A última escolha de Rose Hathaway
5 Capítulo 5 - Me deixa te salvar
Notas iniciais

– Rose? – Como em resposta ela estremeceu no meu colo e precisei de toda força emocional para segurá-la firmemente nos braços e nos levantar do chão. Sua cabeça pendeu mole nos meus ombros e um estranho flashback me tomou enquanto corria em direção ao corredor.
– Você a achou? – Eddie perguntou vindo de encontro a nós. – Mas que merda! – Ele exclamou quando a viu ensanguentada nos meus braços.
– Ela está viva, mas precisamos sair daqui. – Disse sob a respiração. – Guia o caminho. – Não precisei me direcionar para o Eddie por que, prontamente, ele começou a correr. Dessa vez sem cuidado com os barulhos, qualquer Strigoi que quisesse nos atacar já o teria feito.
– Roza, fica comigo, ok? – Sussurrei tentando acorda-la. – Abre os olhos! – Nenhuma resposta ou movimento. Meu coração, a essa altura, estava prestes a sair pela boca.
Subimos apressadamente os lances de escada, Eddie liderando e Mikhail me cobrindo – já que a Rose estava em meus braços e nada me faria solta-la.
– Mikhail, liga para Lissa! – Gritei enquanto atravessávamos a saída do museu, o sol estava ameaçadoramente baixo e não consegui ver que horas eram. Só podia esperar que ainda não fosse 18h.
Nos dirigimos para o beco aonde havíamos deixado os carros e, sem pensar, me joguei no banco de trás da SUV.
– Rose? – Segurei seu rosto, com medo do que um simples movimento poderia lhe causar.
– Você é real? – Ela sussurrou, sem conseguir abrir os olhos.
– Sim... – Minha voz saiu embargada. – Eu sou real e preciso que você aguente firme.
– Não... Consigo... – Ela tentou abrir os olhos, mas suas pálpebras pareciam pesadas.
– Você é tão forte, Roza.
A porta do carro se abriu e, por um segundo, me assustei com a garota de cabelos castanhos que entrou apressada. Lissa sentou do nosso lado e, com os olhos vermelhos e inchados, esticou a mão para toca-la.
Com os olhos fechados e as pontas dos dedos tocando levemente a bochecha de Rose, me esqueci do mundo a nossa volta. Seu falso cabelo – castanho avermelhado – pendia emoldurando seu rosto e sua feição, que antes era cansada, agora estava iluminada. Senti uma onda de paz irradiar de seu corpo e tive o pressentimento que estava observando um anjo. Após alguns segundos Lissa abriu os olhos e, com um olhar preocupado, observou Rose. As mudanças foram pequenas, apenas os cortes mais superficiais foram totalmente curados. Os machucados profundos haviam iniciado a cicatrização em suas bordas, seu olho machucado estava menos inchado.
– Desculpe... – Lissa sussurrou enquanto limpava uma lágrima do rosto. – Estou muito fraca.
– Tudo bem. – Coloquei uma mão em seu ombro. – Vamos para um lugar seguro, ela vai ficar bem. Ela sempre fica. – Murmurei essa última parte mais para mim mesmo.
São Petersburgo era a segunda maior cidade da Rússia e eu já havia pesquisado sobre hotéis regidos por Morois disfarçados, assim teríamos a proteção necessária e o fornecimento de sangue que deixaria Lissa mais forte. Chamei Mikhail e lhe passei as coordenadas necessárias para que chegássemos antes do pôr-do-sol. A viagem inteira levou cerca de quarenta minutos e minha mente não parou de girar nem por um segundo.
Rose ainda padecia mole em meus braços e Lissa, vez ou outra, tocava-a levemente ficando frustrada depois. – Lissa, descanse um pouco, assim que chegarmos você irá se alimentar e vai conseguir ajudar ela. – A tranquilizei. – E se prepare por que, quando ela souber que você está aqui, vai ficar muito irritada. – Ela sorriu suavemente, o que fez com que eu me acalmasse um pouco mais.
Paramos em frente ao hotel e entregamos as chaves para o manobrista, que teve um sobre salto quando me viu saindo do carro com uma mulher ensanguentada nos braços, Lissa assumiu a frente usando compulsão para convencê-lo de que estava tudo bem. Foram necessárias mais algumas doses de compulsão — tanto para despista-los de sua real aparência, quanto para acalma-los sobre Rose – para, finalmente, conseguirmos adentrar o luxuoso hotel.
