Notas iniciais
Olá pessoal , capitulo novo.Comentem o que acharam ok?

Katherina pegou sua faca de caça que sempre levava consigo, jogou a galinha no chão e colocou a garrafa delicadamente no chão. A outra moça não havia percebido sua chegada e continuava a comer, agora mordia a cenoura crua com voracidade e um pouco de curiosidade, engolia fazendo uma expressão de felicidade e estranhamento. Katherina ficou em dúvida se a atacava ou não, em momento algum percebeu que a outra estava armada, mas isso não significava que ela era amigável. No instinto, a jovem avançou na intrusa por trás e bem rápido. Quando a intrusa percebeu, havia uma faca bem perto de sua garganta.

– Olá, estranha – Katherina disse. A outra estava desesperada. Respirava pela boca, tremia e suava. – Vejo que nunca viu uma cenoura. Agora me diga, você está sozinha, se estiver armada é bom não tentar nada. Eu sou muito boa com a faca.

– Eu estou sozinha! Não me mate! Por favor! Não vim pra cá pra começar uma guerra, não iria vir viver aqui! Eu iria para a Superior mas – ela gagueja, pois estava chorando muito. – Mas eles são identificados e cadastrados. Eles saberiam que eu...

– “Não vim de Nerem e sou uma fugitiva” – completa Katherina, a jovem acreditou na loira, por algum motivo, ela sempre sabia quando alguém estava mentindo. Se afastou da moça e abaixou a faca – O que significa a morte. Eu acredito em você. Katherina Smirnov, seu nome é?

– Karol Chiara. Me ajude, por favor, eu estou morrendo de fome e de dor nas pernas de tanto correr. Se eu for pra cidade, as chances de sair viva são pequenas, creio eu.

– Fique e coma algo decente, tome um banho. Acho que tenho uma roupa que cabe em você. E é melhor não tentar roubar nada nem me atacar. Este é meu pedaço, não seu

– Eu tenho uma dívida com você – Karol diz olhando nos olhos de Katherina, isso demonstrava que ela não era covarde. – Serei grata a você sempre por me ajudar. E irei te retribuir um dia.

Katherina pegou água do poço, esquentou em outro caldeirão para fazer um guisado fresco, esquentou também para Karol tomar banho, e jogou a água em uma banheira de madeira. Deu para ela um sabão e uma bucha feita de fibras. E também um macacão que ela tinha, faria falta, mas Karol precisava muito mais que ela. Fez um guisado com as cenouras, as batatas, e a galinha. Não é sempre que tem carne diferente e melhor aproveitar, comeria os peixes depois. Colocou um pouco de vodca falsa para dar um gostinho.

Karol estava limpa quando saiu dos fundos da barraca, o guisado estava pronto, já estava escurecendo, então deviam comer logo e ir dormir antes que os animais sentissem o cheiro da comida. A loira se sentou perto da fogueira, e se serviu. Tomando um uma tigela sem colher, sorte que Katherina tinha mais de uma tigela, Karol tomou um pouco de perguntou um pouco irritada.

– Por que diabos, vocês da Paupérie Inferior não têm casas direito e moram em barracos?

– Bem, a construção pode ser a mais humilde que for – Katherina tomou um gole de vodca falsa direto da garrafa. – Se for de madeira, tijolo, pedra ou qualquer outra coisa mais sólida pagamos altos impostos. Apenas a lona e a palha que não são cobradas. Já pagamos impostos demais por causa da guerra, é melhor tentar evitar pelo menos um.

– Que coisa mais estranha – argumenta a outra. – Por que vivem nesta miséria?

Katherina não sabe responder isso de forma convincente e argumentativa. Ela vive assim porque é negra, seu pai viveu assim, sua mãe, seus avós e todos os outros. A intrusa coçou o queixo, estava cheia de perguntas.

– Durante toda a viajem, ouvi sobre uma coisa chamada “As Joias’,’ o que significa

isso?

– As Joias é uma disputa dourada que as duas nações fazem a anos – explicou Katherina, ela também explicou a teoria, e depois disse sua real opinião. – Uma forma de mostrar que país está menos ferrado, qual o povo que está menos contrariado, uma pequena matança. É fácil definir as joias: riqueza, mentiras, dor, cicatrizes.

Karol assentiu e não falou mais nada por um bom tempo.

– Eu que faço as perguntas agora – Katherina deu mais um gole na garrafa. – Por que realmente você saiu do seu país?

Karol engole a comida, come se fosse uma pedra, torce seu pequeno nariz. Seus olhos verdes olham para o chão, ela não responde de imediato. Na realidade, ela não responde.

– Melhor responder, odeio esperar – Karol, resiste um tempo, mas fala.

