A última joia de Nerem:Convocada
9 Superior
Notas iniciais
Eles acordaram com os raios de sol os cegando. Katherina comeu algumas amoras, pão, carne e água, esperou Adam e Lea se aprontarem para seguir viagem. Ela sabia que serie eliminada, mas mesmo assim quis saber as chances dos outros serem eliminados.
—Algum de vocês aqui tem histórico militar? –pergunta.
— Eu tenho – Lea diz estufando o peito- Fiz dois anos de curso em ciber-batalhas
— O que é isso? –Adam pergunta chutando as pedrinhas no caminho- E bem, já deu pra perceber que eu não tenho nenhum histórico militar.
Katherina já esperava por isso, Adam era tão recluso e tímido, que mal sabe o que se passa em seu país.
— Argh, em que mundo você vive? – Lea indaga irritada- Ciber- batalhas são feitas em áreas não físicas, e sim em Ciberespaços, normalmente tentamos invadir as redes do Oeste e obter informações. Embora eu sabia de tudo isso, não foi recrutada ainda
Adam não disse nada, apenas concordou com a cabeça. Katherina observava Lea e percebia que ela tem chances de continuar, mas chances que ela, ela e Adam estavam na mesma situação e deveriam sair.
A floresta estava calma, como se os animais soubessem que havia convocados passando por ali e decidiram deixar eles seguindo seu caminho.
Um soldado magro alto de cabelos castanhos e olhos escuros estava escorado em uma árvore. Os jovem pararam e esperaram o soldado falar alguma coisa, já sabiam que, não deveriam tomar a palavra para si.
— Olá convocados, vim acompanhar vocês ao resto do caminho rumo a Paupérie Superior, sigam-me
Seguiram o soldado em silencio mergulhados em seus próprios medos e curiosidades sobre a Superior. Katherina sabia que, agora teria que apender a marchar, a pegar em armas. Isso a assusta muito.
Quando que era criança eu e a minha família ficávamos imitando os soldados marchando e cantando uma música estranha, agora eu estou aqui indo para Superior sem fazer a mínima ideia porque.
Depois de quase duas horas andando em silencio e sem parar, eles sentiram que o chão estava mais plano, a cor marrom da terra havia desaparecido e havia se tornado um cinza escuro: Asfalto. Algo que Katherina já viu de forma bem fina e quebrada na Paupérie Inferior, não daquela forma tão linda e bonita.
— Estamos muito perto. – O Soldado sorriu levemente- Andem de cabeça erguida, tentem esconder a canseira, o Major vai estar lá, não queiram desaponta-lo. Vamos lá, em ordem de convocação, você, a mais baixinha, na frente, foi a quarta convocada.
Lea andou lentamente e estufou o peito ficando na frente de Katherina.
— Agora você de olhos puxados na frente dela e a garota por último. A última convocada.
Katherina ficou atrás de todos, mergulhada em receios e curiosidades.
Ela tremia, Adam comprimia os lábios. Só Lea parecia mais segura, não se sentia completamente assim.
— Não se assustem. – o soldado deu um leve sorriso- O meu avô participou as Joias, ele não ganhou, infelizmente, mas a nossa família conseguiu uma boa condição. Eu sei que vocês vão conseguir também.
— Espero. –Katherina sussurra.
Andaram de forma rítmica e constante, que olhava de longe, pensava que eles estavam marchando. Será que estavam? Talvez estivesse tentado se acostumar com sua nova rotina.
A floresta estava bem menor agora, o asfalto dominava, algumas estátuas de Yuri Nerem estavam decorando a estrada.
Katherina e todos os outros viram os enormes muros que rondavam a Paupérie Superior. Era a coisa mais linda que eles haviam visto em suas vidas. As paredes eram enormes e pintadas de branco sem uma mancha se quer. Eram decoradas em alto relevo com um material prateado (Que os jovens não sabiam, mas era pura prata extraída das minas do norte da Paupérie Inferior).
— Se eu fosse um pouco mais clara, só um pouco... eu poderia viver aí. Numa vida boa, sem ter viver com esses idiotas. — Lea cuspiu as palavras com amargura.
Viram a entrada da classe. Onde havia uma grande quantidade de homens e mulheres mexendo em computadores em cabines próximas a entrada, além de soldados fazendo ronda pois a agitação estava enorme.
— Muito bem, parem aqui, normalmente vocês deveriam fazer um registro bem mais demorado, mas como vocês são convocados, será diferente. –o soldado fez um gesto e eles entraram em uma cabine onde havia três cadeiras, agulhas, pequenos frascos e outras coisas que a jovem não fazia ideia do que era.
Havia três mulheres brancas de calça e uma camisa de mangas curtas pegaram cada uma seringa.
— Iremos recolher o sangue e vocês –uma delas disse- para alguns exames. Confiamos em vocês, sabemos que não irão nos fazer mal.
Elas não escondiam o nojo de ter de tocar em uma pessoa inferior. E Katherina percebeu, todos perceberam porém ninguém podia fazer nada a respeito.
