Notas iniciais
Boa noite pessoal, Desculpas por postar tão tarde, porém tive alguns imprevistos. Ao final do capítulo irei abordar alguns assuntos então, vamos ao que interessa!

– Me explique novamente como fui parar nesse moletom? – Perguntei incrédula. Nada nessa vida justificaria o suéter rosa com lacinhos. – Vocês foram longe demais nessa.

– Era a única peça de roupa que te serviria! – Lissa desculpou-se pela vigésima vez. – Sinto muito não ter suas curvas...

– Pelo menos com uma roupa justa eu iria ficar sexy, agora isso? – Apontei para baixo. – Pareço com uma versão de “Meninas Malvadas”! – Exclamei enquanto encarava meu reflexo no espelho.

– Meninas o que? – Ela me perguntou confusa.

– Você não sabe o que é Meninas Malvadas? – Segurei o suspiro de desespero, mas não pude segurar a careta. – É tipo... É como, hmm, Meninas que são... Malvadas. Quer saber? Esquece, só saiba que é um clássico! – Suspirei.

Eu sabia que estava exagerando e sabia que em uma realidade paralela eu iria adorar ser o tipo de garota que usaria esse tipo de suéter. Infelizmente – ou felizmente – fui criada e educada para ser prática, todo meu guarda-roupa girava em torno de roupas que serviriam tanto para socializar quanto para atacar. Por isso o choque, de ver uma peça colorida e fofa emoldurando meu corpo machucado, me deixou um pouco sem reação. Meus cabelos pendiam longos e soltos e não pude deixar de notar como eles estavam razoavelmente bonitos.

Pelo reflexo do espelho notei como Lissa, que estava sentada em sua cama, me olhava com intensidade e detestei não ter o laço para saber o que a estava perturbando. – O que foi, Liss? – Falei enquanto me virava para encara-la.

– Você vai me contar o que aconteceu lá? – Ela me encarou com seriedade.

Lembranças do ataque de Avery me fez estremecer e precisei me esforçar para não deixar o terror se espalhar pelo meu rosto. – Nada pelo o que eu já não tenha passado... – Assegurei-a. – E, certamente, nada com o que você deva se preocupar.

– Sei. – Me olhou irritada. – Então, o que fazemos agora?

– Descansamos. – Sorri enquanto me sentava ao seu lado. – Você está péssima, Lis. E, para ser sincera, me sinto péssima também. – Acrescentei depois de um tempo.

– Eu posso te ajudar... – Ela começou a esticar sua mão para o meu rosto, mas a impedi.

– Vou ficar bem depois de uma boa noite de sono.

– Gostei dessa ideia. – Com olhar de desculpas nos abraçamos mais uma vez antes de eu me retirar do quarto. Após meu surto de indignação e de duas horas de discurso fui convencida de que, numa situação contrária, eu teria feito o mesmo e que, por essa razão, não deveria ter ficado tão irritada ao saber que Lissa havia se arriscado dessa forma para me encontrar. É claro que não confessei para ela que havia, de fato, aceitado seus argumentos e fiquei agradecida quando ela fingiu estar arrependida pelo perigo em que se submeteu.

Só consegui dar alguns passos pelo corredor por que, brutalmente, a figura anormalmente pálida de Christian surgiu na minha frente.

– Ah, qual é. Já chega de sermões por hoje! – Exclamei quando ele pareceu surpreso ao me ver.

– Sabe, se você não fosse tão impertinente eu até te abraçaria. – Respondeu com um sorriso divertido nos lábios.

– Eu sei que você estava com saudades, não precisa ser tímido! – Retruquei.

– Tchau, Rose. – Ele sorriu e se dirigiu para a porta atrás de mim. – Ah, fico feliz que você esteja bem... – Acrescentou antes de entrar na suíte a encontro de Lissa.

Meu relacionamento com Christian era um dos mais fáceis, pois não possuía tensão, apenas o divertimento de um irritar a vida do outro. Ele deixava Lissa feliz e isso me deixava feliz. Estávamos quites dessa forma. Retomei meu caminho para o quarto e parei no batente da porta, pois a visão de um Dimitri deitado de bruços com os cabelos espalhados pelo rosto me deixou estarrecida. Precisei de vários segundos para processar aquele momento e duvidava que algum dia conseguiria me acostumar com isso.

Seu corpo estava relaxado e ocupava boa parte da cama então precisei do máximo de cuidado para me posicionar ao seu lado sem o acordar. Os acontecimentos recentes me fizeram amadurecer e enxergar o mundo de uma nova maneira. Eu havia aceitado o meu fim e, mais do que isso, tinha corrido para seu encontro. Definitivamente não estava esperando acordar, após dias de torturas e ameaças, com minha melhor amiga e o amor da minha vida me salvando em um quarto de hotel luxuoso na Sibéria. Também não estava esperando que Dimitri iria ter um surto de sensibilidade e razão e praticamente assumir que ainda me amava mesmo depois desse tempo todo. Algo dentro de mim se remexia ao imaginar ele acordando e dizendo como ele havia se deixado levar pelas emoções e que era para eu esquecer de tudo.