Precisei subir pelo elevador de serviço por conta da minha situação mas nesse momento nada me incomodava. Só a mulher nos meus braços que eu precisava, desesperadamente, proteger. Não existe honra em enganar a si próprio, percebi. Eu poderia viver sem a Rose, seria uma vida fria e vazia, mas eu poderia viver sem ela. A grande questão era, eu queria viver sem ela? Por que, nesse momento, com ela nos meus braços e tendo a constatação de que ela ficaria bem, eu me sentia inteiro. Não, inteiro não, eu me sentia transbordando. Como voltar a respirar depois de ficar muito tempo debaixo d’agua.
– Por aqui... – Lissa chamou entre o batente da porta do quarto que ficaríamos hospedados. – Deite-a aqui.
Segui-a enquanto passávamos pelo aposento, que se mostrou surpreendentemente sofisticado, entrando em um pequeno corredor que dava para uma das suítes. A cama era exageradamente grande, então tivemos espaço suficiente para ficarmos cada um de um lado da Rose.
– Você está bem? – Perguntei para Lissa que parecia prestes a desmaiar.
– Vou ficar. – Ela sorriu gentilmente enquanto tentava, em vão, organizar os cachos da Rose.
Olhamos em direção à porta quando ouvimos uma leve batida. — Liss, os fornecedores chegaram. – Christian se aproximou, lançando um olhar preocupado para o corpo desfalecido de Rose.
“Eu já volto”. Ela sussurrou no ouvido da Rose antes de sair.
A suíte era simples, porém sofisticada. A janela tomava quase a parede inteira, deixando o laranja do pôr-do-sol se espalhar pelo cômodo. Haviam sofás, cadeiras e mesas no quarto e me perguntei, internamente, se havia necessidade de tudo isso em um quarto de hotel. Resignado, me levantei em direção ao banheiro – que era quase tão grande quanto o quarto. Lavei as manchas de sangue das mãos, pescoço, rosto e me assustei com minha própria imagem refletida no espelho. Não pelas marcas de batalha, que não me incomodavam, mas pelo olhar exasperado. Respirei fundo. Vai ficar tudo bem agora. Andei em direção à ducha, mas desisti na metade do caminho, preferindo a banheira, com uma ideia em mente. Abri as torneiras, deixando a água quente cair e, após vários minutos, decidi que a profundidade da água era o suficiente.
Voltei para o quarto e, com bastante cuidado, retirei peça por peça de suas roupas – que estavam muito precárias. Não havia sentimento sexual nesse momento, só o desejo desesperado de cuidar dela. Segurei-a no colo e a levei para a banheira. De início apenas a deixei alí, com a cabeça apoiada na borda da banheira, enquanto um pouco do sangue se dissolvia de sua pele. Após alguns minutos a água começou a ficar na cor vermelho-marrom.
– Boa ideia. – Lissa falou atrás de mim.
– Agora estou começando a reconhecê-la.
Lissa deu a volta pela banheira se sentando, assim como eu, em um banco – ambos de cada lado. Ela pegou uma bucha e, suavemente, passou por algumas partes do corpo de Rose. Fiz o mesmo, o que não era uma tarefa fácil, por que muitas partes de seu corpo estavam gravemente feridas.
– Acho que consigo dessa vez... – Lissa sussurrou enquanto se reclinava para mais perto de Rose, com as mãos encostando seus ombros, e fechava os olhos. Dessa vez a onda de energia foi mais intensa e, quase que imediatamente, Rose começou a cicatrizar. Primeiro os cortes superficiais desapareceram, depois os mais profundos foram se fechando, seu rosto foi o último a iniciar a cura. Seu olho inchado e cortado agora estava com um hematoma verde. Lissa respirou fundo antes de abrir os olhos.
– Está bem assim. – Eu disse a encorajando.
– Ela já não está mais tão pálida. – Ela suspirou.
Perdi a noção de quanto tempo ficamos ali. Lissa pegou sabonete neutro, e enquanto eu segurava Rose sentada, ela a esfregava até todas as feridas que não estavam totalmente cicatrizadas estivessem limpas. Abrimos as torneiras novamente para podermos lavar os cabelos da Rose. Lissa enxaguou-o e ensaboou-o três vezes, enquanto eu apenas ficava ali, segurando-a. Em alguns momentos ela se remexia, como se estivesse sonhando, mas não acordou. Isso nos preocupou, mas não nos permitimos desanimar naquele momento.
