se por um instante todos os seus pesadelos se tornassem realidade?"

Sou filho de uma brasileira com um americano. Meu pai nasceu em Wichita, no estado de Kansas. Ele é filho de um escocês com uma francesa. Minha avó, enfermeira, conheceu meu avô, fuzileiro da marinha britânica, durante a segunda guerra mundial. Então em 1967 nasceu meu pai. Cresceu se formou numa escola americana, se formou numa faculdade de Washington e começou a trabalhar. Nas suas férias de 1994, veio ao Brasil e aqui conheceu uma garota de programa, Joana, que engravidou dele. A partir daí eu nasci.

Meu pai assumiu a paternidade e veio morar no Brasil com minha, mãe. Cresci e criei um grande interesse pelos filmes de Robin Hood e pelas fantásticas histórias do Arqueiro verde. Meu pai, muito inteligente, me colocou para aprender arco e flecha. Com meu enorme potencial para o esporte, me tronei um atleta Júnior e fui disputar campeonatos no exterior. Ganhei uma copa no Kansas com 14 anos e um campeonato em Nova Jersey com 16.

Sempre fui também praticante do Parkour, um esporte no qual se utiliza os obstáculos urbanos para acrobacias, escalados e grandes saltos. Com ele ganhei agilidade e força nos meus membros. Meus braços tinham forças pra me sustentar e minhas pernas energias para me impulsionar.

Hoje tenho 18 anos de idade e me profissionalizei no Arco e flecha, como uma grande promessa pro Brasil.

-Filho acorda! – Chamava a minha mãe – Hoje começam a preliminares da Rio-São Paulo, vamos!

- Ah... – Reclamava eu com sono – Só mais um pouco mãe, por favor!

Então um travesseiro me acerta, bem no rosto... Era minha irmã, Maria clara de 11 anos de idade. Muito chata, é verdade, porém grande companheira.

- Ai Maria!

- Para de moleza, quero ver meu irmão perder e me pagar aquele sanduíche!

- Sem apostas Maria! — Advertiu mamãe – Você está sempre querendo tirar proveito das situações para se dar bem né? – Desceu ela para a cozinha

- Ah, que isso mãe, nem é verdade! – Retrucou Maria

- Fechou Clarinha, se eu perder, te pago um sanduíche, agora se eu ganhar... Quero que você arrume meu quarto por três dias!

- Então tá, você vai me pagar o sanduba mesmo...

Gabriel e Beatriz, meus irmãos de três e sete anos, ainda dormiam, pois era cedo já que eu tinha que começar a me preparar para a primeira parte das preliminares que era logo de manhã. Então eu parei, olhei pra parede ao lado da minha cama e lá estava no alto preso na parede por um apoio, o meu arco de fibra de carbono, totalmente leve e ágil.

- Lucas! Vem tomar café! – Chamou mamãe

Desci para comer. Não estava nem com fome... Mas eu tinha que me preparar fisicamente para um dia árduo de competição. Arrumei minhas malas, com a roupa para me vestir lá. Peguei meu arco e coloquei dentro da caixa com algumas flechas. Fui pra garagem e coloquei essa caixa junto com as roupas dentro do porta-malas do carro do papai.

Ele ligou o motor, minha mãe entrou e logo em seguida eu e Maria. Os meus outros dois irmãos ficariam sobre os cuidados de uma moça que trabalha lá em casa... Espécie de diarista/cuidadora.

O lugar no qual o campeonato aconteceria era como um estádio de futebol, só que bem menor, com capacidade para 10 mil pessoas, sem contar com os camarotes. Nas arquibancadas tinham torcedores, amigos e simpatizantes dos atletas, vibrando por uma vitória, por uma classificação. Os familiares ficavam em camarotes especiais para assistir o jogo, com comida TV e ar condicionado. Os atletas ao chegarem, iam aos vestiários, para colocarem as roupas adequadas ao torneio de arco e flecha. Após, eram levados a uma sala na qual esperavam sua vez de tentar acertar o alvo. Foi tenso ficar numa sala com 30 atletas, assistindo aos competidores por uma TV, olhando um pra cara do outro, em olhares que transmitiam seus desejos de vitória.

Eram 32 competidores, 16 eram classificados na primeira fase das preliminares e oito na segunda. Desses 8, 4 iam pro primeiro grupo da copa e os outros quatro pro segundo grupo. Assim os 8 se juntavam a dois grupos com 16 atletas cada no qual os dois melhores de cada grupo iria para a final para fazerem provas especiais... Nas preliminares seriam provas simples com alvos a 100, 200 e 300 metros de distância, cada um com direito a dois alvos de 100, 2 alvos de 200 e 1 alvo de 300. Seriam 15 lances para cada atleta e poderiam trocar de alvo à vontade, pois estariam no mesmo local. Logo se um atleta quisesse acertar as 15 flechas só no alvo de 300 metros ele poderia o fazer... Esses alvos ficavam suspensos no ar, pintados com linhas vermelhas e brancas. O centro destes alvos era amarelo e quanto mais perto do alvo eles acertarem mais pontos ganharão. No final dos 15 lances, se somariam os pontos obtidos em cada flecha ao alvo e então se dividiria por 15 tendo assim a média final.

- Lucas Tomas Taylor! – Chamou um dos juízes da tribuna

Levantei-me, um pouco nervoso é claro, peguei meu arco, respirei fundo e fui até o juiz que tomou meu arco e começou a verificar se não tinha nada que fugisse do regulamento. Só depois de toda essa verificação, do peso, da medida do arco é que pude receber as flechas de alumínio, próprias do evento Rio-São Paulo que ocorria de quatro em quatro anos.

