A última escolha de Rose Hathaway

9 Capítulo 9 - Reinado da Rainha Vasilisa


Notas iniciais
Sim, eu também estou surpresa por estar postando isso aqui, agora, para vocês! Mas são três horas da madrugada e me bateu MUITA inspiração, então, esse é meu presente de natal para VOCÊS (pois essa é minha data favorita do ano)! Não irei dar muitas dicas agora, pois quero que vocês se emocionem.. Beijos.

Corri ofegante para o banheiro, já sentindo toda minha comida se revirar em meu estômago. Uma parte mínima da minha mente se perguntou se seria assim para sempre. Eu não podia, ou conseguia, responder a essa pergunta. Passei rapidamente pelo espelho, e me debrucei sobre o vaso sanitário. Todo meu almoço saiu, deixando-me enjoada, e furiosa por ainda não ter me acostumado. Já estava pronta para me levantar, quando uma forte náusea me atingiu, juntamente com uma dor fulminante, fazendo-me debruçar sobre o vaso sanitário novamente, dessa vez vomitando sangue.

Meu corpo já não segurava a comida, os remédios me deixava cansada e sonolenta. Mas mesmo assim, minha mente me convencia de que tudo valia à pena. Minha garganta queimava, o sangue saia como ácido. Após uma longa hora, eu acreditava me sentir melhor. Não fisicamente, meu corpo doía por completo, mas psicologicamente, toda comida que eu havia ingerido naquele dia já estava fora de mim. E isso era algo bom, não era?

Levantei-me, enxagüei meu rosto e caminhei lentamente para o enorme espelho de meu enorme quarto. A balança pairava a poucos centímetros do espelho, mas eu tinha medo de encará-la. Ao invés disso, encarei meu próprio reflexo. Meus cabelos, que antes eram de um ondulado-liso cor de ouro, agora estavam ressecados e quebradiços. Meus olhos agora abrigavam uma funda olheira, pelo menos a cor continuara, pensei. Poucos minutos depois de minha auto-análise, decidi engolir o medo e subir na balança.

Com lágrimas nos olhos, olhei fixamente o número marcado. 48 kg. Eu não podia acreditar, minha meta finalmente fora conquistada. E então esperei, ainda fitando meu peso, esperei pela felicidade. Esperei pela vontade louca de ir comprar roupas novas. Esperei pelo aliviamento de ter aquela angustia que tanto me atormentava a noite, acabada.

Quando percebi que nada mudará, cai de joelhos e me quebrantei de frente ao meu reflexo. Aonde esta a felicidade? Não era para a vida ser tão difícil. Eu queria berrar para o mundo ouvir, mas nada saia de meus lábios. Nesse instante uma lâmina brilhou, chamando minha atenção. Era uma tesoura, a mesma tesoura que usara na primeira vez que me cortei – logo após o acidente que matou meus pais. Com dificuldade me levantei, enxugando minhas lágrimas de dor, e peguei o objeto que tanto me prometia alívio. Com um longo suspiro vi meu sangue, mais uma vez, sair de meu corpo. Após alguns segundos, a dor em meu pulso começou, e eu a saudei como se fosse a mais velha amiga.

Muito tempo se passou, e a única coisa que me tirou de meu momento íntimo, foi um som, mais parecido com um zunido. Minha cabeça parecia uma bomba relógio, prestes a explodir com o mais sensível movimento. O zunido ficou mais alto, meu coração parecia um motor de tão forte que batia. Gritei de dor. Não era a mesma dor que estava acostumada, não era o mesmo alívio que sempre sentira me cortando. Eu não queria saudar aquela dor. O ar estava pesado, meus pulmões estavam cansados de tentar filtrar aquele ar. Eu queria pedir socorro, mas mais uma vez nada saia de meus lábios. Eu já sabia o que era aquilo e por muitos dias eu sonhara com isso. A morte estava vindo me buscar.

O sangue criava um contraste quase artístico contra o piso branco e impecável do banheiro. Por um breve momento considerei a ideia de morrer. A ideia de deixar minha breve e conturbada existência fluir para um vão de vazio. Pacífico. Sem dor. Desespero. Medo. Nada. Não existiria nada. Ou, talvez, até existisse. Quem sabe eu encontraria minha família? Eu poderia dizer o quanto os amo.