Quando Rose já estava cheirando a morango o suficiente para ambos, decidimos que era hora de tira-la, o que fez com que eu ficasse molhado enquanto a suspendia da banheira e Lissa a enrolava na toalha. A levei para a cama enquanto Lissa tentava encontrar alguma roupa sua que pudesse caber nela – que acabou por ser um suéter rosa de laços e uma legue preta. Sorri com a imagem e fiquei profundamente ansioso para ver sua reação quando se visse.
– Dimitri, eu não tenho como te agradecer. – Lissa me abraçou, o que era raro mas, nesse momento, todos estávamos vivendo no limite emocional.
– Você não precisa agradecer. – Falei quando nos afastamos.
– Preciso sim, por que não era sua obrigação. – Ela parou por um momento. – Não mais... Você sabe disso, não sabe?
– Disso o que? – Perguntei.
– Quando eu te pedi para protege-la na fuga da Corte... – Ela encarou o chão por um momento. – Daquela vez foi como cobrança de favor, mas...
– Entendi. – Eu a interrompi. – Eu não fiz isso por conta do meu voto de servi-la, Majestade. Fiz isso por mim. – Assegurei.
– Então você... – Ela sorriu fracamente, com um brilho suspeito no olhar.
– Não sei, Lissa, não sei. – Murmurei enquanto me apoiava no parapeito da janela e encarava a noite cálida da Sibéria.
Toda vez que eu fechava meus olhos à noite eu podia ouvir os gritos de socorro de cada vítima que matei. A minha maior dor é saber que eu não havia sido apenas um Strigoi que matava para sobreviver. Eu havia sido um Strigoi que brincava e perseguia a caça e, quando o jogo me entediava, as matava de forma lenta e dolorosa.
A transformação foi agonizante – como ter os membros do corpo arrancados sem anestesia. E quando despertei na caverna me senti confuso, era como ter a consciência de estar sonhando, porém sem conseguir controlar o corpo. E tudo o que havia sobrado da minha essência era o instinto animal que havia despertado o meu pior.
Lembro-me com uma dolorosa clareza do auge da minha crueldade, aconteceu dias antes de encontrar com Nathan. Estava muito escuro e frio – para os mortais — e eu vagava pelos becos perdidos de São Petersburgo, ainda lutando para tentar entender o que eu era. Fora a sede assassina, a mente de um morto-vivo era regada de angustia e ódio ensandecido. Eu estava prestes a voltar para meu abrigo quando meus ouvidos ultrassensíveis captaram o som dos passos desgovernados de alguém.
Lembro-me de ficar escondido nas sombras enquanto esperava o azarado que andava para a morte e de como o joguei contra a parede enquanto lhe ordenava para que ele implorasse pela sua vida. “Você tem dez segundos para correr pela sua vida antes que eu arranque sua garganta e coma o seu coração”. Foram as palavras que usei para amedronta-lo – como se fosse necessário — e quando o soltei e contei até dez, em alto e bom tom, aquele jovem rapaz não havia sido rápido o suficiente para se safar do meu ataque. Seus gritos ecoaram pela noite e eu ainda acordava suando e com o gosto de seu sangue na garganta.
Mesmo que eu tenha matado mais Strigoi do que humanos era em momentos como esse que eu acreditava não haver rendição para mim. Não havia percebido que estava com os olhos apertados até que um leve movimento me chamou a atenção – obrigando-os a abrir.
Rose se remexeu novamente enquanto esticava os braços tranquilamente. Seus movimentos eram tão graciosos que em alguns momentos eu me esquecia de como aquela mulher poderia ser fatal. Um sentimento que à muito tempo havia sido trancafiado ameaçou se mexer dentro de mim. A constatação de que Rose conseguia ser tão atraente mesmo que inconscientemente desorientada me fez sorrir.
– Boa noite. – Falei. Como que em um sobressalto ela sentou na cama enquanto analisava assustada o nosso redor.
– Então era real. – Rose respondeu com a voz rouca.
– Se com real você quer dizer: Correr para outro país acreditando que você estivesse morta. Então. Sim. – Não consegui evitar o tom amargo que saiu ao relembrar o tormento que fora essa viagem.
– Olha, Dimitri, se você acha que... – Ela começou, mas se interrompeu com os cenhos franzidos. – Espera... Se você achava que eu estava morta então por que veio aqui?
– Por que todos concordaram que você merecia um funeral digno de um guardião. – Respondi.
– Hm, isso até que é legal. – Um sorriso ameaçou nascer em seus lábios, mas morreram rapidamente. Ela me encarou com seriedade, o que era raro para ela. – Tudo bem, camarada, manda a ver.
Precisei de alguns segundos para entender o que aquilo queria dizer, mas acredito que minha postura defensiva e meu rosto fechado não estivessem passando uma mensagem muito amigável.