Mas quando ele se mexeu na cama e me puxou mais para perto de seu corpo, meus medos sumiram. Era assim tão óbvio que ele me amará desde sempre? Tentei recapitular cada momento juntos desde que ele foi restaurado, talvez, quem sabe, bem no fundo, eu sempre soubesse que ele me amava.

Não sei dizer em que momento havia adormecido em seus braços, mas tive um leve sobressalto com o acariciar de seus dedos nos meus braços, me despertando.

– Te assustei? – Disse ele, cautelosamente.

– Não, bom, na verdade sim. – Sorri enquanto me virava para olha-lo melhor. – Estava sonhando.

– Quer me contar sobre isso?

– Não. – Seu olhar me inundava e senti como se meu coração fosse expandir. – Aqui está melhor que qualquer sonho.

Aproximei nossos rostos ao mesmo tempo em que ele segurava meu queixo, nossos lábios se roçaram e foi como se o mundo girasse mais devagar. Não havia pressa nesse momento e, acredito eu, que ambos sentiam a necessidade de apenas aproveitar a calmaria do agora. Nosso beijo foi lento e apaixonado, cada movimento era apreciado e fiquei orgulhosa em como eu estava paciente. Talvez o fato de estar constantemente em perigo tenha me deixado mais madura, pensei.

– Rose... – Sua voz soou como aviso, mas estava fraca e rouca.

Com um suspiro me afastei apenas o suficiente para encara-lo. – Sim, camarada?

– Você se lembra daquele dia... Logo após o ataque, enquanto caminhávamos na floresta? – Ele acrescentou quando não fiz menção de entender aonde ele queria chegar.

– Eu me lembro de tudo sobre aquele dia. – Fechei os olhos enquanto pensava sobre o dia que havia se tornado o melhor e o pior da minha vida. – Dimitri, eu não acho que esse seja o momento ideal para relembrar daquele dia. – Falei melancólica.

– Você se lembra do que dissemos um para o outro naquela floresta? – Disse ele ignorando meu resmungo.

Acenei positivamente, ainda sem entender o que ele queria com tudo aquilo. Tantas coisas foram ditas e, logo após, anuladas com a morte dele, que ainda me doía pensar sobre aquele momento.

– Mesmo antes, eu havia me prendido no que era certo, no que as pessoas acreditavam ser o certo. Me afastei de você naquela época e, mesmo assim, não fui forte o suficiente para resistir a você. Naquela floresta eu havia dito que te amava e que era tolice viver a mentira de que você era apenas uma aluna.

– Eu disse que não queria fingir que não te amava. – Completei. Arrancando um sorriso seu em resposta.

– Sim. E hoje eu percebo que fiz de novo, fico tentando me afastar de você, sempre pensando no que é o certo a se fazer. Mesmo sabendo que nunca será o certo ter você longe de mim...

– Dimitri, o que você está tentando me dizer?

Ele suspirou divertidamente, o sorriso ainda em seus lábios.

– Acho que o que estou tentando, sem muito sucesso, te dizer é que eu, verdadeiramente, amo você.

– E você precisou de tudo isso para me dizer isso. – Ele gargalhou e nossos corpos tremeram.

– Acho que mereci isso. – Disse ele colocando algumas mechas do meu cabelo para trás. – Eu nunca mais vou deixar você, Roza.

Ele me beijou antes que eu pudesse pensar em uma resposta digna, afinal de quantas outras maneiras eu poderia dizer e provar que o amava. E, mesmo assim, essa era a verdadeira prova de amor, estar junto da pessoa que você ama independente do que possa vir a acontecer, pensei. E Dimitri acabara de me prometer isso. Se eu fosse um pouco mais religiosa, poderia dizer que estava vivendo um pedaço do céu. Meu coração queimou.

Dimitri deslizou suas mãos pelas minhas costas por debaixo do meu suéter, me fazendo estremecer sob seu toque. Me coloquei por cima de seu corpo e tive a visão maravilhosa dele me olhando com curiosidade, meus cabelos caíram em volta de nossos rostos enquanto o puxava para mais um beijo — no qual ele respondeu prontamente. Suas mãos firmes deslizaram pelo meu corpo e seu toque era como uma corrente elétrica pelo meu corpo. Ele se sentou comigo em seu colo, e à medida que nos beijávamos o calor aumentava nos fazendo suar.

Ele deslizou os lábios para minha orelha – a mordendo suavemente – e para meu pescoço, seus beijos eram como fogo e meu corpo reagia sempre à procura de mais. Quando seus lábios não puderam mais prosseguir pela minha pele por conta do suéter, ele o tirou do meu corpo o jogando do outro lado do cômodo. A pausa levou apenas o tempo suficiente e, tão logo quanto ele retirou meu suéter, seus lábios já estavam de volta nos meus ombros. Às vezes eu sentia sua língua traçar o caminho pela minha pele, me fazendo arfar de prazer.