Mas algo, muito no fundo do meu peito, ou talvez da mente, me disse para lutar. Mas por quê? Por que eu iria querer lutar contra aquilo que me daria paz? Por que eu iria querer continuar nesse imenso e tempestuoso sofrimento? A morte estava aqui, eu posso sentir. Cada vez mais palpável. Meu fôlego estava escasso e tudo doía. Eu poderia apenas me entregar à essa dor que, no final, me traria paz.

Você precisa lutar. Minha mente pensou.

Mas por quê? Pensei.

Estou louca. Como vim parar aqui? Esse sangue é meu? Esse corpo é meu? O que houve com meu corpo? Eu não consigo me lembrar como cheguei aqui. Meu coração batia dolorosamente. Onde estava a Rose? Rose?

Era isso. A voz me pedindo para lutar. Eu tinha um motivo para lutar. Rose precisava de mim tanto quanto eu precisava dela. Onde estavam todos que me amavam? Medo surgiu pela minha espinha. Eu não quero estar sozinha. Eu não quero morrer sozinha. Não, mais do que isso, não quero morrer. Tentei gritar, mas minha voz vacilou fraca demais e quase sem vida. Não, não, não. Juntei o último fôlego e força que restava e, dessa vez, gritei o mais alto que pude.

– Ahhh! – Minha garganta ardeu com o grito.

– O que? O que foi? – Christian se sentou em choque ao meu lado na cama. – O que aconteceu? Lis, você está bem? – Ele perguntou, com os olhos arregalados enquanto segurava meu rosto.

Precisei de vários minutos para entender o que estava acontecendo. Eu estava morrendo, certo? Então por que eu estava na minha enorme cama, com meu pijama de seda, com Christian acordado apavorado ao meu lado? Onde estava todo aquele sangue?

– Eu estava morrendo. – Sussurrei, sem conseguir encara-lo.

– Foi só um pesadelo, Lis. – Ele me olhou com calor.

– Não, foi mais do que isso. – Lágrimas caíram dos meus olhos quando compreendi o que realmente havia acontecido. – Foi uma lembrança. Não um pesadelo.

– Tudo bem. – Christian me pegou em seu colo, acariciando meus cabelos, enquanto eu chorava em seu peito. – Já passou.

– Foi logo após o acidente... – Comecei, sem saber ao certo se queria mesmo relembrar do sonho. – Eu estava perdida. Estava tão, tão perdida.

– Eu sei. Mas eu estou aqui. E eu sempre, sempre, vou estar aqui! – Ele pegou meu rosto em sua mão para poder me observar.

– Eu amo você. – Chorei.

– Eu amo muito mais. – Ele respondeu.

Ficamos daquele jeito por muito tempo, seus dedos nunca pararam de me acariciar. Senti minhas pálpebras pesadas pelo sono voltando, porém o medo de sonhar me fez resistir. O sonho era, na verdade, uma lembrança. Dois meses após o acidente que matou minha família, desenvolvi vários problemas psicológicos. Antes, sem saber sobre o espírito e o efeito que ele me causava, eu só achava que estava muito depressiva. O que, vendo por esse ponto, não deixava de ser verdade. Não consigo me lembrar se havia realmente chegado tão perto da morte como no sonho. Tudo o que eu guardava daquela terrível memória, era do rosto da Rose me sacudindo e chamando por ajuda.

Eu não posso surtar. Sou a Rainha agora. Tenho que me concentrar em ajudar meu povo. Em lhes oferecer uma vida mais digna. O nome Dragomir precisava que eu mantivesse o auto-controle.

– Quer tentar dormir um pouco? – Christian sussurrou em meu ouvido.

– Não quero ter mais pesadelos. – Respondi. – Ou relembrar essa parte do meu passado. Não quero sentir aquelas coisas de novo. – Minha voz estava frenética.

– Eu posso te ajudar a esquecer isso. – Um sorriso amoroso cresceu em seus lábios, me fazendo lembrar do por que valia a pena lutar pela vida. O amor daqueles que me amavam me faria resistir ao impulso de enlouquecer.

Nossos lábios se grudaram em um forte e apaixonado beijo. Nossos corpos se entrelaçaram com nossos finos pijamas nos deixando quase totalmente expostos. Quase que automaticamente me esqueci do horror que revivi agora a pouco e me senti extremamente grata por isso.

O resto da noite acabou sendo extremamente produtiva — cheia de suor, ofêgos, nomes sussurrados e juras de amor ao pé do ouvido.

