A última escolha de Rose Hathaway

7 Capítulo 7 - Família Belikov e Rose


Notas iniciais
Alguém ai lembra de mim? hahaha Explicarei o que houve no final do capítulo! Gostaria de agradecer a Luene Petris, por ser tão adorável e tão carinhosa comigo, em cada comentário tem me inspirado e dado forças a continuar a fic!

Existem tarefas complicadas e outras fáceis. Existem missões suicidas que acabam sem mortes assim como aquelas missões tranquilas que acabam em tragédias. Por isso, na academia, tínhamos a matéria de “Preparação psicológica e sobrevivência” aonde, basicamente, erámos treinados para lidar com todo tipo de situação que fora nos imposta. Me lembro com bastante clareza que essa matéria era a que eu menos gostava, pois tinha muita dificuldade em raciocinar e pensar de forma lógica quando, na verdade, o que eu mais queria fazer era sair socando e chutando a tudo e todos. Certa vez, com quatorze anos, Mason e eu fomos destinados como a dupla que deveria encontrar o Moroi desaparecido e trazê-lo em segurança para o ponto de encontro.

O estúdio aonde essa aula se passava era constantemente modificado para que se fosse o mais real possível. Dessa vez estávamos de frente para três prédios abandonados, com alguns carros destruídos a nossa volta. A única “pista” que tivemos fora que: É necessário enxergar à frente, pois nem tudo parece o que realmente é. O que, lógico, soou extremamente ridículo e inútil para mim.

– Se eu fosse uma criança assustada para onde eu iria? – Mason falou enquanto observávamos o nosso redor. Mason era o melhor nessa aula e, por essa razão, eu adorava quando pegávamos o trabalho juntos.

– Bom, eu sei que se eu fosse uma criança assustada, não iria me esconder em um prédio esquisito. – Suspirei.

– Qual é, Rose, temos que nos concentrar.

– Eu estou concentrada. – Olhei diretamente para ele. – Não está vendo? – Apontei para minha cara de tédio.

– É, estou. – Disse exasperado. – Sabe, é por essa razão que você sempre passa na média nessa matéria.

– Ah, qual é... Eu vou ser aquela que fica lutando e matando Strigoi enquanto você entra lá e salva o dia! – Sorri para sua cara de derrota.

– Vamos, é melhor avaliarmos o perímetro.

– Não é necessário, está na cara que o Moroi se escondeu no maior prédio, no andar mais alto e na sala mais afastada.

– Rose, você tem ciência que isso aqui não é um conto de fadas, certo? – Mason se aproximou. – Eu ainda acho que devemos avaliar o perímetro.

– Vamos perder muito tempo até conseguirmos dar a volta nisso tudo!

– Estamos perdendo muito tempo discutindo, a pista diz que devemos enxergar além.

– Essa pista é inútil, Mason! – Falei enquanto me direcionava para a entrada do maior prédio.

– Não, Rose, espera! – Mason se apressou para me acompanhar. – Pelo menos vamos pela entrada lateral.

Suspirei. – Ok, vamos pela escada de incêndio. Eu primeiro.

Andamos sorrateiramente entre os escombros até chegarmos ao início da escada de incêndio que, sem muita surpresa, estava completamente enferrujada e fraca. Comecei a subir e a cada rangida do fraco metal, meu coração acelerava. A situação toda era uma simulação mas a queda seria bem real. Vários alunos iam parar na enfermaria após essa aula.

– Ei, você está ouvindo essa barulho? – Mason questionou. Tentei apurar a audição, mas tudo o que era capaz de ouvir era o rangido da escada e o vento soprando ao nosso redor.

– Não seja louco, Mason. – Suspirei. – Vamos, estamos quase chegando!

Com certa relutância ele continuou o caminho e após alguns minutos já estávamos no topo do prédio. Havia uma porta entre aberta que nos daria para a entrada do interior do edifício. Realizamos uma rápida vistoria pelo telhado e após tudo liberado, entramos pela porta que acabou nos levando para mais escadas. Descemos alguns lances de escada antes de encontrarmos a primeira entrada. Por sermos jovens os ataques de Strigoi-Professor eram extremamente raros nessa matéria, mas como eu me destacava em “Defesa e combate I”, o professor Kilian adorava me testar. Por essa razão, quando um vulto pulou em nossa direção, não fiquei tão surpresa. Automaticamente liguei o modo combate e iniciei os poucos conhecimentos de luta que aprendera até ali. Desviei de vários socos e até consegui atingir seu rosto certa hora, mas quando Mason o “estacou” no coração a luta foi encerrada. Respirando com dificuldade o encarei.

– Isso é algo positivo, se tinha Strigoi aqui é por que ele estava protegendo algo. – Sorri.