Com muita relutância afastei nossos corpos para tirar sua blusa que, a essa altura, já estava me incomodando. Joguei meus braços em volta de seu pescoço e, como se lesse minha mente, Dimitri me agarrou e nos girou de forma que ele ficou com o corpo por cima do meu. Nossos lábios se juntaram novamente e cada centímetro de nossos corpos se tocavam e se roçavam. Com a respiração ofegante ele voltou a deslizar os lábios pelo meu corpo indo pelo pescoço, ombros, seios, abdômen até deslizar para minha cocha enquanto retirava minha calça. A essa altura eu estava extasiada e meu corpo inteiro tremia de desejo e prazer.

Certas vezes Dimitri sussurrava meu nome e me olhava profundamente e em cada vez eu sentia minha alma flutuar fora do corpo. Era maravilhoso, ele era maravilhoso, cada toque, caricia e beijo, era puro amor. Nada no mundo poderia ser tão intenso e sincero quanto aquilo. Nossos corpos se entrelaçaram e o instinto nos tomou por completo. Dimitri era atencioso e feroz e cada musculo de seu corpo se tencionaram quando atingi o ápice do prazer. Ele arfou quando, logo após, foi sua vez.

Nossos corpos caíram moles no colchão molhado pelo nosso suor, ambos sorrindo. Ele me puxou para seu peito e permanecemos naquele desse jeito por um tempo.

– Sabe... – Comecei. – Eu meio que te amo também.

Ele gargalhou fazendo seu peito ressoar.

– Meio que me ama.

– É, tipo isso, mas não começa a se gabar, Camarada. Se não já te deporto definitivamente para a Sibéria. – Acrescentei.

– Rose, Rose. – Disse ele enquanto beijava o topo da minha cabeça. – Você não tem juízo. Na verdade, eu preciso da sua ajuda.

Seu tom sério me deixou alarmada e automaticamente me levantei para encara-lo, pronta para qualquer problema que precisássemos enfrentar.

– O que aconteceu? – Perguntei.

– Nada, está tudo bem... Bom, é que... – Dimitri não era o tipo de cara que evitava assuntos desconfortáveis então, vê-lo ali com o olhar distante e sem palavras fez meu coração pular.

– Ei, o que foi? – Coloquei uma mão em seu rosto, precisando desesperadamente trazer seu sorriso de volta. – Eu faço o que quer que seja! – Afirmei.

– Isso é algo muito perigoso de se prometer. – Disse ele com um sorriso suspeito nos lábios, que sumiu rapidamente. – Eu estava pensando que, já que estamos aqui... Eu queria visitar minha família e, quem sabe, mostrar para eles que eu ainda sou eu. – Sua voz soou fraca. Pensei sobre aquilo por um momento. Muito provavelmente sua família teria ouvido sobre “O grande milagre”, porém era necessário e muito importante para Dimitri, provar para eles que ele ainda era um Dampiro. E mesmo que Dimitri fosse capaz de lutar com uma legião de Guardiões ou Strigoi ele ainda precisava do meu apoio para encarar a reação de sua família. Meu coração bateu mais forte e comecei a me preocupar com a possibilidade dele não aguentar toda essa montanha russa de emoções que tenho vivido recentemente.

– Eu vou com você. – Disse seriamente. – Essa é uma excelente ideia, Dimitri.

– Não tenha tanta certeza disso. – Ele começou a brincar com uma mecha do meu cabelo. – Minha família pode ser bem rigorosa quando quer.

– Mas também pode ser bem receptiva. Eles me receberam mesmo quando não sabiam quem eu era. – O assegurei. – E, talvez seja hora de te contar que existe a leve possibilidade de Viktoria não gostar de me ver novamente – Sorri disfarçadamente contra seu olhar questionador. Eu jamais entregaria as ações de Viktoria para seu irmão mais velho, mas, talvez, um prévio aviso de um possível confronto entre ela e eu, poderia vir a calhar nesse reencontro.

Com isso Dimitri me fez contar cada detalhe sobre minha passagem pela família Belikov enquanto eu tentava esquivar dos reais motivos que fizeram Viktoria me “expulsar” de sua casa. Ele, que sempre sabia quando eu era sincera ou não, deixou bem claro que não acreditava nas minhas desculpas e só me deixou em paz quando eu, com muita insistência, aleguei cansaço e que precisaríamos descansar para podermos viajar.

Adormecemos com os corpos entrelaçados enquanto o sol nascia preguiçosamente se espalhando pelo quarto.

Notas finais
Bom pessoal, seguinte... Tenho duas coisas para dizer aqui: 1- O último capítulo teve uma baixa nos comentários então eu queria saber, POR FAVOR, o que não agradou... O que me faz continuar escrevendo são os comentários então, por favor por favor, se você leu algo que não gostou COMENTE! Seja como crítica, sugestão ou ideia, mas comente, é muito importante para eu saber o que agrada e o que NÃO agrada vocês. 2- Vocês curtem essa pegada mais "hot" na fic? Querem mais situações como essas (aonde descrevo o momento) ou preferem que seja mais discreto (como nos livros)? Por favor me respondam para que eu possa escrever o próximo cap. Obrigada a todos que comentam fielmente e, dependendo de como for a recepção desse capítulo, estou pensando em começar a postar dois cap por semana, o que acham?! Beijos e até mais