– Por quê? – Perguntei de repente me lembrando de tudo o que aconteceu e o que poderia ter acontecido. Raiva por sua ousadia se misturou com a dor de quase perdê-la e precisei me lembrar de me acalmar.
– Por que eles provaram que tinham poder dentro da Corte. – Ela se levantou com os braços cruzados, de frente para mim. – Eles a ameaçaram, Dimitri!
– Eu não quero saber isso! Quero saber por que você não me disse nada, Rose? – Minha voz não estava alta, mas estava claramente perturbada.
– Por que eu não preciso da sua proteção ou permissão! – Ela fechou o cenho enquanto me encarava.
– Isso não tem haver com você. – Dei um passo em sua direção. – Tem haver com nós dois. Você está nessa situação por minha culpa! – Passei a mão pelo cabelo tentando me acalmar.
– Ah, para com essa novela de cul...
– Não seja ridícula. – Interrompi. — Não tem haver com dramatização. Você veio aqui e fez o que fez por minha causa. – Pude perceber que ambos estávamos perdendo o controle por que Rose fechou os punhos em frustração. – Você deveria ter pedido minha ajuda. Juntos poderíamos cuidar da ameaça, já fizemos isso antes. Mas não, você mais uma vez provou que ainda não pensa nas conse...
– Não! – Ela gritou. – Não deveria. Você não tem o direito de dizer isso... – Sua voz abaixou para um sussurro enquanto seus olhos se encheram de lágrimas. Fiquei perplexo com a mudança de humor. – Dimitri, quando Mason morreu... Aquilo acabou comigo, ok? Eu fiquei devastada. Eu queria que tudo tivesse sido um sonho. A dor foi tão forte e a culpa foi tão esmagadora que tudo o que eu pensava era “Se eu tivesse sido mais rápida, mais forte ou mais esperta, ele estaria vivo”. Eu me dediquei mais ainda ao treinamento, as aulas e aos exercícios. A morte de Mason me tornou uma guardiã melhor. – Ela deixou um pouco das lágrimas caírem e seu olhar se tornou profundo – Mas quando você morreu... Aquilo me destruiu. A dor de te perder daquele jeito, foi algo que eu nunca havia sentido antes. Eu desejei morrer. Sua morte não me tornou uma guardiã melhor. Eu preferiria ser torturada à sentir aquela dor novamente. – Ela me encarava enquanto eu só conseguia tentar processar tudo aquilo. – Então você pode ficar bravo comigo, droga, você pode até virar as costas para mim de novo. Estou bem com isso. Mas não me peça para te perder outra vez. – Ela se virou de costas para mim antes de sussurrar novamente: Não outra vez.
Alguns segundos se passaram.
– Me perdoa. Rose. – Minha voz saiu embargada. – Me perdoa, Roza. – Me aproximei quando ela voltou a me encarar. – Eu preciso que você me perdoe. – Repeti.
– Pelo o que? – Ela sussurrou com medo no olhar.
– Por tudo. Por ter te machucado, mesmo que sem querer. – Acrescentei rapidamente quando ela começou a protestar. – Mas, principalmente por ter sido tão tolo. Por ter decidido o que era melhor para você sem levar seus sentimentos em consideração... – Minha voz soou mais fraca do que eu gostaria de admitir mas, dessa vez, não me impedi de ser totalmente franco. – Por ter mentido para você sobre os meus sentimentos. Rose, eu quero que você entenda que tudo o que fiz foi por que a culpa era, e ainda é, grande demais! – Falei sem respirar.
– Você mentiu sobre os seus sentimentos? – Seu tom era sério. – Dimitri, você ainda me ama? – Ela acrescentou quando eu não a respondi.
– Como eu poderia deixar de amar você, Rose? – Nós estávamos muito próximos agora e a tensão era palpável. – Como eu sequer poderia deixar de amar você? Você é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida.
– Então por que você diz como se me amar fosse algo ruim? – Ela sussurrou com os lábios tão próximos que sua respiração dançava na minha pele.
– Por que ainda existe muita escuridão em mim. – Confessei fechando os olhos.
– Então me deixa te salvar dessa vez, Dimitri. – Sua voz foi suave e precisei abrir os olhos para entendê-la. – Na cabana, você me salvou da escuridão lembra? – Meu sorriso tímido foi resposta suficiente por que ela preencheu o pequeno espaço que possuía entre nós. Dessa vez não houve medo, escuridão ou sofrimento. Eu não a afastei por que eu a queria, admiti para mim mesmo, com todo meu corpo e alma. Eu não tinha noção de como sentia sua falta até esse momento.