***

Acordei assustada, mas não por que eu estava morrendo ou enlouquecendo. Mas por que a noite caia profunda no horizonte e nenhum despertador havia tocado até agora. Desde que me tornara a Rainha, meus horários eram cronometrados. Eu tinha despertador para acordar – naturalmente -, para almoçar, para ir ao banheiro – mesmo que fosse apenas para lavar o rosto – e para passar um tempo com meus amigos. Então, era de se esperar que alguém estivesse batendo loucamente na porta atrás de mim. Ou que meu telefone estivesse tocando com pessoas querendo saber horários de reuniões e encontros. Mas não havia nada. Nenhum barulho.

Levantei-me correndo abrindo a porta dupla – que era mais que o triplo do meu tamanho – do meu quarto, passando pelo corredor e pelas diversas portas adjacentes dos cômodos do meu apartamento. Escritório I, Banheiro, Sala de recreação real, Biblioteca, Escritório II, Lavabo e, finalmente, a porta do último cômodo. Entrei no único cômodo que havia barulho, a cozinha. Christian estava com seu avental e rosto levemente sujo de farinha. Quando me notou, seu sorriso cresceu.

– Calma, respira. – Ele começou, sabendo do meu conflito interno.

– Que horas são? – Perguntei gentilmente. – Por que meu despertador não tocou?

– Por que eu desliguei seu celular. – Ele voltou sua atenção para a panela com algo fritando à sua frente.

– Você o que? Por quê?

Seus olhos se voltaram para mim, com um brilho profundo e preocupado que ele afastou rapidamente.

– Por que eu acho que você precisa descansar. – Sua voz sugeria que o assunto não era tão importante.

– Você acha que estou louca. – Comentei, seus olhos se arregalaram em espanto.

– É claro que não, Lis. – Ele abaixou o fogo da panela e se aproximou de mim. Eu não estava com raiva, ou chateada, mas não queria Christian pensando que estava prestes a enlouquecer. – Mas você tem se dedicado tanto a esse negocio de ser Rainha. Você realmente precisa descansar.

Pensei sobre o assunto, realmente gostando de onde esse caminho me levaria.

– Eu planejei tudo. – Ele continuou. – Vou cozinhar nosso jantar. Depois vamos assistir a algum filme romântico, depois vamos fazer amor e depois vamos passear no jardim principal.

– Nossa, você realmente planejou tudo. – Suspirei. – Tudo bem, essa pode ser uma boa ideia. – Concluí.

– Todos os seus compromissos foram cancelados. – Ele me beijou suavemente antes de voltar para sua tarefa. – Seu conselheiro não gostou muito disso. Mas, quem se importa com o que ele pensa? – Sua risada soou um pouco maldosa.

– Bom, já que ele é meu conselheiro, eu me importo. – Acrescentei, sem conseguir esconder um sorriso.

– Ele é um babaca. – Christian falou. – Um babaca muito, muito velho.

Mesmo sabendo que zombar do conselheiro Real não era uma atitude correta, não me impedi de rir de seu comentário.

Sentei-me no balcão à sua frente. – Você realmente sabe o que está fazendo? – Perguntei, sarcástica.

– Eu tenho um dom nato, mi preciosa. – Ele retrucou enquanto colocava um morango na minha boca. – Pronta para uma folga dessa merda de realeza?

Estranhamente, mesmo adorando ser a Rainha, sua oferta fez com que meu estômago se revirasse de empolgação. Um dia* inteiro com Christian, sem deveres reais ou sem reuniões, apenas nós dois curtindo um ao outro.

– Estava esperando que você dissesse isso. – Respondi, beijando-o sobre a bancada.

Notas finais
Bom meninas, quem já deu uma lida no meu perfil sabe que tenho a pretensão de escrever a fic "O reinado da Rainha Vasilisa Dragomir" (alguém me explica o por que de eu sempre usar títulos longos?) então não deve ter se assustado muito com esse "capítulo". Na verdade esse "capítulo" é um crossover de " O reinado da Rainha Vasilisa Dragomir" com "A última escolha de Rose Rathaway", legal não?! haha Esse capítulo que vocês acabaram de ler se passa DURANTE o capítulo 8, ou seja, enquanto nosso casal amado estão se pegando na casa de Olena, nossa queria Lissa está tendo um surto... :( E ai, gostaram da surpresa? O que acharam da ideia da nova fic (que não sei se vou realmente escrever)? Um beijo e (de verdade agora) até domingo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.