– Eu não sei, não. – Mason me puxou para um corredor apertado e me encarou. – Pense, Rose, está muito fácil!

– Isso é uma simulação. – Me afastei gentilmente jogando as mãos no ar. – É para ser fácil!

– É, mas... – Ele foi cortado com o som abafado vindo de uma das portas. Nos encaramos por alguns segundos antes de nos atirarmos em direção ao barulho. Assim que nos aproximamos abri a porta com velocidade e precisão, com a estaca de madeira em uma mão e a outra em posição defensiva. Acontece que o que encontrei não foi um Moroi escondido ou um Strigoi-Professor pronto para me atacar. Assim que a porta foi aberta uma luz extremamente forte nos atingiu juntamente com um barulho ensurdecedor. Mason e eu nos jogamos no chão tentando, inutilmente, cobrir os olhos e os ouvidos ao mesmo tempo.

Após alguns segundos a sirene que informava o fim do teste ressoou e o estúdio se iluminou a nossa volta. Nos entreolhamos assustados e confusos quando a voz do professor Kilian surgiu pelo estúdio: Simulação encerrada, teste reprovado.

Falhamos na simulação pois, aparentemente, os Strigoi haviam montado uma estratégia de eliminar os Guardiões primeiro, dessa forma eles implantaram bombas nos locais mais “óbvios” e se tivéssemos realizado a vistoria pelo perímetro externo, teríamos encontrado indícios dessas bombas e suas localizações. O Moroi não estava nem no mesmo prédio. Por conta da minha imaturidade e arrogância acabei nos explodindo, Mason perdeu 10 pontos em sua nota – por não ter tido persistência em sua estratégia — e eu fui para recuperação – de novo.

Eu sentia certo alívio em perceber como evoluí e amadureci ao ponto de me tornar uma das mais reconhecidas Guardiãs. Mas, aparentemente, eu poderia ter acabado de sair de uma explosão pois nada dava jeito nesse cabelo após horas dentro de um avião. Desisti depois de algumas tentativas falhas de penteá-lo e prendê-lo e voltei para meu assento. Dimitri se encontrava no assento da janela, que parecia muito pequeno e desconfortável, enquanto lia um livro surrado.

– Desisti de tentar parecer decente. – Suspirei enquanto me sentava ao seu lado. — Meu cabelo simplesmente está pedindo para ser raspado.

– Você está linda, Rose. – Ele pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos.

– Sabia que você diria isso. – Sorri.

Voltar aqui, definitivamente, tinha sido a coisa certa. Após muita discussão com Lissa e Christian, foi definido que todos voltariam para a Corte e apenas Dimitri e eu voaríamos para Moscou. Lissa, que não gostou nada dessa ideia, tentou me convencer a trazê-la, mas se estar em São Petersburgo já era perigoso, viajar para uma pequena cidadezinha chamada Baia era mais risco do que eu gostaria de tomar. Dessa forma, Lissa, Christian, Eddie e Mikhail voltaram para a Academia afim de pegar o jato de volta para a corte. Só consegui relaxar quando, quase um dia depois, Lissa me ligou informando que já havia chegado na Corte. Dimitri e eu embarcamos no voo pouco tempo depois disso.

– Bom, é a verdade. – Sua voz soou rouca. Seus braços me envolveram e sua mão acariciou meu rosto. – É estranho estar aqui depois de tanto tempo.

– Por que você passou tanto tempo sem visita-los?

– A vida de guardião pode ser bem difícil, Roza. Demorei alguns anos para ser resignado para os Estados Unidos e, quando cheguei lá, eu sempre me dizia que nas próximas férias eu voltaria para vê-los. – Sua voz soou distante.

– Eu tenho certeza que eles vão gostar de te ver. Inferno, se você visse a festa que fizeram quando acharam que você estava morto. – Sorri. – Tenho certeza que será ainda maior quando constatarem que você está vivo.

– Eu imagino. Nesse aspecto os Russos são bastante espirituais. – Ele sorriu enquanto voltava o olhar para a paisagem. – Olha, está vendo aquilo?

Me debrucei sobre ele para poder olhar pela janela. – O que? – Murmurei enquanto observava um grande monumento colorido e redondo. – É bonito.

– A Catedral de São Basílio. – Ele recostou na poltrona novamente. – Muito antiga e muito famosa.

– Não faz sentido. – Concluí, após alguns segundos. Ele me encarou com a sobrancelha levantada. – A Rússia era para ser um lugar sobre neve, urso polar e o pé grande.

Dimitri riu enquanto me encarava com os olhos divertidos.

– Isso está mais para uma Catedral tirada do filme Aladdin. – Murmurei fingindo irritação. – Me sinto enganada.

– Ai, Rose. – Ele beijou o topo da minha cabeça. – O que seria de mim sem você.