Nossos braços se encaixaram perfeitamente enquanto ela colocava uma mão na minha nuca e eu deslizava a mão para sua cintura. Nossos lábios se uniram e foi como se um peso tivesse sido retirado dos meus ombros. Seu beijo era quente e sensível e dizia tudo o que as palavras não eram capazes. Havíamos ficado separados por tempo o suficiente e agora nossos corpos nos comandavam. Pensei sobre a possibilidade de ela me salvar de toda escuridão que me assombrava e me senti automaticamente mais feliz com a certeza de que sim, era possível que Rose me salvasse.
Peguei seu rosto em minhas mãos e não consegui segurar a emoção crescente no peito. – Eu quero fazer isso direito dessa vez. – Beijei-a novamente. – Rosemarie Hathaway, você é meu ponto de equilíbrio e eu ficaria extremamente honrado se você aceitasse namorar comigo. – Minha voz soou rouca no final.
Seu rosto e olhar estavam indecifráveis e os segundos de silêncio que se passaram foram perturbadores.
– Droga... – Seu sorriso cresceu enquanto me olhava. – Eu esperei isso por muito tempo, camarada. – Ela jogou seus braços em volta do meu pescoço enquanto eu a suspendia acima da minha cabeça e nossos lábios se uniram segundos depois dela sussurrar: Sim, aceito.
O beijo romântico cresceu e ficou intenso, cada vez que ela deslizava as mãos pelo meu peito ondas elétricas pulsavam pelo meu corpo me lembrando de quanto tempo fazia que não a tinha em meus braços. Tive um calafrio percorrendo meu membro quando ela começou a deslizar uma mão por debaixo da minha blusa e precisei de muito controle e equilíbrio para interromper a outra mão que deslizava para minha calça.
– Rose. – Minha respiração estava pesada enquanto tentava controlar o desejo crescente em mim.
– Não me diga que você não quer... Eu posso sentir. – Como que para provar seu argumento ela aproximou mais os nossos quadris fazendo meu corpo pulsar de desejo.
– Ah... Não faz isso. – Arfei exasperado. – Você ainda está machucada, olha. – Girei seu rosto delicadamente na direção de um espelho.
Ela analisou seu reflexo por um momento antes de voltar sua atenção para mim.
– Como você consegue ser tão racional em um momento como esse? – Ela sorriu e meu mundo iluminou em resposta. – Deve ser coisa de gente russa.
Beijei sua testa enquanto ria de sua careta. Mal ela sabia quanta força de vontade eu utilizava para ser racional nesse momento.
– Espere ai... Eu estava muito pior! – Ela me encarou, o divertimento momentaneamente esquecido, enquanto se esforçava para se lembrar.
Sem prévio aviso ela se lançou porta afora da suíte e me preparei mentalmente para a explosão que estava por vir.
– Lissa! – Ela falou quando viu a figura magra de sua melhor amiga recostada no sofá. — Eu não acredito nisso, como você pôde se arriscar... – Ela foi brutalmente interrompida com o abraço de Lissa, que acabou por durar vários minutos.
– Eu deveria te dar um soco, Rosemarie. – Lissa soou séria, mas extremamente aliviada.
– Ok, vocês dois precisam parar de me chamar pelo nome completo, estou começando a surtar. – Ela sorriu. – Me desculpa, Lis. – Acrescentou.
– O que você fez foi muito sério, eu deveria ordenar que você fosse presa no calabouço como punição. – Os olhos de Lissa eram intensos.
– Mas não existe calabouço na Corte.
– Eu mandaria construírem um! – Elas sorriram uma para outra e o momento se tornou tão íntimo que me senti na necessidade de me retirar.
Sentindo meu corpo pesado e cansado, voltei para o quarto e me deitei na cama. Havia muitas coisas a serem esclarecidas e a ameaça ainda era real. Se a Rainha estava em perigo teríamos que agir muito em breve para coloca-la de volta a Corte. Também precisávamos avisar os Alquimistas e o Centro dos Guardiões sobre o massacre no Museu e sobre o Strigoi que fugiu. Precisávamos descobrir como eles estavam compelindo Morois para dentro da Corte e em como isso nos prejudicaria. Também precisávamos saber se o “exército de Strigoi” realmente existia. Cansado e resignado de que nada poderia ser feito em apenas uma noite me permiti cair na inconsciência de um sono profundo. Os próximos dias seriam decisivos.
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