Eu esperei durante 40 minutos, esperei 19 atletas acertarem seus alvo, vi cada um deles se sair muito bem. Fiquei em 8º na classificação geral, com uma média de 8,2. E após a primeira fase das preliminares, após a minha classificação entre os 16 primeiros, fui ao camarote da minha família comemorar e também almoçar é claro!

- Parabéns Lucas! – Comemorou mamãe

- Vai ter que arrumar meu quarto por três dias Maria!

- Ainda não terminou! Só se você ganhar!

- Parabéns filhão, pela sua classificação! – Disse meu pai

- Valeu pai! Valeu... Vamos comer agora? Estou com uma fome...

No almoço recebemos comidas e pratos variados... Petiscos, salgadinhos, peixes, carnes, cereais, frutas. E bebidas muito bem feitas, sucos e vitaminas.

Passaram-se duas horas e era o momento de voltar para a sala de preparação na qual os participantes se encaravam... Cheguei a ver cinco atletas acertarem seus alvos com alta precisão, mas ouvi tiros e gritos... A luz apagou por uns 10 segundos, então logo pensei em voltar pra minha família. Com meu arco corri, cheguei às escadas que levavam aos camarotes e subi em poucos segundos até o camarote da minha família. Abri a porta. Vi que eles assistiam a TV com expressões preocupadas como se algo muito ruim estivesse a acontecer olhei para a televisão e me juntei a eles:

"Estamos aqui no centro da cidade onde pessoas que aparentemente voltaram à vida atacam todos que estão na rua. Eles mordem, arranham, rasgam suas roupas... A Polícia Militar já está em ação e o exército juntamente com a Marinha está formando barricadas de defesa. Recebemos a informação de que isto está acontecendo em vários pontos do estado... Não, pera... Isso ocorre em outros lugares do país também! Meu Deus o que está havendo?"

- Vamos para casa. – Afirmou Papai

- É melhor... Lá acredito que estaremos seguros, vamos, já para o carro!

Chegamos ao carro, todos com pressa. Estava uma correria no estádio, e aquelas aberrações estavam entrando no recinto. Ouviam-se tiros, gritos, grunhidos, correria, coisas caindo no chão, pessoas chorando, outras se escondendo, em fim todos tentando salvar suas vidas.

- Após chegarmos a casa o que faremos? – Perguntou mamãe olhando para o papai atentamente

- Não sei querida. Vamos tentar passar em algum lugar e estocar alimento. É uma guerra.

Saímos do estádio. As ruas estavam completamente desorganizadas. Carros por toda a parte, casas pegando fogo, pessoas correndo, carros de polícia passando a todo o momento. Vimos duas barricadas e um tanque de guerra.

- Papai, papai! – Gritou Maria

- Que foi Ma... – Meu pai ia responder, mas algo o interrompeu. Apaguei.

Quando acordei, estava de noite, o carro havia capotado e toda a minha família, morta. Minha cabeça doía, sentia dores no corpo. Chorei, fiquei nervoso, comecei a tremer, mas respirei e pensei o que meus pais gostariam que eu fizesse se eles estivessem vivos. "Tenho que procurar meus irmãos" pensei. Tratei de meu arco e umas flechas que na caixa estavam... A caixa estava totalmente quebrada, mas por sorte o arco estava inteiro. A rua estava quase toda escura, pois a maioria dos postes tinha caído devido a batidas de carros desgovernados. As lojas, casas, os prédios, todos os lugares estavam abertos e haviam sidos saqueados. Comecei a caminhar pra casa. Conhecia meu bairro, minha casa ficava a uns quatro quarteirões dali. Teria que caminhar sozinho, no escuro, no perigo.

No caminho, nada vi ninguém nem nada. Apenas tudo jogado pela rua, carros, roupas e até pessoas. Aquela imagem me deixava muito intrigado e preocupado, sempre atento e com medo do que poderia acontecer. Cheguei em casa muito cansado. A porta estava entreaberta, preparei uma flecha e coloquei meu dedo no gatilho tenso do jeito que estava até minha respiração estava me assustando. Fechei a guarda e fiquei atento a qualquer barulho. Subi as escadas que levavam ao meu quarto vagarosamente. Não tinha ninguém lá e estava tudo revirado. Peguei as flechas que estavam numa caixa e coloquei na mochila. Também reuni umas poucas roupas que ainda estavam ali, então decidi ir para cozinha, para poder pegar uma faca, uma garrafa para água, um isqueiro que era do meu pai, uma lanterna com baterias e uma corda. Mas na hora que eu abri a porta da cozinha, vi uma pessoa agachada, de frente para a porta de um dos armários.

Logo notei que não era uma pessoa e sim uma daquelas criaturas bizarras. Estremeci e logo pensei "O que fazer?" Empunhei o arco com a flecha armada e atirei na sua perna, até porque aquela era a minha casa que ela havia invadido. Ela ser virou para mim e começou a vir na minha direção, logo eu armei outra flecha e atirei no seu braço comentando:

- Mas você é imortal?

Então ela me empurrou, caí no chão e olhei para a minha esquerda e tinha um facão no chão, com sangue nele. Novamente estremeci, mas numa ação instintiva peguei a faca e no reflexo acertei o olho daquele bicho que já estava em cima de mim...

Notas finais
Parkour (por vezes abreviado como PK) ou l'art du déplacement (em português: arte do deslocamento) é uma atividade cujo princípio é mover-se de um ponto a outro o mais rápido e eficientemente possível, usando principalmente as habilidades do corpo humano. Criado para ajudar a superar obstáculos de qualquer natureza no ambiente circundante desde galhos e pedras até grades e paredes de concreto e pode ser praticado em áreas rurais e urbanas. Homens que praticam parkour são reconhecidos como traceur e mulheres como traceuses. - Wikipédia