Esse pensamento aquiesceu meu coração. A vida de Dimitri seria bem mais fácil sem minha interferência. Para começar, provavelmente, ele nunca teria sido transformado em Strigoi. Rapidamente afastei esse pensamento.

As paisagens de Moscou se mostraram muito bonitas, completamente contra tudo o que eu imaginava sobre a Rússia ser um local cinza e gélido, havia muitas construções coloridas e geométricas e Dimitri me contava sobre as mais famosas. Chegamos ao aeroporto bem cedo e tínhamos algumas horas até o próximo voo para Omsk, de lá locamos um carro e prosseguimos a viagem por terra, pois não havia voo para a cidade de Baia. A estrada era banhada por paisagens verdes e muitas flores e Dimitri fazia questão de pontuar cada beleza pelo caminho. A viagem duraria pelo menos oito horas e, se tudo ocorresse bem, chegaríamos ao pôr-do-sol.

– Sabe, nós poderíamos revezar e ai cada um descansaria por quatro horas. – Murmurei pelo o que pareceu ser a décima tentativa de dirigir.

– Tem razão. – Dimitri disse sorrindo. Ele concordar em comigo dirigir me deixou em choque.

– É sério? – Minha empolgação quase me fez pular do banco.

– Claro. – Ele me encarou por alguns segundos, seus olhos estavam divertidos. – Daqui quatro horas, se eu estiver cansado, nós conversamos sobre isso.

Desmoronei no banco. – Sabia que não seria tão fácil assim.

– Nunca vai ser tão fácil assim, Roza. Aliás, eu conheço melhor a estrada. – Sua mão deslizou para minha cocha, acariciando-a. Como forma de protesto virei meu corpo para longe, fazendo-o rir. – Por favor, não fica chateada.

– Não estou chateada, Camarada, apenas inconformada. Sou uma boa motorista.

– Eu sei que é, amor. – Ele voltou a mão para o volante, deixando o local na minha perna formigar. – Estou apenas sendo prático.

– Não, você está apenas sendo você. – Murmurei.

– E você sendo você. – Seu olhar voltou para mim. – Na volta eu deixo você dirigir.

– Promete? – Sorri quando ele acenou positivamente.

A viagem até Baia foi muito longa, mas não consegui adormecer. Quanto mais nos aproximávamos do destino, mais era notável a mudança no humor de Dimitri. Horas ele parecia ansioso e horas nostálgico e receoso. Até eu estava inquieta para que chegássemos logo. Eu não tinha dúvidas de que sua família o receberia de braços abertos, porém era crucial para Dimitri que ele provasse que não havia nada com o que se preocupar.

O único indicativo de que as horas estavam se passando era o sol caindo no horizonte mas, de acordo com a última vez que perguntei, estávamos muito próximos. Após um tempo, a própria paisagem começou a mudar e alguns prédios e casas foram surgindo entre nós. Apesar de ser uma cidade pequena, Baia era bem movimentada nesse horário. Lojas e restaurantes, apesar de simples, esbanjavam humor para seus clientes. Algo nesse lugar me deixava a vontade. Eu conseguiria me ver morando aqui em outra vida.

– Eu me lembro desse lugar. – Balbuciei. – Estamos bem perto agora.

Ele sorrio em resposta, mas sua expressão estava distante e profunda. Desejei ter um laço com Dimitri para que eu pudesse saber o que ele estava pensando. Após alguns minutos ele desligou o carro e encostou-se, por um tempo, observando a sua frente. Eu entendi o porquê, sua casa estava banhada pelo laranja do pôr-do-sol, quente, convidativa e familiar, de repente me senti nervosa.

– Ei, Camarada, isso não é a pior coisa que você já enfrentou.

Ele acenou e, após alguns instantes, com seu olhar sério de guardião, abriu a porta do carro. Segui seus passos sem saber ao certo o que fazer nessa situação. Não tivemos muito tempo para processar pois, antes mesmo de chegarmos na metade do quintal, a porta principal da casa se abriu abruptamente com a silhueta de uma mulher entre o batente.

– Dimitri? – Eu poderia ser acostumada com seu nome, mas seu nome pronunciado em Russo era algo completamente estranho para mim. De toda forma, Dimitri congelou ao meu lado, compreendendo a voz, e imaginei que um ataque Strigoi seria algo mais fácil de lidar.

Notas finais
Então, pessoal, meu notebook quebrou e estou com dificuldade para usar o computador (visto que são 4 pessoas para 1 computador), por essa razão não vou poder prometer as datas dos capítulos :( Mas, acredito que amanhã eu poste o capítulo 8 (que já está quase finalizado), como pedido de desculpas! hahaha Não esqueçam de comentar e favoritar a história, um beijo e até amanhã!