O processo foi rápido, elas enfiaram a agulha e recolheram o sangue, aquilo doeu, mas Katherina achou a dor do desprezo bem maior.
Saíram daquela cabine e seguiram em direção aos portões enormes e também de prata. Adam estava tão maravilhado que esticou a mão para tocar no portão, ainda bem que o soldado puxou seu braço bem no instante que ele iria encostar.
— Se você não quiser ser eletrocutado –ele disse com a voz calma- melhor não encostar ai.
Ele fez sinal a um outro soldado que estava em uma cabine bem alta, Katherina viu ele apertar alguns botões e os portões se abrirem, como mágica. Logo após se virou para os jovens:
— Cabeça erguida, olhos focados, um belo sorriso. AVANTE CONVOCADOS!
Andaram da mesma forma que anteriormente. Durante pouco tempo, viram casas enormes e pintadas de branco, azul, diversas cores. Ruas limpas e construções compridas cheias de janelas. Katherina não conseguia pensar, sua mente só conseguia ver todas aquelas coisas bonitas, Lea ainda estava furiosa consigo mesma, e Adam só consegui imaginar como seria a Magna.
Começou um aglomerado de pessoas, pessoas brancas, isso sim: Pessoas muito diferentes daquelas que Katherina já tinha visto, loiras, olhos azuis tão vibrantes que parecem de verdade e sim, vidro. Homens e mulheres de cabelos escuros e olhos tão claros que a jovem sentiu inveja, também haviam alguns de cabelos vermelhos e vibrantes como o da Marechal Bianca.
Elas estavam atrás de grades e estavam sorrindo e ansiosas. Gritavam algo parecido com "Lá vem eles!’’ ou "Oh, os convocados da Inferior!’’ a maioria estava feliz, havia alguns de cara fechada e olhos cerrados para os jovem o que fez Katherina se sentir minúscula. Havia também homens e mulheres carregando câmeras e tirando fotos. A jovem cegava a cada luz que aparecia.
Pararam em frente a um grande prédio que parecia um castelo, todo branco e cheio de janelas, estava escrito “Palácio da Administração” Onde dois jovens um ao lado do outro de roupas purpuras, uma calça e uma camiseta, simples. O da esquerda, mais alto, loiro, de rosto fino e olhos bem verdes não demostrava um sorriso. Já o da direita tinha o cabelo mais escuro e olhos um pouco menos verdes, estava com um frágil sorriso.
Dois homens com roupas militares cheios de medalhas se aproximaram dos três convocados que haviam chegado. O soldado parou e bateu continência, os convocados não fizeram, talvez por não saber que seria necessário.
— Muito prazer convocados, eu sou o Coronel Alekseev e esse é o meu companheiro Coronel Belykh, iremos instruir vocês nesta etapa. E atenção todos os presentes! –um deles gritou e gesticulou para os dois moços na frente do palácio- Esses são os nossos convocados, nossas joias, os melhores jovens da Paupérie Superior!
Todos gritam eufóricos.
— E esses são os melhores da Paupérie Inferior – o outro gesticulou- Os mais especiais dos inferiores
Nem todos gritaram, mas havia alguns sorrisos.
— Agora, cumprimentem-se e nos acompanhem para o Palácio da Administração, onde vocês iram oficialmente se alistar ao exército de Nerem. – o mesmo disse.
Lea foi na frente, esticou a mão para o loiro e falou seu nome o mais alto que pode:
— Lea Textói!
O loiro apertou a mão dela, explicitamente desconfortável.
— Mark Petrov. E eu estou esperando aqui de pé a três horas, que diabos vocês estavam fazendo?
Lea apenas sorriu e cumprimentou o outro convocado com outro aperto de mão.
— Ivan Petrov. E sim, nós dois somos irmãos.
Após o comentário de Ivan, Lea se posicionou ao seu lado. Foi a vez de Adam cumprimentar, ele se saiu bem, consegui controlar seu nervosismo. Era a vez de Katherina, ela esticou a mão a Mark e se apresentou:
—Katherina Smirnov, e vá se acostumando a ficar em pé, vai te ajudar muito. –ela não quis ver a reação dele e foi cumprimentar Ivan.
Ivan queria muito rir, mas se controlou.
— Muito prazer, e muito obrigado por dar uma patada no meu irmão, ele estava se achando demais. Ivan Petrov. – ele apertou a mão de Katherina sorrindo francamente.
— De nada –ela riu, Ivan não tentava ser Superior, mas era. E isso fazia ele se tornar extremamente interessante, além daqueles belos olhos é claro.
— Nos acompanhem convocados! – O Coronel Belykh gritou- Venham se arrumar para o grande almoço com o Major e esperara até amanhã para viajarem à conhecerem a primeira convocada. O resto da população continuem a rotina.
O Coronel Alekessev puxava a fila, seguido Belykh, depois o soldado, Mark, Ivan, Lea, Adam e Katherina. Dois guardas abriram as portas do palácio.
Portas se abrem, portas se fecham. Uma vida nova começa repleta de belezas e joias. Mas eu não quero fazer parte disso, essas joias estão sujas de sangue...
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