– Está bem! – fala ela, deixando a tigela vazia de lado. – Mas não diga a ninguém. Me prometa isso!

– Eu prometo.

Karol respirou fundo, uma, duas, três vezes, seus olhos estavam fechados quando ela começou a contar.

– Eu vivia com a minha família em Moyster. Era uma família grande, eu, a filha mais velha, Julien, a do meio, e Jeniffer, a caçula, além dos nossos pais, claro. Tínhamos um pequeno circo – ela sorri, como se estivesse vivendo esses bons momentos de novo. – Minha mãe era a bailarina, meu pai, o mágico, e de vez em quando malabarista, eu era a acrobata e trapezista. Minhas irmãs eram as palhaças, éramos bem humildes, mas sempre conseguimos viver disso, nossa paixão e trazíamos alegria as pessoas.

Katherina nunca foi em um circo, nem sabe o que é direito. Não lhe parecia divertido, mas era melhor eu não dizer isso a ela.

– Estava tudo bem, até que a quatro anos atrás, aconteceu um grande conflito político. O povo queria derrubar nosso governo sem classe e sem envolvimento com Nerem e as Terras do Oeste. Ficamos divididos nesta luta, entre os que apoiavam a vontade do povo e do governo. Minha família escolheu o lado do povo. Depois de dois longos anos de disputas sangrentas o governo acabou vencendo. E nós nos ferramos, queimaram nossas coisas do circo, mataram meus pais, não morri porque estava lavando roupa na hora do acontecido. Eu fugi e me escondi por um tempo. Mas Mosyter é pequena e eu decidi pedir ajuda as Terras do Oeste.

– Vejo que não deu certo – disse a outra jovem que deu mais um gole de vodca. E pensando, como não ficamos sabendo disso?

– Nenhum pouco – os olhos da loira se abriram e estavam cheio de lágrimas. Ela começou a chorar. – Eu pedi ajuda desesperada, eu não queria morrer! Metade da população morreu, não podia ver tudo aquilo e apenas sofrer. Escrevi a carta, quatro meses depois eu fui respondida, pela própria Duquesa Pandora. Ela me disse que não iria fazer nada por mim, me lembro de suas palavras “A sua vida não interessa nossa nação, por favor, não me incomode mais”.

Katherina entendeu, ela veio para cá apenas porque o paraíso a rejeitou. Não sobrou alternativa para ela viver, a não ser vir para Nerem.

Karol parou de chorar e ficou olhando para o nada. Perguntou a jovem como ela podia viver aqui.

– Viver em Nerem pode parecer assustador, bem, é no começo. Mas isso depende em qual classe você está: A Magna é o paraíso, ninguém sofre ou passa fome lá. A Paupérie Superior é a mais digna, pelo menos, mas eles trabalham muito nas fábricas para produzir coisas à Magna. E por fim, o nosso lar, o lar de todos os negros – Katherina tem a voz carregada de sobriedade. – Acho que um chiqueiro vale mais que toda a Inferior, ninguém liga para nós, entende? Se eu fosse você, não ficaria andando livremente por aí, muitas pessoas daqui podem descontar sua frustração em você.

Karol se enrijece.

– Tem que ter algo, nem que eu viva na floresta – ela cuspe as palavras. – Eu não fiquei seis meses em um porão de um navio imundo pra morrer pelas mãos de loucos! E eu não quero ir pro exército. Eu quero distância de um campo de batalha! Tem que me ajudar.

Katherina rolou os olhos, mais essa.

– Prostituta? – a loira ficou abismada e negou, é claro. – Eu não sei! Matadora de aluguel? É o que te sobrou.

Houve uma discussão após a jovem sugerir aquilo, Karol se dizia “incorruptível” e até fraca demais para o serviço. Katherina explicou que há uma gangue de matadores de aluguel que aceita a todos que baterem em sua porta, e o matador dá metade do dinheiro para o chefe, o matador fica com o resto. Eles ganham proteção, são quase uma família.

As duas foram dormir, mas no meio da noite, Katherina ouvi um barulho e foi ver o que era. Karol pegava algumas coisas que havia ganhado da jovem e estava partindo.

– Onde está indo?

– Espere! – Katherina foi até a sua falsa pedra e a abriu, havia algumas moedas dentro de um saco, ela às entregou para Karol.

– Não é necessário, pode faltar futuramente para você.

Katherina insistiu e Karol aceitou, antes de entrar floresta a dentro disse:

– Eu sei me virar sem ajuda de ninguém – dispara.. Mas obrigada. Katherina Smirnov, que Santa Délia te proteja.

Quando não conseguia mais ver a sombra da moça, Katherina voltou para dormir.

Afinal, quem é Santa Délia?